Construção de uma sessão de cúpula para o ensino de física em um planetário
Juliana Romanzini, Profª. Drª. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 25/02/2011
Nossa pesquisa, de cunho qualitativo, se baseia na investigação do potencial pedagógico que os Planetários podem oferecer para o ensino de conceitos científicos que vão além da área da Astronomia, abrangendo também outras Ciências, tais como a Física, Biologia, Química e Matemática. Para isso investigamos a construção de uma sessão de cúpula para o ensino de conceitos físicos relacionados ao funcionamento dos telescópios. As sessões de cúpula são uma das principais atividades realizadas nos Planetários, e se constituem de apresentações realizadas para abordar conceitos diversos, utilizando-se para isso um projetor de estrelas e diversos equipamentos auxiliares, que criam momentos imersivos em que o público se sente parte do ambiente simulado. Como suporte para a elaboração e construção de uma sessão de cúpula com tais objetivos, utilizamos os referenciais advindos da Didática das Ciências e da História da Ciência. O título sugerido para a mesma foi “Além dos olhos – a Astronomia a partir dos telescópios”. Com tal elaboração e posterior aplicação dessa sessão de cúpula no Planetário de Londrina/PR para estudantes do Ensino Médio, acompanhada de aplicação de questionários pré e pós-atividade, identificamos uma influência dessa atividade mais claramente nos registros escritos dos alunos que nada conheciam do assunto. Houve também uma ocorrência da emissão de asserções de valor pelos alunos em relação a valores cognitivos, sociais e pedagógicos pertinentes à atividade, e o interesse do público participante no aprimoramento da sessão, notadamente na aproximação das sessões de cúpula aos vários assuntos escolares que vivenciam. Acreditamos que esses elementos evidenciam o papel colaborativo das sessões de cúpula no ensino não-formal.
Modelagem matemática do crescimento populacional: um olhar à luz da socioepistemologia
Camila Fogaça de Oliveira, Profª. Drª. Lourdes Maria Werle de Almeida
Data da defesa: 08/07/2011
Esta pesquisa teve o objetivo de investigar a modelagem matemática do crescimento populacional e as práticas sociais e matemáticas associadas a esta modelagem. Para este propósito, uma perspectiva teórica chamada de Socioepistemologia foi adotada, investigando as componentes didática, epistemológica e social. Em termos gerais, no que se refere a componente epistemológica, consideramos que as matemáticas se constituíram em diferentes práticas sociais, as quais propiciaram a construção de conhecimentos. No que se refere a componente didática, verificamos a existência de diferentes práticas: algumas relacionadas aos autores dos livros didáticos e outras relacionadas aos alunos quando envolvidos em atividades de Modelagem Matemática. Concluímos que as práticas dos alunos, quer do ponto de vista matemático, quer do ponto de vista social, mostram semelhanças entre as práticas dos autores de crescimento populacional do final do século XVIII e início do século XIX. Sendo assim, os significados se encontram no uso da linguagem e não estão determinados previamente, conforme abordado por Wittgenstein, mas encontram sua origem na atividade humana, por meio da interação entre indivíduos.
O trabalho de campo em periódicos da área de Ensino de Ciências: categorização e tipologia
Marcelo Augusto da ROcha, Profª. Drª. Rosana Figueiredo Salvi
Data da defesa: 29/03/2011
Buscou-se aliar neste estudo, um tema que fosse suficientemente interessante tanto para a área de Ensino de Ciências, de uma forma geral, como para a Geografia, especificamente. Deste modo, a ocorrência deste encontro pode render frutos de ambos os lados, favorecendo o ensino-aprendizagem de diversos conteúdos científicos, por meio das revelações incididas a partir desta análise. Pretendeu-se investigar, como vem sendo utilizado os trabalhos de campo no contexto do Ensino de Ciências, identificando quais questões estão sendo levantadas e como elas vêm sendo abordadas, buscando, deste modo, um maior aprofundamento teórico sobre este cenário investigativo, sobretudo no Brasil, por meio dos artigos publicados em periódicos desta área de concentração. A elaboração deste estudo se deu em duas fases, sendo que, a primeira, correspondeu ao levantamento e organização dos artigos que tratavam de alguma forma de saídas de campo. Utilizou-se como fontes, artigos publicados nos principais periódicos da área 46 (Ensino de Ciências) e