Teses e Dissertações
Palavra-chave: ação docente
AÇÕES DOCENTES EM AULAS DE FÍSICA NO ENSINO SECUNDÁRIO EM MOÇAMBIQUE
EMÍLIO SOBRINHO GOMES ALFÂNDEGA, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 24/02/2025
Esta pesquisa teve como foco as ações docentes em aulas de Física do Ensino Secundário em Moçambique. Com o objetivo de identificar e descrever as categorias de ação docente em aulas, realizadas por dois professores de Física, por meio da observação direta em sala de aula, a pesquisa buscou responder à seguinte questão: Quais ações docentes são observadas em aulas de Física do Ensino Secundário moçambicano e como podem ser interpretadas? Os dados foram coletados por meio de gravações em vídeo, áudio e notas de campo, a partir da observação direta de aulas de professores de Física do Ensino Secundário, em uma escola pública da cidade de Quelimane, organizados e analisados segundo os procedimentos indicados pela Análise de Conteúdo. Os resultados apontaram a obtenção descritiva de 29 categorias de ação docente para quatro aulas: Advertir; Afirmar; Agradecer; Apagar; Apresentar; Chamar atenção; Colaborar; Concordar; Cumprimentar; Desenhar; Deslocar; Despedir; Ditar; Elogiar; Entregar; Encorajar; Escrever; Esperar; Explicar; Incentivar; Indicar; Informar; Mandar; Organizar; Pedir; Perguntar; Realizar chamada; Responder; e, Retornar. Além disso, os resultados mostraram que as categorias de ação docente dos professores investigados se resumem em fazer perguntas a respeito do conteúdo que será abordado que visam esclarecer ideias e/ou conduzi-las a respostas corretas, explicar o conteúdo ou a atividade ou o experimento para os alunos e, por fim, pedir a atenção, a participação e a colaboração dos alunos. Ao explorar as categorias de ação docente identificadas e de modo a buscar um agrupamento que trouxesse uma visão geral, alocamos as ações em quatro categorias gerais: categorias de ação relacionadas à abordagem adotada, categorias de ação referentes à atividade realizada, categorias de ação que remetem à organização da aula e categorias de ação que demonstram emoções/sentimentos. Essas categorias têm potencial de permitir um olhar abrangente sobre as ações docentes que podem ser verificadas em aulas de Física e de outras áreas afins.
AÇÕES DOCENTES DOS FORMADORES DA DISCIPLINA DE DIDÁTICA DE MATEMÁTICA NO INSTITUTO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES PRIMÁRIOS DE QUELIMANE – MOÇAMBIQUE
FERNANDO JOÃO, Profa. Dra. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 26/02/2025
Esta tese procurou, no âmbito do Doutoramento, caracterizar as ações docentes sob uma perspectiva acerca da formação de professores, em salas de aula da disciplina de Didática de Matemática, no Instituto de Formação de Professores Primários de Quelimane – Moçambique. A questão norteadora da pesquisa pode ser descrita da seguinte maneira: Quais são as ações docentes dos professores que ministram a disciplina de Didática de Matemática no Instituto de Formação de Professores Primários de Quelimane? Os dados foram coletados por meio de gravações em vídeo e áudio, a partir de uma observação direta em salas de aula de professores da disciplina de Didática de Matemática, organizados e analisados com base nos procedimentos metodológicos indicados pela Análise de Conteúdo (AC). A pesquisa teve como principal referencial teórico o Programa de Pesquisa Sobre a Ação Docente, Ação Discente e Suas Conexões – PROAÇÃO, segundo Arruda, Passos e Broietti (2021). A partir da análise dos dados verificou-se que, para uma mesma ação identificada podem ser encontradas subcategorias distintas, as quais remetem às formas como os conteúdos foram abordados e aos recursos utilizados na aula analisada. Nas análises dessa investigação, percebemos que as ações docentes em salas de aula são muito variadas e de compreensão difícil. Por cada um dos professores analisados nas suas aulas, um padrão de ação docente “perguntar” foi identificado nas salas de aula como sendo o mais repetido, com uma percentagem de 29,8% para P1 e 24,4% para P2 de frequência, em relação às outras categorias de ação docente em todas as aulas gravadas. Na A1A2P1 identificamos 31 categorias: Cumprimentar; Agradecer; Saudar; Ordenar; Tomar atenção; Fazer chamada; Perguntar; Afirmar; Elogiar; Escrever; Explicar; Informar; Recordar; Confirmar; Concordar; Pedir; Argumentar; Incentivar; Cantar; Contar; Chamar; Escutar; Organizar; Aplicar; Consultar; Aceitar; Negar; Mostrar; Observar; Olhar e Admirar e na A1A2P2 identificamos 25 categorias: Cumprimentar; Ordenar; Saudar; Concordar; Tomar atenção; Escrever; Fazer chamada; Informar; Explicar; Pedir; Esperar; Recordar; Relembrar; Perguntar; Escutar; Afirmar; Argumentar; Chamar atenção; Negar; Colar; Deslocar; Agradecer; Observar; Incentivar e Mostrar. A análise das categorias de ações docentes apresenta uma conclusão, com base nessas observações, subdividida de acordo com as alternativas pedagógicas identificadas no encontro.
