Teses e Dissertações
Palavra-chave: ensino de química
AVALIAÇÃO NA ÁREA DE ENSINO DE QUÍMICA: CARACTERÍSTICAS, TENDÊNCIAS E LACUNAS NAS PESQUISAS
Sandro Lucas Reis, Profa. Dra. Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 03/04/2025
Esta pesquisa apresenta resultados de uma Revisão Bibliográfica Sistemática de artigos sobre Avaliação na área de Ensino de Química, bem como resultados de entrevistas com os principais autores internacionais que investigam esta temática abordando as características, as tendências e as lacunas das pesquisas nesse tema. Foram analisados 205 artigos publicados em periódicos internacionais da área de Ensino de Química ao longo de vinte anos (2002-2021), disponíveis em duas bases de dados: ERIC e ERIH Plus. Entrevistou-se quatro autores proeminentes no tema e buscou-se responder às seguintes questões de pesquisa: I) Quais são as principais características, tendências e lacunas dos artigos internacionais sobre Avaliação na área de Ensino de Química? II) O que tem sido avaliado nos artigos internacionais sobre Avaliação na área de Ensino de Química? III) Quais são as perspectivas dos principais autores internacionais em Avaliação na área de Ensino de Química sobre as características, tendências e as lacunas das pesquisas? Para isso, foi realizada uma investigação qualitativa com os procedimentos analíticos orientados pela Análise de Conteúdo de Bardin (2011) e os procedimentos metodológicos conforme o guia para uma revisão bibliográfica sistemática de Okoli (2015). Como resultados, identificou-se um aumento significativo no número de publicações, especialmente entre 2011 e 2021, quando a produção saltou de 18% para 82% do total, indicando uma crescente valorização do tema. Esse crescimento pode ser atribuído à introdução do conceito de avaliação formativa, o aumento de profissionais pesquisando na área de Ensino e uma necessidade crescente de instrumentos avaliativos mais precisos e confiáveis. Identificou-se que os periódicos Chemistry Education Research and Practice (66%) e Journal of Chemical Education (16%) foram cruciais para a disseminação das pesquisas e a promoção de discussões sobre práticas avaliativas. Os Estados Unidos, mais especificamente o estado da Flórida, destacou-se como um polo de pesquisa, em especial em instituições como a University of South Florida e a Miami University, onde pesquisadores influentes têm contribuído significativamente para a literatura. Quanto ao nível de ensino avaliado, a maioria dos artigos se concentrou no contexto do ensino superior (50%), enquanto o contexto da Educação Básica representou apenas 8% das publicações. Essa discrepância aponta para uma lacuna na pesquisa que requer maior atenção. A análise do que foi avaliado gerou dez categorias: Avalia habilidades (C01); Avalia estratégias de avaliação, provas, exames e itens (C02); Avalia propostas de ensino (C03); Avalia um instrumento, ferramenta ou tecnologia (C04); Avalia compreensões, percepções e interesse (C05); Avalia conhecimentos (C06); Avalia o currículo (C07); Avalia atitudes (C08); Avalia outras pesquisas (C09); e Discute avaliação em contextos diferentes (C10). Dentre as categorias, a avaliação de propostas de ensino foi a mais proeminente (19%), seguida pela avaliação de instrumentos e tecnologias (17,5%). As perspectivas dos principais
autores internacionais apontam para a necessidade de uma abordagem mais plural nas avaliações, enfatizando o potencial da avaliação na coleta de dados e na realização de inferências sobre a aprendizagem. Entre as lacunas identificadas estão a falta de estudos de longo prazo e a necessidade de compreender melhor as percepções dos alunos e o impacto das práticas de avaliação. Os resultados desta pesquisa revelam uma transformação significativa nas publicações sobre Avaliação na área de Ensino de Química ao longo do recorte temporal e destacam a necessidade de futuras investigações que abordem as lacunas existentes, especialmente em relação à avaliação das práticas docentes e o contexto da Educação Básica. Em futuras investigações, as características, tendências e lacunas apresentadas nesse estudo podem servir como um ponto de partida para promover um entendimento mais abrangente e fundamentado da temática avaliação, em diferentes contextos educacionais.
