A CRIAÇÃO DOS FOCOS DA APRENDIZAGEM: UMA ANÁLISE POR MEIO DA TEORIA ATOR-REDE
GABRIELA GONZAGA CHER, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 28/02/2024
Esta pesquisa tem caráter qualitativo e teórico, cujo objetivo centra-se em analisar o processo de criação de uma nova ideia, mais especificamente, de um instrumento de verificação de indícios de aprendizagem, denominado Focos da Aprendizagem, o qual foi criado pelo grupo de pesquisa Educação em Ciências e Matemática, vinculado à Universidade Estadual de Londrina (EDUCIM/UEL). Para isto, embasamo-nos nos pressupostos teóricos da Teoria Ator-Rede, principalmente nas obras de Bruno Latour. Para a organização dos dados, recorremos à Análise de Conteúdo como ferramenta metodológica. A partir da questão norteadora, “como ocorreu o processo de translação do referencial teórico-metodológico denominado Focos de Aprendizagem?”, buscamos descrever a performance dos Focos da Aprendizagem, durante o período de 2010 a 2019, identificar os actantes envolvidos na sua criação e seguir algumas inscrições, utilizando como fonte de dados as memórias do grupo EDUCIM, artigos, dissertações e teses produzidas pelo grupo. Emergiram da análise dos dados, dois tipos e dois subtipos de translação, sendo eles, respectivamente: expansão, transposição, testagem e consolidação de uma ideia. Além disso, foi possível identificar 21 actantes (pesquisadores) envolvidos no processo de translação e a produção de 34 inscrições (artigos, teses e dissertações). A criação dos Focos da Aprendizagem sob a perspectiva da Teoria Ator-Rede pôde ser descrita por meio das operações de translação, as quais envolveram a performance de várias entidades heterogêneas, o grupo de pesquisa, pesquisadores(as), inscrições e referências, por exemplo. As translações se revelaram processos fundamentais no processo de criação de novas ideias, portanto, de novos actantes. Já o rastreio das inscrições evidenciou uma rede de sustentação de artigos do grupo de pesquisa, que possibilitaram a circulação do referencial teórico-metodológico na rede sociotécnica. Esta, por sua vez, o grupo de pesquisa EDUCIM performou como um ator-rede, pois capacitou a performance dos pesquisadores por meio de momentos de argumentações e negociações de significados, os quais geraram os Focos da Aprendizagem. O grupo de pesquisa também se caracterizou por ser o nosso “laboratório de Ciências”, em que ocorreram os processos de translação. Concluímos que os Focos da Aprendizagem performam como um actante múltiplo, pois, de acordo com as associações que tece em cada tipo e/ou subtipo de translação, performa de maneira específica: ator-rede, mediador, inscritor, traço e, especificamente, para o grupo de pesquisa, como uma caixa-preta.
CARACTERIZAÇÃO DAS AÇÕES DOCENTES E DISCENTES EM AULAS DE QUÍMICA PARA ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO
ANY CAROLINE FERREIRA, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 22/02/2024
Esta tese de doutorado teve como objetivo investigar e categorizar as ações docentes e discentes de estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação em aulas de Química, com o intuito de identificar indícios de aprendizagem desses estudantes, em termos de ações discentes. As duas questões de pesquisa que nortearam essa investigação, foram: Quais ações docentes são observadas em aulas de Química para estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, como elas se conectam com as ações discentes? Como identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes de estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, em aulas de Química? Para isso, foram ministradas nove aulas de Química para esses estudantes e os dados foram coletados por meio de gravações em vídeo, áudio e notas de campo dessas aulas. Como metodologia de análise de dados, utilizou-se a Análise Textual Discursiva. Após a interpretação das estratégias de ensino utilizadas, selecionou-se duas aulas, a quinta aula, na qual ocorreu o debate Júri Químico; e a oitava aula, que consistiu na realização de experimentos. Sendo assim, os resultados desta pesquisa foram obtidos por meio da análise dessas duas aulas, que possibilitou a identificação de categorias descritivas de ações docentes e discentes. Com isso, as ações docentes foram alocadas em vinte e duas categorias: Auxiliar, Chamar a