ARGUMENTAÇÃO E AÇÕES DOCENTES ARGUMENTATIVAS EM AULAS DE QUÍMICA NO ENSINO SUPERIOR
BELÉM JÚRCIA VIOLETA MACIE, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 28/11/2024
A pesquisa, cujos resultados trazemos nesta tese, busca analisar a argumentação e as ações
docentes argumentativas em aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de
Moçambique e assim responde à seguinte questão de pesquisa: o que se entende por
argumentação, como ela é utilizada e como interpretar as ações docentes argumentativas em
aulas de Química numa instituição pública do ensino superior de Moçambique? A pesquisa
seguiu caminhos de uma abordagem qualitativa em duas perspectivas de análise textual, sendo
uma delas direcionada a dados teóricos e a outra para dados empíricos. Os materiais teóricos,
mapeamento e revisão sistemática de literatura, forneceram pressupostos para compreender as
informações empíricas oriundas de entrevista e observação direta, referentes ao levantamento
de conhecimento e às aulas de cinco professores de Química, conforme se apresenta nos cinco
artigos desta tese, em formato multipaper. Entre os principais indícios tem-se que os estudos a
respeito da argumentação, geralmente, se concentram na argumentação de alunos da
Educação Básica e poucos enfocam em ações docentes. As ações docentes analisadas em
estudos de ação na Química foram, maioritariamente, em ambientes diferenciados de ensino,
com a abordagem metodológica descritiva e a abordagem teórica orientada à formação de
professores. Ademais, o professor que utiliza argumentação é um professor reflexivo e o faz
em quatro planos de ação dentro do ciclo interativo de ações argumentativas, os planos
pragmático, epistêmico, argumentativo e crítico-reflexivo. Os professores apresentaram um
conceito de argumentação alinhado com as três perspectivas − lógica, retórica e dialética e, as
três orientações de pesquisa sobre argumentação são: compreensão das condições do
desenvolvimento da argumentação, avaliação da argumentação como ferramenta
metodológica e habilidades argumentativas dos professores. Quatro professores (num total de
cinco) consideraram a argumentação importante para o ensino de Química, tendo declarado o
uso de trabalho independente, o debate e a pergunta, como estratégias adotadas. Entretanto, as
concepções dos professores a respeito da argumentação influenciam no conceito para
argumentação elaborado por eles, assim como no entendimento de como a argumentação pode
ser usada em sala de aula. Evidenciamos sete categorias de ações docentes argumentativas:
Apresentar, Questionar, Identificar, Valorizar, Ajuizar, Solicitar e Incentivar, dentre as quais
Identificar, Incentivar e Questionar foram também observadas em outros estudos de ações
docentes em Química. Os resultados revelaram que os professores têm maior facilidade em
realizar ações que incitam a argumentação no plano pragmático (com total de 84 remissões),
tais como: Incentivar, Solicitar, Questionar e Valorizar, em detrimento de ações que avaliam
criticamente as informações debatidas em sala de aula, como a ação de Ajuizar do plano
crítico-reflexivo (com 25 repetições). Como estudos futuros interessa-nos a categorização de
ações discentes argumentativas, o entendimento da relação entre a argumentação e
metacognição e a compreensão das conexões argumentativas evidenciadas entre ações dos
professores e dos alunos.
