Teses e Dissertações
Avaliação em práticas de modelagem matemática na sala de aula
Gustavo Granado Magalhães, Profª. Drª. Lourdes Maria Werle de Almeida
Data da defesa: 15/06/2021
Esta pesquisa apresenta uma investigação acerca da avaliação em modelagem matemática mediante dois objetivos. Primeiramente, tivemos a intenção de compreender como a avaliação em modelagem matemática vem sendo realizada na última década, buscando identificar os diferentes procedimentos e ferramentas utilizados nessas avaliações. Posteriormente, utilizamos os resultados desse primeiro momento com a intenção de desenvolver uma ferramenta para avaliação em modelagem matemática. Os dados dessa pesquisa foram coletados mediante a definição de critérios para a seleção de textos. As análises realizadas seguiram os encaminhamentos de uma revisão sistemática e da análise documental. Optamos por organizar o relatório da pesquisa segundo o formato multipaper, envolvendo a realização de dois artigos. No primeiro artigo, realizamos uma pesquisa de caráter inventariante visando buscar na literatura indicativos de como as práticas avaliativas em modelagem matemática vêm se caracterizando e quais os focos dessa avaliação. Os resultados desse artigo evidenciam cinco possibilidade para a avaliação em modelagem matemática e sugerem que os encaminhamentos, propósitos e focos de avaliação em modelagem matemática vêm sendo esclarecidos. No segundo artigo, objetivamos avançar os resultados identificados no artigo 1 a partir da proposta de uma ferramenta para avaliação em práticas de modelagem na sala de aula. Os resultados desse artigo sugerem que a ferramenta de avaliação proposta está bem dimensionada e é capaz de subsidiar a avaliação em modelagem matemática considerando diferentes perspectivas de modelagem na sala de aula. Por fim, concluímos que a investigação realizada no artigo 1 e 2 subsidia e complementa os objetivos dessa pesquisa, visto que identificamos, na amostra considerada no primeiro artigo, como a avaliação em modelagem matemática vem sendo realizada na última década e, para além de identificar ferramentas e procedimentos utilizados, evidênciamos três focos de avaliação em modelagem matemática e, também, a ferramenta de avaliação proposta se mostrou relevante e eficaz para os professores que a utilizaram para corrigir atividades de modelagem matemática desenvolvidas em diferentes níveis de escolaridade e segundo diferentes perspectivas de modelagem matemática.
Entre cientificidades e CUIAS: hibridizações no Ciclo Intercultural de Iniciação Acadêmica dos Estudantes Indígenas da Universidade Estadual de Londrina
Felipe Tsuzuki, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 05/03/2021
Nesta pesquisa objetivou-se a investigação dos processos de negociação de significantes emergentes nas aulas da disciplina de Ciências da Natureza do Ciclo Intercultural de Iniciação Acadêmica dos Estudantes Indígenas. As ações do Ciclo visam a qualificação acadêmica dos estudantes indígenas ingressantes na Universidade Estadual de Londrina via Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, objetivando o fortalecimento de sua presença e permanência na universidade por meio da iniciação ao cotidiano acadêmico. Neste processo, os estudantes indígenas cursam as disciplinas de Ciências da Natureza, Língua Portuguesa e Matemática. A pesquisa foi conduzida com inspiração na prática etnográfica, visou-se a produção de uma descrição das aulas da disciplina de Ciências da Natureza do Ciclo, no período de um Eixo Temático, com ênfase nos processos de negociação e produção das diferenças culturais. No processo de descrição das aulas percebi uma suspensão das noções de ciências compartilhadas entre os estudantes, que se mostravam mais como sistemas complexos de fragmentos, tornando central as contingências emergentes de processos de hibridização, no sentido atribuído por Homi Bhabha, de identificações negociadas: identificações indígenas tradicionais e identificações indígenas traduzidas. No contexto do Ciclo, a identificação indígena traduzida se assemelha aos objetivos do curso, pois nessa identificação os estudantes indígenas mantêm relações com sua tradição e cultura, ao mesmo tempo que negocia com a universidade e, assim, produz com ela. Enquanto a identificação indígena tradicional pareceu se resguardar há uma identidade indígena fixada historicamente. Para além dos estudantes indígenas, a pesquisa evidenciou que a própria ciência, representada nas aulas analisadas pela química, sofreu torções resultantes da hibridização no espaço de diferença cultural. Esta química, antes tida como conteúdo da disciplina de Ciências da Natureza, se produziu ciência dotada de personalidades e desejos os quais os aproximaram da relação cultural dos indígenas com a natureza. Nesse sentido, a química se produziria de uma outra forma, torcida, modificada e personificada. Por fim, os estudantes indígenas e o educador agiram ativamente nesse processo de hibridização que produziu a torção da química, o que implica na influência destes estudantes indígenas sobre o espaço universitário e as modificações provocadas nas relações inerentes a ele.