ARGUMENTAÇÃO E AÇÕES DOCENTES ARGUMENTATIVAS EM AULAS DE QUÍMICA NO ENSINO SUPERIOR
BELÉM JÚRCIA VIOLETA MACIE, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 28/11/2024
A pesquisa, cujos resultados trazemos nesta tese, busca analisar a argumentação e as ações
docentes argumentativas em aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de
Moçambique e assim responde à seguinte questão de pesquisa: o que se entende por
argumentação, como ela é utilizada e como interpretar as ações docentes argumentativas em
aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de Moçambique? A pesquisa
seguiu caminhos de uma abordagem qualitativa em duas perspectivas de análise textual, sendo
uma delas direcionada a dados teóricos e a outra para dados empíricos. Os materiais teóricos,
mapeamento e revisão sistemática de literatura, forneceram pressupostos para compreender as
informações empíricas oriundas de entrevista e observação direta, referentes ao levantamento
de conhecimento e às aulas de cinco professores de Química, conforme se apresenta nos cinco
artigos desta tese, em formato multipaper. Entre os principais indícios tem-se que os estudos a
respeito da argumentação, geralmente, se concentram na argumentação de alunos da
Educação Básica e poucos enfocam em ações docentes. As ações docentes analisadas em
estudos de ação na Química foram, maioritariamente, em ambientes diferenciados de ensino,
com a abordagem metodológica descritiva e a abordagem teórica orientada à formação de
professores. Ademais, o professor que utiliza argumentação é um professor reflexivo e o faz
em quatro planos de ação dentro do ciclo interativo de ações argumentativas, os planos
pragmático, epistêmico, argumentativo e crítico-reflexivo. Os professores apresentaram um
conceito de argumentação alinhado com as três perspectivas − lógica, retórica e dialética e, as
três orientações de pesquisa sobre argumentação são: compreensão das condições do
desenvolvimento da argumentação, avaliação da argumentação como ferramenta
metodológica e habilidades argumentativas dos professores. Quatro professores (num total de
cinco) consideraram a argumentação importante para o ensino de Química, tendo declarado o
uso de trabalho independente, o debate e a pergunta, como estratégias adotadas. Entretanto, as
concepções dos professores a respeito da argumentação influenciam no conceito para
argumentação elaborado por eles, assim como no entendimento de como a argumentação pode
ser usada em sala de aula. Evidenciamos sete categorias de ações docentes argumentativas:
Apresentar, Questionar, Identificar, Valorizar, Ajuizar, Solicitar e Incentivar, dentre as quais
Identificar, Incentivar e Questionar foram também observadas em outros estudos de ações
docentes em Química. Os resultados revelaram que os professores têm maior facilidade em
realizar ações que incitam a argumentação no plano pragmático (com total de 84 remissões),
tais como: Incentivar, Solicitar, Questionar e Valorizar, em detrimento de ações que avaliam
criticamente as informações debatidas em sala de aula, como a ação de Ajuizar do plano
crítico-reflexivo (com 25 repetições). Como estudos futuros interessa-nos a categorização de
ações discentes argumentativas, o entendimento da relação entre a argumentação e
metacognição e a compreensão das conexões argumentativas evidenciadas entre ações dos
professores e dos alunos.
