DISCUTINDO MISCONCEPÇÕES EM ATIVIDADES DE MODELAGEM MATEMÁTICA
KASSIANA SCHMIDT SURJUS, Prof.ª Dra. Lourdes Maria Werle de Almeida
Data da defesa: 28/02/2025
Misconcepções são um padrão de pensamento equivocado que surge a partir de uma premissa incorreta, que causa erros sistemáticos (Nesher, 1987). A emergência de misconcepções no processo de aprendizagem tem sido um campo fértil para pesquisas que voltam o seu olhar para a análise de tais misconcepções com vistas a superá-las. Nesse cenário a presente pesquisa discute as relações entre a modelagem matemática e misconcepções, bem como as implicações dessas relações quando atividades de modelagem matemática são desenvolvidas no âmbito da sala de aula. Sendo assim, o objetivo é investigar interlocuções entre modelagem matemática e misconcepções dos estudantes. O arcabouço teórico da pesquisa é pautado em pressupostos teóricos da modelagem matemática como alternativa pedagógica e, segue uma perspectiva semiótica com a abordagem semiótico-cognitiva de Raymond Duval e a abordagem construtivista de Bruno D’Amore, e uma perspectiva didática para misconcepções segundo Silvia Sbaragli. A presente pesquisa é de natureza qualitativa com caráter interpretativo, e para compor os dados empíricos, atividades de modelagem matemática foram desenvolvidas em dois contextos, o primeiro é a disciplina de Cálculo Diferencial e Integral I em um curso de Licenciatura em Matemática, e o segundo é a disciplina de Transportes em um curso de Engenharia Civil. O conjunto de dados advém de registros escritos dos estudantes e gravações em áudio durante o desenvolvimento de atividades de modelagem matemática. A emergência de misconcepções foi retratada em episódios, em que participam professora e estudantes. O esforço analítico pauta-se nas misconcepções que emergem no desenvolvimento das atividades de modelagem matemática. Os resultados sinalizam o potencial de atividades de modelagem matemática para lidar com misconcepções. Com base nas análises específicas, o cruzamento com as teorias de base apontam para duas possibilidades: as especificidades e as características de atividades de modelagem matemática têm potencial para a manifestação de misconcepções; e misconcepções já incorporadas pelos estudantes podem ser superadas mediante demandas de uma atividade de modelagem matemática
UM ESTUDO SOBRE AÇÕES DOCENTES DE PROFESSORES DE FÍSICA, QUÍMICA E CIÊNCIAS BIOLÓGICAS EM AULAS REMOTAS DO ENSINO SUPERIOR
JULIANA ROMANZINI, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 23/09/2025
A implantação do Ensino Remoto Emergencial (ERE) exigiu dos docentes uma série de adaptações em suas práticas educacionais, e as ações realizadas por esses profissionais durante as aulas remotas resultaram em experiências que foram vivenciadas por cada um deles de forma singular. Esta tese de doutorado teve como propósito identificar e categorizar as ações docentes no contexto do Ensino Remoto no Ensino Superior, além de descrever a experiência vivida por um docente durante o Ensino Remoto Emergencial (ERE). A pesquisa baseou-se em gravações de aulas síncronas e assíncronas disponibilizadas por docentes de Física, Química e Ciências Biológicas de universidades do Paraná e de Santa Catarina, assim como na entrevista com um desses docentes. Os dados foram analisados por meio de duas metodologias: a Análise de Conteúdo, voltada às gravações, e o Método Fenomenológico Descritivo, aplicado à entrevista. A análise das aulas síncronas proporcionou a identificação de onze categorias de ação (Operacionaliza, Escreve, Explica, Lê, Apaga, Responde, Espera, Interrompe, Aponta, Pergunta e Escuta), ao passo que para as aulas assíncronas foram obtidas sete categorias de ações docentes (Operacionaliza, Escreve, Explica, Aponta, Lê, Apaga e Demonstra). Por sua vez, a entrevista com o docente D1, analisada fenomenologicamente, revelou unidades de significado que expressam a experiência desse docente no ensino remoto. O conjunto analítico formado pelas categorias de ações e a descrição da experiência de D1 nos permitiram conjecturar que a intenção do docente foi aproximar o formato remoto o quanto possível das aulas presenciais, buscando estratégias metodológicas e instrumentais para proporcionar aos estudantes as condições necessárias para isso. Notou-se também certo desconforto de D1 em relação ao trabalho remoto, que impactou inclusive em sua saúde física, e que o fez repensar a sua prática durante este período.