Investigações acerca da História e Filosofia da Ciência com licenciandos em Química.
Drielle Caroline Castilho, Profª. Drª. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 30/03/2021
No contexto atual, estudos acerca da prática docente elencando aspectos históricos e filosóficos na construção do conhecimento científico para o Ensino de Ciências têm sido amplamente discutidos, uma vez que os docentes tendem a reproduzir visões reducionistas acerca da ciência devido à escassez metodológica e epistemológica em sua Formação Inicial, impedindo um ensino contextualista. Considerando uma abordagem que incorpore esses aspectos para a compreensão da ciência de modo humanizado, o objetivo desta pesquisa consiste em investigar a abordagem da História e Filosofia da Ciência (HFC) com licenciandos do Programa de Residência Pedagógica do curso de Química da UEL. Para isso, realizamos um levantamento teórico que permitiu a delimitação do tema, construção das questões de pesquisa, planejamento metodológico, coleta e análise dos dados, proposta de unidade didática e, por fim, análises e inferências. Por meio de uma análise curricular, constatamos que o curso oferece a possibilidade de exploração da HFC em algumas disciplinas. A partir de um questionário prévio semiestruturado, buscamos analisar como a abordagem tem sido contemplada no curso. A fim de enriquecermos esta investigação, realizamos a aplicação de uma unidade didática para os licenciandos com o propósito de potencializar as discussões a respeito da natureza do conhecimento científico. A análise de dados obtidos durante todo o processo evidenciou relações estabelecidas entre o desenvolvimento da ciência com valores culturais, sociais, históricos nos permitindo observar indícios de aprendizagem acerca da HFC atreladas ao contexto escolar. A importância da incorporação da HFC na Formação Inicial reflete em uma prática docente mais ampla, promovendo um ensino de Química mais humanizado capaz de possibilitar a compreensão do desenvolvimento científico em um caráter processual e crítico.
Um Mapeamento de Publicações em Educação Matemática do Instituto Freudenthal de 2000 a 2019.
Fernanda Boa Sorte Rocha, Profª. Drª. Regina Luzia Corio de Buriasco
Data da defesa: 15/03/2021
Esta pesquisa apresenta um mapeamento de publicações em Educação Matemática desenvolvidas por pesquisadores vinculados ao Instituto Freudenthal, na Universidade de Utrecht, na Holanda, no período de 2000 a 2019, com a intenção de contribuir para compreender a amplitude do que vem sendo produzido na área. O Mapeamento de Pesquisas caracteriza-se como um processo sistemático de levantamento e descrição de informações relacionadas à estrutura de uma área de estudo em um determinado espaço e tempo. Dessa forma, levantaram-se publicações de trinta e dois (32) pesquisadores vinculados ao Instituto Freudenthal (na época da listagem dos nomes), publicadas em Inglês, Espanhol ou Português, disponíveis na internet e que apresentavam resumos disponibilizados pelos próprios autores. Levando em consideração apenas os resumos para desenvolver a pesquisa, inventariaram-se os temas envolvidos nas duzentos e trinta (230) publicações alcançadas no levantamento, identificando, assim, treze (13) unidades de análise para uma possível classificação das publicações. Mostraram-se recorrentes as pesquisas com temas em Ensino de Matemática, Estudantes e Ferramentas Educacionais e Tecnologias Digitais no e para o Ambiente de Sala de Aula, sendo que a soma da quantidade de publicações dessas três unidades ultrapassa a metade da quantidade total das publicações. Esta pesquisa não esgotou os estudos das publicações em Educação Matemática do Instituto Freudenthal, mas pode contribuir para o desenvolvimento de outras investigações, por exemplo, referente aos temas e aportes significativos na constituição do campo teórico da abordagem RME e às experiências que busquem resolver dificuldades da prática pedagógica.
