Teses e Dissertações
O professor como um lugar: um modelo para a análise da regência de classe
Ana Lúcia Pereira Baccon, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 20/12/2005
O presente trabalho tem por objetivo investigar a construção dos saberes docentes, bem
como apresentar a aplicação de um modelo para a análise de regência de classe durante
o estágio supervisionado da licenciatura de Física. Tendo como foco o relacionamento
professor-aluno, o modelo se constitui como um triângulo, cujos vértices vêm a ser o
estagiário, o professor regente e os alunos. Para o levantamento das informações desta
pesquisa, foram entrevistados dois grupos de estagiários e analisados seus relatórios de
regência. Ao todo, a pesquisa envolveu 5 estagiários, que realizaram a regência em um
colégio central de Londrina. Durante as entrevistas, semi-estruturadas, o estagiário era
convidado a falar sobre a sua experiência com o estágio supervisionado. Buscou-se
perceber as representações que cada estagiário elaborou durante o estágio, em relação
aos alunos, ao professor, à escola, aos outros estagiários de seu grupo e ao próprio
estágio. A partir dessas representações procurou-se: (i) verificar quais saberes os
estagiários conseguiram construir durante esse período; e (ii) o que de pessoal cada
estagiário desenvolveu que poderia caracterizar a singularidade de seu estilo docente.
Para a análise dos dados, utilizou-se a metáfora do “professor como um lugar”, tendo
como referencial teórico a Psicanálise, principalmente a lacaniana, onde o conceito de
transferência surge como central, para que se construa esse “lugar”.
Concepções de duas professoras sobre os processos de ensino e aprendizagem em Matemática
Marisete de Fátima Garbossa Castilho, Profª. Drª. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino
Data da defesa: 19/12/2005
Acreditamos que o modo como os professores trabalham com a Matemática na sala de aula
é fortemente influenciado pela sua formação. Os diferentes contatos que tiveram com a
Matemática durante sua formação possibilitaram a constituição de concepções, sobre os
processos de ensino e de aprendizagem em Matemática nem sempre são conscientes.
Assim, mudanças na abordagem da Matemática pelos professores, nos diversos níveis de
ensino, podem ser promovidas pela identificação dessas concepções e pela análise da
influência destas na prática pedagógica. Neste trabalho buscamos identificar as concepções
de duas professoras sobre os processos de ensino e de aprendizagem em Matemática,
durante o desenvolvimento de um grupo de estudos e por meio de entrevistas. As reflexões
promovidas durante e após o desenvolvimento dessas atividades poderão contribuir para a
conscientização de professores sobre suas concepções e levá-los a refletir sobre como elas
podem influenciar na organização de sua ação pedagógica, analisando os pressupostos
epistemológicos subjacentes a ela. Além disso, acreditamos que nossa investigação pode
fornecer elementos para que possamos encontrar formas alternativas de formação inicial e
continuada de professores de Matemática.
A relação com o saber profissional e o emprego de atividades experimentais em física no ensino médio: uma leitura baseada em Bernard Charlot
Bruno Gusmão Kanbach, Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 18/11/2005
Este trabalho realiza um estudo que procura compreender o emprego ou não das atividades
experimentais no ensino médio, por professores de Física na cidade de Londrina/PR. Contudo,
este estudo procura superar a interpretação desgastada baseada no discurso da falta ou carência de
algo, que comumente é encontrado na literatura. Nesta busca por uma resignificação na questão
da utilização ou não das atividades empíricas no ensino de Física, tem papel importante, o uso de
uma leitura da obra de Bernard Charlot. Esta obra possibilita um olhar mais abrangente das
informações e que foge do senso comum, de forma que obtenhamos detalhes da relação do
professor com o seu saber profissional. Por meio de uma análise qualitativa dos dados, mostramos uma forma mais profunda e frutífera de compreender a questão da utilização ou não
das atividades experimentais no ensino de Física.