CARACTERIZAÇÃO DAS AÇÕES DOCENTES E DISCENTES EM AULAS DE QUÍMICA PARA ESTUDANTES COM ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO
ANY CAROLINE FERREIRA, Prof. Dr. Sergio de Mello Arruda
Data da defesa: 22/02/2024
Esta tese de doutorado teve como objetivo investigar e categorizar as ações docentes
e discentes de estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação em aulas de
Química, com o intuito de identificar indícios de aprendizagem desses estudantes, em
termos de ações discentes. As duas questões de pesquisa que nortearam essa
investigação, foram: Quais ações docentes são observadas em aulas de Química para
estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, como elas se conectam com as
ações discentes? Como identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes de
estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, em aulas de Química? Para isso,
foram ministradas nove aulas de Química para esses estudantes e os dados foram
coletados por meio de gravações em vídeo, áudio e notas de campo dessas aulas.
Como metodologia de análise de dados, utilizou-se a Análise Textual Discursiva. Após
a interpretação das estratégias de ensino utilizadas, selecionou-se duas aulas, a
quinta aula, na qual ocorreu o debate Júri Químico; e a oitava aula, que consistiu na
realização de experimentos. Sendo assim, os resultados desta pesquisa foram obtidos
por meio da análise dessas duas aulas, que possibilitou a identificação de categorias
descritivas de ações docentes e discentes. Com isso, as ações docentes foram
alocadas em vinte e duas categorias: Auxiliar, Chamar a atenção, Comentar,
Concordar, Dialogar, Escrever no quadro, Escutar, Esperar, Exemplificar, Explicar,
Incentivar, Informar, Interromper, Ler, Observar, Organizar, Orientar, Perguntar,
Realizar o experimento, Responder, Supervisionar e Terminar a aula. E as ações
discentes foram classificadas em vinte e quatro categorias: Argumentar, Comentar,
Conversar, Copiar, Cronometrar, Dialogar, Dispersar, Entrar no laboratório, Escrever,
Escutar, Esperar, Explicar, Informar, Ler, Não chegou, Observar, Organizar, Pedir,
Perguntar, Preparar, Prestar atenção, Realizar o experimento, Responder e Reunir.
Por meio da categorização evidenciou-se que as ações docentes e discentes alteram-
se quando ocorre uma mudança na estratégia de ensino. Além disso, após o
mapeamento das ações, foram realizadas duas entrevistas com dois estudantes, para
buscar identificar indícios de aprendizagem nas ações discentes. Utilizou-se a
autoscopia, ou seja, foram apresentados para esses estudantes episódios das
gravações das aulas, e foram feitas perguntas para eles a respeito de suas ações. A
interpretação de trechos dos comentários dos estudantes contribuiu para uma nova
categorização das ações discentes, com a utilização do instrumento de análise Focos
da Aprendizagem de um Saber. Evidenciou-se que as ações discentes estavam
relacionadas a quatro dos cincos focos: Interesse, Saber, Reflexão e Comunidade.
Em síntese, a realização dessa investigação permitiu a identificação das ações
docentes e discentes e uma percepção de como elas se conectam, em aulas de
Química, para estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação. Além disso, foi
possível fazer inferências a respeito da aprendizagem desses estudantes, em termos
de ações discentes.
Ações docentes e discentes em atividades de modelagem matemática no ensino superior
CAIO JUVANELLI, Profa. Dra. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 27/02/2023
Esta é uma pesquisa qualitativa, que teve o objetivo de descrever ações docentes e
discentes em atividades de Modelagem Matemática, realizadas durante aulas remotas
de um curso de Licenciatura em Matemática. A questão norteadora da investigação
foi: quais categorias podem descrever as ações docentes e discentes no
desenvolvimento de atividades de Modelagem Matemática durante aulas remotas em
curso de Licenciatura em Matemática? Os dados foram coletados no decorrer do ano
letivo de 2021 durante aulas de uma disciplina de Modelagem Matemática na
Perspectiva da Educação Matemática, de um curso de Licenciatura em Matemática
em uma universidade estadual do Paraná. As aulas foram gravadas e analisadas de
acordo com a Análise de Conteúdo. Do nosso movimento analítico foi possível elencar
categorias gerais de ação docente: Perguntar(Doc) e Explicar(Doc), que são
complementadas por um conjunto de subcategorias (PDOC1, PDOC2, PDOC3,
PDOC4, EDOC1, EDOC2, EDOC3, EDO4 e EDOC5). E para a ação discente as
seguintes categorias: Perguntar(Dis) e Explicar(Dis), que são complementadas por
um conjunto de subcategorias (PDIS1, PDIS2, PDIS3, PDIS4, EDIS1, EDIS2 e
EDIS3). Os dados revelam que a professora esteve nos diferentes momentos da aula,
perguntando, questionando e indagando os alunos no decorrer do desenvolvimento
da atividade, além de ter proferido explicações sobre os temas desenvolvidos,
elucidado termos, conceitos e os direcionado para a resolução e validação dos
resultados. Os discentes realizaram perguntas, questionamentos e indagações, além
de descreverem seus raciocínios, articulando ideias e argumentarem com outros
colegas e a professora no desenvolvimento da atividade.