ASPECTOS DO PENSAMENTO QUÍMICO MANIFESTADOS POR LICENCIANDOS EM AULAS EXPERIMENTAIS
FERNANDA GARCIA DE ALMEIDA, Profa. Dra. Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 24/07/2024
A inclusão da experimentação nas aulas de Química representa uma estratégia promissora
para aprimorar a compreensão dos conceitos, possibilitando que os estudantes estabeleçam
conexões entre conteúdos e práticas científicas. Por meio de atividades experimentais, pode-se
enriquecer a experiência do aprendizado científico, além de estimular o desenvolvimento de
habilidades cognitivas e do Pensamento Químico dos estudantes. No entanto, desenvolver
aulas experimentais com tais características ainda é um desafio no campo da educação em
Ciências. Nesse sentido, o presente trabalho teve como principal objetivo ampliar as
discussões a respeito do Pensamento Químico na literatura brasileira e buscar evidências do
Pensamento Químico manifestadas por estudantes em aulas experimentais. Este estudo foi
realizado em uma disciplina ministrada para o último ano de um curso de Licenciatura em
Química de uma universidade da região Sul do Brasil, ocorrendo parcialmente de forma
remota e parcialmente de modo presencial em virtude da crise sanitária oriunda da pandemia
do Coronavírus. A coleta de dados incluiu diversos documentos, como as respostas dos
licenciandos às perguntas pré e pós-experimento, os roteiros experimentais elaborados pelos
próprios licenciandos e as respostas deles às questões da autoscopia. A análise dos dados foi
conduzida segundo os princípios da análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). A tese
foi moldada no formato multipaper, sendo composta por quatro artigos. Mediante as
investigações realizadas, compreendemos o Pensamento Químico como um processo no qual
os estudantes utilizam seus conhecimentos em Química para analisar, discutir, refletir e
propor explicações para diversos problemas. Percebemos que as Variáveis de Progresso
podem ser consideradas indicadores do Pensamento Químico, uma vez que abordam questões
essenciais que auxiliam os estudantes a mobilizarem o conhecimento químico na
compreensão de fenômenos em diferentes áreas. As atividades desenvolvidas durante a
disciplina foram alternativas eficazes para a realização de experimentos tanto no ensino
remoto quanto no presencial. A análise de nossos dados revela o notável potencial das
atividades experimentais para promover o desenvolvimento do Pensamento Químico, uma vez
que os estudantes transitaram por diferentes Variáveis de Progresso. Evidenciamos ainda que
as atividades foram eficazes na promoção do desenvolvimento de habilidades cognitivas de
alta ordem. Identificamos uma correlação entre os níveis de habilidades cognitivas observados
nas respostas dos licenciandos e os níveis cognitivos das perguntas apresentadas na atividade.
Isso destaca a relevância de promover atividades com diversos graus de complexidade e o
propósito de enriquecer as competências cognitivas dos alunos de maneira efetiva. Por fim,
fundamentadas em nosso aporte teórico e nos dados obtidos, desenvolvemos um modelo que
representa o Pensamento Químico. Este modelo pode servir como uma ferramenta para
orientar os professores na elaboração de atividades que estimulem o desenvolvimento do
Pensamento Químico.
CARACTERIZAÇÃO DAS AÇÕES DOCENTES E DISCENTES EM AULAS DE QUÍMICA PARA ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO
ANY CAROLINE FERREIRA, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 22/02/2024
Esta tese de doutorado teve como objetivo investigar e categorizar as ações docentes
e discentes de estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação em aulas de
Química, com o intuito de identificar indícios de aprendizagem desses estudantes, em
termos de ações discentes. As duas questões de pesquisa que nortearam essa
investigação, foram: Quais ações docentes são observadas em aulas de Química para
estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, como elas se conectam com as
ações discentes? Como identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes de
estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, em aulas de Química? Para isso,
foram ministradas nove aulas de Química para esses estudantes e os dados foram
coletados por meio de gravações em vídeo, áudio e notas de campo dessas aulas.
Como metodologia de análise de dados, utilizou-se a Análise Textual Discursiva. Após
a interpretação das estratégias de ensino utilizadas, selecionou-se duas aulas, a
quinta aula, na qual ocorreu o debate Júri Químico; e a oitava aula, que consistiu na
realização de experimentos. Sendo assim, os resultados desta pesquisa foram obtidos
por meio da análise dessas duas aulas, que possibilitou a identificação de categorias
descritivas de ações docentes e discentes. Com isso, as ações docentes foram
alocadas em vinte e duas categorias: Auxiliar, Chamar a atenção, Comentar,
Concordar, Dialogar, Escrever no quadro, Escutar, Esperar, Exemplificar, Explicar,
Incentivar, Informar, Interromper, Ler, Observar, Organizar, Orientar, Perguntar,
Realizar o experimento, Responder, Supervisionar e Terminar a aula. E as ações
discentes foram classificadas em vinte e quatro categorias: Argumentar, Comentar,
Conversar, Copiar, Cronometrar, Dialogar, Dispersar, Entrar no laboratório, Escrever,
Escutar, Esperar, Explicar, Informar, Ler, Não chegou, Observar, Organizar, Pedir,
Perguntar, Preparar, Prestar atenção, Realizar o experimento, Responder e Reunir.
