TAREFAS MATEMÁTICAS POTENCIALMENTE INCLUSIVAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS
SALVADOR CARDOSO SILVA MUNIZ, Prof. Dra. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino, Prof. Dr. Fábio Alexandre Borges Londrina
Data da defesa: 28/03/2025
Pesquisas sobre a formação docente na perspectiva da Educação Inclusiva têm considerado a importância de construir reflexões e aprendizagens com professores sobre Estudantes Apoiados pela Educação Especial. Esse movimento pode colaborar para que, na prática, os professores tenham possibilidades de pensar em estratégias pedagógicas para esse público. Este estudo está em formato multipaper e tem como objetivo analisar as potencialidades do trabalho com Tarefas Matemáticas Potencialmente Inclusivas (TMPI), em um processo de formação continuada, de professores que ensinam matemática nos anos iniciais (PEMAI) no ensino fundamental, pautado na perspectiva da Educação Inclusiva. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, de cunho interpretativo, no contexto de um grupo de estudos constituído por um formador e cinco PEMAI em serviço da região norte do Paraná. O objetivo do grupo era estudar, discutir e refletir a respeito de aspectos da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva com o foco em TMPI. Os resultados revelam que a formação pautada na discussão e no desenvolvimento de TMPI promoveram: reflexões das PEMAI a respeito de suas dificuldades em relação à matemática e seu ensino e de desafios e potencialidades da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva na Educação Básica; constituição de conhecimentos referentes aos conteúdos da matemática e às questões que se relacionam à inclusão de estudantes apoiados pela Educação Especial e; discussões sobre aspectos necessários para a elaboração de TMPI. Essas reflexões e aprendizagens indicam caminhos para que se possa pensar em processos formativos nos quais PEMAI possam trabalhar com TMPI em sala de aula, promovendo um ensino de matemática inclusivo e aprendizagem de todos os estudantes, na perspectiva de uma formação cidadã. Concluimos que uma formação continuada pautada em TMPI pode potencializar reflexões e aprendizagens de professores sobre conteúdos matemáticos, sobre diferentes modos de pensar o planejamento de aulas, considerando todos e cada estudante. Além disso, oportunizam que professores tenham consciência sobre seus Estudantes Apoiados pela Educação Especial de modo que sua prática possa colaborar para que as diferenças sejam respeitadas e valorizadas pelos professores e pelos demais estudantes.
AÇÕES FORMATIVAS PARA A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS, NO CONTEXTO DO ENSINO DE GEOMETRIA
TAYNARA CRISTINA GAFFO FRAGA LANGE, Profª. Drª. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino.
Data da defesa: 26/04/2024
A geometria é uma área da Matemática que deveria ser introduzida desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, no entanto, a qualificação dos professores que lecionam nessa etapa de escolarização tem sido incipiente. Com isso, torna-se fundamental discutir ações que contribuam com a formação continuada de professores que ensinam matemática nos anos iniciais (PEMAI) no que se refere ao ensino de geometria. Na presente investigação foram investidos esforços em responder a seguinte questão: que elementos de ações formativas, no contexto de um grupo de estudos sobre geometria, podem promover a formação continuada de PEMAI? Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa de cunho interpretativo, que contou com a participação de quatro PEMAI que atuavam em escolas públicas municipais no estado do Paraná. Estes professores e a professora formadora constituíram um grupo de estudos sobre o ensino e a aprendizagem de geometria no período de março a setembro de 2022, totalizando 36 horas. O corpus de análise foi constituído pelas gravações em áudio das reuniões do grupo, pelas imagens de momentos da formação e da prática destes professores, pelas suas produções escritas e pelas anotações do diário de campo da formadora. As ações formativas desenvolvidas foram relativas à mobilização do raciocínio visuoespacial, às trajetórias de aprendizagem em relação às figuras planas, à utilização do Vaivém, às discussões sobre a análise e a resolução de tarefas de geometria, e ao relato e discussão de práticas docentes sobre o ensino de geometria. Foi possível observar que essas ações foram essenciais para a formação continuada de PEMAI no que tange à aprendizagem docente, ao ensino de geometria, ao movimento de constituição da identidade profissional e ao desenvolvimento das capacidades do noticing profissional. A partir da análise dessas ações foram identificados os seguintes elementos: Reflexões desencadeadas pelas ações da formadora; Discussões das tarefas propostas na formação e pelos professores em suas práticas; (re)conhecimento de perspectivas alternativas para o ensino de geometria; comunicação; e a aprendizagem docente. Esses elementos permitem inferir que os PEMAI (res)significaram suas práticas e suas concepções sobre a geometria e a matemática. Com isso, entende-se que a formação continuada de PEMAI para o ensino de geometria deve considerar os conteúdos relacionados às ações, e elementos que privilegiem o professor como protagonista deste processo, visando a compreensão de suas concepções, angústias, trajetórias profissionais, conhecimentos e expectativas.
