Esta pesquisa tem como objetivo analisar relações entre o instrumento de avaliação
Vaivém e o recurso do feedback no processo de Avaliação da Aprendizagem Escolar.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com análise de produções escritas, elaboradas
por estudantes de um curso de Licenciatura em Matemática e de um curso de Pós-
Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática, ambos de uma
universidade pública. As produções foram analisadas com base em referencial teórico
de Avaliação da Aprendizagem Escolar e feedback formativo. Os resultados indicam
que o Vaivém, permite dialogar com os estudantes, potencializa a reflexão, a escuta,
a regulação da aprendizagem e um reposicionamento subjetivo em relação ao próprio
percurso formativo. O feedback, quando integrado ao Vaivém, deixa de ser uma
resposta pontual e assume papel formativo que oportuniza a aprendizagem. Como
contribuição para a prática docente, destaca-se a importância de utilizar instrumentos
avaliativos que possibilitem o diálogo, a escuta ativa e a reflexão crítica, valorizando
o processo formativo em sua integralidade.
Esta tese analisa como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso – IFMT, ao se instituir nas supostas margens do estado, configura-se como um espaço de mediações, disputas e apropriações do conhecimento científico por parte dos diversos segmentos sociais das comunidades nas quais está inserido. A ideia é refletir sobre tal processo, com ênfase nas fricções produzidas entre um modelo universalista e hegemônico de ciência e as estratégias de tradução cotidiana que os atores locais desenvolvem quando têm de conciliar suas funções institucionais com as atividades científicas em territórios considerados periféricos. As reflexões teóricas são desenvolvidas sob inspiração de autoras e autores identificados com o pensamento pós estruturalista, com os Estudos Culturais da Ciência, bem como com os Social Studies of Science. Para acessar o processo de ocupação do Mato Grosso e os impactos do agronegócio como modelo produtivo, recorreu-se, principalmente, à produção historiográfica do Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos da UFMT. A pesquisa, qualitativa e de natureza interpretativa, tomou de empréstimo algumas ferramentas teórico metodológicas das ciências sociais e da antropologia reflexiva. Por meio do trabalho de campo, realizado nos campi do IFMT localizados em Confresa, Alta Floresta, Sorriso, Juína e Pontes e Lacerda, foram ouvidos estudantes, técnicos administrativos e professores a partir de um roteiro de entrevistas semiestruturado. A escrita da tese, inspirada no movimento writing culture, buscou produzir um registro com caráter de trabalho em construção. Esse registro é aqui estrategicamente chamado de rabisco, como alegoria de um trabalho inacabado – sensível à complexidade de um território que não aceita a objetificação ou síntese superadora. A tese narra Mato Grosso como fronteira de expansão agrícola, mas também como agente privilegiado na promoção de fricções e ressignificações do projeto civilizatório moderno e técnico científico. O IFMT então se apresenta como um construto que se assemelha ao objeto de fronteira, já que materialmente é atravessado pela disputa de atores diversos que se apropriam de sua estrutura concreta e simbólica para a implementação de suas próprias agendas econômicas, culturais, sociais e políticas. A ciência que emerge na instituição é marcada por agenciamentos, tensões e entrelaçamentos produtivos entre pesquisadores, objetos e campos de investigação científica. Para além da lógica de produção da ciência moderna, surgem também neste espaço imbricações entre ciência avançada, práticas tradicionais e outros saberes. Diálogos inesperados que favorecem a eclosão de uma nova ecologia de conhecimentos.
