Teses e Dissertações
MODELAGEM MATEMÁTICA EM AÇÃO: UMA DISCUSSÃO SOBRE SEU POTENCIAL NA SALA DE AULA
BIANCA DE OLIVEIRA MARTINS, Prof. Dra. Lourdes Maria Werle de Almeida
Data da defesa: 06/02/2024
Esta pesquisa tem por objetivo investigar como a modelagem em ação na sala de aula
pode contribuir para a formação dos alunos. Ou seja, que elementos formativos traz
consigo o espírito da modelagem quando realizado pelos alunos em um contexto
educacional? A tese está organizada em formato multipaper, em que cada artigo
contempla um objetivo específico: no artigo 1, Por que construir modelos matemáticos?
tem como objetivo identificar aspectos formativos favorecidos pela construção de
modelos matemáticos. No artigo 2, A mobilização do interesse em atividades de
modelagem matemática cujo objetivo é investigar como se dá a mobilização do interesse
em atividades de modelagem na sala de aula. No artigo 3 Modelagem matemática para
além do que se vê: do pragmático ao formativo, o objetivo é caracterizar o alcance do
desenvolvimento de uma atividade de modelagem relativamente à formação dos alunos
modeladores. Dados foram coletados durante o desenvolvimento de um curso de extensão
ofertado em uma universidade pública do norte do Paraná que teve como objetivo
promover aos alunos de diversas áreas do conhecimento o contato com a matemática e o
uso da mesma para resolver situações-problema reais. Participaram do curso onze alunos
com diferentes perfis formativos: Licenciatura em Matemática, Ciências Biológicas,
Pedagogia e Administração. Os dados foram coletados por meio de questionários,
registros escritos, gravação de áudio e vídeo. A análise de dados segue os pressupostos
da Análise Qualitativa de Conteúdo. Por meio das análises evidenciadas nos três artigos
foi possível caracterizar três aspectos formativos promovidos pela modelagem na
Educação Matemática. O primeiro aspecto diz respeito a construção de modelos
matemáticos, as ações com a matemática que as atividades de modelagem proporcionam,
seja no que tange a uma visão holística das situações estudadas e as experiências dos
alunos com a matemática, seja na importância que os alunos atribuem para este estudo
vislumbrando os usos da matemática para sua prática profissional futura. O segundo
aspecto, compreende que a modelagem também põe em ação a potencialidade das
atividades para a mobilização e desenvolvimento do interesse dos alunos com relação ao
tema, a matemática, ao estudo de situações-problema. Por fim, o aspecto formativo que
diz respeito ao alcance que as atividades de modelagem podem viabilizar para os alunos,
é explorado a partir de reflexões internas às atividades de modelagem e aos requisitos
para solucionar os problemas, bem como, de reflexões externas à modelagem, ou seja, ao
alcance social, cultural, político e emancipatório que as atividades de modelagem
proporcionam aos alunos. Neste contexto, a formação promovida pela modelagem se
caracteriza em seu potencial de agregar aspectos que dizem respeito à formação
matemática dos sujeitos e à formação para além da matemática que compreende que
formação carrega o espírito da modelagem.
CARACTERIZAÇÃO DAS AÇÕES DOCENTES E DISCENTES EM AULAS DE QUÍMICA PARA ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO
ANY CAROLINE FERREIRA, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 22/02/2024
Esta tese de doutorado teve como objetivo investigar e categorizar as ações docentes
e discentes de estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação em aulas de
Química, com o intuito de identificar indícios de aprendizagem desses estudantes, em
termos de ações discentes. As duas questões de pesquisa que nortearam essa
investigação, foram: Quais ações docentes são observadas em aulas de Química para
estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, como elas se conectam com as
ações discentes? Como identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes de
estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, em aulas de Química? Para isso,
foram ministradas nove aulas de Química para esses estudantes e os dados foram
coletados por meio de gravações em vídeo, áudio e notas de campo dessas aulas.
