Teses e Dissertações
O Professor de Ciências e o Desenvolvimento Profissional: subsídios para compreensão do conhecimento prático
Rosiane Giraldeli Fabian, Prof. Dr. Álvaro Lorencini Júnior, 23/08/2012
Data da defesa: 23/08/2012
Este estudo teve como objetivo identificar elementos que constituem a
construção do conhecimento prático de professores de Ciências do Ensino
Fundamental de escolas da rede pública de ensino. Participaram desta
pesquisa de cunho qualitativo, professores pertencentes ao Quadro Próprio do
Magistério (QPM) do Estado do Paraná com tempo de atuação no ensino de
Ciências entre 6 e 22 anos, cujos dados foram coletados por meio de
entrevistas semiestruturadas. Nas entrevistas os professores participantes
refletiram sobre sua prática, desvelando os conhecimentos de natureza
pedagógica e didática que constituem o seu saber fazer. Consideramos que o
processo de construção do conhecimento prático dos professores participantes
ocorrre por meio das suas reflexões, nem sempre com clareza dos referenciais
teóricos que as embasam, resultantes de interações contextuais de sua
trajetória, influências de ex-professores, do ambiente familiar, disciplinas
pedagógicas, estágios supervisionados, formação inicial, cursos de formação
continuada, com os colegas professores e os alunos da escola. Por meio de
reflexões sobre a ação, alguns elementos que constituem suas práticas foram
evidenciados tais como: o conhecimento do conteúdo da Ciência, o
conhecimento pedagógico, o papel do professor de Ciências, a relação entre
professor e aluno, o conhecimento didático do conteúdo. Esses aspectos estão
relacionados com as necessidades formativas dos professores, a saber: os
diferentes processos de aprendizagem dos alunos, a necessidade de
contextualizar o conteúdo, adequação do trabalho em sala às necessidades
dos alunos, diversificação de metodologias e recursos didáticos, os
conhecimentos prévios dos alunos, necessidade de atualização constante
devido ao caráter transitório dos conhecimentos científicos. Esses professores
converteram suas necessidades formativas em saberes que constituem sua
prática educativa. Além dos citados, destacamos ainda, saber motivar a
participação dos alunos e gerenciar trabalhos em grupo. Verificamos nas
reflexões dos professores da amostra a preocupação com, o que ensinar, como
ensinar e para quem ensinar. Podemos inferir pelos resultados analisados que
o sujeito está sendo construído à medida que se constrói.
Deixa eu ver’: duas crianças cegas e as relações estabelecidas no cotidiano escolar das aulas de ciências
Laryssa Costa Lopes, Profª. Drª. Rosana Figueiredo Salvi
Data da defesa: 07/08/2012
As atividades cotidianas são imprescindíveis na vida de todo o ser humano, e é por meio delas
que temos a possibilidade de nos constituir, desenvolver e aprender. A interação do sujeito
com o meio é condição básica para que estes processos ocorram, como propõem Piaget. Com
base nestes princípios e fundamentos, a intenção nesta pesquisa é procurar estabelecer um
diálogo com estas concepções construtivistas piagetianas, em que uma visão relacional do
desenvolvimento do ser humano e uma caracterização do cotidiano escolar é valorizada na
perspectiva do tempo, do espaço, das atividades e das pessoas que o constituem. Nesta
pesquisa defendemos o modo interdependente (isto é, irredutível, complementar e
indissociável) de se considerar os diferentes aspectos (família, saúde, escola, educação, etc.)