Um Estudo das Ações Docentes em aulas de Ciências do 9º ano do Ensino Fundamental.
Naiara Briega Bortoloci, Profª. Drª. Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 08/03/2021
Nesta dissertação, apresentamos um estudo das ações docentes em aulas de Ciências do 9º Ano do Ensino Fundamental. O objetivo de pesquisa foi identificar, analisar e caracterizar as ações docentes de três professores em aulas de Ciências do 9º Ano do Ensino Fundamental, que abordam os conteúdos de Física e Química, com o intuito de responder às seguintes questões de pesquisa: O que os professores fazem, de fato, em aulas de Ciências (conteúdos de Física e Química) no 9º ano do Ensino Fundamental? Quais categorias podem descrever suas ações? Quais as ações centrais nas aulas desses professores? Quais variáveis podem influenciar no tempo de ocorrência dessas ações centrais? Para isso, as informações foram coletadas por meio de observações conciliadas com anotações em caderno de campo e gravações de áudio e vídeo das aulas dos professores de Ciências, denominados P1, P2 e P3, que atuam nos Anos Finais do Ensino Fundamental em escolas públicas localizadas no norte do Paraná, além de entrevistas não estruturadas com os professores. A análise e interpretação dos dados foram pautadas nos pressupostos da Análise de Conteúdo (AC), de modo a levarmos em conta as fases de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. Com base na leitura inicial das informações coletadas, notamos que as aulas de P1, P2 e P3 apresentavam similaridade no tocante às estratégias didáticas adotadas, o que nos permitiu organizá-las em aulas que abordam os conteúdos de Física, e em aulas que abordam os conteúdos de Química. Dessa maneira, analisamos três grupos de aulas para os conteúdos de Física, a saber: aula expositiva dialogada, aula expositiva dialogada + experimento demonstrativo e aula com uso de metodologias ativas. Para as aulas dos conteúdos de Química, os grupos de aula analisados foram: aula expositiva dialogada, aula expositiva dialogada + resolução de exercícios e aula com uso de metodologias ativas. Foi analisado um conjunto de 10 aulas (6 referentes ao conteúdo de Física e 4 aulas que abordavam conteúdos de Química, sendo identificadas 36 categorias de Ação Docente, sendo 27 a priori (ameaçar, agradecer, apresentar, auxiliar, burocrático-administrativa, chamar a atenção, comentar, cumprimentar, demonstrar, deslocar, distribuir, escrever, esperar, exemplificar, explicar, gesticular, indicar, informar, ler, organizar, pedir, perguntar, providenciar, relembrar, reprovar, responder e supervisionar) e 9 emergentes (comparar, confirmar, dançar, desenhar, despedir, ditar, filmar, observar e sorrir). A partir das categorias de Ação Docentes encontradas, realizamos uma analogia com o modelo atômico de Bohr, com o intuito de representarmos a relação do professor com as ações que ele executa ao longo de cada aula. A utilização dessa analogia nos permitiu identificar as ações centrais em aulas de Ciências (conteúdos de Química e Física) do 9º ano e, além disso, nos possibilitou compreender que as ações centrais e o tempo de ocorrência dessas ações tendem a variar de acordo com os professores (P1, P2 e P3) participantes dessa investigação, as estratégias didáticas utilizadas e os conteúdos ministrados (Física e Química) nas aulas.
