VAIVÉM E O RECURSO DO FEEDBACK NO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR EM AULAS DE MATEMÁTICA
VANESSA KISHI DA SILVA, Prof.ª Dr.ª Regina Luzia Corio de Buriasco
Data da defesa: 30/06/2025
Esta pesquisa tem como objetivo analisar relações entre o instrumento de avaliação Vaivém e o recurso do feedback no processo de Avaliação da Aprendizagem Escolar. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com análise de produções escritas, elaboradas por estudantes de um curso de Licenciatura em Matemática e de um curso de Pós- Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática, ambos de uma universidade pública. As produções foram analisadas com base em referencial teórico de Avaliação da Aprendizagem Escolar e feedback formativo. Os resultados indicam que o Vaivém, permite dialogar com os estudantes, potencializa a reflexão, a escuta, a regulação da aprendizagem e um reposicionamento subjetivo em relação ao próprio percurso formativo. O feedback, quando integrado ao Vaivém, deixa de ser uma resposta pontual e assume papel formativo que oportuniza a aprendizagem. Como contribuição para a prática docente, destaca-se a importância de utilizar instrumentos avaliativos que possibilitem o diálogo, a escuta ativa e a reflexão crítica, valorizando o processo formativo em sua integralidade.
RABISCOS DE UMA ESCRITA SOBRE AS MARGENS: O IFMT COMO ESPAÇO DE PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO
VALTER CARDOSO DA SILVA, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira, Prof. Dr. Antonio Lafuente
Data da defesa: 12/12/2025
Esta tese analisa como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso – IFMT, ao se instituir nas supostas margens do estado, configura-se como um espaço de mediações, disputas e apropriações do conhecimento científico por parte dos diversos segmentos sociais das comunidades nas quais está inserido. A ideia é refletir sobre tal processo, com ênfase nas fricções produzidas entre um modelo universalista e hegemônico de ciência e as estratégias de tradução cotidiana que os atores locais desenvolvem quando têm de conciliar suas funções institucionais com as atividades científicas em territórios considerados periféricos. As reflexões teóricas são desenvolvidas sob inspiração de autoras e autores identificados com o pensamento pós estruturalista, com os Estudos Culturais da Ciência, bem como com os Social Studies of Science. Para acessar o processo de ocupação do Mato Grosso e os impactos do agronegócio como modelo produtivo, recorreu-se, principalmente, à produção historiográfica do Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos da UFMT. A pesquisa, qualitativa e de natureza interpretativa, tomou de empréstimo algumas ferramentas teórico metodológicas das ciências sociais e da antropologia reflexiva. Por meio do trabalho de campo, realizado nos campi do IFMT localizados em Confresa, Alta Floresta, Sorriso, Juína e Pontes e Lacerda, foram ouvidos estudantes, técnicos administrativos e professores a partir de um roteiro de entrevistas semiestruturado. A escrita da tese, inspirada no movimento writing culture, buscou produzir um registro com caráter de trabalho em construção. Esse registro é aqui estrategicamente chamado de rabisco, como alegoria de um trabalho inacabado – sensível à complexidade de um território que não aceita a objetificação ou síntese superadora. A tese narra Mato Grosso como fronteira de expansão agrícola, mas também como agente privilegiado na promoção de fricções e ressignificações do projeto civilizatório moderno e técnico científico. O IFMT então se apresenta como um construto que se assemelha ao objeto de fronteira, já que materialmente é atravessado pela disputa de atores diversos que se apropriam de sua estrutura concreta e simbólica para a implementação de suas próprias agendas econômicas, culturais, sociais e políticas. A ciência que emerge na instituição é marcada por agenciamentos, tensões e entrelaçamentos produtivos entre pesquisadores, objetos e campos de investigação científica. Para além da lógica de produção da ciência moderna, surgem também neste espaço imbricações entre ciência avançada, práticas tradicionais e outros saberes. Diálogos inesperados que favorecem a eclosão de uma nova ecologia de conhecimentos.
