Teses e Dissertações
Autonomia do aprendiz de ciências sob as perspectivas da relação com o saber e das configurações de aprendizagem
Elaine da Silva Machado, Prof. Dr. Sérgio de Mello Arruda
Data da defesa: 20/10/2020
Esta tese apresenta uma investigação qualitativa que objetivou caracterizar as relações de um grupo de aprendizes, em diferentes situações de aprendizagem (na escola, em casa, na casa dos colegas, na rua, no sítio, no local de trabalho e nas plataformas digitais), por meio de uma análise de sua autonomia a partir das variáveis interesse e liberdade. Os dados foram provenientes de questionários, respondidos por um grupo de 22 aprendizes da Educação Básica, de uma escola, no Estado do Paraná. As manifestações dos aprendizes foram interpretadas segundo os procedimentos indicados pela Análise de Conteúdo. A caracterização da aprendizagem consistiu em analisar esses dados em um modelo teórico-metodológico que elaboramos a partir de uma abordagem epistemológica sobre a relação com o saber, e das pesquisas sobre autonomia na aprendizagem. Tal modelo foi composto por dois instrumentos: o Autonomadro, para a análise da autonomia, e a Matriz do Aprendiz, para a análise das relações em configurações de aprendizagem. Com base no Autonomadro, caracterizamos as relações com a autonomia acerca de quatro graus, a partir da presença e ausência do interesse e da liberdade. Caracterizamos o grau 1, quando os aprendizes manifestaram interesse e liberdade relativo à aprendizagem; grau 2, quando manifestaram interesse, mas não tiveram liberdade; grau 3, quando manifestaram a presença da liberdade, mas não tiveram interesse; grau 4, quando manifestaram a ausência do interesse e da liberdade. Na Matriz do Aprendiz caracterizamos essas manifestações sob as relações dos aprendizes com o saber, a própria aprendizagem, aquele que ensina (fonte de saber) e com o ensino; e das dimensões da aprendizagem: epistêmica (relativa às reflexões), pessoal (sentimentos) e social (valores). Dentre os resultados, a autonomia foi caracterizada como uma condição dos aprendizes, sob os quatro graus nas diferentes situações analisadas. Sob esses graus, a autonomia dos aprendizes também foi um conjunto de relações epistêmicas, pessoais e sociais, que eles precisaram gerir para aprender. Em algumas situações essa gestão foi realizada com mais de um tipo de grau, em uma única atividade e de maneira simultânea. E, sob graus e atividades específicos os aprendizes comportaram-se concomitantemente como aprendiz e como aquele que ensina. As fontes de saber foram diversas e expostas em inventários sobre as pessoas, objetos, atividades, impressões sensoriais e plataformas digitais envolvidos na aprendizagem. Destarte, destacaram-se 10 tipos de objetos reais e 33 tipos de atividades. A escola e a família motivaram a maioria dos aprendizes em relação à autonomia, mas outros reclamaram a ausência da liberdade e valorizaram a aprendizagem em outros locais. De modo diferente, a aprendizagem nas plataformas digitais, na rua, no sítio, no trabalho e na casa dos colegas não foi associada à autonomia sob a ausência da liberdade e remeteu ao interesse por aprender. Por fim, apresentamos algumas possibilidades para pesquisas futuras, como o aprofundamento deste estudo no que concerne às relações da aprendizagem com outras variáveis da autonomia; com os objetos mentais; e com os planos de ensino.