Um estudo acerca da intencionalidade da ação docente em aulas de ciências do ensino fundamental
HEMILYN DA SILVA MENEGUETE, Profa. Dra. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 09/02/2023
Esta dissertação apresenta um estudo acerca da intencionalidade da ação docente em aulas de Ciências do Ensino Fundamental. Nosso objetivo foi compreender: Quais as intenções do professor quando desenvolve suas ações em sala de aula. Os dados são provenientes das gravações de aulas de duas professoras, que ocorreram no ano de 2019 na modalidade do ensino presencial e que foram retomadas como objeto de pesquisa em 2021 para a realização de entrevistas, em procedimento denominado autoscopia. A organização, categorização e análise dos dados foram pautadas nos pressupostos da Análise Textual Discursiva. Nesta pesquisa, assumimos que a intenção tem duas componentes, que se referem ao plano de ação e objetivo. E por meio destes fundamentos analisamos em forma de episódios duas aulas de cada professora. Os resultados apontaram no Plano de Ação para as ações das docentes executadas durante a gravação, e os Objetivos foram identificados a partir dos discursos proferidos no dia da entrevista, que dizem respeito às motivações que deram origem às mobilizações visualizadas. Além disso, para cada episódio foram identificadas aproximações entre os dois componentes da intenção, e, desta forma, compreendemos que uma intenção fundamenta as ações do sujeito professor. Em síntese, no que tange aos resultados de P1 acerca das duas aulas analisadas no que diz respeito aos Objetivos Centrais, foram encontrados elementos próximos as percepções de explicação do conteúdo, valorização da autonomia, utilização de material de apoio, fundamentação na afetividade, e aprendizagem autônoma e significativa. Já no que tange aos resultados de P2 acerca das duas aulas analisadas no que diz respeito aos Objetivos Centrais, foram encontrados elementos próximos as percepções de valorização dos conhecimentos prévios, explicação do conteúdo, utilização de diversas metodologias, acolhimento dos alunos, fazer relações interdisciplinares, atender as especificidades dos alunos no que tange às suas necessidades para alcançarem a aprendizagem.
UM ESTUDO DAS AÇÕES DE LICENCIANDOS EM QUÍMICA AO PLANEJAR E EXECUTAR AULAS EXPERIMENTAIS
ANDRIELE CORAIOLA DE SOUZA, Profa . Dra . Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 22/03/2022
Esta tese apresenta os resultados de uma investigação qualitativa com os objetivos
de identificar, descrever e categorizar as ações de ensino planejadas e executadas
por graduandos de Química durante aulas experimentais investigativas. O estudo
também analisa as implicações da atividade experimental dentro de uma abordagem
investigativa durante a atuação dos licenciandos em Química. Os dados foram
coletados por meio do acompanhamento de duas duplas de graduandos de Química
em disciplina de Estágio Supervisionado, por meio de planos de aula e filmagens
das aulas ministradas. O corpus foi categorizado e analisado por meio da Análise
Textual Discursiva (ATD). A partir dessa análise, foram criadas categorias baseadas
em três níveis de ações: macroações, ações e microações. Apresentamos a
categorização em dois blocos: as aulas experimentais de D1 e posteriormente de
D2. Como resultado, as macroações estabelecidas no plano de aula de D1 foram:
introdução da aula, realização de experimentos, apresentação e explicação de
experimentos e sistematização de conceitos. Distribuídas entre as macroações,
encontramos 10 ações e 19 microações. Para D2, as macroações encontradas
foram: introdução da aula, realização e explicação dos experimentos, sistematização
de conceitos e conclusão da aula. Essas macroações abrangeram 8 ações e 17
microações. Na categorização das ações realizadas, houve uma expansão
considerável com 25 e 21 ações docentes, respectivamente, por D1 e D2. Ao final,
articulamos as ações encontradas pelas duplas em cada etapa do planejamento e
execução das aulas. Assim, ao compararmos as ações pretendidas, percebemos
que entre os principais objetivos estavam: contextualizar, discutir, distribuir, explicar,
organizar, perguntar e questionar, ainda que em momentos distintos do
planejamento da aula. Notamos que algumas ações advêm do contexto da atividade
experimental e da participação ativa dos estudantes nas etapas processuais,
influenciando as ações dos estudantes de graduação e exigindo a mobilização de
conhecimentos diversos que se desdobraram em diferentes ações. No esforço de
ampliar o olhar sobre a ação docente, buscamos aproximar a análise realizada de
outras pesquisas da área (ASSAI, 2019; BORGES, BROIETTI, ARRUDA, 2021), o
que nos proporcionou uma reflexão sobre ações comuns em o desenvolvimento de
aulas experimentais de Química. Quando olhamos para as ações docentes frente à
atividade experimental, podemos possibilitar uma melhor compreensão da sua
complexidade e da prática dos professores de Química, evidenciando
especificidades. Além disso, ao analisar o que de fato é feito numa atividade
experimental, podemos contribuir para a validação e ampliação da visão teórica.