GEOMETRIA ESFÉRICA NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA: POSSIBILIDADES PARA O DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO GEOMÉTRICO
TALISSON FERNANDO LEIRIA, Prof.ª Dra. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino
Data da defesa: 21/02/2025
Um número crescente de estudos voltados ao ensino de Geometria na Educação Básica e na formação de professores de matemática, tiveram como foco a Geometria Euclidiana Plana (reconhecer as figuras geométricas, quadriláteros e congruência de triângulos), a Geometria Euclidiana Espacial (cálculo da área e volume de sólidos e planificações), conhecimentos dos professores para o ensino destas temáticas, e a apresentação de propostas de ensino para a Educação Básica. Poucos estudos se dedicaram à discussão das Geometrias não Euclidianas na formação inicial e continuada de professores de matemática. No caso da Geometria Esférica, assim como a Geometria Euclidiana, ela descreve coerentemente situações experienciadas no mundo físico, especialmente quando tratamos da superfície do planeta Terra como uma esfera. Este estudo objetiva responder: que elementos do pensamento geométrico podem ser mobilizados por futuros professores de matemática (FPMat) na resolução e discussão de tarefas de Geometria Esférica? A investigação de natureza qualitativa, de cunho interpretativo, foi desenvolvida nas disciplinas “O Ensino de Geometria” e “Metodologias e Práticas de Ensino de Matemática”, ambas da 2.ª série do Curso de Graduação em Matemática – Licenciatura da Universidade Estadual do Paraná - Campus de Paranavaí, com aplicação do empreendimento Estudos sobre Geometrias não Euclidianas: A Geometria Esférica. Os resultados evidenciam que os FPMat tiveram a oportunidade de: interpretar e reconhecer informações do enunciado das tarefas; construir diferentes estratégias de resolução; escolher/elaborar material manipulável como recursos auxiliares; negociar significados; sistematizar aprendizagens; e discutir estratégias de ensino de geometria. Para organizar e apresentar os resultados desta investigação, utiliza o formato multipaper que consiste em uma coletânea de artigos científicos autocontidos e publicáveis, por possibilitar a disseminação do estudo com agilidade alcançando um número maior de leitores. O trabalho com tarefas oportunizou aos FPMat não somente mobilizarem aspectos do pensamento geométrico, aprendizagens sobre a Geometria Esférica, e ressignificações de conteúdos de Geometria Euclidiana Plana e Espacial, além de discutirem o ensino e a aprendizagem de Geometrias, sobretudo as Geometrias não Euclidianas, tão importantes na formação inicial de professores de matemática. Por fim, é importante trabalhar com tarefas matemáticas de geometrias não euclidianas que promove o desenvolvimento do pensamento geométrico na formação inicial de professores de matemática.
CADA JOANA COM SUA FOGUEIRA: BRANQUITUDE, CIÊNCIA E PODER DA MÍDIA BRASILEIRA NA COBERTURA DO CASO JOANA D’ARC FÉLIX DE SOUSA
SUSAN CAROLINE CAMARGO, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 27/02/2025
É preciso abandonar a ideia de que as questões raciais no Brasil são um problema exclusivamente do negro, afinal, o problema está na relação entre negros e brancos (Bento, 2022). Uma forma de questionar e subverter a individualidade quase tácita às pesquisas nessa temática, destacando as implicações coletivas das relações raciais, é operacionalizar o conceito de branquitude para explicar as realidades raciais em nosso país. Esse conceito, que se relaciona diretamente com a manutenção de privilégios da população branca, nos permite fugir das análises clássicas com foco no negro e desloca nossas lentes para examinar o branco e seus traços identitários. Adeptos à perspectiva dos Estudos Culturais, o objetivo desta tese foi analisar criticamente a cobertura da mídia em relação ao caso da professora doutora Joana D’Arc Félix de Sousa, nos valendo da proposta metodológica da Análise Crítica de Discurso de modalidade sociolinguística, articulada ao conceito de branquitude para analisar o poder exercido pela mídia hegemônica brasileira, a partir de seus discursos, suas estratégias e efeitos, principalmente ao representar e enunciar pessoas negras. Também procuramos problematizar o modo como a ciência foi utilizada pela mídia para balizar as violências raciais que atravessaram esse caso. De modo geral, a análise evidenciou que os discursos midiáticos hostilizaram e vilanizaram Joana, expressando receio de que sua situação prejudicasse a ciência brasileira. A mídia adotou uma narrativa onisciente e omitiu informações relevantes sobre a trajetória da professora. Os discursos reforçaram a ideia de que apenas certos sujeitos podem acessar a universidade e os espaços de produção de ciência, excluindo pessoas como Joana, uma mulher negra de origem humilde. A cobertura midiática também reproduziu hierarquias raciais e deslegitimou epistemologias negras, reforçando a hegemonia branca, naturalizando desigualdades, e invisibilizando as contribuições de pessoas negras em espaços historicamente ocupados por pessoas brancas.