Análise da dinâmica de um grupo de aprendizagem em ciências no ensino fundamental
Zenaide de Fátima dante correia rocha, Prof. Dr. Marcelo Alves Barros.
Data da defesa: 09/11/2005
Este trabalho pretende investigar os vínculos de diferentes naturezas que se
estabelecem nos grupos em situações de ensino e, ao mesmo tempo,
compreender a maneira como se estruturam para a realização de suas tarefas.
Descreve a dinâmica de um grupo constituído por quatro alunos entre 9-10 anos
de idade em uma oficina de ciências. O referencial teórico utilizado para análise e
interpretação dos dados é de orientação psicanalítica, particularmente a Teoria do
Vínculo de Pichon-Rivière. A análise dos dados focaliza os vínculos estabelecidos
pelo grupo com a atividade, com a professora e entre seus membros, assim como
os papéis assumidos pelos alunos na realização das atividades propostas pela
professora. Conclui apontando alguns subsídios para o professor planejar sua
intervenção, refletir sobre seu papel como líder e coordenador do trabalho em sala
de aula, no sentido de favorecer a aprendizagem em situações nas quais as
tarefas são realizadas em grupos
Modelagem Matemática: Uma Perspectiva voltada para a Educação Matemática Crítica
André Gustavo Oliveira da Silva , Profª. Drª. Lourdes Maria Werle de Almeida
Data da defesa: 25/10/2005
Nesta pesquisa investigamos algumas contribuições para a formação cidadã dos estudantes,
quando adotamos a modelagem matemática, na perspectiva da Educação Matemática
Crítica, como alternativa para o ensino de Matemática. Abordamos a questão da cidadania
como um processo em construção e permanentemente aperfeiçoável, para isto nos
ancoramos na idéia de Skovsmose (2001) na qual aponta o desenvolvimento do
conhecimento reflexivo num processo de critização (FREIRE, 1983) como fundamental
para o exercício de uma cidadania consciente. A pesquisa foi desenvolvida, numa
abordagem qualitativa, num internato misto com alunos do segundo ano do Ensino Médio.
As informações foram coletadas por meio de observação direta dos alunos-colaboradores,
entrevistas, questionários, análise dos trabalhos escritos e conversas informais. A análise
aponta para o grande potencial que há no uso da modelagem matemática como meio de
aproximar o conteúdo matemático das questões sociais pertinentes à realidade dos
estudantes, estabelecendo conexões que garantem a criação de um espaço para reflexão,
para o desenvolvimento do senso crítico e favorecendo o aprendizado.
Utilização de diferentes registros de representação: um estudo envolvendo funções exponenciais
Nilcéia Regina Ferreira Dominoni, Profª. Drª. Lourdes Maria Werle de Almeida
Data da defesa: 29/09/2005
Este estudo propõe verificar se a utilização de uma seqüência didática que
considere o tratamento, a conversão e a coordenação dos diferentes Registros de
Representação da Função Exponencial contribui para a apreensão do objeto
matemático Função Exponencial. O estudo está fundamentado na Teoria dos
Registros de Representação Semióticos de Raymond Duval, que afirma que a
coordenação dos diferentes registros de representação, pode proporcionar a
apreensão de um conceito matemático. A metodologia utilizada, segue os princípios
da Engenharia Didática. Na análise a priori, foram elaboradas as atividades da
seqüência visando à utilização dos diferentes registros e analisando seus aspectos
matemáticos e didáticos. Esta seqüência foi aplicada a alunos da primeira série do
Ensino Médio de uma escola particular da cidade de Arapongas, Paraná. Foram
analisadas as produções de dezesseis alunos que participaram de todas as
atividades da seqüência. Com a análise das produções dos alunos, infere-se que as
atividades envolvendo o tratamento, a conversão e a coordenação dos diferentes
registros de representação contribuem para a apreensão do conceito Função
Exponencial.