que compõem nossa relação com as pessoas, com a sociedade e conosco mesmos. Sendo
assim, caracterizamos a educação inclusiva como um sistema complexo, segundo a proposta
de Rolando Garcia (2002), pelo fato desta considerar as relações entre todos os elementos
envolvidos no sistema educacional de forma interdependente. Deste modo, a presente
pesquisa tem por objetivo conhecer por que e quais relações estabelecidas no cotidiano
escolar podem beneficiar o desenvolvimento e aprendizagem de duas crianças com
deficiência, em uma perspectiva construtivista e inclusiva de educação. Para tanto
acompanhei por um período de dois meses e meio, duas crianças cegas durante o cotidiano
escolar das aulas de ciências do Ensino Fundamental de uma escola da rede pública da cidade
de Londrina, Paraná, no intuito de obter elementos com os quais fosse possível compreender
aspectos relacionados as possibilidades de desenvolvimento e de aprendizagem. Para estudo
do processo, elaboramos um roteiro de observação e após sistematização e organização dos
dados, elaboramos um diagnóstico situacional com base nas situações vivenciadas por cada
aluno com deficiência visual no cotidiano que acompanhamos evidenciando por meio das
relações estabelecidas, uma melhor compreensão das necessidades individuais e o caminho
das possibilidades de desenvolvimento e de aprendizagem destes. O material empírico desta
pesquisa confirmou o que as referências teóricas indicam e trouxe exemplos de relações que
contribuíram e valorizaram para o desenvolvimento dos alunos como, por exemplo, as
relações de interdependência (e, portanto, complementar, irredutível e indissociável), pois
colocou em funcionamento seus aspectos afetivos, sensoriais, motores e cognitivos. Outras,
ainda, ilustram alguns desafios que, ainda necessitam ser superados para trabalharmos
efetivamente na lógica inclusiva de educação.
Educadores matemáticos brasileiros e as configurações informais de aprendizagem
Tatiany Mottin Dartora, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 02/07/2012
Esta pesquisa apresenta um estudo sobre configurações informais de aprendizagem
tendo como base os artigos publicados nos anais do Encontro Nacional de
Educação Matemática, nos anos de 2001, 2004, 2007 e 2010. A principal questão
que orientou esta pesquisa foi: Como os educadores matemáticos brasileiros por
meio de seus artigos caracterizam as configurações informais de aprendizagem?
Inspirados na Análise Textual Discursiva foi possível constituir a base de dados, ou
seja, um corpus, e desenvolver uma investigação de âmbito qualitativo. Para a
constituição do corpus foram analisados 1616 artigos, tendo sido localizados apenas
51 relacionados à temática em questão, mesmo que de modo implícito. Com isso foi
possível observar que a produção de artigos sobre esse tema tem aumentado no
decorrer da última década. Após a constituição do corpus, foram identificados,
selecionados e categorizados os objetivos, os sujeitos, os locais enunciados nos
artigos. Nesse processo, observou-se que em relação aos sujeitos, as configurações
espaços planejados para a educação informal e para os programas de
aprendizagem fora da escola são convergentes nas categorias: docentes, discentes
e pessoas da comunidade, já na configuração experiências do dia a dia os sujeitos
são a família, amigos e colegas de trabalho, e os locais são considerados os
espaços naturais, onde as pessoas desenvolvem suas atividades de lazer ou de
trabalho. Como o nome indica, na primeira configuração os locais são estruturados
fisicamente para proporcionar a aprendizagem, porém a segunda configuração é
desenvolvida em todos os locais citados anteriormente. Entretanto, não são apenas
os locais e os sujeitos que são fatores de classificação de uma configuração informal
de aprendizagem, depende também da quantidade de evidências relacionadas no
contexto educacional e da intensidade em que elas aparecem: a estrutura do
ambiente físico; a interferência de monitor, ou professor; grau de precisão em que se
avalia a educação; a presença de um currículo a ser desenvolvido. Observando
essas três categorias, podemos distinguir as configurações informais de
aprendizagem em determinado contexto educacional. Nesta investigação também
analisamos as ações enunciadas nos objetivos, e as considerações finais dos 51
artigos, sendo possível verificar que a maior parte das ações investigadas é reflexiva
e descritiva, sendo convergentes entres as configurações espaços planejados para a
educação informal e programas de aprendizagem realizado fora da escola. Em
relação às considerações finais, em todas as configurações, estão presentes a
preocupação em sugerir que as experiências dos artigos sejam levadas para a sala
de aula e a atenção voltada para a formação do cidadão. Este trabalho produziu um
conjunto de descrições sobre como estão sendo abordadas as configurações
informais de aprendizagem, que poderá servir de orientação para futuras
investigações.