AVALIAÇÃO NA ÁREA DE ENSINO DE QUÍMICA: CARACTERÍSTICAS, TENDÊNCIAS E LACUNAS NAS PESQUISAS
Sandro Lucas Reis, Profa. Dra. Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 03/04/2025
Esta pesquisa apresenta resultados de uma Revisão Bibliográfica Sistemática de artigos sobre Avaliação na área de Ensino de Química, bem como resultados de entrevistas com os principais autores internacionais que investigam esta temática abordando as características, as tendências e as lacunas das pesquisas nesse tema. Foram analisados 205 artigos publicados em periódicos internacionais da área de Ensino de Química ao longo de vinte anos (2002-2021), disponíveis em duas bases de dados: ERIC e ERIH Plus. Entrevistou-se quatro autores proeminentes no tema e buscou-se responder às seguintes questões de pesquisa: I) Quais são as principais características, tendências e lacunas dos artigos internacionais sobre Avaliação na área de Ensino de Química? II) O que tem sido avaliado nos artigos internacionais sobre Avaliação na área de Ensino de Química? III) Quais são as perspectivas dos principais autores internacionais em Avaliação na área de Ensino de Química sobre as características, tendências e as lacunas das pesquisas? Para isso, foi realizada uma investigação qualitativa com os procedimentos analíticos orientados pela Análise de Conteúdo de Bardin (2011) e os procedimentos metodológicos conforme o guia para uma revisão bibliográfica sistemática de Okoli (2015). Como resultados, identificou-se um aumento significativo no número de publicações, especialmente entre 2011 e 2021, quando a produção saltou de 18% para 82% do total, indicando uma crescente valorização do tema. Esse crescimento pode ser atribuído à introdução do conceito de avaliação formativa, o aumento de profissionais pesquisando na área de Ensino e uma necessidade crescente de instrumentos avaliativos mais precisos e confiáveis. Identificou-se que os periódicos Chemistry Education Research and Practice (66%) e Journal of Chemical Education (16%) foram cruciais para a disseminação das pesquisas e a promoção de discussões sobre práticas avaliativas. Os Estados Unidos, mais especificamente o estado da Flórida, destacou-se como um polo de pesquisa, em especial em instituições como a University of South Florida e a Miami University, onde pesquisadores influentes têm contribuído significativamente para a literatura. Quanto ao nível de ensino avaliado, a maioria dos artigos se concentrou no contexto do ensino superior (50%), enquanto o contexto da Educação Básica representou apenas 8% das publicações. Essa discrepância aponta para uma lacuna na pesquisa que requer maior atenção. A análise do que foi avaliado gerou dez categorias: Avalia habilidades (C01); Avalia estratégias de avaliação, provas, exames e itens (C02); Avalia propostas de ensino (C03); Avalia um instrumento, ferramenta ou tecnologia (C04); Avalia compreensões, percepções e interesse (C05); Avalia conhecimentos (C06); Avalia o currículo (C07); Avalia atitudes (C08); Avalia outras pesquisas (C09); e Discute avaliação em contextos diferentes (C10). Dentre as categorias, a avaliação de propostas de ensino foi a mais proeminente (19%), seguida pela avaliação de instrumentos e tecnologias (17,5%). As perspectivas dos principais autores internacionais apontam para a necessidade de uma abordagem mais plural nas avaliações, enfatizando o potencial da avaliação na coleta de dados e na realização de inferências sobre a aprendizagem. Entre as lacunas identificadas estão a falta de estudos de longo prazo e a necessidade de compreender melhor as percepções dos alunos e o impacto das práticas de avaliação. Os resultados desta pesquisa revelam uma transformação significativa nas publicações sobre Avaliação na área de Ensino de Química ao longo do recorte temporal e destacam a necessidade de futuras investigações que abordem as lacunas existentes, especialmente em relação à avaliação das práticas docentes e o contexto da Educação Básica. Em futuras investigações, as características, tendências e lacunas apresentadas nesse estudo podem servir como um ponto de partida para promover um entendimento mais abrangente e fundamentado da temática avaliação, em diferentes contextos educacionais.