Por meio da categorização evidenciou-se que as ações docentes e discentes alteram-
se quando ocorre uma mudança na estratégia de ensino. Além disso, após o
mapeamento das ações, foram realizadas duas entrevistas com dois estudantes, para
buscar identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes. Utilizou-se a
autoscopia, ou seja, foram apresentados para esses estudantes episódios das
gravações das aulas, e foram feitas perguntas para eles a respeito de suas ações. A
interpretação de trechos dos comentários dos estudantes contribuiu para uma nova
categorização das ações discentes, com a utilização do instrumento de análise Focos
da Aprendizagem de um Saber. Evidenciou-se que as ações discentes estavam
relacionadas a quatro dos cincos focos: Interesse, Saber, Reflexão e Comunidade.
Em síntese, a realização dessa investigação permitiu a identificação das ações
docentes e discentes e uma percepção de como elas se conectam, em aulas de
Química, para estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação. Além disso, foi
possível fazer inferências a respeito da aprendizagem desses estudantes, em termos
de ações discentes.
ENSINO POR INVESTIGAÇÃO E FORMAÇÃO CONTINUADA: UM ESTUDO DA VISÃO DOS PROFESSORES DE QUÍMICA ACERCA DA PERSPECTIVA INVESTIGATIVA
ANTONIO APARECIDO VITAL JUNIOR, Profa. Dra. Andréia de Freitas Zompero
Data da defesa: 16/02/2024
O avanço tecnológico e o desenvolvimento da ciência têm trazido diferentes
comportamentos nos estudantes e levado pesquisadores da área da Educação a
problematizar as relações de ensino e aprendizagem, fato este que leva os
professores a adequarem suas práticas pedagógicas às demandas da
contemporaneidade. No Ensino de Química sobretudo, essas inquietações são
frequentes, uma vez que as práticas pedagógicas conduzidas nesse componente
curricular se dão de maneira expositiva, o que gera um ensino descontextualizado e
desmotiva o aluno. Assim, vemos potencialidade na utilização de abordagens
investigativas para a promoção de uma formação crítica-reflexiva e um ensino
contextualizado. Com isso, fez-se proveitoso entender as percepções dos professores
em relação a utilização do Ensino por Investigação. Dessa forma, este estudo tem por
objetivo investigar qual a visão de professores do Ensino Médio em relação às
potencialidades do Ensino por Investigação para o ensino e aprendizagem de
Química. Para tanto, utilizou-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa e
descritiva. Para a tomada dos dados utilizou-se de questionário contendo treze
perguntas. As respostas foram analisadas por meio de análise de conteúdo, como
proposta por Bardin. Os resultados foram organizados em quatro dimensões, a saber:
i) a identificação dos participantes; ii) a formação docente; iii) a abordagem do Ensino
por Investigação e iv) abordagem do Ensino por Investigação na atuação docente e
nos levam a inferir que os professores conhecem as abordagens investigativas e
acreditam que há potencialidades em sua utilização, contudo, fatores políticos e
sociais como a sobrecarga de trabalho, falta de estrutura da escola e de tempo para
preparo das aulas impossibilitam uma maior adesão dos professores às abordagens
ativas. Como resultados emergiram quatro dimensões de análise que nos levaram a
inferir que em sua maioria os professores conhecem o Ensino por Investigação,
conseguem elencar características da abordagem e reconhecem as potencialidades
para o ensino e a aprendizagem de Química, contudo, há fatores como tempo
escasso, currículo, sobrecarga de trabalho, falta de infraestrutura e formação
inadequada que impedem a implementação de abordagens investigativas no ensino.