de Qualis A e B da CAPES, ano base 2007, antes de haverem, as atuais alterações. O recorte temporal desta pesquisa compreendeu os anos de 2005 a 2009, ou seja, os últimos cinco anos de publicações. A segunda fase correspondeu à análise desses trabalhos por meio do uso da Análise Textual Discursiva. O Capítulo I estabelece diferenciações ou aproximações entre as diversas tipologias encontradas, em relação às saídas de Campo. O Capítulo II trata da fundamentação da metodologia utilizada na pesquisa, esclarecendo-a conceitualmente, e explicitando as etapas desenvolvidas tanto para a seleção, classificação e acervo dos artigos, como para a análise dos dados obtidos. Já no Capítulo III tem início a categorização, unitarização e análise dos dados. Uma das principais conclusões deste estudo é o fato de haver poucos pesquisadores preocupados em teorizar ou mesmo utilizar os trabalhos de campo em sua prática. O estudo demonstra ainda que a Geografia vem contribuindo a partir das suas conversas interdisciplinares com as disciplinas de ciências para os trabalhos de campo no ensino. Porém, ainda de forma acanhada e muito menos do que poderia, dentro do Ensino de Ciências. Isso demonstra o quanto essa área ainda permanece fechada para compreensões e práticas além das usuais da Química, Física e Biologia. Espera-se que a elaboração deste estudo surja como uma ação positiva abrindo um leque de novas investigações acerca das inúmeras questões que surgiram ao longo dos processos de observação, desenvolvimento e construção dos resultados, objetivando, dessa forma, o contínuo avanço do conhecimento científico e da qualidade da Educação Científica praticada atualmente nas escolas.
Análise crítica de tarefas matemáticas: um estudo com professores que ensinam matemática nos anos iniciais do ensino fundamental
Cristina Cirino de Jesus, Profª. Drª. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino
Data da defesa: 28/03/2011
No presente estudo, investigamos como um grupo de professoras que ensinam Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental lidam com a análise crítica, com a proposição e a implementação de tarefas. Para tanto, formamos um grupo de estudos com quatorze professoras, as quais atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental em uma escola da rede municipal de ensino da cidade de Apucarana, no Paraná. Os encontros do grupo tiveram início no mês de maio de 2010 e desenvolveram-se até novembro desse mesmo ano, totalizando dezenove encontros. Esta investigação constitui-se como uma pesquisa qualitativa de cunho interpretativo e tem como pressupostos teóricos os níveis de demanda cognitiva de tarefas matemáticas. Utilizamos como instrumentos para coleta de informações o diário de campo, gravações dos encontros do grupo, produções escritas elaboradas pelas docentes, observações de aulas e entrevista semiestruturada. Nossa pesquisa mostra que realizar a análise crítica das tarefas e conhecer os níveis de demanda cognitiva auxilia as professoras a repensar suas razões de escolhas, sua prática pedagógica, a iniciarem um trabalho mais centrado em tarefas de elevado nível de demanda cognitiva e a tornarem-se mais conscientes da influência que suas ações têm sobre os processos de ensino e de aprendizagem. Ao final do desenvolvimento dos encontros, algumas professoras mostraram indícios de mudança quanto às razões de escolha de tarefas e desenvolveram um outro olhar a respeito do trabalho do aluno. Consideramos que o compromisso e o engajamento foram aspectos fundamentais para a participação dessas docentes no grupo de estudos e para o seu desenvolvimento profissional.
Uma reconstrução histórico-filosófica do surgimento das geometrias não euclidianas
Línlya Natássia Sachs Camerlengo de Barbosa, Prof. Dr. Marcos Rodrigues da Silva
Data da defesa: 01/03/2011
Diante de justificativas favoráveis à participação da história da matemática no ensino de matemática, faremos aqui uma reflexão sobre essas justificativas e sobre as possíveis maneiras de reconstrução dessa história. Apresentaremos, então, uma reconstrução histórico- filosófica do surgimento das geometrias não euclidianas, envolvendo o quinto postulado de Euclides, na forma de história de problemas, em que se procura mostrar as tentativas bem sucedidas e fracassadas na resolução do problema em questão. Faremos, por fim, uma problematização sobre o que foi apresentado neste trabalho com questionamentos – e não respostas – sobre a participação da história no ensino de matemática.