TAREFAS MATEMÁTICAS POTENCIALMENTE INCLUSIVAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS
SALVADOR CARDOSO SILVA MUNIZ, Prof. Dra. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino, Prof. Dr. Fábio Alexandre Borges Londrina
Data da defesa: 28/03/2025
Pesquisas sobre a formação docente na perspectiva da Educação Inclusiva têm considerado a importância de construir reflexões e aprendizagens com professores sobre Estudantes Apoiados pela Educação Especial. Esse movimento pode colaborar para que, na prática, os professores tenham possibilidades de pensar em estratégias pedagógicas para esse público. Este estudo está em formato multipaper e tem como objetivo analisar as potencialidades do trabalho com Tarefas Matemáticas Potencialmente Inclusivas (TMPI), em um processo de formação continuada, de professores que ensinam matemática nos anos iniciais (PEMAI) no ensino fundamental, pautado na perspectiva da Educação Inclusiva. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, de cunho interpretativo, no contexto de um grupo de estudos constituído por um formador e cinco PEMAI em serviço da região norte do Paraná. O objetivo do grupo era estudar, discutir e refletir a respeito de aspectos da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva com o foco em TMPI. Os resultados revelam que a formação pautada na discussão e no desenvolvimento de TMPI promoveram: reflexões das PEMAI a respeito de suas dificuldades em relação à matemática e seu ensino e de desafios e potencialidades da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva na Educação Básica; constituição de conhecimentos referentes aos conteúdos da matemática e às questões que se relacionam à inclusão de estudantes apoiados pela Educação Especial e; discussões sobre aspectos necessários para a elaboração de TMPI. Essas reflexões e aprendizagens indicam caminhos para que se possa pensar em processos formativos nos quais PEMAI possam trabalhar com TMPI em sala de aula, promovendo um ensino de matemática inclusivo e aprendizagem de todos os estudantes, na perspectiva de uma formação cidadã. Concluimos que uma formação continuada pautada em TMPI pode potencializar reflexões e aprendizagens de professores sobre conteúdos matemáticos, sobre diferentes modos de pensar o planejamento de aulas, considerando todos e cada estudante. Além disso, oportunizam que professores tenham consciência sobre seus Estudantes Apoiados pela Educação Especial de modo que sua prática possa colaborar para que as diferenças sejam respeitadas e valorizadas pelos professores e pelos demais estudantes.
ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA DE MENINAS E MENINOS NO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA ABORDAGEM COM EQUIDADE DE GÊNERO
RENATA APARECIDA ROSSIERI, Profa. Dra. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 21/03/2025
O Ensino de Ciências de qualidade, com sólida fundamentação científica, é crucial para formar de cidadãos críticos e informados. Cidadãos assim podem tomar decisões conscientes e agir de forma responsável em relação ao mundo ao seu redor, o que impacta diretamente a cidadania, o consumo consciente e o uso responsável da tecnologia. Além disso, um ensino de Ciências eficaz desperta o interesse pelas carreiras científicas, impulsionando o desenvolvimento social e econômico no país. No entanto, ainda enfrentamos desafios, principalmente no Ensino Fundamental, onde a implementação de um ensino mais contextualizado e interdisciplinar se faz urgente. Esta pesquisa se justifica pela necessidade de examinar as dificuldades na Alfabetização Científica nos anos iniciais, evidenciadas em diversos estudos, pois elas muitas vezes se originam das concepções e limitações de educadores/as e educandos/as em relação ao ensino de Ciências. Seu objetivo geral é investigar de que forma a articulação entre elementos da Natureza da Ciência e o ensino equitativo em gênero, por meio de uma Sequência Didática aplicada no 5º ano do Ensino Fundamental, pode contribuir para a Alfabetização Científica equânime de meninos e meninas. Esta pesquisa se enquadrou numa perspectiva de investigação qualitativa de caráter interpretativo e envolveu métodos flexíveis e exploratórios, permitindo uma análise detalhada das experiências dos/as participantes. A pesquisa buscou responder se, ao incorporar elementos de Equidade de Gênero e da Natureza da Ciência, é possível promover Alfabetização Científica para todos/as. As conclusões indicaram que a abordagem proposta pode contribuir para que estudantes compreendam o caráter dinâmico da Ciência e se interessem igualmente pela área, independentemente de gênero, favorecendo uma visão menos dogmática e mais equitativa da Ciência.
UM ESTUDO DAS AÇÕES DOCENTES E DISCENTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SUAS CONEXÕES
NATHALIA HERNANDES TURKE, Profa. Dra. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 16/07/2025
Muitas pesquisas ditam o que professores e alunos devem fazer em sala de aula, contudo, nessa investigação buscamos compreender o que estes, de fato, fazem, sem possuir a pretensão de prescrever como deveriam se comportar, bem como investigar as conexões entre ações docentes e discentes na Educação Infantil. Para iniciar as investigações foram levantados os seguintes questionamentos: o que professores/as e crianças da Educação Infantil fazem em sala de aula? Há relação entre as ações? Como se caracterizam essas relações? Partindo desses questionamentos, esta pesquisa teve como objetivos: descrever e categorizar as ações docentes e as ações discentes em duas aulas ministradas na Educação Infantil; verificar e analisar as conexões existentes entre ações docentes e ações discentes. Com o intuito de alcançar os objetivos propostos, investigamos duas aulas de duas docentes (PA e PJ) em uma turma de pré-escola, etapa final da Educação Infantil, em que estavam matriculadas crianças pequenas, com faixa etária entre 5 e 6 anos de idade, em uma escola municipal no Estado do Paraná. Os dados foram coletados por meio de áudios e vídeos e analisados por meio do método da Análise Textual Discursiva (ATD). Foram encontradas diversas ações realizadas, tanto pelas docentes como pelas crianças, descritas por meio de categorias divididas em macroações, ações e microações. Na aula de PA foram encontradas 03 macroações (cuidar, educar e interagir) para a professora e 04 (cuidar, educar, brincar e interagir) para as crianças. Na aula de PJ foram encontradas 04 macroações (cuidar, educar, brincar e interagir), tanto para a professora como para as crianças. No que tange às ações e microações, na aula de PA foram encontradas 16 ações e 28 microações para a professora e 10 ações e 21 microações para as crianças; na aula de PJ foram encontradas 18 ações e 28 microações para a professora e 10 ações e 18 microações para as crianças. Acerca das conexões entre ações docentes e discentes, na aula de PA ocorreram 35 conexões, das quais 30 foram conectivas e 05 dispersivas; e na aula de PJ ocorreram 30 conexões, das quais 23 foram conectivas e 07 dispersivas. Tendo em vista esses resultados, concluiu-se que as aulas investigadas podem ser entendidas como uma sequência de ações conectadas entre as professoras e as crianças.