CONEXÕES ENTRE AS AÇÕES DOCENTES E DISCENTES EM AULAS REMOTAS DE QUÍMICA NO ENSINO SUPERIOR
ISADORA POLVANI BARBOSA, Professora Doutora Fabiele Cristiane Dias Broietti
Data da defesa: 08/03/2024
A presente dissertação apresenta um estudo de caráter qualitativo em que são descritas e analisadas as ações docentes e discentes em aulas remotas de Química no Ensino Superior e possíveis conexões. Para tal propósito, foram analisadas aulas de duas professoras de química e os dados foram sistematizadas seguindo os pressupostos da Análise de Conteúdo. Mediante as análises foram identificadas 11 ações docentes para a Professora 1 (P1) (Comenta, Cumprimenta, Escuta, Explica, Informa, Interrompe, Operacionaliza, Pergunta, Retoma, Lê e Responde) e 13 ações docentes para a Professora 2 (P2) (Comenta, Cumprimenta, Demonstra, Escuta, Explica, Informa, Interrompe, Lê, Operacionaliza, Pergunta, Responde, Retoma e Supervisiona). No que diz respeito as ações discentes descritas e analisadas, encontrou-se 6 distintas ações discentes para os alunos de P1 e P2 (Comenta, Explica, Interrompe, Operacionaliza Pergunta e Responde). Ao analisar as aulas síncronas no formato de ensino remoto emergencial (ERE), observamos certa similaridade com as ações docentes e discentes identificadas em aulas presenciais, com a ocorrência das ações “Interrompe” e “Operacionaliza”, as quais podem ser consideradas como representativas do ERE. Além disso, foram identificadas mais ações docentes do que ações discentes, e mais ações docentes para as aulas de P2 em comparação com as aulas de P1. No que concerne as conexões entre as ações docentes e discentes, na 6 aula de P1, tem-se 13 conexões. Já na aula 10 de P1, observou-se 11 conexões e 2 desconexões. Outrossim, na aula 9 de P2 foram evidenciadas 32 conexões e 3 desconexões e na aula 12 de P2, ocorreram 89 conexões e 15 desconexões. A incidência e a diversidade das ações e das conexões, nesta pesquisa, podem estar relacionadas ao menos por três fatores: a especificidade da disciplina, os recursos didáticos empregados pelas docentes e a configuração do ensino remoto. Como perspectivas futuras, pretende-se utilizar o estudo das ações docentes, discentes e suas conexões como um instrumento de análise no contexto da formação de professores no Ensino de Química.
A arregimentação de aliados e a produção de químicos
GUSTAVO PRICINOTTO, Prof. Dr. Moisés Alves de Oliveira
Data da defesa: 21/12/2012
Neste trabalho, fundamentado nos Estudos de Laboratório de Bruno Latour, buscamos compreender o processo de arregimentação no par estudantes-professores para fortalecerem as estratégias de (re)formulação e produção da comunidade química no curso superior de Química da Universidade Estadual de Londrina Buscamos na metodologia aberta da etnografia pós-moderna acompanhar por um ano os atuantes em seu cotidiano e evocar acontecimentos que nos trouxessem informações acerca das estratégias discursivas imbricadas na profissionalização do químico As observações feitas durante as aulas nos mostraram um pouco das estratégias dos atuantes para que os discentes fossem conduzidos e transladados para o fortalecimento dos enunciados Processo de arregimentação desses estudantes em nome de uma natureza da ciência Esses episódios evidenciaram um atravessamento de interesses que contraria a ideia de passividade por parte do aprendiz Associamos esta contradição aos episódios observados que sempre estavam atravessados por controvérsias que buscam ser estabilizadas nas relações entre os diversos atuantes Acredito que seja exatamente nestas relações de fortalecimento dos enunciados que os estudantes passam a ser atuantes neste processo de caracterização de normas e sistematização dos profissionais em química
Ações docentes remotas de professores que ensinam Matemática no Ensino Superior
Vanessa Cristina Rhea, Profa. Dra. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 24/02/2022