Um Estudo sobre a Função do Técnico de Laboratório Didático de Ciências
Ferdinando Vinicius Domenes Zapparoli, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 31/08/2005
O trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa sobre a função do técnico do
laboratório didático na Universidade Estadual de Londrina. A pesquisa procurou
entender qual é a identidade ocupacional dos técnicos de laboratório. O pensamento
do técnico em relação à sua atividade ocupacional, a sua relação com os seus pares,
com os docentes, com os alunos e com o seu laboratório e/ou equipamento, norteiam a
pesquisa, pois esses fatores influenciam diretamente a sua identidade ocupacional, isto
é, a autopercepção da sua função e das expectativas que os demais indivíduos de
relação a ele. Para essa análise foram realizadas entrevistas com técnicos de
laboratório de Física, Química e Biologia, com curso superior na área em que atuam.
Os resultados iniciais indicam que os funcionários que atuam no laboratório
reconhecem a sua importância para o funcionamento do mesmo, para a melhoria do
aprendizado dos alunos, para o seu desenvolvimento ocupacional e até mesmo para a
sua vida, entretanto, apresentam dificuldades para descrever a sua identidade
ocupacional. Os referenciais usados foram: a relação com saber, descrita por Charlot,
as perspectivas do que é um laboratório didático e a sua função, a identidade pessoal e
ocupacional, por Bohoslavsky e a captura por discursos. A relação entre o técnico e o
colega, o docente, ou os alunos da instituição afeta profundamente essa identificação.
Por esse motivo, as respostas foram categorizadas desse modo. Com base nessas
informações, procuramos defender a idéia que o técnico é aquele que ajuda na
construção do ambiente de aprendizagem, que prepara o alicerce, a base da aula
prática do professor, adaptando as atividades de tal modo que elas possam dar uma
idéia mais completa de um determinado paradigma.
A Física de Partículas Elementares nos Cursos de Licenciatura em Física
George Francisco Santiago Martin, Profª. Drª. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 28/02/2005
Este trabalho estuda os cursos de formação inicial do professor de Física. Para iniciá-lo,
buscamos as bases e os direcionamentos da educação brasileira. Em documentos oficiais do
Ministério da Educação, analisamos os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), e as
Diretrizes Curriculares para orientar a estrutura do Ensino Superior. Nesse estudo, o
enfoque recai sobre a Física de Partículas Elementares (FPE) e sobre o Modelo Padrão,
entendendo que estes tópicos propiciam uma ampla visão das interações fundamentais da
natureza e seus desdobramentos. Diante da percebida importância, investigamos o quanto e
como a Física Moderna e Contemporânea é abordada no ensino superior; e no caso de sua
não-ocorrência, o motivo pelo qual isso não é realizado. Considerando que sua
aprendizagem efetiva depende de noções sobre a constituição elementar da matéria e da
astrofísica, tornado indispensável o domínio dos conhecimentos de Física de Partículas
Elementares, verificamos tais conteúdos como efetivamente previstos pelas Diretrizes
Curriculares dos cursos de licenciatura em Física, mas conforme o depoimento de alguns
coordenadores dos mesmos, nem sempre há tal prática. Em seguida, apresentamos uma
análise das grades curriculares de alguns desses cursos em instituições como a
Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade
de Londrina (UEL). Os resultados mostram que, mesmo nos cursos já reformulados, a
incidência da Física Moderna e Contemporânea ainda é relativamente baixa, denotando a
necessidade de se estudar sua importância nas estruturas curriculares. Finalmente,
propomos um currículo alternativo para as licenciaturas em Física estruturado na metáfora
de rede (MACHADO< 1995), buscando uma articulação entre os conteúdos, disciplinas e
uma abordagem contemporânea, de modo a oferecer uma melhor formação inicial ao futuro
professor.