Concepções de professores de Física de Ensino Médio sobre problema e problematização
Leonardo Santiago Lima Marengão , Profª Drª. Angela Marta Pereira das Dores Savioli
Data da defesa: 22/07/2020
Esta pesquisa, de natureza qualitativa, teve como objetivo investigar concepções de docentes de Física de Ensino Médio de Goiânia a respeito de problema e de problematização. Deste modo, a questão norteadora da pesquisa foi: Que concepções professores de Física de Ensino Médio têm a respeito de problema e de problematização? Para tanto, aplicou-se questionários com perguntas fechadas e realizou-se entrevistas semiestruturadas com professores de Física de Ensino Médio do município de Goiânia - GO. A interpretação das falas das entrevistas foi feita com base na metodologia da Análise de Conteúdo, com as categorias sendo elaboradas a posteriori. Observa-se a existência de uma insatisfação dos professores com o nível de aprendizagem alcançado pelos seus alunos, sendo apontado que esses resultados se devem principalmente às características dos próprios estudantes tais como estudo insuficiente e baixo domínio de conteúdos básicos. Infere-se que os participantes compreendem os problemas como elementos com função didática de fixação do conteúdo de Física, sendo portanto utilizados posteriormente à apresentação da teoria. Quanto à problematização, percebe-se não haver por parte dos docentes uma visão muito clara a seu respeito, sendo ela por vezes confundida com motivação ou mesmo com o ato de o professor fazer perguntas em sala de aula. Não se faz notar entre os participantes a concepção de que a construção da Ciência e o seu ensino se dão a partir de problemas, como advoga a problematização. Mesmo que haja uma defesa da utilização de um ensino problematizador (pelo menos no nível do discurso), os relatos revelam que isso provavelmente não ocorre de fato durante a atuação docente. Ainda que fatores como falta de tempo para o cumprimento do conteúdo e para a preparação das aulas tenham sido apontados como elementos que dificultam a execução de estratégias que não seja a denominada aula tradicional, constata-se haver certa relutância quanto à implementação de mudanças nas práticas utilizadas pelos professores em sala de aula, talvez por estas estarem em concordância com suas concepções, proporcionando assim certo conforto no momento da atuação profissional. Assim, após as entrevistas, enquadrou-se as concepções dos docentes analisados em três categorias, a saber: Aspectos relativos ao ensino e à aprendizagem, Concepções pedagógicas e atuação docente e A problematização para o Ensino de Física.
Teoria APOE e Teoria Antropológica do Didático: um olhar para o ensino de Álgebra Linear na formação inicial de professores de matemática
Mariany Layne de Souza, Profª Drª. Angela Marta Pereira das Dores Savioli
Data da defesa: 01/07/2020
Esta pesquisa, de natureza qualitativa, tem por objetivo desenvolver um Percurso de
Estudo e Pesquisa, valendo-se da Teoria APOE e da Teoria Antropológica do
Didático, para o ensino da Álgebra Linear na formação inicial de professores de
Matemática. Para isso, propõe-se uma reestruturação do diálogo entre a Teoria
APOE e a Teoria Antropológica do Didático, levando em consideração aspectos
relacionados ao conhecimento matemático para o ensino e o conceito Sistema de
Equações Lineares. Para atender o objetivo geral deste trabalho, o diálogo proposto
nesta pesquisa apresenta os seguintes passos: identificar as referências básicas
adotadas na disciplina; analisar um livro didático de Álgebra Linear presente na
ementa do curso a ser pesquisado, olhando para as praxeologias e para as tarefas
propostas com base na decomposição genética; desenvolver um Percurso de
Estudo e Pesquisa para a formação de professores e analisar as produções escritas,
seguindo a decomposição genética. Sendo assim, aplicou-se o Percurso de Estudo
e Pesquisa para a formação de professores a uma turma do quarto ano de um curso
de Licenciatura em Matemática de uma universidade pública localizada no norte do
estado do Paraná. Essa aplicação foi realizada em quatro encontros com duração de
duas horas aulas, nos quais se discutiu a questão geratriz do Percurso de Estudo e
Pesquisa “como desenvolver o estudo de Sistema de Equações no Ensino Médio?”
e como resultado final da aplicação os licenciandos produziram um plano de aula.
Por meio da análise dos dados obtidos na aplicação do Percurso de Estudo e
Pesquisa para a formação de professores, constatou-se a
mobilização/desenvolvimento do conhecimento matemático para o ensino, dentre
eles: o conhecimento especializado do conteúdo; conhecimento do conteúdo e do
ensino; o conhecimento do conteúdo e dos estudantes e o conhecimento do
conteúdo no horizonte. Evidenciou-se, por meio da análise, elementos do diálogo
proposto, no que tange aos momentos didáticos do ciclo de Atividade, discussão em
Classe e Exercícios. Diante do exposto, almeja-se que o diálogo sugerido contribua
para reflexões a respeito do disciplina de Álgebra Linear na formação inicial de
professores.