Um estudo sobre as ações docentes compartilhadas de residentes do programa de residência pedagógica de um curso de licenciatura em química
CASSIA EMI OBARA, Profª. Drª. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 22/12/2021
O Programa de Residência Pedagógica (PRP) faz parte da Política Nacional de Formação de Professores e possibilita aos licenciandos uma imersão na prática escolar. O PRP/UEL/Química criou uma dinâmica de discussão teórica e prática, incentivando também a pesquisa. Ao ingressarem na sala de aula, os residentes formaram quatro duplas e um trio. Diante disso, esta tese apresentou como principal objetivo: identificar, por meio das ações docentes, como atuam os residentes nesta configuração de “docência compartilhada”. As questões que nortearam esta pesquisa são: Quais são as categorias de ação de residentes em aulas de Química? Há ações docentes compartilhadas nas aulas ministradas em duplas ou trios entre os residentes participantes? Como as ações são gerenciadas pelos atores nesses momentos? Orientados pela pesquisa qualitativa, tratamos de descrever nossa análise de dados, pautada na Análise Textual Discursiva (ATD). Observar as experiências adquiridas pelos residentes, nos fizeram voltar o olhar sobre a sala de aula. Desta maneira, procuramos investigar os fenômenos que poderíamos encontrar nas aulas dos residentes. As aulas eleitas para análise partiram das relações entre a dupla ou trio de residentes: as aulas A16, A25 e A66. Em A16 identificamos 4 momentos em que duas ou mais ações docentes foram efetuadas simultaneamente por dois ou três residentes: No primeiro momento, levantamos 9 diferentes ações docentes compartilhadas; no segundo momento, 2 ações docentes compartilhadas; no terceiro momento, 1 ação; no quarto momento, 5 ações docentes compartilhadas. Na aula A25 identificamos 5 momentos em que as ações dos residentes foram levantadas simultaneamente: para o primeiro momento, foram 5 ações docentes compartilhadas diferentes; no segundo, 2 ações; no terceiro, 1 ação, no quarto 10 ações e no quinto momento foram 3 categorias de ação docente compartilhada. Em A66 identificamos 4 momentos em que as ações docentes compartilhadas se estabeleceram: o primeiro momento, levantamos 3 diferentes categorias de ação docente compartilhada, segundo, 2 ações, no terceiro momento, 1 ação e no quarto momento, 3 ações docentes compartilhadas. A busca pelas ações docentes compartilhadas possibilitou visualizar a mobilização dos residentes na prática docente. Tais ações estabelecidas foram frutos de um processo formativo, organizado, planejado e discutido previamente, o que possibilitou uma articulação entre as práticas das duplas e trios de residentes.
