MUSEU PARANAENSE DE CIÊNCIAS FORENSES: UM ESTUDO A PARTIR DE FOUCAULT
CRISTINE LOIS COLETI SIERRA, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 26/08/2024
O Museu Paranaense de Ciências Forenses (MPCF) embora tenha passado pela sua institucionalização formal apenas no ano de 2022, durante algumas décadas tem angariado em seu acervo diversas peças anatômicas, instrumentos utilizados em investigações criminais e realizado visitas técnicas que auxiliaram na formação acadêmica de diversos profissionais das áreas da Saúde e do Direito da região. No entanto, nos últimos anos, seu movimento de abertura ao público deu possibilidade para que o conhecimento, até então restrito a uma parcela da população, passasse a poder circular entre outras pessoas. Observar essa circulação de saber, de conhecimento científico é interessante e produtivo para quem se propõem a pensar sobre o Aprender e o Ensinar Ciências. Sendo assim, a pesquisa consistiu em buscar respostas para três questões de pesquisa: 1) O MPCF pode ser caracterizado como uma heterotopia?; 2) Que movimento é realizado pelo MPCF entre os anos de 2008 e 2023 no que diz respeito a sua espacialidade?; e 3) Em que medida há um aprofundamento do caráter heterotópico do MPCF entre os anos de 2008 e 2023?. Para realizar a pesquisa, utilizaram-se de maneira geral conceitos desenvolvidos por Michel Foucault, em especial o de heterotopia, a partir do qual podemos pensar sobre relações de poder e saber e de discurso que permeiam este espaço museal estudado. A metodologia aplicada nesta pesquisa foi elaborada fundamentada a partir da teoria dos conceitos de precauções de métodos e análise do discurso foucaultianos. Sendo assim, foram realizadas sete visitações aos espaços do MPCF entre os anos de 2008 e 2023. Nas ocasiões foram observados, registrados e analisados o acervo do museu, o espaço dedicado à instituição, a modo de visitação, o direcionamento ao público e eventuais discursos produzidos então. Nestas visitas, observaram-se três aspectos elementares, cada um deles a fim de responder respectivamente uma das questões de pesquisa: 1) a constatação dos seis princípios da heterotopologia – espécie de ciência da heterotopia de Foucault – durante às idas ao museu; 2) as modificações amplas ocorridas no arranjo do espaço museal, tendo em vista o contexto histórico de cada época, que por sua vez interfere em aspectos como a organização do espaço, a disponibilidade ao público e o sentido que se dá às visitas; e 3) as mudanças ocorridas quanto à história, à geografia e ao acesso em cada uma das sete visitas, balizadas por uma perspectiva foucaultiana, a fim de verificar o aprofundamento heterotópico deste espaço. Dentre as principais constatações feitas ao longo das visitações, as mais intrigantes foram o fato de que, embora geralmente o ganho de institucionalização gere um ganho de burocracia, no MPCF ocorre o movimento contrário. Também foi constatado que a institucionalização não foi capaz de conter a heterotopia do museu, também contrariando o que ocorre geralmente. Esse movimento pode ser explicado pelas formas de exercício de poder propostos por Foucault, que por sua vez impactam em pontos importantes quando pensamos em Ensino de Ciências, como a divulgação científica, propostas de aplicações curriculares e engajamento da curiosidade popular.
Os modos de ser PIBID
Angélica Cristina Rivelini-Silva, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 16/12/2016
A presente tese busca compreender o processo de construção do espaço discursivo do subprojeto PIBID- Química UTFPR-Câmpus Apucarana. Esse processo foi analisado a partir das práticas discursivas e não discursivas que envolvem e constituem os bolsistas do subprojeto, afim de entendê-las como produtoras de um discurso que articula os dispositivos pedagógicos ao regular e autorizar os bolsistas a se perceberem em um espaço diferente ao da licenciatura. As análises permitiram uma justaposição entre os discursos colocados em circulação no espaço PIBID/Ap, como formação de professores, pedagogias, escola básica e avaliação constituintes do discurso do programa. Para que essa reflexão fosse possível, desviei o olhar de qualquer naturalidade e analisei os dados registrados durante um período de doze meses. Ao participar das reuniões semanais e atividades do grupo PIBID/Ap compus um registro de pesquisa formado por diário de campo (anotações), gravação de áudio e filmagem. Com esse material fui descrevendo as práticas que envolvem os bolsistas de iniciação à docência e de coordenação e pude apreender o processo de construção do espaço PIBID/Ap e a produção de verdades que regulam o seu funcionamento. Fundamentada teórica e metodologicamente em Foucault, especialmente nos conceitos de genealogia para um caminho metodológico e nas ferramentas conceituais de acontecimento, dispositivo, subjetivação e heterotopia, busquei entender como o espaço PIBID/Ap tornou-se produtor de verdades e de modos de subjetivação. O processo de implantação do programa e as atividades desenvolvidas nas reuniões semanais de orientação, me autorizaram a assumir o pressuposto de que no espaço PIBID/Ap desenvolvem-se práticas discursivas produtoras de modos de ser PIBIDiano. Na articulação dos conceitos de subjetividade e heterotopia, foi possível constatar que há uma relação intrínseca entre a representação do que seria o ‘professor melhor’ e a subjetividade do sujeito bolsista. Olhar para o PIBID/AP como construtor de heterotopias o torna um espaço de multiplicidade, de experiência e de singularidade – heterotopia acontece como possibilidade.