Tipos de Escrita Reflexiva de futuros professores de Matemática
Natalia Maria da Silva Soares, Profª. Drª. Edilaine Regina dos Santos
Data da defesa: 05/03/2021
A Escrita Reflexiva é um tema que tem se destacado no âmbito da formação de professores por apresentar contribuições para aspectos da docência. O presente trabalho descreve uma pesquisa desenvolvida em torno dessa temática, mais especificamente dos tipos de escrita reflexiva. Realizou-se inicialmente a leitura de todo o material disponível, as escritas reflexivas de dois futuros professores de Matemática de uma Universidade Pública Paranaense, presentes em um instrumento denominado Caderno de aulas com reflexões, produzidas em um bimestre do ano de 2019 no contexto de uma disciplina de Prática e Metodologia do Ensino de Matemática. Após conhecer o material, foram realizadas uma leitura vertical e uma leitura horizontal. Esse estudo foi realizado com o objetivo de analisar a escrita reflexiva de futuros professores de Matemática, identificar tipos de escrita reflexiva presentes no Caderno de aula com reflexões e identificar e analisar que elementos (ações formativas) presentes no Caderno de aula com reflexões possibilitaram tais tipos de escrita reflexiva. De um modo geral, pode-se identificar que os futuros professores relatam em suas escritas reflexivas aprendizados, dúvidas, esclarecimentos, autoquestiomentos, fatos que despertaram seu interesse, experiências de estudo, entre outros. No que diz respeito aos tipos de escritas reflexivas, pautados na caraterização de Rivera (2017), tem-se que foram identificadas escritas Tipo Descrição, Tipo Explicação e Tipo Exploração. Em relação às ações formativas que possibilitaram tais escritas, identificou-se, por exemplo, Tarefa de explicar os procedimentos de resolução das operações aritméticas, Estudo individual ou em grupo, Questionamentos do professor (formador), Apresentações dos colegas, entre outras foram identificadas como possibilitadoras de um ou mais tipos de escrita reflexiva.
Práticas Científicas no Ensino de Ciências: Características, Compreensões e Contextos das Publicações
Sandro Lucas Reis Costa, Profª. Drª. Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 04/03/2021
Esta pesquisa apresenta resultados de uma revisão bibliográfica sistemática de
artigos envolvendo Práticas Científicas na área de Ensino de Ciências. Foram
analisados 44 artigos publicados em periódicos internacionais da área de Ensino de
Ciências nos últimos dez anos (2010-2019), disponíveis em quatro bases de dados:
ERIC, Scielo, Scopus e Web of Science. Buscou-se responder às seguintes
questões de pesquisa: I) Quais são as características das publicações envolvendo
Práticas Científicas? II) Quais são as compreensões acerca das Práticas Científicas
expressas nas publicações? III) Em quais contextos os autores realizaram pesquisas
envolvendo Práticas Científicas? Para responder a tais questionamentos, foi
realizada uma investigação qualitativa com os procedimentos analíticos orientados
pela Análise de Conteúdo de Bardin (2011), e os procedimentos metodólogicos
conforme o guia para uma revisão bibliográfica sistemática de Okoli (2015). Em
relação aos países das publicações, apesar de 59,1% dos artigos serem da América
do Norte, 40,9% envolveram outros países da Europa, América do Sul, Ásia,
Oceania, e África, caracterizando as Práticas Científicas como um tema de
repercussão internacional. O interesse por pesquisas envolvendo Práticas
Científicas tem aumentado nos últimos anos, já que 89% dos artigos sobre esse
tema foram publicados entre 2015-2019. Houve uma grande quantidade de
pesquisas de natureza teórica (25%) e 84% dos artigos investigados citaram
referenciais para discutir Práticas Científicas, embasando suas discussões na
literatura científica. Em relação às compreensões acerca das Práticas Científicas,
três grupos emergiram: Artigos que apresentaram compreensões das Práticas
Científicas alinhadas ao National Research Council (NRC) (D1); Artigos que
apresentaram outras compreensões para Práticas Científicas (D2); e Artigos que não
apresentaram suas compreensões para Práticas Científicas (D3). O grupo mais
representativo (59,1%) foi o D1, que assumiu os pressupostos preconizados pelo
NRC (2012) para Práticas Científicas. No segundo grupo (D2), observou-se outras
compreensões para as Práticas Científicas, seguindo referenciais sociológicos,
filosóficos e históricos. Em relação aos contextos aos quais os autores realizaram
suas pesquisas, foram identificadas 6 categorias: Práticas Científicas e propostas de
ensino (C1); Práticas Científicas e distintos quadros teóricos (C2); Práticas
Científicas e os estudantes (C3); Práticas Científicas e as avaliações (C4); Práticas
Científicas e os professores (C5); e Práticas Científicas e o currículo (C6).