Como metodologia de análise de dados, utilizou-se a Análise Textual Discursiva. Após
a interpretação das estratégias de ensino utilizadas, selecionou-se duas aulas, a
quinta aula, na qual ocorreu o debate Júri Químico; e a oitava aula, que consistiu na
realização de experimentos. Sendo assim, os resultados desta pesquisa foram obtidos
por meio da análise dessas duas aulas, que possibilitou a identificação de categorias
descritivas de ações docentes e discentes. Com isso, as ações docentes foram
alocadas em vinte e duas categorias: Auxiliar, Chamar a atenção, Comentar,
Concordar, Dialogar, Escrever no quadro, Escutar, Esperar, Exemplificar, Explicar,
Incentivar, Informar, Interromper, Ler, Observar, Organizar, Orientar, Perguntar,
Realizar o experimento, Responder, Supervisionar e Terminar a aula. E as ações
discentes foram classificadas em vinte e quatro categorias: Argumentar, Comentar,
Conversar, Copiar, Cronometrar, Dialogar, Dispersar, Entrar no laboratório, Escrever,
Escutar, Esperar, Explicar, Informar, Ler, Não chegou, Observar, Organizar, Pedir,
Perguntar, Preparar, Prestar atenção, Realizar o experimento, Responder e Reunir.
Por meio da categorização evidenciou-se que as ações docentes e discentes alteram-
se quando ocorre uma mudança na estratégia de ensino. Além disso, após o
mapeamento das ações, foram realizadas duas entrevistas com dois estudantes, para
buscar identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes. Utilizou-se a
autoscopia, ou seja, foram apresentados para esses estudantes episódios das
gravações das aulas, e foram feitas perguntas para eles a respeito de suas ações. A
interpretação de trechos dos comentários dos estudantes contribuiu para uma nova
categorização das ações discentes, com a utilização do instrumento de análise Focos
da Aprendizagem de um Saber. Evidenciou-se que as ações discentes estavam
relacionadas a quatro dos cincos focos: Interesse, Saber, Reflexão e Comunidade.
Em síntese, a realização dessa investigação permitiu a identificação das ações
docentes e discentes e uma percepção de como elas se conectam, em aulas de
Química, para estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação. Além disso, foi
possível fazer inferências a respeito da aprendizagem desses estudantes, em termos
de ações discentes.
AS INTERAÇÕES DISCURSIVAS NA ELABORAÇÃO DO CONHECIMENTO QUÍMICO EM SALA DE AULA
WILLIAM HITOSHY OGASAWARA, Prof. Dr. Álvaro Lorencini Júnior
Data da defesa: 21/03/2024
O presente estudo tem como objetivo analisar os padrões discursivos em aulas da
disciplina de Química na elaboração do conhecimento químico dos alunos.
Considerando as influências da perspectiva construtivista, o trabalho se desenvolve
por referenciais da psicologia sociointeracionista de Vygotsky (1991) e na teoria do
discurso de Bakhtin (2011), considerando que o aprendizado se estrutura na
mediação entre os objetos simbólicos da realidade e os signos abstratos do
conhecimento pela atividade discursiva do professor. Sendo a linguagem o principal
instrumento de mediação utilizado na prática docente no exercício da fala,
estabelecendo um discurso escolar, os tipos de interação provenientes das cadeias
enunciativas permitem investigar a construção de um discurso comum e o
desenvolvimento cognitivo que implica no aprendizado. Foram analisadas as
interações discursivas, assim como a responsividade e natureza das perguntas que
compõe o discurso escolar em quatro episódios decorrentes da atividade docente
exercida pelo professor-pesquisador em duas turmas de 1o ano do Novo Ensino Médio
de um colégio estadual situado no Norte do Paraná. Para análise, foram utilizadas as
ferramentas analíticas de Mortimer e Scott (2002, 2003) e as categorias de perguntas
em aulas investigativas de Ciências de Machado e Sasseron (2012). Ao final da
análise foram identificados os padrões discursivos que predominam em sala de aula,
caracterizados como: interativo/de autoridade nos trechos transcritos e não interativo/
de autoridade, na explicação direta do professor após interações, além do
desenvolvimento de ZDP’s proporcionadas pela prática interativa e questões que
buscam a investigação. Os resultados evidenciam esquemas e intencionalidades que
perpetuam a elaboração do conhecimento no sentido único da vertente científica, as
interações são realizadas como uma forma de propagação unidirecional, o
conhecimento químico se elabora pela abstração direta dos enunciados do professor.
