Contribuições do PIBID para a construção da identidade docente do professor de Química
Cássia Emi Obara, Profª. Drª. Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 28/06/2016
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) passou a desempenhar um papel incentivador para a formação de professores, pois, além de contribuir com a integração universidade-escola, promove o contato dos licenciandos com a prática docente e a valorização do magistério. Entretanto, há poucos relatos que demonstram sua contribuição a partir da perspectiva de um professor que participou do programa. Para compor os dados desta pesquisa foram realizadas entrevistas semiestruturadas com ex-bolsistas do PIBID, egressos do curso de Química e atuantes na carreira docente, com o objetivo de investigar a contribuição do programa para a construção da identidade docente. Fez-se uso dos Focos da Aprendizagem Docente (FAD), um instrumento de análise que apresenta propostas categóricas com a finalidade de identificar evidências de: Interesse pela Docência (Foco 1); Conhecimento Prático da Docência (Foco 2); Reflexão sobre a Docência (Foco 3); Comunidade Docente (Foco 4); Identidade Docente (Foco 5). As unidades de significado acomodadas no Foco 5 foram novamente analisadas, utilizando as relações com o saber nas dimensões epistêmicas, pessoais e sociais, encontradas na terceira coluna da Matriz 3x3, um instrumento metodológico desenvolvido no grupo de estudos EDUCIM. Nela, estão envolvidas a gestão dos saberes e conteúdos, com o objetivo de aprofundar conhecimentos acerca da constituição da identidade docente. A pesquisa está ancorada nos pressupostos da abordagem qualitativa, sendo utilizada a Análise Textual Discursiva (ATD) como procedimento metodológico. Com as primeiras análises realizadas com os cinco sujeitos, identificou-se que aqueles que mais expressaram Reflexão sobre a Docência são os que possuem maior experiência na docência. Quatro sujeitos tiveram baixa manifestação em Conhecimento Prático, considerando o curto período da carreira após a participação no PIBID e, apesar disso, o Interesse pela Docência e a Identidade Docente estão presentes nas falas de todos os sujeitos, o que mostra estarem em processo de construção de sua identidade profissional. Em seguida, os dados foram submetidos a mais um processo analítico: foram selecionados os fragmentos categorizados no Foco 5, a Identidade Docente e acondicionados na terceira coluna da Matriz 3x3. Três sujeitos tiveram as maiores proporções das falas categorizadas na relação pessoal, enquanto os demais, ou seja, dois deles, na social. Estes mesmos obtiveram a menor proporção de depoimentos na Identidade Docente. Também foi possível destacar que as relações epistêmicas, embora em menores porcentagens nas falas dos envolvidos, formaram um arcabouço que os direcionou para o ser professor. Dessa forma, evidenciou-se que os sujeitos apresentaram suas primeiras impressões da carreira docente como profissionais relacionando a atuação no PIBID como um período de aprendizagem de estratégias didático-pedagógicas diferenciadas e de apreciação à docência. As condutas efetuadas pelo programa foram norteadoras à permanência desse grupo na profissão docente. O manejo destes dois instrumentos, os FAD e a terceira coluna da Matriz 3x3, trouxe aprofundamentos expressivos para esta investigação sobre a formação do professor.
A atividade experimental no ensino de Química: uma relação com o saber profissional do professor da escola média.
Wanda Naves Cocco Salvadego , Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 14/08/2008
Partindo do pressuposto de que as atividades experimentais em Química são importantes para o ensino desta disciplina, do ponto de vista dos autores pesquisados, dos professores entrevistados e da pesquisadora, busca-se compreender, essencialmente, as razões para “o uso ou não de atividade experimental”. Mesmo sendo considerada importante, essa prática de ensino é pouco usada, constatável pela ausência praticamente generalizada de atividades empíricas no ensino de Química nos colégios. Propomo-nos a refletir acerca do discurso do professor de Química do Ensino Médio, com referência às atividades experimentais, com respeito ao uso ou não destas atividades como mecanismo instrucional. Tomamos como referencial para essa discussão, a teoria da relação com o saber de Charlot, que nos permite desviar o enfoque de uma leitura negativa da falta ou da carência para uma leitura positiva da relação do professor com o seu saber profissional, ou seja, a relação com o Eu, com o Outro e com o Mundo que possibilita ou não o uso dessas atividades como prática de sala de aula.
Categorias para a seleção de experimentos de Química no Ensino Médio: um estudo comparativo das prioridades dos professores e licenciados em formação
Nelci Reis Sales de Araujo, Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 22/02/2007
As atividades experimentais de laboratório são consideradas essenciais para a aprendizagem de Química. Nesta dissertação, esse tema da experimentação foi explorado para estabelecer a importância relativa das categorias da seleção de experimentos. A pesquisa é de natureza quantitativa, em que um estudo comparativo foi realizado com 58 professores de Química do Ensino Médio de Londrina - PR e de algumas cidades próximas e 32 licenciandos em formação da Universidade Estadual de Londrina. Esses participantes opinaram a respeito de 4 itens que foram elaborados para as categorias Motivacional, Funcional, Instrucional e Epistemológica, perfazendo um total de 16 componentes. Para descrever os pensamentos dos participantes a partir das categorias partiu-se do enunciado construtor do instrumento de pesquisa, dado pela questão chave “quando seleciono experimento de laboratório, penso...“, que já deixa claro, de imediato, que os enunciados seguintes contêm os itens que eles têm em mente. O respondente poderá indicar para cada item seu grau de concordância ou discordância, conforme seus motivos ou convicções de escolha da atividade experimental. Esse “construto” está baseado na escolha de um experimento que o professor tem em mente no momento de responder os demais itens do questionário, ou seja, as componentes das categorias. Nesse caso, o participante não antecipa qual é o experimento, mas somente o motivo da escolha, e ainda, é possível que os respondentes pensem em vários experimentos enquanto avaliam as assertivas. A partir da distribuição de freqüência dos participantes, nas respostas do questionário tipo Likert, foi possível estabelecer a importância relativa que se propôs na investigação, ou seja, apresentar as categorias mais importantes para os dois grupos. Os professores priorizam as categorias Instrucional, Motivacional e Funcional, as duas últimas com a mesma freqüência e, Epistemológica, enquanto os licenciandos dão maior importância às categorias Motivacional, Instrucional, Funcional e Epistemológica, respectivamente. Há um padrão comum para as categorias, porém observam-se discrepâncias nas intensidades de priorizações entre os dois grupos. Este estudo conduziu a pensar que, quando a experimentação for vista sob uma perspectiva das categorias da seleção de experimentos, o caminho que conduz ao laboratório será amplo e claro, bem como da imagem do seu ambiente, que permanecerá nas mentes dos estudantes. Se professores tomarem para si, a visão de que a ciência Química fornece a elucidação do conhecimento ‘vivo’, que a natureza explica por si só à luz do laboratório, seus estudantes também farão parte dele. Eles valorizarão tanto o experimento escolhido, como a proposta pedagógica, os conceitos científicos e, principalmente, seu professor.