Geometria na formação inicial de professores que ensinam matemática: indicativos de dissertações e teses brasileiras
FERNANDA CAROLINE CYBULSKI, Profa. Dra. Márcia Cristina de Costa Trindade Cyrino
Data da defesa: 25/02/2022
A Geometria é uma área da Matemática prevista para ser ensinada em todos os níveis da Educação Básica brasileira. Sendo assim, torna-se fundamental compreender como a formação inicial de professores que ensinam matemática (PEM) tem trabalhado com essa temática. O objetivo desta pesquisa, qualitativa e de caráter documental, é mapear, descrever e discutir indicativos de geometria na formação inicial de PEM, presentes em dissertações e teses brasileiras, defendidas no período 2009-2020. Para tanto, o corpus de análise foi constituído, com base em um mapeamento de dissertações e teses, oriundas de Programas de Pós-graduação brasileiros stricto sensu, das Áreas de Educação e Ensino, na plataforma digital do Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e no catálogo da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, totalizando 18 trabalhos. Os resultados evidenciam que as pesquisas que investigam a formação inicial de PEM na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental têm como pontos de enfoque abordagens metodológicas para o ensino de geometria, conteúdos geométricos e aspectos da grade curricular dessa temática. Nessas formações, representações de figuras geométricas foram utilizadas para trabalhar geometria com a finalidade de identificar propriedades ou conceitos geométricos de forma perceptiva e visual. Esses trabalhos apontam que os conteúdos de geometria são trabalhados concomitantes com o “como ensinar” geometria e prevalece o uso de material manipulável. As pesquisas que investigaram contextos da formação inicial de professores de Matemática dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio se propuseram a analisar estratégias associadas às aprendizagens dos futuros professores em geometria e relações estabelecidas, a partir de conhecimentos já constituídos por eles. Nesses contextos, representações de figuras geométricas foram utilizadas para trabalhar geometria, principalmente, com as finalidades de resolver situações problema e verificar ou estudar propriedades geométricas, provas e demonstrações. Essas representações de figuras geométricas, por vezes, foram associadas à Álgebra, à Aritmética ou às Medidas. Tecnologias digitais, como o software GeoGebra, foram os recursos mais utilizados para promover estratégias de aprendizagem em geometria na formação inicial desses futuros professores de Matemática, especialmente para momentos de provas e demonstrações. Além disso, conteúdos de Geometria Euclidiana predominaram nas pesquisas analisadas do corpus. Pierre van Hiele e Raymond Duval foram os autores, que mais embasaram teoricamente o corpus e, mesmo que se observe uma crescente presença de posições epistemológicas nas pesquisas, as caracterizações de conhecimento/pensamento/raciocínio/saber geométrico ainda são incipientes, isto é, prevalece o uso arbitrário de tais termos, sem caracterizá-los ou utilizando-os, aparentemente, como sinônimos ou em sentidos de senso comum. As pesquisas analisadas sugerem que, no trabalho com geometria na formação inicial de PEM, sejam repensados aspectos, como os relacionados à organização da carga horária; à pertinência de disciplinas específicas; que geometria(s) deve(m) ser abordada(s) e com que finalidade(s); e qual o papel de representações de figuras geométricas para além de um apoio às demais áreas da Matemática.