Demais abordagens também foram observadas, como a interativa/ dialógica, presente
em esquemas que descentralizam o conhecimento exclusivamente do ponto de vista
científico, permitindo a inserção de elementos da realidade dos alunos. As
elaborações de ZDP’s foram observadas para situações de auxílio exercido pelo
professor na utilização de representações e esquemas conceituais baseados em
fenômenos presentes no conhecimento dos alunos. Os tipos de pergunta utilizadas
pelo professor para promover interações mostram um direcionamento ao caráter de
autoridade, pela seleção e abordagem das variáveis. Assim, entende-se que a
aprendizagem se concretiza na utilização de diferentes abordagens comunicativas
que permitem, não só a perpetuação de um conhecimento específico, mas também,
a associação com esquemas da realidade, entretanto, o que se encontra nos
episódios analisados é a perpetuação de um modelo tradicional caracterizado pela
abordagem de autoridade.
PEDAGOGIA CIBERCULTURAL NO GATES NOTES: DISCURSOS DIGI-AMBIENTAIS SOBRE MUDANÇA CLIMÁTICA
MATHEUS EDUARDO DOMINGUES GODOY, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 05/03/2024
Diante da expansão vertiginosa da internet como meio de comunicação, de
criação de significados, subjetividades, percebemos a importância de
compreendê-la como capaz de criar formas próprias de pedagogia.
Principalmente no que se refere a um tema tão caro a nós como a mutação
climática e o Novo Regime Climático Diversos atuantes se propõem a tratar
das questões envolvendo a mudança climática partindo das mais diversas
perspectivas. Dentre eles percebemos no bilionário co-fundador da Microsoft
e Fundação Gates, Bill Gates, discursos de viés local-global pertinentes de
serem mapeados, já que ele é detentor de grande capital monetário e influência
nos ramos da tecnologia, inovação, filantropia e política. Assim, analisamos
artigos de seu blog Gates Notes a fim de descrever uma rede de relações que
expressou a mediação dos artigos da seção “clima e energia”, buscando
mapear alguns dos mediadores que possibilitaram a construção de um
discurso climático e como ele cria uma pedagogia própria. Para atingir tal
objetivo seguimos os rastros dos diversos atuantes – mediadores e
intermediários – presentes em quatro artigos do blog. Cada um dos artigos
propõe soluções para a mudança climática a partir dos eixos: solução a partir
do mercado, da tecnologia, da inovação, e a partir do híbrido inovação-
tecnologia. Utilizamos da Teoria Ator-Rede como forma de discussão e
metodologia, já que ela permite descrever redes de relações a partir dos rastros
deixados pelos diversos atuantes (humanos e não-humanos). Utilizamos das
discussões relacionadas às questões ambientais propostas por Bruno Latour,
Isabele Stengers, Airlton Krenak e outros autores que nos auxiliaram na
proposição de análises sobre a produção discursiva desses artigos. Por fim,
aproveitamos das discussões a respeito do conceito Pedagogia Cultural de
modo a compreender a possibilidade de o blog se constituir como um artefato
cultural capaz criar uma pedagogia própria, estabelecendo noções do que é: a
natureza, a energia, as mudanças climáticas, o efeito estufa, os países que
mais sofrem com as mudanças climáticas, as soluções, inovações,
tecnologizações relacionadas à mudança climática etc. A partir dos rastros dos
atuantes percebemos que as soluções dos artigos estudados permanecem no
vetor Local-Global, já que as elas têm como característica a tecnologização e
modernização do Local, e como objetivo final atingir o Globo da Globalização(-
menos). Desconsideram aspectos sociais e culturais dos coletivos formados em
países da África, por exemplo, em favor de produzir soluções que visam
‘melhorar’ a ‘natureza’, percebida como inacabada (sementes modificadas de
instituições como a CGIAR). Concluímos que as soluções do blog vão na
direção de produzir uma pedagogia que entende os problemas climáticos a
partir da visão de fora-da-terra (natureza-universo) deixando de perceber as
mais diversas relações que envolvem os terrestres (natureza-processo).