Um número crescente de estudos voltados ao ensino de Geometria na Educação Básica e na
formação de professores de matemática, tiveram como foco a Geometria Euclidiana Plana
(reconhecer as figuras geométricas, quadriláteros e congruência de triângulos), a Geometria
Euclidiana Espacial (cálculo da área e volume de sólidos e planificações), conhecimentos dos
professores para o ensino destas temáticas, e a apresentação de propostas de ensino para a
Educação Básica. Poucos estudos se dedicaram à discussão das Geometrias não Euclidianas
na formação inicial e continuada de professores de matemática. No caso da Geometria
Esférica, assim como a Geometria Euclidiana, ela descreve coerentemente situações
experienciadas no mundo físico, especialmente quando tratamos da superfície do planeta
Terra como uma esfera. Este estudo objetiva responder: que elementos do pensamento
geométrico podem ser mobilizados por futuros professores de matemática (FPMat) na
resolução e discussão de tarefas de Geometria Esférica? A investigação de natureza
qualitativa, de cunho interpretativo, foi desenvolvida nas disciplinas “O Ensino de Geometria”
e “Metodologias e Práticas de Ensino de Matemática”, ambas da 2.ª série do Curso de
Graduação em Matemática – Licenciatura da Universidade Estadual do Paraná – Campus de
Paranavaí, com aplicação do empreendimento Estudos sobre Geometrias não Euclidianas: A
Geometria Esférica. Os resultados evidenciam que os FPMat tiveram a oportunidade de:
interpretar e reconhecer informações do enunciado das tarefas; construir diferentes estratégias
de resolução; escolher/elaborar material manipulável como recursos auxiliares; negociar
significados; sistematizar aprendizagens; e discutir estratégias de ensino de geometria. Para
organizar e apresentar os resultados desta investigação, utiliza o formato multipaper que
consiste em uma coletânea de artigos científicos autocontidos e publicáveis, por possibilitar a
disseminação do estudo com agilidade alcançando um número maior de leitores. O trabalho
com tarefas oportunizou aos FPMat não somente mobilizarem aspectos do pensamento
geométrico, aprendizagens sobre a Geometria Esférica, e ressignificações de conteúdos de
Geometria Euclidiana Plana e Espacial, além de discutirem o ensino e a aprendizagem de
Geometrias, sobretudo as Geometrias não Euclidianas, tão importantes na formação inicial de
professores de matemática. Por fim, é importante trabalhar com tarefas matemáticas de
geometrias não euclidianas que promove o desenvolvimento do pensamento geométrico na
formação inicial de professores de matemática.
É preciso abandonar a ideia de que as questões raciais no Brasil são um problema exclusivamente do negro, afinal, o problema está na relação entre negros e brancos (Bento, 2022). Uma forma de questionar e subverter a individualidade quase tácita às pesquisas nessa temática, destacando as implicações coletivas das relações raciais, é operacionalizar o conceito de branquitude para explicar as realidades raciais em nosso país. Esse conceito, que se relaciona diretamente com a manutenção de privilégios da população branca, nos permite fugir das análises clássicas com foco no negro e desloca nossas lentes para examinar o branco e seus traços identitários. Adeptos à perspectiva dos Estudos Culturais, o objetivo desta tese foi analisar criticamente a cobertura da mídia em relação ao caso da professora doutora Joana D’Arc Félix de Sousa, nos valendo da proposta metodológica da Análise Crítica de Discurso de modalidade sociolinguística, articulada ao conceito de branquitude para analisar o poder exercido pela mídia hegemônica brasileira, a partir de seus discursos, suas estratégias e efeitos, principalmente ao representar e enunciar pessoas negras. Também procuramos problematizar o modo como a ciência foi utilizada pela mídia para balizar as violências raciais que atravessaram esse caso. De modo geral, a análise evidenciou que os discursos midiáticos hostilizaram e vilanizaram Joana, expressando receio de que sua situação prejudicasse a ciência brasileira. A mídia adotou uma narrativa onisciente e omitiu informações relevantes sobre a trajetória da professora. Os discursos reforçaram a ideia de que apenas certos sujeitos podem acessar a universidade e os espaços de produção de ciência, excluindo pessoas como Joana, uma mulher negra de origem humilde. A cobertura midiática também reproduziu hierarquias raciais e deslegitimou epistemologias negras, reforçando a hegemonia branca, naturalizando desigualdades, e invisibilizando as contribuições de pessoas negras em espaços historicamente ocupados por pessoas brancas.