UM ESTUDO DAS AÇÕES DE LICENCIANDOS EM QUÍMICA AO PLANEJAR E EXECUTAR AULAS EXPERIMENTAIS
ANDRIELE CORAIOLA DE SOUZA, Profa . Dra . Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 22/03/2022
Esta tese apresenta os resultados de uma investigação qualitativa com os objetivos
de identificar, descrever e categorizar as ações de ensino planejadas e executadas
por graduandos de Química durante aulas experimentais investigativas. O estudo
também analisa as implicações da atividade experimental dentro de uma abordagem
investigativa durante a atuação dos licenciandos em Química. Os dados foram
coletados por meio do acompanhamento de duas duplas de graduandos de Química
em disciplina de Estágio Supervisionado, por meio de planos de aula e filmagens
das aulas ministradas. O corpus foi categorizado e analisado por meio da Análise
Textual Discursiva (ATD). A partir dessa análise, foram criadas categorias baseadas
em três níveis de ações: macroações, ações e microações. Apresentamos a
categorização em dois blocos: as aulas experimentais de D1 e posteriormente de
D2. Como resultado, as macroações estabelecidas no plano de aula de D1 foram:
introdução da aula, realização de experimentos, apresentação e explicação de
experimentos e sistematização de conceitos. Distribuídas entre as macroações,
encontramos 10 ações e 19 microações. Para D2, as macroações encontradas
foram: introdução da aula, realização e explicação dos experimentos, sistematização
de conceitos e conclusão da aula. Essas macroações abrangeram 8 ações e 17
microações. Na categorização das ações realizadas, houve uma expansão
considerável com 25 e 21 ações docentes, respectivamente, por D1 e D2. Ao final,
articulamos as ações encontradas pelas duplas em cada etapa do planejamento e
execução das aulas. Assim, ao compararmos as ações pretendidas, percebemos
que entre os principais objetivos estavam: contextualizar, discutir, distribuir, explicar,
organizar, perguntar e questionar, ainda que em momentos distintos do
planejamento da aula. Notamos que algumas ações advêm do contexto da atividade
experimental e da participação ativa dos estudantes nas etapas processuais,
influenciando as ações dos estudantes de graduação e exigindo a mobilização de
conhecimentos diversos que se desdobraram em diferentes ações. No esforço de
ampliar o olhar sobre a ação docente, buscamos aproximar a análise realizada de
outras pesquisas da área (ASSAI, 2019; BORGES, BROIETTI, ARRUDA, 2021), o
que nos proporcionou uma reflexão sobre ações comuns em o desenvolvimento de
aulas experimentais de Química. Quando olhamos para as ações docentes frente à
atividade experimental, podemos possibilitar uma melhor compreensão da sua
complexidade e da prática dos professores de Química, evidenciando
especificidades. Além disso, ao analisar o que de fato é feito numa atividade
experimental, podemos contribuir para a validação e ampliação da visão teórica.
Um estudo sobre as ações docentes compartilhadas de residentes do programa de residência pedagógica de um curso de licenciatura em química
CASSIA EMI OBARA, Profª. Drª. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 22/12/2021
O Programa de Residência Pedagógica (PRP) faz parte da Política Nacional de Formação de Professores e possibilita aos licenciandos uma imersão na prática escolar. O PRP/UEL/Química criou uma dinâmica de discussão teórica e prática, incentivando também a pesquisa. Ao ingressarem na sala de aula, os residentes formaram quatro duplas e um trio. Diante disso, esta tese apresentou como principal objetivo: identificar, por meio das ações docentes, como atuam os residentes nesta configuração de “docência compartilhada”. As questões que nortearam esta pesquisa são: Quais são as categorias de ação de residentes em aulas de Química? Há ações docentes compartilhadas nas aulas ministradas em duplas ou trios entre os residentes participantes? Como as ações são gerenciadas pelos atores nesses momentos? Orientados pela pesquisa qualitativa, tratamos de descrever nossa análise de dados, pautada na Análise Textual Discursiva (ATD). Observar as experiências adquiridas pelos residentes, nos fizeram voltar o olhar sobre a sala de aula. Desta maneira, procuramos investigar os fenômenos que poderíamos encontrar nas aulas dos residentes. As aulas eleitas para análise partiram das relações entre a dupla ou trio de residentes: as aulas A16, A25 e A66. Em A16 identificamos 4 momentos em que duas ou mais ações docentes foram efetuadas simultaneamente por dois ou três residentes: No primeiro momento, levantamos 9 diferentes ações docentes compartilhadas; no segundo momento, 2 ações docentes compartilhadas; no terceiro momento, 1 ação; no quarto momento, 5 ações docentes compartilhadas. Na aula A25 identificamos 5 momentos em que as ações dos residentes foram levantadas simultaneamente: para o primeiro momento, foram 5 ações docentes compartilhadas diferentes; no segundo, 2 ações; no terceiro, 1 ação, no quarto 10 ações e no quinto momento foram 3 categorias de ação docente compartilhada. Em A66 identificamos 4 momentos em que as ações docentes compartilhadas se estabeleceram: o primeiro momento, levantamos 3 diferentes categorias de ação docente compartilhada, segundo, 2 ações, no terceiro momento, 1 ação e no quarto momento, 3 ações docentes compartilhadas. A busca pelas ações docentes compartilhadas possibilitou visualizar a mobilização dos residentes na prática docente. Tais ações estabelecidas foram frutos de um processo formativo, organizado, planejado e discutido previamente, o que possibilitou uma articulação entre as práticas das duplas e trios de residentes.