Ademais, os rastros deixados pelos diversos atuantes fazem inflexões em
direções ainda não descritas, abrindo espaço para descrição de outras redes
de relações.
ENSINO POR INVESTIGAÇÃO E FORMAÇÃO CONTINUADA: UM ESTUDO DA VISÃO DOS PROFESSORES DE QUÍMICA ACERCA DA PERSPECTIVA INVESTIGATIVA
ANTONIO APARECIDO VITAL JUNIOR, Profa. Dra. Andréia de Freitas Zompero
Data da defesa: 16/02/2024
O avanço tecnológico e o desenvolvimento da ciência têm trazido diferentes
comportamentos nos estudantes e levado pesquisadores da área da Educação a
problematizar as relações de ensino e aprendizagem, fato este que leva os
professores a adequarem suas práticas pedagógicas às demandas da
contemporaneidade. No Ensino de Química sobretudo, essas inquietações são
frequentes, uma vez que as práticas pedagógicas conduzidas nesse componente
curricular se dão de maneira expositiva, o que gera um ensino descontextualizado e
desmotiva o aluno. Assim, vemos potencialidade na utilização de abordagens
investigativas para a promoção de uma formação crítica-reflexiva e um ensino
contextualizado. Com isso, fez-se proveitoso entender as percepções dos professores
em relação a utilização do Ensino por Investigação. Dessa forma, este estudo tem por
objetivo investigar qual a visão de professores do Ensino Médio em relação às
potencialidades do Ensino por Investigação para o ensino e aprendizagem de
Química. Para tanto, utilizou-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa e
descritiva. Para a tomada dos dados utilizou-se de questionário contendo treze
perguntas. As respostas foram analisadas por meio de análise de conteúdo, como
proposta por Bardin. Os resultados foram organizados em quatro dimensões, a saber:
i) a identificação dos participantes; ii) a formação docente; iii) a abordagem do Ensino
por Investigação e iv) abordagem do Ensino por Investigação na atuação docente e
nos levam a inferir que os professores conhecem as abordagens investigativas e
acreditam que há potencialidades em sua utilização, contudo, fatores políticos e
sociais como a sobrecarga de trabalho, falta de estrutura da escola e de tempo para
preparo das aulas impossibilitam uma maior adesão dos professores às abordagens
ativas. Como resultados emergiram quatro dimensões de análise que nos levaram a
inferir que em sua maioria os professores conhecem o Ensino por Investigação,
conseguem elencar características da abordagem e reconhecem as potencialidades
para o ensino e a aprendizagem de Química, contudo, há fatores como tempo
escasso, currículo, sobrecarga de trabalho, falta de infraestrutura e formação
inadequada que impedem a implementação de abordagens investigativas no ensino.