Estratégia de ensino para o aumento de acurácia das medidas experimentais no ensino médio
Ana Claudia Força, Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 28/06/2012
As atividades experimentais em Física, tanto quantitativas quanto qualitativas,
constituem importante ferramenta educacional quando estruturadas em bases
educacionais e epistemológicas claras, devidamente conduzidas. Pesquisas acerca
de atividades experimentais que abordam medições apontam que alunos, seja do
ensino médio, seja do universitário, carregam interpretações a respeito de medidas
que são condizentes com o Paradigma Pontual e podem comprometer momentos de
instruções pedagógicas. O presente trabalho, portanto, tem o objetivo de investigar
uma estratégia de ensino inspirada na proposta de Millar (1987) em que alunos que
conhecem de antemão o resultado da medida a ser encontrada experimentalmente a
obtém com melhor acurácia do que alunos que a desconhecem. Para isso, sessenta
alunos do primeiro ano do ensino médio de um colégio estadual, do município de
Colorado-PR, realizaram duas atividades experimentais. Ao final, verificou-se que os
alunos submetidos à estratégia investigada obtiveram medidas com melhor acurácia
que os alunos não submetidos a ela, assim como apresentaram um conjunto de
comportamentos e atitudes que confirmam as hipóteses do trabalho. Essa estratégia
propicia a discussão relativamente a flutuações, incertezas e médias, ideias que se
ajustam ao Paradigma de Conjunto. Por conseguinte, a estratégia em questão
contribui de maneira positiva na construção do conceito de medição por parte dos
estudantes.
A natureza da ciência no ensino de ciências conforme artigos publicados em periódicos nacionais e o seu ensino por meio de narrativas históricas
Anderson Vilas-Boas, Prof. Dr. Marcos Rodrigues da Silva
Data da defesa: 22/06/2012
Com o estabelecimento do campo disciplinar História e Filosofia da Ciência (HFC) na
década de 1960, acalentaram-se discussões a respeito da inserção da história da
ciência no ensino de ciências, bem como da importância de se ensinar sobre o que
veio a ser chamado posteriormente de Natureza da Ciência (NdC). Após mostrar que
existe uma demanda de discussões sobre NdC no Ensino de Ciências e que esta
demanda pode ser sanada por meio de estudos de HFC, são apresentados alguns
conceitos de HFC. Em seguida é descrito o levantamento bibliográfico que foi feito
em periódicos nacionais resultando na distinção de 18 categorias que representam
temas gerais que podem conduzir pesquisas a respeito da NdC no ensino de
ciências, muitas destas intrinsecamente relacionadas com a HFC. Buscando esboçar
uma resposta para a questão "de que modo efetivamente poderia ocorrer, como
desejado pelos teóricos do ensino de ciências, uma compreensão de NdC a partir de
HFC?", é apresentado o artigo de Alcchin (2003), que fornece uma interessante
ferramenta que permite que aspectos da NdC possam ser ensinados a partir de
qualquer tipo de narrativa histórica da ciência presente em materiais didáticos
(mesmo as de qualidade duvidosa); e o artigo de Ribeiro & Martins (2007), que
fornece uma ferramenta que possibilita a inferência dos efeitos que tais narrativas
terão sobre os alunos a partir de como elas se apresentam no material didático; que
juntos complementam-se, formando um instrumento potencialmente promissor no
que diz respeito à abordagem da NdC nas salas de aula de ciências a partir da
história da ciência (geralmente de má qualidade, conforme aponta uma extensa
literatura da área) presente nos materiais didáticos atualmente disponíveis. A
pesquisa que resultou neste ensaio dissertativo é uma continuidade de uma série de
orientações programáticas cujas discussões visam problematizar e com isso
esclarecer o papel da NdC e da HFC no Ensino de Ciências, e sua contribuição se
dá no sentido de oferecer-se como suporte para futuras pesquisas a serem
desenvolvidas pelo grupo de pesquisa do qual seu autor faz parte.
Quenem químico: a apropriação dos enunciados científicos nas aulas de química
Angélica Cristina Rivelini da Silva, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 05/04/2012
Nesta dissertação, procuro entender como são legitimados certos enunciados
científicosdurante as práticas pedagógicas em funcionamento na instituição escolar,
mais especificamente no espaço discursivo de algumas aulas de química para o
Ensino médio. Procuro me apoiar na perspectiva dos Estudos Culturais de Ciências
e no conceito foucaultiano de enunciado. A questão central que enfatizo é
problematizar a condição naturalizada dos enunciados químicos e busco deslocar o
entendimento dos saberes químicos para um conjunto de dispositivos que regulam a
forma como os sujeitos produzem o seu conhecimento sobre o mundo. Para a
realização deste estudo, aproveitei algumas ferramentas da etnografia que chamei
de etnógrafa-turista, que me permitiram circular pela variedade de espaços e
atividades escolares. Dessa forma, constituía a rede enunciativa das aulas de
química analítica. Nesse processo de apropriação dos enunciados químicos durante
as aulas, a professora Flávia, tratou de “ajustar” as multiplicidades de entendimentos
dos alunos para o que representaria os conceitos químicos da maneira como estão
instituídos nos discursos científicos, os dispositivos atuavam, ao mesmo tempo,
demarcando um campo de possibilidade, no qual determinados elementos -
enunciados químicos - eram (re) significados para os alunos enquanto objetos de
conhecimento químico. Assim, quando a professora falava, seu interesse não era
relacionar o discurso a um pensamento, mente ou sujeito, mas ao campo prático ao
qual ele é desdobrado. A Escola acaba por atuar como um dispositivo de
enquadramento dos saberes e sujeitos, que ao fixar determinadas normas, ordena,
controla e sistematiza teorias e procedimentos estabelecendo um sistema de
significação, no qual o enunciado químico ganha visibilidade e compreensão.
