PERFIL DE EXPERIÊNCIAS METACOGNITIVAS DE ESTUDANTES DE QUÍMICA EM FORMAÇÃO INICIAL DE UMA UNIVERSIDADE MOÇAMBICANA
STÉLIA MARIANA ALFREDO CAPATHIA NAHIA, Profa. Dra. Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 25/07/2025
Entendendo que a experiência metacognitiva representa a percepção subjetiva dos processos de aprendizagem que capacitam os sujeitos para acionar ferramentas cognitivas em aprendizagens futuras, esta tese apresenta uma investigação de natureza qualitativa, que teve por objetivo identificar e categorizar os indícios de experiências metacognitivas manifestados por estudantes do curso Licenciatura em Ensino de Química, de uma universidade moçambicana, durante as atividades desenvolvidas na disciplina de Didática de Química IV, de modo a caracterizar o perfil de experiências metacognitivas dos participantes. A questão investigativa foi enunciada da seguinte forma: Como se configura o perfil de experiências metacognitivas de estudantes de Química, de uma Universidade Moçambicana, ao participarem de atividades desenvolvidas na disciplina de Didática de Química IV? Os dados foram provenientes das respostas ao Questionário Metacognitivo QM, respondidos por um grupo de 6 estudantes do curso de Licenciatura em Ensino de Química de uma Universidade Moçambicana. As manifestações das experiências metacognitivas expostas pelos estudantes foram interpretadas segundo os procedimentos indicados na Análise Textual Discursiva, tendo por fundamento teórico a dimensão da experiência metacognitiva no modelo teórico de Corrêa (2021), consideradas neste estudo como categorias a priori – contextos, sujeitos, sentimentos, estimativas, juízo de memória e especificidade de tarefa. Os resultados revelaram indícios de experiências metacognitivas distribuídos nas 6 categorias. Na categoria Contextos destacaram-se as subcategorias: consulta bibliográfica, a consulta na internet, os livros, os manuais, debates e o programa de ensino de química. Quanto à categoria Sujeitos, foram mencionados pelos participantes: o próprio sujeito, os colegas, o grupo de estudo e a docente. Na categoria Sentimentos, os pesquisados manifestaram as seguintes emoções: ansiedade, tristeza, desafio, superação, expectativa, sensação de compreensão, curiosidade, satisfação, segurança, incerteza, vitória, alívio, dificuldade, familiaridade, gostar, felicidade, determinação, saber, confiança, aprender e dúvida. A categoria Estimativas foi caracterizada por estimativas de resolução correta e estimativa do tempo de resolução. Em relação à caracterização da memória utilizada no desenvolvimento das atividades, o grupo evidenciou a memória episódica, do tipo lembrança e sabia. E por fim, na categoria Especificidades da tarefa, foram mencionados aspectos como a abordagem do conteúdo, atividade nova, raciocínio, a complexidade da atividade, acesso às informações, atividade semelhante à outras, tipo de exercício e orientações para realizar a atividade.
REPRESENTAÇÃO DAS FLORESTAS SAGRADAS E COMUNITÁRIAS NOS TRABALHOS DE FORMAÇÃO DE GRADUANDOS EM MOÇAMBIQUE: IMPLICAÇÕES PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
LUÍS MORAIS MACARIPE, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 28/02/2025
Esta pesquisa surge da necessidade de repensar a educação ambiental em Moçambique a partir das representações das florestas sagradas e comunitárias nos trabalhos acadêmicos de Nhazilo (2004) e Mauvilo (2005). O estudo busca compreender como essas representações podem contribuir para uma educação ambiental conectada às redes sociomateriais e aos saberes locais. A metodologia adotada integra a Teoria Ator-Rede (TAR) e a Hermenêutica Narrativa, permitindo a análise das relações entre humanos e não-humanos nas redes de significação que emergem dos textos. A pesquisa percorreu três fases principais: a seleção e categorização das narrativas nos textos analisados, o mapeamento das redes sociomateriais e a interpretação hermenêutica dos significados atribuídos às florestas. Os resultados indicam que essas florestas são representadas como espaços híbridos, onde se articulam biodiversidade, espiritualidade e práticas de conservação, contrariando abordagens tecnocráticas que reduzem a educação ambiental a um modelo normativo e prescritivo. A análise das traduções acadêmicas desses saberes revelou tensões entre a valorização das práticas tradicionais e a adaptação dos discursos científicos. Conclui-se que a incorporação dessas narrativas no ensino pode fortalecer uma educação ambiental crítica, contextualizada e decolonial, promovendo um diálogo mais amplo entre epistemologias locais e globais. Assim, esta pesquisa contribui para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que reconhecem a agência dos não-humanos e favorecem a valorização das florestas sagradas e comunitárias como atores fundamentais no processo educativo.