atenção, Comentar, Concordar, Dialogar, Escrever no quadro, Escutar, Esperar, Exemplificar, Explicar, Incentivar, Informar, Interromper, Ler, Observar, Organizar, Orientar, Perguntar, Realizar o experimento, Responder, Supervisionar e Terminar a aula. E as ações discentes foram classificadas em vinte e quatro categorias: Argumentar, Comentar, Conversar, Copiar, Cronometrar, Dialogar, Dispersar, Entrar no laboratório, Escrever, Escutar, Esperar, Explicar, Informar, Ler, Não chegou, Observar, Organizar, Pedir, Perguntar, Preparar, Prestar atenção, Realizar o experimento, Responder e Reunir. Por meio da categorização evidenciou-se que as ações docentes e discentes alteram- se quando ocorre uma mudança na estratégia de ensino. Além disso, após o mapeamento das ações, foram realizadas duas entrevistas com dois estudantes, para buscar identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes. Utilizou-se a autoscopia, ou seja, foram apresentados para esses estudantes episódios das gravações das aulas, e foram feitas perguntas para eles a respeito de suas ações. A interpretação de trechos dos comentários dos estudantes contribuiu para uma nova categorização das ações discentes, com a utilização do instrumento de análise Focos da Aprendizagem de um Saber. Evidenciou-se que as ações discentes estavam relacionadas a quatro dos cincos focos: Interesse, Saber, Reflexão e Comunidade. Em síntese, a realização dessa investigação permitiu a identificação das ações docentes e discentes e uma percepção de como elas se conectam, em aulas de Química, para estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação. Além disso, foi possível fazer inferências a respeito da aprendizagem desses estudantes, em termos de ações discentes.
Os focos do Ensino Científico: um instrumento para analisar o Ensino de Ciências
Khalil Oliveira Portugal, Prof. Dr. Sérgio de Mello Arruda
Data da defesa: 03/07/2018
Esta tese propõe um instrumento de análise da configuração de ensino de um professor de Ciências da Natureza, chamado de Focos do Ensino Científico (FEC). Sua construção se deu por analogia aos Focos da Aprendizagem Científica, um conjunto de categorias de análise para o Ensino de Ciências. A partir desse conjunto de categorias a priori, além dos conjuntos dele derivados, a saber, os Focos da Aprendizagem Docente, os Focos da Aprendizagem para a Pesquisa e os Focos do Professor Pesquisador; são apresentados os Focos da Aprendizagem de um Saber, conjunto de categorias que tem como objetivo generalizar as características das aprendizagens científicas até então estudadas e avançar a discussão para futuras adaptações. Em seguida, tendo como subsídios o conceito de Aprendizagem por Investigação, os Aspectos da Ciência e a prática docente, foram elaborados o novo conjunto de categorias para análise das visões do professor sobre sua configuração de ensino. São elas: Foco 1 – Ensino da ciência como um conjunto de conhecimentos; Foco 2 – Estímulo à reflexão sobre a natureza do saber científico e da aprendizagem científica; Foco 3 – Incentivo ao interesse pela ciência; Foco 4 – Incentivo à identificação com o desenvolvimento da ciência; Foco 5 – Envolvimento com a comunidade. Este conjunto de focos foi testado a partir de transcrições de entrevistas semiestruturadas com dois professores de disciplinas das Ciências da Natureza (Biologia e Ciências) e uma disciplina que discutia metodologia de pesquisa, no Ensino Fundamental e Médio. Cada professor foi entrevistado em dois momentos distintos, sendo que no primeiro tratou-se da dinâmica da disciplina sobre metodologia de pesquisa, e, no segundo, da disciplina de Ciências da Natureza. As transcrições das entrevistas foram submetidas à Análise de Conteúdo, sendo unitarizadas e categorizadas a partir dos FEC. As entrevistas indicaram diferentes prioridades à luz dos focos. Foi possível observar que para a disciplina sobre metodologia científica, os dois professores priorizam os focos 1 e 4 em suas práticas. Já para as disciplinas de Ciências da Natureza, um professor prioriza o foco 1, e, o outro, os focos 1 e 2. As diferentes distribuições entre os FEC apontam para diferentes visões de ensinar ciência presentes em cada disciplina. Infere-se, a partir da análise, que os FEC podem ser compreendidos como um instrumento de descrição de configurações de ensino, a partir de quais focos são priorizados pelos professores.