Que baguio é esse?’: a negociação das identidades nas aulas de ciências
Aline de Moura Mattos, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 19/03/2012
Na tentativa de compreender como os estudantes estão ativamente
negociando identidades e como o fluxo científico vai se mantendo numa
disciplina escolar, acompanhei, por um período de oito meses, atividades
realizadas em aulas de Ciências, no Ensino Fundamental de uma escola
particular na cidade de Londrina, Paraná. Procurei explorar a relação dos
alunos e alunas com o discurso científico, os seus meios de apropriação e
como esse processo contribui para a construção de identidades. Acredito que
entender como se dão estes processos de identificação, tendo em vista a
multiplicidade de formas de sujeito, nos leva a (re)olhar a questão das
diferenças em sala de aula, dos tratamentos dados aos saberes trazidos por
cada sujeito, do linguajar de cada um, das formas de apropriação e
reconfiguração dos discursos. Ao procurar realizar uma análise do fluxo da
ciência em aulas de ciências, por meio das vozes dos estudantes, busquei
desalojar a ciência de um local privilegiado e mostrar suas transformações,
mostrar que as palavras tidas muitas vezes como “não científicas” estão
imbricadas numa rede discursiva que dão significado aos modos como os
estudantes identificam e diferenciam os saberes científicos. Este trabalho tem
influência teórica do campo dos Estudos Culturais, mais especificamente das
contribuições de Stuart Hall sobre a questão da identidade cultural. A
preocupação com o contexto em que ocorrem as ações sociais é uma marca
dos Estudos Culturais compartilhada com noções etnometodológicas, das
quais acredito ter me valido neste trabalho. Por perceber os estudantes como
sujeitos ativos, que se produzem e são produzidos nas e pelas relações
sociais, ao perceber a diversidade entre as várias maneiras que as pessoas
têm de construir e viver suas vidas, entendo que estudos de cunho
interpretativo, tal qual a etnometodologia, talvez sejam um primeiro esforço
para aceitar as diferenças que se resultam nesse processo de “viver a vida”,
fora ou dentro da escola. As observações conduzem para a ideia de
identidades não essenciais e de uma ciência mutável, sempre em
transformação, sempre reconfigurada pelos estudantes, em processo constante
de elaboração e produção. Produção que, por ser ativa, envolve resistência,
confronto, negociação, lutas. Acredito que é nesse movimento e nessas
intensas interações e negociações que a ciência vai se mantendo. O que pude
construir foi que as identidades válidas entre os alunos e alunas são aquelas
que funcionam no registro da fragmentação e da reapropriação mixórdica do
discurso científico como sua maior força para sobreviver no mundo fluído da
invenção, estranhamentos e constante (re)criação em que estes sujeitos estão
envolvidos.
O espetáculo teatral A ciência em peças, a oportunidade da aprendizagem científica dos licenciados em física e química e suas percepções sobre a formação docente
Alexandre Fregolente, Profª. Drª. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 29/02/2012
Nesse trabalho discutimos a utilização do teatro como meio de apresentar conteúdos
científicos, analisando, em particular, a aprendizagem científica e o processo de formação
docente dos próprios “atores” – estudantes da graduação em Física e Química – envolvidos na
produção e apresentação de um espetáculo teatral denominado A Ciência em Peças, produzido
pelo Museu de Ciência e Tecnologia de Londrina. Os dados serão analisados em dois
momentos distintos: Primeiramente a partir dos focos da aprendizagem científica informal,
conforme definidos em relatório do National Research Council dos EUA (NRC, 2009). Em
outro plano, será feita uma análise das características emergentes da formação docente,
encontrada nos depoimentos dos participantes. Com esse instrumento de análise, considerado
como um conjunto de categorias a priori para aprendizagem científica informal, e as questões
emergentes sobre a formação docente é possível evidenciar a aprendizagem dos estudantes
participantes em todas as dimensões da aprendizagem – científica informal e formação
docente – e como essa prática pode vir auxiliar o futuro professor.