Como estudantes do ensino médio lidam com registros de representação semiótica de funções
Nilton César Garcia Salgueiro, Profª Drª. Angela Marta Pereira das Dores Savioli
Data da defesa: 25/02/2011
Esta pesquisa consistiu em uma investigação de como estudantes do Ensino Médio de uma escola de Rolândia, PR, lidam com o conceito de função ao se depararem com uma sequência didática, nos moldes da Engenharia Didática apresentados por Artigue (1996), trabalhando diferentes registros de representação semiótica desse objeto matemático. Como referencial teórico utilizou-se a Teoria dos Registros de Representação Semiótica de Duval (2005), as abordagens do pensamento algébrico de Lins e Gimenez (1997), Kieran (1992) e Usiskin (1995) e, para os estudos do erro, Cury (2007). A sequência didática possibilitou aos estudantes a realização de conversões entre os registros de representação semiótica abordados, quais sejam registros na relação entre dois conjuntos, registro gráfico e registro algébrico do objeto função. Observaram-se indícios de pensamento algébrico nos registros escritos quando da generalização de situações e da utilização de linguagem algébrica e, alguns tipos de erros, como falta de conhecimento do uso de decimais, falta de entendimento do conceito de função como relação entre conjuntos, na conversão entre os registros de representação semiótica, no uso da linguagem algébrica, na determinação do domínio e na representação de funções com domínios discretos.
Análise da produção escrita de estudantes da EJA em atividades algébricas
ANTONIO RAFEL PEPECE JUNIOR, Profª Drª. Angela Marta Pereira das Dores Savioli
Data da defesa: 25/02/2011
Esta pesquisa associa dois temas, muitas vezes deixados de lado por educadores matemáticos, que é o ensino da álgebra e a EJA, Educação de Jovens e Adultos, segmento de ensino que está voltado a uma classe social menos favorecida que não teve acesso a escolaridade na idade apropriada. Tínhamos como objetivo investigar indícios de pensamento algébrico e de possíveis erros na produção escrita de estudantes da EJA em atividades algébricas envolvendo equações do primeiro grau. Realizamos a aplicação de uma sequência didática seguindo os moldes da Engenharia Didática proposta por Artigue (1996) e Almouloud (2007), a qual era composta por sete atividades que foram aplicadas a estudantes de uma classe do nono ano do ensino fundamental de uma escola pública municipal do interior de São Paulo. Analisando os registros escritos dos sete estudantes que participaram do desenvolvimento de todas as atividades fica evidente a pluralidade entre os mesmos e o aparecimento de indícios de pensamento algébrico, como utilização de uma linguagem simbólica, padrões e regularidades, para os quais empregamos teóricos como Lins e Gimenez (1997). Os erros encontrados nesses registros foram classificados como: erro por falta de conhecimento prévio do conteúdo ou termos utilizados, erro por falta de noção das quatro operações, erro por falta de atenção na resolução, erro na apresentação do resultado, erro por não apresentar solução para o problema e erro na interpretação do enunciado, ficando evidente a dificuldade apresentada por alguns estudantes durante tal seqüência. Para análise dos erros empregamos Cury (1995, 2004, 2007).
Análise de uma proposta aplicada em sala de aula sobre geometria com foco na demonstração
Edelaine Cristina de Andrade, Profª. Drª. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 15/02/2011
No presente estudo, investigamos as percepções referentes ao método demonstrativo de Euclides quanto à primeira Proposição – da obra Os Elementos – na ótica de um grupo de alunos do primeiro ano do Ensino Médio de uma escola estadual do norte do Paraná. Para isso, realizamos uma pesquisa de abordagem qualitativa de cunho interpretativo na busca de compreender como os conceitos da geometria demonstrativa eram recepcionados neste contexto didático. O referencial investigativo adotado foi a análise textual discursiva, a partir da qual foi possível constituir uma base de dados, ou seja, o corpus. A principal questão que norteou esta pesquisa foi: De que modo os alunos compreenderam a proposta que lhes mostrou o método demonstrativo euclidiano referente à primeira Proposição? Nesta pesquisa mostramos um breve histórico da geometria grega; tecemos alguns comentários sobre o método axiomático; apresentamos duas propostas por nós sugeridas para a intervenção didática; realizamos um estudo buscando algumas causas que justificassem a ausência ou o pouco estudo da geometria demonstrativa nas salas de aula, e conseguimos no decorrer de nosso trabalho, identificar três delas: o abandono da geometria no período do Movimento da Matemática Moderna; a formação dos professores e a supressão da demonstração geométrica nos livros didáticos. Esses estudos iniciais nos proporcionaram inspirações, compreensão e entendimento para a conjectura dessa intervenção em busca das percepções dos alunos a respeito da demonstração da Proposição I. A investigação realizada evidenciou que, para os participantes da pesquisa, a demonstração euclidiana fica mais evidente tendo em mãos a figura geométrica que a representa e que mesmo faltando vocabulário, os participantes conseguiram avançar no raciocínio geométrico.