Encontrou-se uma grande tendência em relacionar Práticas Científicas e propostas
de ensino (38,6%) e Práticas Científicas e distintos quadros teóricos (22,7%),
totalizando mais de 61% dos artigos analisados. A partir dos resultados, considerouse
que ainda existem lacunas a serem investigadas envolvendo Práticas Científicas,
evidenciadas pela ausência de estudos que apresentam discussões para cada uma
das Práticas Científicas. Também são necessárias mais investigações que
pesquisem as relações entre as Práticas Científicas e os alunos (aprendizagem) e as
Práticas Científicas e o professor (ensino). Pesquisas nesse sentido podem ajudar a
esclarecer: Como os alunos se envolvem com as Práticas Científicas? Como
organizar o ensino de modo a promover as Práticas Científicas? Como articular as
Práticas Científicas com outras dimensões da aprendizagem? E quais as relações
entre as Práticas Científicas, disciplinas e conteúdos específicos? Progressões de
aprendizagem também necessitam ser elaboradas para diferentes conteúdos em
Ciências e níveis de ensino para se compreender as mudanças no engajamento dos
alunos nessas Práticas ao longo dos níveis de escolarização.
Escrita Reflexiva e regulação da aprendizagem: um estudo na formação inicial de professores de Matemática
Francielle Silva Gardin, Profª. Drª. Edilaine Regina dos Santos
Data da defesa: 03/03/2021
Este trabalho teve como objetivo identificar e analisar indícios de regulação da aprendizagem de futuros professores de Matemática, a partir de Escritas Reflexivas em um Caderno de Aula com Reflexões. Foram analisadas Escritas Reflexivas de três estudantes do 3º ano de Licenciatura em Matemática, da Universidade Estadual de Londrina, as quais contemplavam um trabalho com as Operações Aritméticas desenvolvido em uma disciplina do âmbito da Educação Matemática, durante o primeiro bimestre letivo de 2019. Como procedimento de análise, foram realizadas leituras verticais, que diz respeito à leitura de todas as produções de um mesmo estudante, e leituras horizontais, que se trata da leitura de todas as produções referentes a um mesmo dia de aula. Por meio dessas leituras, foi possível observar a maneira como os estudantes desenvolveram as tarefas propostas, bem como identificar alguns aspectos que podem contribuir para o processo de formação docente, como: desabafo, expressão de sentimentos e teorias pessoais, diálogo, aprendizagem de conteúdo e aspectos da prática docente e regulação das aprendizagens.
Um estudo das ações docentes relacionadas ao uso de recursos didáticos em aulas da Licenciatura em Ciências Biológicas
Geovana Caldeira Lourenço, Profª. Drª. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 03/03/2021
Nesta dissertação, apresentamos um estudo das ações docentes relacionadas ao uso de recursos didáticos em aulas de um curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Nossos objetivos consistiram em descrever e categorizar as ações docentes nessas aulas, além de analisá-las quanto aos recursos didáticos utilizados. Para tanto, realizamos gravações em vídeo de cinco aulas de seis docentes que atuavam no referido curso em uma Instituição de Ensino Superior situada no interior do estado do Paraná, além de termos registrado informações complementares a seu respeito em notas de campo. Como referencial analítico, inspiramo-nos nas etapas da Análise de Conteúdo, propostas por Bardin (2011), resumidas em pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. Na pré-análise, organizamos nosso acervo de aulas para, então, selecionar aquelas que seriam submetidas às etapas subsequentes. Para atender aos objetivos que delineamos, selecionamos três aulas ministradas por um docente codificado como P1 em duas disciplinas distintas: D1P1 e D2P1. Da disciplina D1P1, selecionamos a aula A2D1P1, na qual foram utilizados slides como recursos, e a aula A5D1P1, na qual foram utilizados a lousa e o pincel marcador como recursos. Da disciplina D2P1, selecionamos a aula A4D2P1, na qual foram utilizados o quadro e o giz como recursos. Após a seleção, fizemos as transcrições, preparando para a etapa seguinte: a exploração do material. Nessa etapa, definimos as unidades de análise e realizamos a sua categorização em três níveis: macroações, ações e microações, as quais foram analisadas na