Prática como componente curricular : espaço de luta e resistência na formação de professores de química
MATHEUS JUNIOR BALDAQUIM, Prof. Dr. Álvaro Lorencini Júnior
Data da defesa: 12/04/2023
Este estudo tem como objetivo analisar definições e critérios para a execução da Prática como Componente Curricular (PCC) e identificar as formas de inserção, bem como os professores atuantes nesse espaço curricular na formação de professores de Química dos Institutos Federais do Sul do Brasil. A constituição do referencial teórico deu-se em quatro seções. Na primeira, realizou-se a análise e interpretação dos documentos normativos que abordam a PCC. Na segunda, o objetivo foi a construção do conceito da PCC associada à práxis. Na terceira, identificam-se os focos de investigação das teses e dissertações que abordam a PCC no contexto da Licenciatura em Química. E, por último, caracteriza-se a área de Ensino de Química com base nos pressupostos teóricos de Pierre Bourdieu. A compilação dos dados desta pesquisa ocorreu mediante a análise dos projetos pedagógicos dos cursos de Licenciatura em Química dos Institutos Federais do Sul do Brasil e dos respectivos planos de ensino das componentes curriculares que apresentam carga horária destinada à PCC. Já a busca pelo Capital Cultural Institucionalizado e o Capital Acadêmico-Científico dos professores formadores atuantes nos espaços curriculares da PCC teve como base de dados a Plataforma Lattes. As análises permitiram evidenciar as múltiplas formas de inserção da PCC, que ocorrem de acordo com as necessidades próprias das instituições. Além disso, apenas 25% da carga horária de PCC nos cursos analisados pertence aos docentes com Capital Cultural Institucionalizado na área do Ensino de Química. Esse cenário reforça a necessidade de estabelecer o diálogo reflexivo entre Química/Educação/realidade social, pois para desenvolver a PCC é necessário o comprometimento dos professores formadores que devem ter conhecimento específico da interface.
NOÇÕES DOCENTES EM FORMAÇÃO INICIAL EM QUÍMICA A RESPEITO DE QUESTÕES DE GÊNERO E REPRESENTAÇÕES NA LINGUAGEM AUDIOVISUAL
Marina Donegá Neves, Profa. Dra. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 16/04/2021
A inclusão das questões de Gênero na Educação Básica e na Formação Inicial de
docentes vem sendo evidenciada na literatura, aplicando-se no desenvolvimento
científico devido a sua importância no contexto social. Apesar do crescimento de
pesquisas nessa área, ainda se faz necessária a busca por intervenções didáticas que
corroborem para um ensino mais equânime. Para que isso seja possível, considerase a base para a compreensão das noções levantadas pelos docentes nessa temática
no sentido de contribuir para novas investigações, como alicerce para a formulação
de unidades didáticas e intervenções pedagógicas, proporcionando momentos de
consciência e construção de saberes que auxiliam a prática docente de Química. A
partir dessas conjecturas, realizamos uma investigação de cunho qualitativo acerca
da temática de gênero, com enfoque na formação inicial de docentes em Química.