As ações docentes vêm sendo foco de pesquisas em várias áreas do ensino. Até então, tais investigações se destinavam às ações docentes referentes ao ensino presencial. Porém, a pandemia de COVID-19, que impôs que o ensino acontecesse de forma remota, propiciou condições para que fosse estendida também tal investigação a esta modalidade de ensino. Assim, esta pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de identificar e categorizar as ações que os professores que ensinam Matemática no Ensino Superior alegam ter feito para organizar e ministrar aulas no Ensino Remoto Emergencial. As ações docentes remotas foram definidas como sendo as ações exercidas pelo professor durante as aulas remotas e aquelas em que ele empreende para planejar e organizar as aulas e as disciplinas neste formato de ensino. Tais ações são oriundas de um processo teórico-prático, considerando o que o docente tem de possibilidades ao seu alcance nos diferentes momentos e aulas. Esta investigação aconteceu com onze professores que ensinaram Matemática no Ensino Superior de forma remota entre os meses de março de 2020 e janeiro de 2021, em seis diferentes instituições de ensino do estado do Paraná. A metodologia utilizada foi a abordagem Qualitativa e a Análise Textual Discursiva (ATD) para as análises dos dados, que foram obtidos por meio de entrevistas realizadas via Google Meet, gravadas e transcritas. A partir das análises, as ações docentes remotas identificadas foram agrupadas em dois momentos, denominados Poscênio e Execução. O Poscênio abrangeu um conjunto de 7 ações (Autoforma, Adquire, Organiza, Elabora, Envia, Comunica e Avalia), que envolveram 50 microações diferentes, as quais caracterizam o preparo da disciplina e das aulas. O momento Execução, compreendeu 6 ações (Operacionaliza, Escreve, Explica, Responde, Espera e Interrompe) e 38 microações que indicam o que o professor colocou em prática de forma síncrona em suas aulas. Com base em resultados obtidos, como o maior número de ações e microações no Poscênio quando comparado à Execução, concluímos que o Ensino Remoto exigiu dos professores um grande esforço na busca por informações e um elaborado planejamento para a realização das aulas, o que talvez explique as angústias reveladas por eles durante as entrevistas realizadas para esta pesquisa.
Introdução à Álgebra Linear em um Curso de Licenciatura em Química: o Desenvolvimento do Pensamento Matemático Avançado por meio de uma Experiência de Ensino
Michelle Andrade Klaiber, Profª Drª. Angela Marta Pereira das Dores Savioli
Data da defesa: 07/08/2019
A presente tese tem por objetivo investigar indícios de desenvolvimento do Pensamento Matemático Avançado em produções escritas de estudantes do primeiro semestre de um curso de Licenciatura em Química em uma disciplina de Geometria Analítica e Álgebra Linear, por meio da realização de uma Experiência de Ensino. Para tanto, construiu-se uma trajetória de aprendizagem, composta por cinco tarefas e dois instrumentos de avaliação, para os conteúdos de Matrizes e Sistemas de Equações Lineares. A referida trajetória desenvolveu-se em nove episódios de ensino, durante uma disciplina de Geometria Analítica e Álgebra Linear, nos quais as interações e discussões entre a professora-pequisadora e os estudantes, bem como a escolha e a condução das tarefas, pautaram-se nas perspectivas do Ensino-Aprendizagem Exploratório de Ponte e do Pensamento Matemático Avançado (PMA). Por meio de uma abordagem predominantemente qualitativa e, à luz da análise de conteúdo, realizou-se a análise de cada um dos episódios, examinando-se as resoluções dos estudantes para cada questão, em busca de indícios da mobilização de processos do PMA, de acordo com Dreyfus e Eisenberg. Identificou-se, por meio das análises que, durante o desenvolvimento da trajetória de aprendizagem, todos os onze estudantes participantes mobilizaram em suas resoluções os seguintes processos do PMA: representação simbólica, representação mental, visualização, intuição, mudança de representação e tradução, analogia, generalização e síntese. Sendo que, no instrumento de avaliação aplicado no primeiro episódio, apenas um estudante mobilizou os processos de analogia e síntese relacionados à abstração, enquanto, no último episódio, esses processos foram mobilizados por seis estudantes. Conclui-se que o ensino de conteúdos de Matrizes e Sistemas de Equações Lineares por meio de tarefas investigativas, com uma abordagem exploratória fundamentada em dificuldades e conhecimentos prévios dos estudantes, pode proporcionar o desenvolvimento de processos do PMA e, em especial, dos processos relacionados à abstração