Um estudo sobre a Educação não formal no Brasil em revistas da área de ensino de ciências (1979-2008)
Dênis Rogério Sanches Alves, Profª. Drª. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 10/11/2009
Este trabalho apresenta um estudo sobre Educação não formal tendo como base artigos publicados em revistas nacionais da área de Ensino de Ciências no período de 1979 a 2008. Considerando os seis periódicos analisados (Revista Brasileira de Ensino de Física, Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Ciência & Educação, Investigações em Ensino de Ciências, Ensaio: pesquisa em educação em ciências, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências), foi possível observar que o desenvolvimento de pesquisas e propostas relativas ao campo da Educação não formal se intensifica a partir do ano de 1999, tendo sido publicados 86% dos artigos do corpus na última década (1999-2008). O referencial investigativo adotado foi à análise textual discursiva, a partir do qual foi possível constituir uma base de dados, ou seja, um corpus, e desenvolver uma análise de cunho qualitativo. Para a constituição do corpus foram analisados 2315 artigos, tendo sido localizados apenas 45 claramente relacionados à temática em questão. Para este desenvolvimento foram identificados, selecionados, interpretados e categorizados os objetivos, metodologias de coleta de dados e as considerações finais dos artigos de pesquisa enunciadas (explícita ou implicitamente) nos periódicos. Dentre as conclusões referentes aos objetivos de pesquisa pertinentes ao campo da Educação não formal verificou-se que podem ser agrupadas nas seguintes categorias: as percepções e concepções de professores iniciantes e em exercício; metodologias de coleta e análise de dados em ambientes não formais; discussões de atividades e propostas de disciplinas; trabalhos colaborativos; pesquisa-ação; trabalho com projetos; utilização da história e da filosofia da Ciência como tema gerador e/ou motivador; utilização da teoria do conhecimento para a análise da aprendizagem nesses espaços. Quanto às formas de coletas de dados pôde-se evidenciar que as entrevistas fizeram parte da coleta (em 50% dos casos identificados) seguida pela aplicação de questionários, pela observação direta e pela produção de diários de campo (estes totalizando quase 30%). Nesta investigação também foram realizados alguns estudos comparativos a respeito das considerações finais de pesquisa do corpus a respeito da Educação não formal. Este trabalho produziu um conjunto de novos sentidos para a Educação não formal em Ensino de Ciências, derivados de pesquisas realizadas nas últimas décadas, com resultados expressivos para orientar novas pesquisas na área, ou seja, produziu um mapa orientador de futuros movimentos de investigação envolvendo a Educação não formal.
Metodologia da problematização como encaminhamento da temática sexualidade na escola: implicações para formação inicial de professores
Renata Lucas Lando, Prof. Dr. Álvaro Lorencini Júnior
Data da defesa: 26/08/2010
O presente estudo tem como principal objetivo investigar as possibilidades e os eventuais limites da utilização da Metodologia da Problematização enquanto um dos possíveis encaminhamentos metodológicos na abordagem da Educação Sexual na escola. Utilizou- se a Metodologia da Problematização e o Arco de Maguerez como uma das possíveis estratégias de ensino junto aos graduandos da primeira série do curso de Biologia Licenciatura Plena de uma Instituição Pública de Ensino Superior do Município de Jacarezinho, situado ao Norte do Paraná, para desenvolver atividades que contemplem os objetivos propostos para a Educação Sexual na escola, como por exemplo, levar aos alunos a ter consciência crítica e tomar decisões responsáveis a respeito de sua sexualidade, (por meio dos Temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e das Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná (DCE). Os dados foram obtidos a partir de notas de campo, como também por meio de gravação de áudio no decorrer dos encontros. Foram analisados de forma qualitativa e interpretativa fundamentada na literatura. Pode-se constatar que mesmo havendo particularidades em cada uma das etapas do Arco de Maguerez (Observação da Realidade, Pontos-Chave, Teorização, Hipótese de Solução e Aplicação a Realidade), houve a possibilidade de exploração da realidade e o levantamento de situações problemas as quais foram elencados em conjunto, com a participação de todos os graduandos participantes da pesquisa. Foi possível, também, o acesso aos conhecimentos acerca da temática abordada, levantamentos das hipóteses de solução do problema que também foram discutidos e debatidos por todos os grupos e por fim, a escolha da aplicação à realidade que mais condizia com a realidade proposta. Portanto, apesar de alguns limites à Metodologia da Problematização e o Arco de Maguerez verificou-se que a mesma pode ser utilizada como um dos possíveis encaminhamentos metodológicos, pois existem aproximações entre os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná (DCE) que sustentam os objetivos da Educação Sexual no contexto escolar.