FEIRAS DAS CIÊNCIAS E OS NÍVEIS DE PARTICIPAÇÃO SOCIAL: A FORMAÇÃO E O TRABALHO DOS PROFESSORES ORIENTADORES DO MUNICÍPIO DE ALTO ALEGRE/RR
MARILENE KREUTZ DE OLIVEIRA, Prof. Mariana A. B. Soares de Andrade
Data da defesa: 11/09/2025
Esta pesquisa foi desenvolvida no Município de Alto Alegre/RR e teve como objetivo analisar a atuação dos professores orientadores de projetos de pesquisa da Educação Básica, voltados às Feiras das Ciências do Município de Alto Alegre/RR, dentro da perspectiva de Educação CTS e os diferentes níveis de participação social dos projetos orientados por eles. Como metodologia, adotamos a pesquisa do tipo qualitativa, com uma abordagem em estudo de caso. Esta pesquisa teve, como sujeitos participantes, 12 professores orientadores de diferentes níveis de ensino da Educação Básica que desenvolveram projetos de pesquisa voltados para as Feiras das Ciências. Também levamos em consideração 224 projetos de pesquisa apresentados nas Feiras das Ciências por um período de 11 anos (2013 a 2023). Utilizamos, como instrumento de coleta de dados, um questionário inicial, os projetos de pesquisa apresentados nas Feira das Ciências e uma entrevista semiestruturada. Com isso, foi possível verificar que o quadro de professores orientadores que desenvolvem projetos investigativos voltados às Feiras das Ciências no Município de Alto Alegre/RR mostra-se bastante experiente e com formação mínima de especialista, além de participarem de formação continuada na área de Feiras das Ciências. Esta pesquisa avança na área do Ensino de Ciências, no sentido em que estabelecemos 5 (cinco) Níveis de Participação Social, baseados em uma Educação CTS, em que foi possível constatar que, por meio das Feiras das Ciências, com um trabalho intencional dos professores, investigando temas de interesse dos alunos e que envolvam problemáticas locais, em que os alunos possam aprofundar seus conhecimentos, compreendendo-se com um ser social e histórico, no qual desenvolve sentimentos de pertencimento, possa refletir criticamente e propor ou até mesmo executar ações concretas na sociedade. Com isso, já é possível que ocorra a participação social ativa dos alunos na Educação Básica. Embora seja mais comum que os projetos com um nível mais elevado de participação social ocorram com os alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, também identificamos experiências significativas entre os alunos menores.
UM ESTUDO DA EVASÃO DO CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS DA NATUREZA DO INSTITUTO FEDERAL DE MATO GROSSO, CAMPUS RONDONÓPOLIS
LIZIANI MELLO WESZ, Profa. Dra. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 27/03/2025
Esta pesquisa tem por objetivo compreender e discutir as possíveis causas da evasão de discentes do Curso de Licenciatura em Ciências da Natureza, no período de 2016 a 2022, do Instituto Federal de Mato Grosso, Campus Rondonópolis. Diante desse cenário, levantou-se os questionamentos: Quais são as causas dessa evasão? Em quais áreas a formação docente apresenta fragilidades, e em quais disciplinas a evasão ocorre com maior frequência? O que dizem os estudantes de licenciatura a respeito desse fenômeno e quais são os principais fatores que influenciam essa desistência? Com base nesses questionamentos, o presente estudo buscou dar visibilidade aos estudantes que evadiram, cancelaram ou trancaram, destacando suas experiências durante o período em que frequentaram o curso. Este é um estudo de caso, que se sustentou nos alicerces da abordagem qualitativa e quantitativa. Além da análise documental, para a coleta de dados utilizou-se as respostas de formulários, analisados por meio da Análise de Conteúdo e da adoção da Escala de Likert. A análise revelou, de acordo com os dados, a falta de identificação com o curso como o fator que mais se acentuou para que estudantes evadissem, seguido da carência de conhecimento prévio básico, do empecilho de acesso presencial ao Campus, da dificuldade de conciliar o trabalho com o curso, de questões familiares e da relação com docentes do curso. Diante do exposto, esta pesquisa apresenta contribuições para a Formação de Professores em Ciências da Natureza e fornece análises e reflexões como subsídios para auxiliar nas políticas de incentivo à permanência de estudantes na instituição e para que sejam realizados movimentos de reflexão e elaboração de estratégias que procurem atender às necessidades dos acadêmicos.