PROVA-ESCRITA-EM-FASES: UMA ANÁLISE À LUZ DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA REALÍSTICA
THIAGO TROMBINI, Profa. Dra. Pamela Emanueli Alves Ferreira
Data da defesa: 18/02/2024
Esta dissertação tem como objetivo investigar características de uma Prova-escrita-em-fases à luz da
Educação Matemática Realística (RME), a partir de teses e dissertações brasileiras que tratam dessa
temática. Para tanto, apresenta-se uma perspectiva de avaliação formativa, tomada como prática de
investigação e como oportunidade de aprendizagem, em acordo com os trabalhos realizados pelo Grupo
de Estudos e Pesquisa em Educação Matemática e Avaliação (GEPEMA). Em seguida, apresenta-se o
instrumento avaliativo que é foco deste trabalho, a Prova-escrita-em-fases e a, abordagem de ensino
(RME) que servirá também como “lente” para esta pesquisa. São apresentados os procedimentos
metodológicos da pesquisa qualitativa, de cunho interpretativo, que utiliza como base de informações
dez produções que relatam utilizar o instrumento avaliativo Prova-escrita-em-fases, encontradas no
portal de teses e dissertações da CAPES. A análise foi desenvolvida a partir de dois aspectos
identificados: estrutural e desenvolvimental. Nesse sentido, foi possível [identificar e retirar] analisar
características voltadas ao aspecto estrutural do instrumento, quanto ao público-alvo, tarefas, número de
fases e correção da prova que referem-se à elaboração e construção do instrumento; e relacionadas ao
aspecto desenvolvimental quanto à intervenção, regulação, intencionalidade e (re)planejamento. As
características identificadas mostram-se ligadas a intencionalidades e planejamentos realizados dentro
do processo avaliativo, no qual o instrumento é proposto, permitindo uma dinamização do processo
avaliativo, considerando o tempo entre as fases e todas as oportunidades que podem ser criadas dentro
dele.
EVASÃO E PERSISTÊNCIA: UM ESTUDO DE CASO DE CONDICIONANTES SOCIAIS NA LICENCIATURA EM FÍSICAUEL
PAULO EDUARDO BUENO, Profa. Dra. Irinéa de Lourdes Batista.
Data da defesa: 27/03/2024
Motivados pelo recente quadro de escassez de professores e o problema de
longa data com evasão estudantil no ensino universitário brasileiro, decidimos
realizar essa investigação qualitativa na forma de um estudo de caso dos
condicionantes de natureza social que atuam nos processos de evasão e
persistência na Licenciatura em Física da Universidade Estadual de Londrina
(UEL). Estudos recentes evidenciam a investigação da evasão escolar por
intermédio de valores sociais como uma tendência da área com ricas
intervenções propositivas. Nesse contexto, optamos por uma pesquisa
envolvendo a influência de condicionantes sociais nos processos de decisão
individual por evadir ou perseverar. Para esse objetivo, associamos referenciais
clássicos da sociologia e da psicologia da educação mais contemporânea
juntamente a um extenso conjunto de obras nacionais contendo as discussões
mais recentes da área. Para a coleta de informações, utilizamos um questionário
digital construído cuidadosamente para favorecer a adesão dos estudantes que
aceitassem a solicitação. Cientes da dificuldade em contactar estudantes que já
evadiram e por se tratar de uma pesquisa cuja participação é voluntária,
recorremos a uma diversidade de mecanismos institucionais para garantir que o
convite alcançasse tantos estudantes da Licenciatura em Física UEL quanto
possível. A pesquisa pode ser descrita a partir das seguintes três etapas: um
estudo bibliográfico para levantar as principais tendência investigativas do
mesmo domínio desta investigação; a construção e planejamento para aplicação
de um questionário inspirado em instrumentos de coleta que tenham obtido
resultado interessantes em pesquisas dos últimos anos; e análise das resposta
fornecidas pelos participantes, para a qual adotamos uma metodologia
fundamentada na já consolidada análise de conteúdo. Esse processo de
decodificação deu origem a unidades temáticas de contexto elaboradas para
contribuir com o campo das pesquisas de natureza social da evasão nas
licenciaturas. A partir da análise das unidades foi possível evidenciar a influência
de condicionantes de natureza social para perseverança na Licenciatura em
Física UEL, principalmente por meio da relação entre integração social e
desempenho normativo. Finalizamos com a discussão a respeito de proposições
de intervenção que aparentam ser mais eficazes, a médio e longo prazo,
considerando as peculiaridades da Licenciatura em Física UEL. Apresentamos,
em adição, a construção de uma proposta de abordagem que busca favorecer a
integração social na licenciatura.