Ações docentes e discentes em aulas de matemática que exploram objetos de aprendizagem na lousa digital
Fábio Roberto Vicentin, Profa. Dra. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 25/08/2022
Esta pesquisa de natureza qualitativa teve como principal objetivo caracterizar as ações
docentes e discentes, evidenciando suas conexões, em aulas de Matemática fundamentadas na
exploração de objetos de aprendizagem na lousa digital. Assim, a principal questão de
pesquisa norteadora desta investigação, para a qual buscamos respostas, foi: Quais ações
docentes, ações discentes e eventuais conexões podem ser observadas em aulas de
Matemática que exploram objetos de aprendizagem na lousa digital? Os procedimentos
metodológicos se basearam na Análise de Conteúdo assumida como uma proposta teórica
utilizada como método de coleta e de análise de dados qualitativos. As aulas foram planejadas
pelo professor pesquisador, autor desta tese, que, também, implementou as mesmas com
grupos de alunos do Ensino Fundamental e Médio, nos anos de 2016 e 2019. Na proposição
dos cinco artigos que integram esta tese, no formato multipaper, evidenciamos diferentes
categorias que expressam ações docentes (22) – Auxilia, Calibra, Comenta, Coordena,
Demonstra, Discute, Entrega, Espera, Explica, Expõe, Incentiva, Indica, Liga, Pergunta,
Presta Atenção, Projeta, Realiza Chamada, Resolve, Responde, Solicita, Sugere, Valoriza – e
discentes (41) – Aceita, Apaga, Arrasta, Arrisca, Assinala, Auxilia, Busca, Comemora,
Confere, Descobre, Desenha, Discute, Escreve, Escuta, Espera, Explica, Fala, Fotografa,
Incentiva, Indica, Inicia, Justifica, Lê, Mexe, Não Aceita, Observa, Organiza, Participa,
Percebe, Pergunta, Presta Atenção, Realiza, Recebe, Registra, Responde, Seleciona, Sente
Interesse, Solicita Auxílio, Solicita Explicação, Sugere, Utiliza – consideradas como
resultantes, tão somente, do tipo de aulas – fundamentadas na exploração de objetos de
aprendizagem na lousa digital. Ainda, o processo de análise utilizado nesta pesquisa
possibilitou legitimarmos que existem ações docentes que podem estar ou não conectadas às
ações discentes. Por fim, referente a análise das categorias de ações docentes e discentes, tal
movimento permitiu-nos, também, constatar semelhanças e diferenças entre essas categorias
em aulas de Matemática com diferentes abordagens (tradicional, utilização de jogos, uso de
materiais manipuláveis e exploração de objetos de aprendizagem) utilizadas pelos professores
Ações docentes remotas de professores que ensinam Matemática no Ensino Superior
Vanessa Cristina Rhea, Profa. Dra. Marinez Meneghello Passos
Data da defesa: 24/02/2022
As ações docentes vêm sendo foco de pesquisas em várias áreas do ensino. Até
então, tais investigações se destinavam às ações docentes referentes ao ensino
presencial. Porém, a pandemia de COVID-19, que impôs que o ensino acontecesse
de forma remota, propiciou condições para que fosse estendida também tal
investigação a esta modalidade de ensino. Assim, esta pesquisa foi desenvolvida com
o objetivo de identificar e categorizar as ações que os professores que ensinam
Matemática no Ensino Superior alegam ter feito para organizar e ministrar aulas no
Ensino Remoto Emergencial. As ações docentes remotas foram definidas como sendo
as ações exercidas pelo professor durante as aulas remotas e aquelas em que ele
empreende para planejar e organizar as aulas e as disciplinas neste formato de
ensino. Tais ações são oriundas de um processo teórico-prático, considerando o que
o docente tem de possibilidades ao seu alcance nos diferentes momentos e aulas.
Esta investigação aconteceu com onze professores que ensinaram Matemática no
Ensino Superior de forma remota entre os meses de março de 2020 e janeiro de 2021,
em seis diferentes instituições de ensino do estado do Paraná. A metodologia utilizada
foi a abordagem Qualitativa e a Análise Textual Discursiva (ATD) para as análises dos
dados, que foram obtidos por meio de entrevistas realizadas via Google Meet,
gravadas e transcritas. A partir das análises, as ações docentes remotas identificadas
foram agrupadas em dois momentos, denominados Poscênio e Execução. O Poscênio
abrangeu um conjunto de 7 ações (Autoforma, Adquire, Organiza, Elabora, Envia,
Comunica e Avalia), que envolveram 50 microações diferentes, as quais caracterizam
o preparo da disciplina e das aulas. O momento Execução, compreendeu 6 ações
(Operacionaliza, Escreve, Explica, Responde, Espera e Interrompe) e 38 microações
que indicam o que o professor colocou em prática de forma síncrona em suas aulas.
Com base em resultados obtidos, como o maior número de ações e microações no
Poscênio quando comparado à Execução, concluímos que o Ensino Remoto exigiu
dos professores um grande esforço na busca por informações e um elaborado
planejamento para a realização das aulas, o que talvez explique as angústias
reveladas por eles durante as entrevistas realizadas para esta pesquisa.