Teses e Dissertações
Laboratório de ensino de Matemática e laboratório de ensino de Ciências: uma comparação
Marli Balzan Cavalaro Benini , Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 28/07/2006
Muito se tem dito sobre as deficiências do ensino da Matemática. A partir delas,
procuramos uma solução para esse problema, surgindo então o tema Laboratório de
Matemática. Este trabalho tem como intenção mostrar como a experimentação no
laboratório está inserida historicamente na Ciência e que a idéia de um laboratório de
Matemática não é nova. Pretendemos com ele comparar o laboratório de Matemática com
o de Ciências. A apresentação de alguns laboratórios de ensino de Matemática brasileiros
e portugueses e seus objetivos se faz presente. Para tanto lançamos mão de dados
bibliográficos e documentais. Os objetivos do laboratório de Ensino de Matemática foram
coletados e analisados segundo algumas categorias. Essas categorias são a motivacional,
a instrucional, a funcional e a epistemológica, usadas na Ciência, baseadas em Laburú
(2005). Com base nos dados, observamos que, em se tratando de um laboratório didático,
preocupado com o ensino e a aprendizagem, existem muitos pontos em comum entre o trabalho de laboratório de Ciência e o de Matemática. Este trabalho também se preocupou
em trazer um capítulo sobre “Os Diferentes Tipos de Abordagem no Laboratório de
Física”, como uma elucidação para as pessoas que desconhecem as maneiras como pode
ser conduzido o trabalho naquele espaço.
Saberes mobilizados por três docentes de Matemática das séries finais do Ensino Fundamental
César Faiçal, Profª. Drª. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino
Data da defesa: 30/07/2006
Na presente investigação buscamos identificar os saberes mobilizados por três
docentes de Matemática das séries finais do ensino fundamental. Acreditamos que,
se tiverem consciência e refletirem coletivamente sobre os saberes que mobilizam
na sua prática, os docentes poderão redirecioná-los de acordo com os diferentes
contextos em que atuam, desencadeando um processo de desenvolvimento
profissional e constituição de sua identidade profissional. Consideramos saber como
uma ‘’[...] atividade discursiva que consiste em validar, por meio de argumentos e de
operações discursivas [...] uma proposição ou uma ação [...]’’ (TARDIF, 2002, p.196),
e o professor como sujeito do seu desenvolvimento nas perspectivas propostas por
Garcia (1999) e Fiorentini (1999). Para identificarmos os saberes mobilizados por
essas docentes solicitamos que elas respondessem a um questionário, nos
concedessem uma entrevista e participassem de um grupo de estudos semanal para
elaborarmos atividades para nossas aulas. Os saberes identificados foram
agrupados por afinidade, por meio de um processo indutivo, que permitiu a
constituição de dez tipologias de saberes mobilizados pelas docentes: saberes
relativos à formação dos docentes de Matemática; saberes da didática da
Matemática; saberes dos caminhos para fazer Matemática; saberes referentes a
recursos didáticos; saberes sobre os contextos de aplicação (das profissões e do
indivíduo); saberes curriculares; saberes da psicologia; saberes da História da
Matemática; saberes sobre avaliações em Matemática; saberes sobre condições
dignas de trabalho e sobrevivência. Por fim, apresentamos algumas considerações
sobre o modo como os saberes declarados pelas professoras podem contribuir para
o seu desenvolvimento profissional.