CRIATIVIDADE NO CONTEXTO EDUCACIONAL COM CONTRIBUIÇÃO DA NEUROCIÊNCIA
LUDMILA FRATUCCI BAILONI, Prof. Dr. Paulo Sérgio de Camargo Filho
Data da defesa: 22/03/2024
A criatividade é uma habilidade inerente a todos os seres humanos, variando em graus
de expressão e aptidão, e que pode ser cultivada ao longo de toda a vida. Seus
determinantes são multifacetados, abrangendo fatores familiares, sociais, culturais e
emocionais. No contexto educacional, o professor desempenha um papel crucial na
promoção do pensamento criativo entre os alunos, chamado de "mini-c creativity", que
pode se desenvolver internamente na mente do estudante ou ser concretizado por
meio da criação ou compartilhamento de ideias. A cultura maker, que encoraja a
criação e a experimentação, também desempenha um papel importante nesse
contexto. Quando o pensamento criativo permanece no âmbito subjetivo ou se
manifesta como uma solução singular, está-se diante de um ato criativo. Contudo,
quando essa criatividade é disseminada para um público mais amplo, está-se diante
de um processo de inovação. É importante notar que nem todas as ideias criativas
são necessariamente viáveis para a implementação. Além disso, um ambiente de
aprendizado desempenha um papel significativo no estímulo à criatividade. Móveis
flexíveis, materiais e a conexão entre o currículo e a vida dos alunos, levando em
consideração seus interesses e habilidades, juntamente com um ambiente que
promova a livre discussão e minimize o medo do erro, podem favorecer o
desenvolvimento do mini-c creativity, que pode servir como precursor de formas mais
amplas de criatividade, como o Big C-creativity. Historicamente, desafios e
necessidades da vida cotidiana frequentemente têm sido impulsionadores do
desenvolvimento da criatividade. Além disso, a pesquisa em neurociência oferece
valiosos insights que podem ser aplicados efetivamente para enriquecer o
desenvolvimento da criatividade. A compreensão da plasticidade cerebral, das redes
neurais e das estratégias pedagógicas que estimulam o pensamento criativo são
fundamentais nesse processo. Este estudo apresenta implicações práticas relevantes
para educadores, formuladores de políticas educacionais e pesquisadores
interessados em fomentar a criatividade no contexto educacional. Ele destaca a
necessidade de uma abordagem interdisciplinar, que integre conhecimentos
provenientes da neurociência, psicologia cognitiva e educação, a fim de criar
ambientes de aprendizado propícios ao florescimento da criatividade. Em última
análise, promover a criatividade entre os aprendizes é fundamental para prepará-los
para os desafios do século XXI e para incentivá-los a se tornarem solucionadores de
problemas e inovadores eficazes.
CONEXÕES ENTRE AS AÇÕES DOCENTES E DISCENTES EM AULAS REMOTAS DE QUÍMICA NO ENSINO SUPERIOR
ISADORA POLVANI BARBOSA, Professora Doutora Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 08/03/2024
A presente dissertação apresenta um estudo de caráter qualitativo em que são descritas e
analisadas as ações docentes e discentes em aulas remotas de Química no Ensino Superior e
possíveis conexões. Para tal propósito, foram analisadas aulas de duas professoras de química
e os dados foram sistematizadas seguindo os pressupostos da Análise de Conteúdo. Mediante
as análises foram identificadas 11 ações docentes para a Professora 1 (P1) (Comenta,
Cumprimenta, Escuta, Explica, Informa, Interrompe, Operacionaliza, Pergunta, Retoma, Lê e
Responde) e 13 ações docentes para a Professora 2 (P2) (Comenta, Cumprimenta, Demonstra,
Escuta, Explica, Informa, Interrompe, Lê, Operacionaliza, Pergunta, Responde, Retoma e
Supervisiona). No que diz respeito as ações discentes descritas e analisadas, encontrou-se 6
distintas ações discentes para os alunos de P1 e P2 (Comenta, Explica, Interrompe,
Operacionaliza Pergunta e Responde). Ao analisar as aulas síncronas no formato de ensino