Análise de um modelo de formação continuada de professores de ciências e matemática no contexto da escola em que atuam
Heliete Meire Coelho Arruda Aragão , Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 25/05/2005
Esta pesquisa tem o intuito de contribuir com a discussão a respeito da formação
continuada de professores no ambiente da escola em que atuam e constroem suas
experiências de vida e de trabalho. Para tanto, foi realizada a investigação do Projeto de
Formação que uma escola particular da região urbana de Londrina, Paraná, desenvolve
junto aos seus professores, identificando os elementos que descrevem as concepções
impregnadas no modelo de formação, as contribuições que as ações privilegiadas por este
modelo proporcionam aos professores das áreas de Ciências e Matemática, bem como as
suas limitações. O motivo que impulsionou esta investigação foi a tentativa de responder
às questões: quais as concepções envolvidas em um modelo de formação promovido no
interior de uma escola particular da região central de Londrina/PR e quais as
contribuições que este modelo proporciona aos professores das Áreas de Ciências e
Matemática nos seus fazeres docentes? Por reconhecermos que o objeto em estudo faz
parte de um contexto particular que contem os ingredientes necessários para o levantamento
de informações que respondem a essas perguntas, esta pesquisa se caracteriza como estudo
de caso, conforme descrição de Bogdan e Biklen (1984) e Ludke e André (1986),
considerando a concepção indiciária de Ginzburg (1989). Como fontes de informações,
foram utilizados diferentes instrumentos e procedimentos, constituindo-se como principais
as entrevistas com seis professores e dois responsáveis pela formação, análise de
documentos e observação participante. Como aporte teórico foram considerados os atuais
paradigmas sobre professor e sua formação e realizado um mapeamento das discussões de
vários autores sobre a temática da formação continuada em serviço, tomando, no entanto,
Imbernóm como principal referencial subjetivo para o favorecimento da leitura dos dados,
acompanhado das contribuições de Zeichner, Thurler e Perrenoud, dentre outros. Nossa
análise permitiu estabelecer um olhar para uma escola, autora do projeto de formação
continuada de seus professores, com características não formais e não convencionais,
revelando o movimento que escola e professores desenvolvem na busca de aperfeiçoar os
fazeres docente e resolver seus problemas cotidianos, bem como as contribuições e
limitações para com o desenvolvimento profissional dos professores de Ciências e
Matemática.
Um estudo das concepções alternativas presentes em professores de ciências de 5ª série do ensino fundamental sobre fases da lua e eclipses
Deolinda Puzzo, Prof. Dr. Rute Helena Trevisan Lattari
Data da defesa: 16/05/2005
Este trabalho é o resultado de uma investigação sobre as concepções
alternativas e as dificuldades quanto ao conteúdo e metodologia usada em sala de aula, por
professores de Ciências de 5ª série do Ensino Fundamental, sendo todos da rede pública de
ensino. A pesquisa teve como objetivo identificar as concepções alternativas dos professores e
as implicações das mesmas para o ensino de Ciências priorizando o ensino e aprendizagem
relativa ao conteúdo de fases da Lua e eclipses. Como a fonte de pesquisa utilizada pelos
professores para desenvolver esse conteúdo, na maioria das vezes, é o livro didático, esse
estudo contemplou um capítulo sobre as falhas existentes nos mesmos, de acordo com o
PNLD. As concepções identificadas na fala dos professores foram analisadas num estudo
comparativo, utilizando os resultados obtidos por outros pesquisadores. A metodologia
utilizada constituiu-se de uma pesquisa qualitativa e os dados foram obtidos por meio da
realização de entrevistas semi-estruturadas. Para melhor compreensão e análise das
concepções, a investigação do tema fases da Lua e eclipses foi dividida em: formação do
professor; mitos e crendices populares; metodologia utilizada pelo professor no ensino desse
tema; os conceitos das fases da Lua e eclipses. Os diagramas elaborados pelos professores
durante a entrevista foram analisados de acordo com as regularidades. Os resultados
mostraram que os professores possuem concepções ora compatíveis com o conhecimento
científico, ora incompatíveis. Assim, concluímos que é necessário um conhecimento mais
elaborado desse tema para superar essas concepções e chegar ao conhecimento científico.