A visão do professor de Ciências sobre as estações do ano
Everaldo José Machado de Lima, Profª. Drª. Rute Helena Trevisan Latari
Data da defesa: 10/03/2006
No dia-a-dia escolar, é comum encontrar professores que vêm para as aulas de ciências com
concepções prévias, que podem diferir substancialmente das idéias a serem ensinadas,
dificultando o aprendizado de futuros conceitos científicos. Pretende-se discutir o ensino
das Estações do Ano, uma vez que se observa grande tendência do professor de ciências em
ensinar, e dos alunos em aprenderem as concepções alternativas do cotidiano, trazidas para
a sala de aula. Este trabalho tem por objetivo analisar o estudo das estações do ano e as
representações dos professores do ensino fundamental, avaliando as suas dificuldades em
determinar o sentido correto dos conceitos e observando a metodologia que utilizam no
ensino. Com essa análise, foi possível verificar que os conceitos nascem do sentido
atribuídos às palavras. Tendo como foco da pesquisa o professor que utiliza de
conhecimento prévio no decorrer de suas aulas, procurou-se entender, por meio de cinco
entrevistas semi-estruturadas, a relação que os professores tinham com os conteúdos
relacionados no ensino das estações do ano, seus significados e suas interpretações. No
desenvolvimento da pesquisa foi necessário recorrer a um levantamento bibliográfico sobre
as concepções alternativas, presentes no ensino de astronomia. O estudo esteve alicerçado
na formação dos conceitos descrito por Vygotsky (1998) e na análise do discurso de
Orlandi (1997).
Projetos de Orientação Sexual na Escola: Seus Limites e Suas Possibilidades
Virgínia Iara de Andrade Maistro , Prof. Dr. Álvaro Lorencini Júnior
Data da defesa: 08/06/2006
Este estudo tem como principal objetivo identificar os limites e possibilidades
pedagógicas dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o desenvolvimento de
projetos do tema transversal Sexualidade na escola. A proposta dos PCN para
Orientação Sexual se baseia no princípio que a escola deve tratar a sexualidade como
um elemento fundamental na vida dos indivíduos em sociedade, considerando um tema
amplo e polêmico, multidimensional, demarcado pela história, pela cultura e pela
evolução social. Desse modo, as nossas investigações partem dos seguintes
questionamentos: a) Quais são os limites dessas possibilidades presentes nos PCN que
impedem a implantação e desenvolvimento de projetos que contribuem efetivamente
para a construção da sexualidade dos alunos? b) Quais são os elementos pedagógicos
que estão presentes nos projetos de Orientação Sexual nas escolas, desenvolvidos ou em
desenvolvimento que contribuem positivamente para a sexualidade dos alunos? Estes
questionamentos foram convertidos em questões a serem investigadas, a saber: a)
Identificar quais são as dificuldades enfrentadas pelos professores e a direção da escola,
bem como a natureza e a dimensão a qual pertencem esses obstáculos, no que tange à
implantação e implementação dos projetos de Orientação Sexual. b) Identificar os
elementos pedagógicos presentes no desenvolvimento dos projetos de Orientação
Sexual nas escolas investigadas que contribuem efetivamente para a construção da
sexualidade nos alunos. Para responder essas questões, o presente estudo investigou três
escolas da rede pública do Ensino Fundamental do Estado do Paraná, nas quais foram
coletados registros na forma de questionários e entrevistas com a direção e professores.
Com os dados coletados, fizemos uma análise qualitativa agrupando as falas e as
respostas, de acordo com as regularidades encontradas, convertendo em categorias, a
saber: 1) Origem e organização do projeto; 2) Planejamento, tomada de decisões e
envolvimento da comunidade no projeto; 3) Identificação de um problema,
compartilhamento de idéias e discussões das prioridades; 4) Integração da sexualidade
com os eixos - corpo, gênero e DST propostos pelos PCN, nas diversas áreas do
conhecimento; 5) Autorização e resistências dos pais; 6) Assuntos polêmicos
(homossexualismo, masturbação, aborto, estupro, etc.); 7) Metodologia aplicada; 8)
Parcerias estabelecidas; 9) Ênfase dos projetos; 10) Eficácia dos projetos. Com base nos
resultados obtidos, podemos considerar que os projetos implementados nas escolas
investigadas têm como possibilidades pedagógicas a construção da sexualidade e o
desenvolvimento pessoal e social dos alunos, corroborando a proposta sugerida pelos
PCN. Por outro lado, os projetos sobre sexualidade encontram limites pedagógicos para
o pleno desenvolvimento, no que tange às resistências dos professores em tratar o
assunto; à deficiência na formação inicial e continuada dos professores sobre a
multifacetada temática; à ausência das contribuições dos pais no planejamento e
desenvolvimento dos projetos, bem como à postura pouco flexível dos pais que resistem
ou coíbem a participação dos filhos nos projetos; à deficiência da forma continuada e
sistemática de atualização dos demais agentes escolares sobre o referido tema e às
dificuldades que a escola encontra em manter as parcerias com outros setores da
sociedade para auxiliar no desenvolvimento de projetos de Orientação Sexual.