Um olhar realístico para tarefas de probabilidade e estatística de uma coleção de livros didáticos de matemática do Ensino Fundamental
Diego Barboza Prestes, Profª. Drª. Regina Luzia Corio de Buriasco
Data da defesa: 01/02/2021
Esta pesquisa teve como objetivo descrever, discutir e analisar tarefas de matemática das unidades específicas que abordam a temática Probabilidade e Estatística da coleção de livros didáticos de Matemática dos anos finais do Ensino Fundamental mais distribuída pelo governo federal no PNLD 2017, à luz da Educação Matemática Realística, abordagem ao ensino de matemática de origem holandesa, que tem a atividade do aluno em matematizar situações realísticas diretamente associada ao processo de aprendizagem matemática. Para isso, as tarefas das unidades escolhidas foram agrupadas em descritores de acordo com o que era solicitado que o aluno fizesse em cada uma delas e, a partir disso, realizadas considerações a respeito das tarefas dos agrupamentos que apresentaram as maiores frequências. O foco das considerações foi apresentar possibilidades de intervenções baseadas em questionamentos que os professores podem fazer ao trabalhar com as tarefas, visando a um trabalho que esteja de acordo com os princípios da Educação Matemática Realística. As análises revelaram que a maioria das tarefas estudadas pode ser classificada como sendo de reprodução, de acordo com De Lange (1999), e de baixo nível de demanda cognitiva, de acordo com Smith e Stein (1998), isto é, a maioria das tarefas envolve apenas ações relacionadas com a memorização e a reprodução de “conhecimentos” praticados com frequência (rotineiramente). No entanto, esta pesquisa deixou evidente que não é necessário ter em mãos tarefas que apresentem boas características na perspectiva da Educação Matemática Realística para realizar um trabalho que favoreça os processos de ensino e de aprendizagem, é possível realizar um bom trabalho utilizando tarefas usuais de livros didáticos, acompanhadas de intervenções do professor.
O Uso da linguagem por alunos do Ensino Fundamental em atividades de modelagem matemática
Ademir Pereira Junior, Profª. Drª. Lourdes Maria Werle de Almeida
Data da defesa: 30/06/2020
Nesta pesquisa, investigamos a constituição de jogos de linguagem em atividades de modelagem matemática desenvolvidas por alunos do 6º e do 9º ano do Ensino Fundamental. O quadro teórico da pesquisa leva em consideração a caracterização da Modelagem Matemática na Educação Matemática, bem como elementos da filosofia da linguagem de Ludwig Wittgenstein, particularmente no que se refere à segunda fase de suas argumentações filosóficas. A análise qualitativa e interpretativa dos dados nos permite inferir que os jogos de linguagem constituídos podem ser agrupados em jogos de linguagem no contexto das relações entre realidade e matemática e jogos de linguagem relativamente ao conteúdo matemático que emerge nas atividades de modelagem matemática
Produção de múltiplos registros de representação semióticos para apropriação de conteúdos de Biologia celular.
Lucas Roberto Perucci, Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 15/06/2020
Os conteúdos de Biologia Celular têm por natureza um conjunto de representações microscópicas e submicroscópicas, sendo que sua compreensão é essencial para a aprendizagem. Para uma apropriação de conceitos mais efetiva, a abordagem da multimodalidade versa que devemos variar e interpretar as distintas formas de exposição, com um enfoque em promover desafios representacionais que estimulem a expressão de representações próprias dos estudantes. Com o intuito de investigar a alternância de múltiplas representações próprias e canônicas em uma turma de Ensino Médio Técnico, foram elaboradas unidades didáticas que propiciassem a intensa produção dessas representações, que perpassam a filmagem e narração de experimentos, a construção de analogias visuais e desenhos dos fenômenos moleculares. Referenciais da semiótica foram utilizados para analisar o conjunto de significados, e assim, desvelar os conceitos que foram compartilhados pelo docente e aprendizes. Como resultados tem-se que um ambiente de maior liberdade para a produção de registros beneficia a obtenção de expressões mais idiossincráticas e revela ao docente informações importantes sobre a apropriação de conceitos.