Estruturamos a pesquisa em três principais tópicos: primeiro tópico realizamos um
levantamento e análise de publicações em revistas nacionais, anais de congressos,
teses e dissertações de programas de Pós-Graduação notas 5, 6 e 7 da CAPES
(avaliação trienal de 2017); no segundo tópico, realizamos um levantamento e análise
de documentos nacionais e do estado do Paraná para identificar se há inclusão da
temática de Gênero; após a delimitação e conhecimento da literatura e da legislação
da área, o terceiro tópico diz respeito a elaboração de uma estrutura de entrevista e
um questionário com nove questões, cujo intuito foi identificar as noções de discentes
investigadas(os) a respeito da Natureza da Ciência (NdC) e Gênero, bem como essas
temáticas podem estar relacionadas a estereótipos de Gênero aplicados na linguagem
audiovisual. Para o tratamento de dados foi utilizada a Análise de Conteúdo, com
hipóteses levantadas previamente a coleta dos dados. Por meio das respostas das
entrevistas semiestruturadas e dos questionários realizamos unitarizações dos dados
empíricos de acordo com as hipóteses. Com os resultados analisados, foi possível
refletir e realizar propostas de atividades que trabalham a respeito de diferentes
formas de linguagem, a representação feminina no audiovisual e qual a relação com
o Ensino de Ciências e consequentemente como isso pode invisibilizar a mulher
cientista. Acreditamos que, por meio da formação docente, um ensino mais equitativo
pode ser fornecido, além de disponibilizar mais recursos e discussões teóricas e
práticas para conscientizar as(os) docentes a respeito das questões de gênero no
ambiente escolar e promover um ensino de Ciências mais equânime.
A utilização da rede social Instagram®como meio de Divulgação Científica decolonial no Ensino de Química pela perspectiva da midi-ação científica
Luana Pires Vida Leal, Profa. Dra. Rosana Figueiredo Salvi , Prof. Dr. Leonir Lorenzetti
Data da defesa: 30/05/2022
Em tempos pelos quais nos deparamos com notícias falsas, preconceitos e brutalidades permeando nossa sociedade, recorremos muitas vezes à ciência para que possamos subverter esta lógica negacionista e segregacionista. No entanto, ao compreendermos e revisitarmos as referências daquilo que temos como as bases do conhecimento científico e filosófico atualmente, seguimos pressupostos brancocêntricos, ocidentais e eurocêntricos, que silenciaram as vozes e saberes de outros inúmeros povos, o que acarretou até na marginalização de suas existências, contribuindo para o fomento de racismo e outras atrocidades. Em contrapartida desta invisibilização, surge a perspectiva decolonial, que tem como objetivo principal destituir hábitos de colonização presentes em nosso cotidiano: no falar, no pensar, em cotidianidades, inclusive no estudar. Considerando que atualmente vivemos numa era em que a informação circula com certa rapidez, buscamos, nesta tese, a partir da pesquisa qualitativa, utilizar dos pressupostos da Divulgação Científica para explorar aspectos descolonizadores no Ensino de Química, originando o conceito de midi-ação científica, que visa debater aspectos da descolonização nas redes sociais a partir de cinco eixos estruturantes, baseados em Oliveira e Queiroz (2017): Química e Direitos Humanos, Questões étnico-raciais; Sexualidades e Questões de Gênero, Cultura, saberes ancestrais & científicos e Decolonialidade, contemplando as dimensões social-subjetiva, política e intelectual, seja a partir da criação de atividades que contemplem os eixos ou na apresentação de pesquisas científicas que contemplam os eixos também. Como exemplo, no primeiro momento, esta tese traz o perfil @professoraluli na rede social Instagram®, uma página de divulgação científica com enfoque decolonial, discutindo-se as potencialidades e as adversidades de se usar essa rede social e como efetuar sua transposição para a sala de aula. No segundo momento, a tese discutiu efetivamente como colocar em prática os ideais da midi-ação científica desde o início do processo formativo, numa turma de Licenciandos em Química, a partir de um minicurso ministrado nos dias 29 e 30 de julho de 2021. Em ambos os momentos, as informações foram constituídas a partir da metodologia do corpus latente da internet e analisadas sob o enfoque decolonial, ideário suleador de toda a tese. A partir das informações obtidas, pudemos ver que, a maioria dos licenciandos não tiveram contato com a decolonialidade em sua formação inicial, portanto, o minicurso apresentando a midiação científica oportunizou mostrar esse referencial teórico e seus desdobramentos. As reflexões advindas do curso influenciaram na maneira em que os cursistas divulgaram ciência. Os números providos pelo próprio aplicativo do Instagram® nos deram a ideia de que a rede social pode ser uma aliada na disseminação de informações pela comunidade escolar.