Ensino de Teoria Atômica: constituição de redes e traduções em artigos da Revista Química Nova na Escola
MARCELLA CRISTYANNE COMAR GRESCZYSCZYN, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 24/08/2023
Essa pesquisa se inicia apresentando o tema de Teoria Quântica em um relato de sua emergência numa demonstração de parte da rede de sua constituição, que após, segue para um tema mais específico dentro do assunto de Quântica, no caso, Teoria Atômica. O tema foi escolhido com intuito de pensar a rede de artigos e seus citados, formada com objetivo de olhar para ela em um recorte do Ensino de Teoria Atômica. Para isso foi escolhido uma revista que contemplasse o assunto “Química” e se relacionasse com o “Ensino”, e a revista encontrada e selecionada foi a Química Nova na Escola (QNEsc) que possui esse viés. Com isso a intenção foi, além de identificar a rede de composição em Teorias Atômicas nos artigos da revista escolhida, também identificar traduções nesses artigos. Iniciou-se com um total de 30 artigos com o tema Teoria Atômica e, após uma análise prévia e aplicação de filtragens estabelecidas chegou-se em 6 artigos para análise das traduções. Os seis artigos possuíam em comum, além do assunto, tratar de uma proposta de ensino aplicada com resultados. Para análise, a proposta teórico metodológica, pautou-se na revisão sistemática de Okoli, além da Teoria Ator-Rede (ANT) presente na pesquisa com fim de seguir os actantes e verificar a rede e os artigos sem um juízo prévio, mas seguindo os caminhos traçados pelos autores, rastreando as redes. Como resultado, vê-se um recorte de rede estabelecida e ilustrada com artigos e seus citados, ilustrada pelo emprego dos dados no software Gephi, contemplando a importância da rede nas Teorias e Práticas Científicas, uma vez que o apagamento desta indica as proposições científicas como autônomas esvaziadas das associações de sua emergência, ficando a mercê de compreensões possíveis, quando na verdade existe toda uma sustentação anterior a esta, de fundamental importância para compreensão de determinado tema. Para as traduções, preestabeleceram-se três vertentes a serem olhadas, sendo elas conceitos, metodologia de ensino e teoria de aprendizagem. Em conceito tratou de tornar o saber sábio em saber ensinado, em metodologia, diversas foram as abordagens com a finalidade de reduzir a abstração do assunto e tentar torná-lo mais compreensível por meio de uso de recursos variados e, a teoria da aprendizagem que tratou de se desviar do tradicional escolhendo caminhos dos quais os alunos são precursores no aprendizado, com papel ativo. Observam-se percursos pedagógicos que vislumbram aplicações e práticas no ensino de Ciências mais ativas com atores não apenas centrado no professor movimentando o processo de ensino e aprendizagem.
A Rede Sociotécnica de um Laboratório de Química do Ensino Médio
Cristiane Beatriz Dal Bosco Rezzadori, Prof. Dr. Carlos Eduardo Laburú
Data da defesa: 29/03/2010
A presente dissertação tem como objetivo principal descrever a rede sociotécnica de um laboratório de Química do Ensino Médio a partir dos processos de tradução/translação. Possui como campo de estudo os laboratórios de Química do Centro Estadual de Educação Profissional Professora Maria do Rosário Castaldi, no município de Londrina-PR, onde a pesquisa foi realizada no período de setembro a dezembro de 2008 e de fevereiro a abril de 2009. A opção teórico-metodológica esteve vinculada à experiência etnográfica, na qual a pesquisadora acompanhou alguns momentos em que um embrião de laboratório de Química lutava para tornar-se um acontecimento com o intuito de tomar notas, analisar, escrever, revisar, para posteriormente, descrever aquilo que foi vivido e sentido naqueles espaços. Os dados de observação foram registrados através de gravação em áudio e anotações em diário de campo, seguindo os procedimentos de coleta e análise e adotando como marca e recorte as perspectivas dos Estudos de Laboratório e, em especial, da Teoria Ator-Rede ou Rede sociotécnica, defendidos por Bruno Latour. De acordo com esta perspectiva, o laboratório é entendido como uma imbricada rede composta por diversos elementos, instâncias, interesses, parcerias, procedimentos e saberes, produzidos por entidades humanas e não-humanas que constituem os objetos e os significados que conhecemos como ciências ou práticas científicas. Além disso, o conceito de tradução/translação, conceito chave deste corpo teórico, auxiliou na compreensão do conjunto heterogêneo de elementos que foram mobilizados pelos seus atores com o objetivo de tornar o laboratório uma organização reconhecida e consolidada. A observação e a descrição do material apontam para como a rede faz do laboratório estudado algo completamente “dependente” e producente da rede que atua, ou seja, como o processo de materialização do laboratório é dependente de uma série de associações, negociações, alinhamentos e estratégias realizadas pelos atuantes, que interligam o maior número de elementos a fim de dar viabilidade à construção deste espaço. No entanto, pelo que pôde ser observado, sua permanência e, conseqüentemente, seu sucesso não são garantidos haja vista que todos este processo de mobilização coletiva está sempre prestes a romper ou a se desfazer em algum ponto.