Um olhar para a Agroecologia e a Educação Ambiental no Ensino de Ciências na Escola Itinerante do MST
Dahiane Inocência Silveira, Prof. Dr. Álvaro Lorencini Júnior
Data da defesa: 15/04/2020
Este trabalho foi desenvolvido na Escola Itinerante Valmir Mota de Oliveira, na cidade de Jacarezinho, estado do Paraná, onde buscamos responder a seguinte indagação: as práticas agroecológicas na Escola Itinerante podem apontar as possibilidades para uma Educação Ambiental crítica e emancipatória, que contribua para a formação de novos cidadãos conscientes de que a sociedade atual é insustentável e que mudanças profundas em nosso modelo de sociedade dependem de novas atitudes? O objetivo principal foi analisar como a introdução às práticas agroecológicas na Escola Itinerante pode contribuir para a Educação Ambiental e como tais questões estão inseridas na proposta da referida Escola, no contexto do movimento nacional por uma Educação do Campo. Para compreender esse processo da integração entre práticas agroecológicas e Educação Ambiental, utilizamos como procedimento metodológico a pesquisa participante. As atividades envolveram alunos do 6o ano do ensino fundamental, que foram submetidos a observação participante durante as práticas em atividades de grupo, roda de conversa e entrevistas estruturadas. Nos pautamos em autores que discutem a temática ambiental sob um viés crítico, tais como Carvalho (1998), Layrargues (2014); Lima (2009) e Loureiro (2004, 2007). A partir das análises e discussões foi possível constatar que as atividades promovem a construção de valores e atitudes que foram evidenciadas em um ciclo continuo concebido a partir de observações intuitivas das experiências docentes. É como se reconstruíssemos como cada educando se relaciona com o mundo a partir de si mesmo em um processo em que pouco a pouco, dia a dia, deixa de ser passivo frente ao conhecimento. A Agroecologia está para a Educação Ambiental, assim como a Educação Ambiental está para a Educação de modo geral. A Agroecologia e a EA compartilham a busca pela diminuição das desigualdades a partir da educação, emancipação do cidadão e cuidados com o ambiente na busca de equilíbrio na relação homem natureza. Como resultado, foi possível identificar as potencialidades de desenvolvimento de diversas atividades e podemos afirmar que a Agroecologia é uma ferramenta importante para a Educação do Campo, no direcionamento de suas ações na luta contra o modelo de sociedade insustentável e na luta pela soberania alimentar. Além disso, identificamos diversas possibilidades para a abordagem da EA crítica, junto às necessidades de engajamento e motivação que direcionam as ações, ampliando a consciência ambiental dos estudantes. Ao firmar posição pelas práticas agroecológicas, a escola protagoniza a mudança de atitudes e sua própria comunidade frente ao modelo dominante e predatório do agronegócio e toda a sua lógica de acumulação e exploração socioambiental.
Poesias para promoção de atividades discursivas em sala de aula: Um estudo de caso com licenciandos em Química
Elaine da Silva Ramos, Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 12/03/2020
Este trabalho fundamenta-se numa proposta de intervenção pedagógica para o
Ensino de Química que utiliza princípios da multimodalidade representacional por
meio do signo artístico poesia para promover atividades discursivas e aprendizagem
de conceitos em licenciandos em Química. A pesquisa teve como objetivo identificar
os limites e possibilidades do uso de poesias como estratégia didática para a
promoção de atividades discursivas, bem como a aprendizagem de conceitos
científicos com licenciandos em Química. Os sujeitos participantes da pesquisa foram
oito estudantes do curso de Licenciatura em Química da UFGD. A coleta de dados se
deu por meio da videogravação das aulas para posterior transcrição. O trabalho parte
do pressuposto que o signo artístico atrai os estudantes para realizar interpretações,
sendo, portanto, um modo representacional para promover e sustentar atividades
discursivas e de aprendizagem. Para tanto, elaborou-se um instrumento analítico a
partir dos aspectos das interações e produção de significados proposto por Mortimer
e Scott, integrando a ele os pressupostos teóricos sobre denotação e conotação
sígnica, somado ao sucesso ou fracasso do ato sêmico de Prieto. Para traçar os
limites e possibilidades da estratégia didática, foi necessário analisar as poesias em
episódios. Os limites da estratégia estão na própria poesia, pois os estudantes não
tinham trabalhado com esse tipo de atividade; na professora que muitas vezes não
oportunizou falas aos estudantes; nos conceitos científicos que deveriam ter sido
estudados anteriormente pelos estudantes e em algumas palavras ou representações
expressas nas poesias que não eram de conhecimento deles. Como possibilidade, a
estratégia didática oportunizou a apresentação de diferentes níveis de conotação a
partir da leitura semiológica da poesia. Para isso foram utilizadas duas poesias. Para
a poesia 1, apenas um estudante conseguiu atingir todos os níveis conotativos e na
poesia 2, nenhum estudante atingiu o nível maior de conotação. Percebeu-se que há
uma correlação nos aspectos do instrumento analítico não previsto anteriormente.
Quando há diferentes ações do professor em sala, com a abordagem comunicativa
dialógica/interativa, os padrões de interação são altos, os tipos de iniciação são de
processo e/ou metaprocesso, os níveis conotativos são maiores e levam à
“compreensão” dos conceitos. Espera-se que essa pesquisa possa contribuir no
ensino dos conceitos científicos, por meio da proposta da inserção de poesias como
signo artístico potencializador de atividades discursivas, assim como promoção da
aprendizagem.