onhecimentos e compreensões revelados por estudantes de Licenciatura em Matemática sobre sistemas de equações lineares
Kátia Socorro Bertolazi, Profª Drª. Angela Marta Pereira das Dores Savioli
Data da defesa: 27/02/2012
A presente dissertação tem por objetivo investigar processos de pensamento
matemático avançado manifestados em registros escritos de estudantes de
Licenciatura em Matemática em tarefas sobre Sistemas de Equações Lineares. Para
tanto, construímos uma Proposta de Avaliação Reflexiva sobre o conteúdo
matemático em questão constituída de três partes, a qual foi aplicada em estudantes
da 4a série de um curso de Licenciatura em Matemática, em uma universidade
estadual pública do norte paranaense. Com uma abordagem, predominantemente,
qualitativa de caráter descritivo-interpretativo buscamos nos registros escritos relatos
e indícios que assinalassem a presença de processos de pensamento matemático
avançado, conforme Dreyfus (1991) e Resnick (1987), e um perfil conciso dos
participantes evidenciando a concepção de matemática no sentido de Thompson
(1997), e ainda indícios de atitudes de professor reflexivo à luz de Freire (2004 e
2011). Examinamos questão por questão de cada um dos participantes
inventariando seus conhecimentos e compreensões acerca de Sistemas de
Equações Lineares. Entendemos que os participantes já demonstram, em suas
resoluções, serem conscientes de muitas interações que ocorrem durante o
processo de representação, mas ainda provavelmente lhes faltem oportunidades
para desenvolverem atividades que os instiguem a formalizar e sintetizar diferentes
aspectos de um conceito ou tema matemático, ação que de acordo com Dreyfus
(1991) favorece o processo de abstração matemática. As análises revelaram que de
dezessete participantes, apenas três desses atingiram o processo de abstração
matemática, isto é, a capacidade de sintetizar, formalizar e generalizar pensamentos
matemáticos. Ainda, inferimos que a maioria dos participantes apresentou uma visão
platônica da matemática no sentido de Thompson (1997).
Dificuldades de estudantes de Licenciatura em Matemática na compreensão de conceitos de grupos e/ou isomorfismo de grupos
Henrique Rizek Elias, Profª Drª. Angela Marta Pereira das Dores Savioli
Data da defesa: 16/02/2012
A presente pesquisa teve como objetivo identificar e interpretar dificuldades
apresentadas por estudantes de licenciatura e bacharelado em Matemática da
Universidade Estadual de Londrina na compreensão de conceitos de grupo e/ou
isomorfismo de grupos. Embasados em teóricos como Dubinsky et al. (1994),
Dubinsky (2002), Brown et al. (1997) e Lajoie (2000), elaboramos um roteiro com
algumas perguntas e realizamos entrevistas semiestruturadas com oito estudantes
que já haviam estudado os conceitos. Essas entrevistas nos forneceram dados que,
a partir das respostas incorretas dadas pelos estudantes, nos permitiram identificar
dificuldades na compreensão de conceitos de grupo e/ou isomorfismo de grupos.
Uma vez que o entendimento de alguns desses conceitos da Álgebra Abstrata exige
um pensamento matemático avançado, fundamentamo-nos para interpretar as
dificuldades encontradas, essencialmente, na teoria APOS, de Ed Dubinsky,
identificando a concepção (ação, processo, objeto) dos estudantes, e na teoria da
reificação, de Anna Sfard. Das análises, pudemos identificar vinte e nove
dificuldades manifestadas, as quais evidenciam, entre outras coisas, que estudantes
participantes apresentam dificuldades com conceitos prévios, como dificuldade em
lidar com conjuntos diversos, que não somente os conjuntos numéricos, ou
dificuldades com relação à definição de função, e que alguns ainda permanecem
com um pensamento matemático elementar, no sentido de Tall (1995, 2002),
mostrando que ainda não se desprenderam de um padrão de imitar soluções do qual
estavam acostumados.