Formação inicial de professores para o trabalho interdisciplinar
Márcio Akio Ohira, Profª. Drª. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 31/03/2006
O presente trabalho apresenta a investigação para a construção de um conjunto de
referenciais teóricos para formar profissionais da educação preparados para a
interdisciplinaridade escolar. Atualmente, perceber o mundo de forma não
compartimentada e ter como objetivo, durante a formação inicial, o desenvolvimento
da capacidade de atuar interdisciplinarmente remete os cursos superiores de formação
de professores a fornecer condições para proporcionar fundamentação e análise que
mostrem a importância da integração das diversas áreas de conhecimentos, a
complexidade dos saberes e ainda despertem nos licenciandos a necessidade de
implementar práticas pedagógicas. Com o avanço da pesquisa na área de Ensino de
Ciências e com a busca da aproximação do ensino com a realidade sócio-cultural da
comunidade escolar, apresentamos assim a implementação de uma concepção de
educação científica que possui em seus fundamentos uma proposta de
interdisciplinaridade no conhecimento a ser apropriado como saber escolar.
A Compreensão de Duas Professoras de Matemática sobre o Modo como seus Alunos Aprendem
Regina Aparecida de Oliveira, Profª. Drª. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino
Data da defesa: 26/04/2006
A princípio, o objetivo desse trabalho era olhar para o modo como duas professoras
de Matemática compreendem a produção de significados de seus alunos, com base
na perspectiva teórica do Modelo dos Campos Semânticos de Romulo Campos Lins.
Esse estudo é considerado importante, pois acredita-se que há relações entre o
modo como os professores compreendem o processo de produção de significados e
a aprendizagem. Durante o processo de investigação observou-se que as
professoras não falavam de produção de significados (na perspectiva de Lins) e sim
de aprendizagem, então para que as informações pudessem ser analisadas mudou-
se a pergunta de investigação. Foi assim que o objetivo desse trabalho passou a ser
o de investigar a compreensão de duas professoras de Matemática sobre o modo
como seus alunos aprendem. Esse trabalho constitui uma pesquisa qualitativa. Para
o seu desenvolvimento constituiu-se um grupo de estudos com duas professoras de
Matemática de uma escola pública do Ensino Fundamental do norte do estado do
Paraná. A coleta de informações foi realizada por intermédio de entrevistas semi-
estruturadas, de observações e descrições das atividades realizadas neste grupo e
da análise de algumas aulas dessas professoras. A mudança de perspectiva na
investigação fez com que a leitura das informações fosse realizada com base na
construção teórica de David Ausubel, sobre Aprendizagem Significativa.
Paralelamente, foi utilizada a teoria dos Campos Semânticos de Rômulo Campos
Lins para justificar a mudança de referencial teórico, uma vez que as professoras
compreenderam “produção de significados” como sinônimo de aprendizagem. A
investigação permitiu entender que essas professoras compreendem a
aprendizagem como um processo no qual os alunos reproduzem discursos, ora
compreendendo, ora memorizando automaticamente. Além de responder a pergunta
de investigação, apresentam-se também algumas contribuições do grupo de estudos
na formação continuada das professoras participantes.
Análise dos Padrões Discursivos de um Professor de Ciências do Ensino Fundamental
Nancí Miksza Vivian , Prof. Dr. Marcelo Alves Barros
Data da defesa: 10/03/2006
Este trabalho tem como objetivo analisar os padrões discursivos de um professor de
ciências em aulas de conhecimento físico. Nessa pesquisa foram analisados episódios
extraídos de uma sequência de cinco aulas com alunos do 3º ciclo (5ª série) do Ensino
Fundamental de uma escola pública do município de Jandaia do Sul – Paraná/Brasil. Os
dados foram coletados mediante gravações em vídeo nas quais os alunos trabalharam
organizados em grupos. Para a análise dos dados utilizou-se uma estrutura analítica
idealizada por Mortimer e Scott (2002), que possibilita a investigação dos seguintes
aspectos: intenções do professor; conteúdo do discurso; abordagem comunicativa;
padrões de interação e intervenções do professor. Ao final da análise foi possível
evidenciar os padrões discursivos que emergiram da interação entre professor e alunos e
como a abordagem comunicativa e os padrões de interação, promovidos pelo professor,
encaminharam o aluno na (re)estruturação de suas ideias e na busca de soluções para
um problema proposto em sala de aula.