Uma proposta de Unidade Didática para o Ensino da Física de Plasmas na Formação Inicial de Professores
Ligia Ayumi Kikuchi, Profª. Drª. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 28/02/2020
Esta pesquisa realizou uma investigação teórico-metodológica para elaboração e aplicação de uma Unidade Didática de Física de Plasmas com base na História da Ciência, na Aprendizagem Significativa, nos Momentos Pedagógicos e na Didática das Ciências, para estudantes de Licenciatura em Física. Assim, apresentamos um exemplar de uma abordagem didática deste conteúdo, de modo que esta possa contribuir para o repertório de saberes de professores de Física. Os resultados dessa aplicação foram obtidos por meio de questionários, prévio e posterior, e mapas conceituais, na busca de compreender as noções dos estudantes a respeito do tema. Além disso, a Unidade Didática foi enviada a professores atuantes nas Licenciaturas em Física para que esses realizassem uma validação. A partir dos resultados, foi possível inferir que, em função da abordagem com base na História da Ciência, a Unidade Didática possibilitou aos estudantes uma ampliação em suas visões de Natureza da Ciência. Por meio dos resultados obtidos da aplicação da Unidade Didática, observamos indícios de Aprendizagem Significativa. Dessa maneira, podemos afirmar que a Unidade Didática permitiu um enriquecimento dos conceitos por meio da diferenciação progressiva e reconciliação integrativa realizadas pelos estudantes, portanto, houve uma assimilação dos novos conceitos. Além disso, de acordo com a validação realizada pelos professores participantes, a Unidade Didática construída apresenta uma estrutura com potencial de oferecer aos estudantes em formação inicial uma situação de aprendizagem que aciona, articula e integra os saberes disciplinares relacionados com a Física de Plasmas com seus saberes da formação profissional, saberes experienciais e saberes curriculares. A partir da análise realizada, pudemos inferir que a Unidade Didática de Física de Plasmas elaborada pode contribuir para a construção do repertório de saberes de futuros professores.
Um estudo sobre as ações de estagiários de uma licenciatura em Física nas atividades docentes do estágio supervisionado
Felippe Guimarães Maciel, Profª. Drª. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 01/07/2019
Esta tese se insere na perspectiva da formação inicial de professores de Física por meio da análise das ações docentes de três licenciandos em Física durante a realização de aulas de regência no escopo do Estágio Supervisionado obrigatório. As questões que orientaram esta investigação são: Quais são as ações docentes de estagiários de uma licenciatura em Física desenvolvidas durantes as práticas de regência em escolas campo? Que categorias analíticas descrevem as ações docentes desses estagiários? O presente estudo, de natureza qualitativa, possui como dados principais as degravações das filmagens de seis aulas realizadas pelos três estagiários que focavam nas suas ações desenvolvidas. Além das trasncrições, compuseram o acervo de dados desta pesquisa documentos produzidos pelos estudantes, como planejamentos e diários de campo, registros em vídeo de aulas presenciais, sessões de planejamento para as aulas de regência e as autoscopias. Compõe o corpus deste estudo a degravação integral de duas aulas de cada estagiário, em que se procurou assinalar as ações docentes dos estagiários por meio de verbos. Os verbos utilizados nessa descrição das ações docentes dos estagiários durante suas práticas de regência são vinte e cinco, quais sejam: advertir, agradecer, apagar, autorizar, comentar, conferir, confirmar, contraditar, conversar, deslocar, esclarecer, escrever, esperar, estimular, explicar, informar, ler, manipular, negar, negociar, organizar, perguntar, preparar, responder e solicitar. Novos movimentos de análise desses dados, inspirados pela técnica da Análise Textual Discursiva, conduziram ao delineamento de oito categorias descritivas das ações docentes desses estagiários, a saber: Arguição, Exposição, Socializar, Disciplinar, Esperar, Movimentar, Manejo de materiais e Manejo da lousa. De posse dessas categorias constituiu-se uma representação gráfica denotada por perfil das ações docentes dos estagiários que permitiu a descrição das ações desses estudantes. Como resultados principais observamos que a maior parte das ações docentes dos estagiários distribuem-se entre as categorias Exposição, conduzida principalemnte pela ação de escrever o conteúdo a ser ensinado na lousa, Arguição, conduzida principalmente pela ação de perguntar, Manejo da lousa, em que escrever assume como ação primordial, e Disciplinares, caracterizadas principalmente pela ação advertir. Outras inferências, tais como o efeito da presença do professor