ARGUMENTAÇÃO E AÇÕES DOCENTES ARGUMENTATIVAS EM AULAS DE QUÍMICA NO ENSINO SUPERIOR
BELÉM JÚRCIA VIOLETA MACIE, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 28/11/2024
A pesquisa, cujos resultados trazemos nesta tese, busca analisar a argumentação e as ações docentes argumentativas em aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de Moçambique e assim responde à seguinte questão de pesquisa: o que se entende por argumentação, como ela é utilizada e como interpretar as ações docentes argumentativas em aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de Moçambique? A pesquisa seguiu caminhos de uma abordagem qualitativa em duas perspectivas de análise textual, sendo uma delas direcionada a dados teóricos e a outra para dados empíricos. Os materiais teóricos, mapeamento e revisão sistemática de literatura, forneceram pressupostos para compreender as informações empíricas oriundas de entrevista e observação direta, referentes ao levantamento de conhecimento e às aulas de cinco professores de Química, conforme se apresenta nos cinco artigos desta tese, em formato multipaper. Entre os principais indícios tem-se que os estudos a respeito da argumentação, geralmente, se concentram na argumentação de alunos da Educação Básica e poucos enfocam em ações docentes. As ações docentes analisadas em estudos de ação na Química foram, maioritariamente, em ambientes diferenciados de ensino, com a abordagem metodológica descritiva e a abordagem teórica orientada à formação de professores. Ademais, o professor que utiliza argumentação é um professor reflexivo e o faz em quatro planos de ação dentro do ciclo interativo de ações argumentativas, os planos pragmático, epistêmico, argumentativo e crítico-reflexivo. Os professores apresentaram um conceito de argumentação alinhado com as três perspectivas − lógica, retórica e dialética e, as três orientações de pesquisa sobre argumentação são: compreensão das condições do desenvolvimento da argumentação, avaliação da argumentação como ferramenta metodológica e habilidades argumentativas dos professores. Quatro professores (num total de cinco) consideraram a argumentação importante para o ensino de Química, tendo declarado o uso de trabalho independente, o debate e a pergunta, como estratégias adotadas. Entretanto, as concepções dos professores a respeito da argumentação influenciam no conceito para argumentação elaborado por eles, assim como no entendimento de como a argumentação pode ser usada em sala de aula. Evidenciamos sete categorias de ações docentes argumentativas: Apresentar, Questionar, Identificar, Valorizar, Ajuizar, Solicitar e Incentivar, dentre as quais Identificar, Incentivar e Questionar foram também observadas em outros estudos de ações docentes em Química. Os resultados revelaram que os professores têm maior facilidade em realizar ações que incitam a argumentação no plano pragmático (com total de 84 remissões), tais como: Incentivar, Solicitar, Questionar e Valorizar, em detrimento de ações que avaliam criticamente as informações debatidas em sala de aula, como a ação de Ajuizar do plano crítico-reflexivo (com 25 repetições). Como estudos futuros interessa-nos a categorização de ações discentes argumentativas, o entendimento da relação entre a argumentação e metacognição e a compreensão das conexões argumentativas evidenciadas entre ações dos professores e dos alunos.