Uma Análise da Produção Escrita de Alunos da 3ª Série do Ensino Médio
Rose Mary Fernandes Alves, Profª. Drª. Regina Luzia Corio de Buriasco
Data da defesa: 07/02/2006
Na perspectiva de ver a avaliação como um dos fios condutores da busca do
conhecimento, entendendo-a como um processo que descreve o que os alunos
sabem e são capazes de realizar em matemática, é que esta investigação analisa a
produção escrita de alunos do Ensino Médio em Questões Abertas de Matemática.
O presente trabalho apresenta uma investigação de natureza qualitativa dos
registros escritos de alunos da 3ª série do Ensino Médio. Para isto, foram utilizadas
44 provas retiradas de uma amostra estadual da Prova de Questões Abertas de
Matemática da Avaliação de Rendimento Escolar do Estado do Paraná – AVA/2002.
Com base na interpretação do que foi registrado buscou-se compreender como eles
utilizaram as informações contidas no enunciado das questões, identificando os
acertos e os erros mais freqüentes e sua natureza, as estratégias/procedimentos
usados, o modo como essa produção escrita se configura, se esta apresenta marcas
de conteúdo matemático compatível com o seu nível de escolaridade, assim como,
indícios da presença do pensamento algébrico. Esta investigação mostra, dentre
outros, que uma grande dificuldade apresentada pelos alunos está relacionada à
leitura e interpretação dos enunciados das questões; que eles buscam estratégias e
procedimentos próprios para resolvê-las, e que, poucos utilizam conteúdo
matemático compatível com seu nível de escolaridade.
Símbolo-ponte: um instrumento pedagógico de auxílio à explicitação das dificuldades conceituais em circuitos elétricos
Eugênia de Cássia Andrade , Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 09/02/2006
O problema norteador desta pesquisa é verificar se a idéia de símbolo-ponte, construída a
partir da estratégia-ponte do modelo de mudança conceitual, consegue explicitar as
dificuldades dos alunos no processo de aprendizagem de circuitos elétricos. As atividades
desenvolvidas junto aos alunos, empregando símbolos-ponte, potencializam a descortinar um
conjunto de problemas de representação que se atrelam aos conceituais que podem ser
aproveitados como momentos de intensa discussão. Apresentamos os resultados obtidos com
os alunos que passaram pela estratégia dos símbolos-ponte.
O que a produção escrita pode revelar? Uma análise de questões de Matemática
Franciele Perego, Profª. Drª. Regina Luzia Corio de Buriasco
Data da defesa: 06/02/2006
Este trabalho mostra um estudo da produção escrita em Matemática contida em uma
amostra de 53 Provas de Questões Abertas da Avaliação Estadual do Rendimento Escolar
do Paraná – AVA/2002, resolvidas por alunos da 8ª série do Ensino Fundamental. Esta
investigação de cunho predominantemente qualitativo procura, com base na interpretação
do que foi registrado, analisar não apenas o acerto e o erro, mas principalmente os
caminhos percorridos por eles, a estratégia escolhida para resolver cada questão. Apresenta
os diferentes procedimentos adotados pelos alunos na resolução das quatro questões da
prova, a pouca presença de erros nos algorítmos das operações. Dentre outros, o estudo
aponta como relevante que a dificuldade maior parece estar na interpretação dos enunciados
que gera a escolha de uma estratégia capaz de resolver e responder a questão. Conclui que
os resultados apresentados pelos alunos podem ser reflexo do trabalho que vem sendo
desenvolvido nas salas de aula, ou seja, eles parecem não estar acostumados com questões
que exigem mais do que um simples cálculo com a utilização de algum algoritmo.