etapa final, denominada tratamento dos resultados. Buscamos, pois, considerar semelhanças e diferenças entre as ações encontradas e o tempo dedicado pelo docente para cada uma delas nas respectivas aulas selecionadas. Com relação aos resultados, constatamos que as ações docentes de P1 podem ser descritas por dez macroações (Burocrático-Administrativa, Comenta, Dialoga, Ensina, Espera, Opina, Pergunta, Pessoal, Uso dos Recursos e Outros), 42 ações e 336 microações. Todas as macroações foram encontradas nas três aulas analisadas, tendo as ações e as microações divergido entre elas. Na aula A2D1P1, foram identificadas 34 ações e 168 microações; na aula A5D1P1, 37 ações e 173 microações e, na aula A4D2P1, 35 ações e 136 microações. Quanto aos recursos didáticos utilizados, verificamos que eles significaram categorias de ação e intervalo de tempo distintos. Esses resultados evidenciaram que, no contexto investigado, o uso dos slides singificou três ações (Confere, Indica e Manipula), para as quais P1 dedicou um intervalo de tempo inferior, comparativamente às demais; o uso da lousa e do pincel marcador significou cinco ações (Apaga, Confere, Dita, Escreve e Manipula), para as quais P1 dedicou intervalo de tempo intermediário, comparativamente às demais; e o uso do quadro e do giz significou quatro ações (Apaga, Confere, Escreve e Manipula), para as quais P1 dedicou intervalo de tempo superior, comparativamente às demais.
Um estudo bibliográfico de pesquisas sobre ensino de Física para alunos deficientes visuais.
Rafael Yukio Saito, Profª. Drª. Rosana Figueiredo Salvi
Data da defesa: 02/03/2021
A presente dissertação é uma pesquisa bibliográfica e apresenta um levantamento de artigos encontrados no banco de dados da Capes, os quais discutem o ensino de Física para alunos deficientes visuais em um período de 20 anos (1999 a 2019) e têm por objetivo identificar e compreender o panorama das pesquisas, bem como analisar os aspectos encontrados nos artigos que influenciam as práticas pedagógicas no movimento de inclusão de alunos deficientes visuais em sala de aula. Para o desenvolvimento da dissertação questionou-se o seguinte: o que mostram as publicações em revistas acadêmicas a respeito do deficiente visual no contexto do Ensino de Física? Quanto à prática docente, como ocorrem as articulações das práticas inclusivas frente ao ensino para alunos deficientes visuais em aulas de Física? A busca pelas respostas ocorreu a partir do estudo bibliográfico das pesquisas, cujo corpus foi constituído por 18 artigos que abordam o ensino de Física para alunos deficientes visuais. A metodologia da pesquisa seguiu a Análise de Conteúdo de Bardin (2011), em que unidades de registro foram recortadas e, posteriormente, elaborou-se categorias relacionadas com os elementos textuais dos artigos. Sua elaboração deu-se com base nos dados encontrados na introdução, desenvolvimento e consideração final dos artigos. Analisando os dados e o panorama das pesquisas, identificou-se que as dificuldades relacionadas à prática pedagógica dizem respeito com a comunicação e à não dissociação da visão no processo de ensino e aprendizagem. Outro aspecto que dificulta a inclusão do aluno é a falta de recursos e materiais didáticos adaptados. Apesar das dificuldades, foram identificadas também alternativas de inclusão, como a promoção de um ambiente interativo, utilização de linguagem acessível, materiais táteis e auditivos. Embora existam pesquisas, a produção de artigos na área do Ensino de Física é pequena, levando em consideração o período de 20 anos estabelecido. Portanto, conclui-se que, apesar de atualmente a inclusão ser algo já estabelecido na sociedade e fazer parte do cotidiano, há uma necessidade de discutir esse tema no Ensino de Física, tanto na formação inicial quanto no desenvolvimento de pesquisas, pois debates fomentam a busca de estratégias, a fim de superar a questão da exclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas redes regulares de ensino. Almeja-se que os resultados desta pesquisa contribuam para o progresso de estudos sobre a inclusão de alunos deficientes visuais no ensino de Física. Enfim, o estudo bibliográfico possibilitou compreender o panorama das pesquisas, bem como verificar desafios a serem superados e alternativas de inclusão.