UM ESTUDO DA EVASÃO DO CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS DA NATUREZA DO INSTITUTO FEDERAL DE MATO GROSSO, CAMPUS RONDONÓPOLIS
LIZIANI MELLO WESZ, Profa. Dra. Irinéa de Lourdes Batista
Data da defesa: 27/03/2025
Esta pesquisa tem por objetivo compreender e discutir as possíveis causas da evasão de discentes do Curso de Licenciatura em Ciências da Natureza, no período de 2016 a 2022, do Instituto Federal de Mato Grosso, Campus Rondonópolis. Diante desse cenário, levantou-se os questionamentos: Quais são as causas dessa evasão? Em quais áreas a formação docente apresenta fragilidades, e em quais disciplinas a evasão ocorre com maior frequência? O que dizem os estudantes de licenciatura a respeito desse fenômeno e quais são os principais fatores que influenciam essa desistência? Com base nesses questionamentos, o presente estudo buscou dar visibilidade aos estudantes que evadiram, cancelaram ou trancaram, destacando suas experiências durante o período em que frequentaram o curso. Este é um estudo de caso, que se sustentou nos alicerces da abordagem qualitativa e quantitativa. Além da análise documental, para a coleta de dados utilizou-se as respostas de formulários, analisados por meio da Análise de Conteúdo e da adoção da Escala de Likert. A análise revelou, de acordo com os dados, a falta de identificação com o curso como o fator que mais se acentuou para que estudantes evadissem, seguido da carência de conhecimento prévio básico, do empecilho de acesso presencial ao Campus, da dificuldade de conciliar o trabalho com o curso, de questões familiares e da relação com docentes do curso. Diante do exposto, esta pesquisa apresenta contribuições para a Formação de Professores em Ciências da Natureza e fornece análises e reflexões como subsídios para auxiliar nas políticas de incentivo à permanência de estudantes na instituição e para que sejam realizados movimentos de reflexão e elaboração de estratégias que procurem atender às necessidades dos acadêmicos.
A tensão essencial na formação do professor de física: entre o pensamento convergente e o pensamento divergente
Michele Hidemi Ueno, Prof. Dr. Sérgio de Mello Arruda
Data da defesa: 27/02/2004
Este trabalho traz uma reflexão acerca da formação inicial, do professor de física. Fizemos um estudo com alguns estudantes do curso sobre as razões que fundamentam as suas opções pelo curso de física da Universidade Estadual de Londrina, bem como a respeito dos fatores que exerceram influência positiva para a sua permanência e os obstáculos, que eles enfrentaram no transcorrer da graduação. O estudo foi motivado pela constatação da baixa terminalidade desse cursos, em relação a outros oferecidos pela mesma instituição, que parece ser uma característica geral dos cursos de física no Brasil. As análises foram baseadas nos referenciais teóricos de Gaston Bachelard e Thomas S. Khun. Bachelard traz a idéia de obstáculos epistemológicos - resistências que dificultam o aprendizado científico. Nas entrevistas pudemos constatar a existência de vários obstáculos para a formação do professor de física; porém, nos detivemos em apenas dois deles: as dificuldades relacionadas a resolução de problemas em física e o relacionamento aluno-professor. Ao final, inspirados em Thomas Kuhn, foi possível compreender a aformação do professor de física como se situando entre duas formas distintas de pensamento. Por um lado, os professores enquanto físicos, devem ser iniciados em uma forma convergente de pensar o mundo, pois a aprendizagem científica, conforme expressa por Kuhn consiste basicamente na exposição sistemática do aprendiz aos exemplares, aos paradigmas partilhados pela comunidade científica, cujos pressupostos não são em nenhum momento postos em dúvida. Por outro lado, ao ir para a sala de aula, o futuro professor depararar-se-á com uma outra realidade, cuja análise exige um tipo de pensamento, que poderíamos chamar de divergente, pois: o "objeto" de suas reflexões (o aluno) não pode ser pensado a partir de paradigmas bem definidos; os problemas com os quais ele encontrará não parecem ter uma única solução; além disso, não parece haver uma única metodologia que garanta um aprendizado significativo para todos os alunos. Ou seja, a formação do professor de física envolve a iniciação do aluno a ambos os tipos de pensamento: o convergente e o divergente. Parafraseando Kuhn, poderíamos dizer que essa seria a "pensão essencial" presente na formação do professor de física.