remoto emergencial (ERE), observamos certa similaridade com as ações docentes e discentes
identificadas em aulas presenciais, com a ocorrência das ações “Interrompe” e
“Operacionaliza”, as quais podem ser consideradas como representativas do ERE. Além disso,
foram identificadas mais ações docentes do que ações discentes, e mais ações docentes para as
aulas de P2 em comparação com as aulas de P1. No que concerne as conexões entre as ações
docentes e discentes, na 6 aula de P1, tem-se 13 conexões. Já na aula 10 de P1, observou-se 11
conexões e 2 desconexões. Outrossim, na aula 9 de P2 foram evidenciadas 32 conexões e 3
desconexões e na aula 12 de P2, ocorreram 89 conexões e 15 desconexões. A incidência e a
diversidade das ações e das conexões, nesta pesquisa, podem estar relacionadas ao menos por
três fatores: a especificidade da disciplina, os recursos didáticos empregados pelas docentes e
a configuração do ensino remoto. Como perspectivas futuras, pretende-se utilizar o estudo das
ações docentes, discentes e suas conexões como um instrumento de análise no contexto da
formação de professores no Ensino de Química.
O CONECTIVISMO NA PERCEPÇÃO DE HÁBITOS DE ESTUDOS EM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO NA DISCIPLINA DE QUÍMICA
DANIEL VITOR MARIANO BONFIM, Prof. Dr. Marcelo Maia Cirino
Data da defesa: 25/03/2024
As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) possuem grande
influência em vários âmbitos da sociedade, transformando processos industriais,
econômicos, sociais, culturais e educacionais. As TDIC provocaram grandes
mudanças na Educação. As tecnologias mudaram a forma de viver, comunicar e
aprender. Desse modo, os princípios pedagógicos devem se adaptar a esses novos
ambientes em que o indivíduo está inserido. Como forma de propor um caminho
para a educação, Siemens apresenta uma teoria de aprendizagem denominada
Conectivismo. O autor aponta que novas informações estão sendo continuamente
adquiridas e, por isso, é necessário ter habilidades para realizar a seleção de
informações relevantes. Dessa forma o presente trabalho possui como objetivo
comparar os pressupostos do Conectivismo com as perspectivas de hábitos dos
estudantes do Ensino Médio em uma disciplina de Química. O percurso
metodológico desta pesquisa possui uma perspectiva qualitativa; os sujeitos
participantes foram adolescentes de um colégio estadual do norte do Paraná. Após a
aplicação de uma sequência didática baseada no Conectivismo, 10 estudantes
foram entrevistados e suas respostas foram analisadas a partir dos pressupostos da
Análise de Conteúdo. Utilizamos aqui os princípios do Conectivismo como categorias
a priori, entretanto, somente os princípios um ao sete foram contemplados. Em cada
categoria há subcategorias emergentes, nas quais as respostas foram enquadradas.
Os estudantes mostraram o hábito de estudos ao usarem as redes sociais para
aprendizagem, tanto para assuntos escolares como para assuntos educativos
diversos, evidenciando a percepção da existência do conhecimento em rede e,
recorrendo, durante os processos de aprendizagem, a diversas fontes de
informação. Além disso, utilizaram dispositivos não humanos para auxiliar no
processo de aprendizagem, recorrendo à inteligência artificial (IA). Alguns alunos
mostram indícios de possuir um domínio sobre a literacia informacional, a qual
corresponde à capacidade conectivista de “saber mais”. No entanto, observa-se que,
em sua maioria, os estudantes não possuem confiabilidade na colaboração mútua,
domínio da literacia informacional, uso crítico de tecnologias e habilidade em
enxergar conexões entre diversas áreas. Através do processo de categorização, é
perceptível que os estudantes já adotam hábitos alinhados à abordagem conectivista
em seu cotidiano, indicando a necessidade de adaptações críticas e democráticas
no ambiente escolar para corresponder a essa nova realidade.