CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO EXPOSTA OCUPACIONALMENTE PELOS AGROTÓXICOS EM MUNICÍPIO DE PEQUENO PORTE DO PARANÁ
Dissertação de mestrado
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Os agrotóxicos são amplamente utilizados na agropecuária contemporânea. Sua disseminação teve início a partir dos conflitos armados, a Guerra do Vietnã serviu como laboratório para a utilização em larga escala do Agente Laranja. Logo, serviu de base para o desenvolvimento de produtos voltados a agricultura. No Brasil, o período da Ditadura Militar foi responsável por expandir a Revolução Verde sendo sustentada a partir da implantação do Programa Nacional de Defensivos Agrícolas (PNDA), vinculando a modernização agrícola à repressão política, promovendo um modelo de desenvolvimento excludente que beneficiava grandes proprietários e silenciava movimentos camponeses. A expansão do agronegócio no Brasil é evidenciada ao longo das últimas décadas, consolidando um modelo agrícola de larga escala voltado à exportação e ampla dependência a agrotóxicos. Nesse sentido, se torna impactante o contexto ampliado, dos trabalhadores ocupacionalmente expostos no meio rural. A exposição humana aos agrotóxicos são responsáveis por diversos agravos à saúde desses trabalhadores, relacionando a alterações hormonais, malformações congênitas, diversos tipos de câncer, distúrbios endócrinos, doenças neurológicas, hepáticas, respiratórias, imunológicas, renais e distúrbios em saúde mental. O objetivo deste estudo é caracterizar a população exposta ocupacionalmente aos agrotóxicos no município de Novo Itacolomi-PR. Métodos e Casuística trata-se de um estudo transversal e analítico, a população estudada constituiu-se de indivíduos com idade de 18 anos ou mais. Os dados foram coletados baseados em sistemas de arquivos, prontuário digital e físico, preenchido no período de 27 de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025, período que a população ocupacionalmente exposta aos agrotóxicos foi submetida ao atendimento pelo Fluxograma da Linha Guia do Estado do Paraná, utilizado para identificar o público-alvo pela Ficha de Rastreio, Consulta de Enfermagem, Consulta Médica, Avaliação de Saúde Mental e Estratificação de Risco. Foi realizado a análise descritiva das variáveis categorizadas em sociodemográficas, ocupacionais, manifestações clínicas, sendo o desfecho a pontuação dos níveis da estratificação de risco da população exposta. Foram analisados 159 prontuários, constatando-se a predominância do sexo masculino (97%), moradia na área rural (94%) faixa etária com média de 47,9 anos, etilismo (54%), raça branca (85%), casados (55%), agricultores familiares 95%, contato direto (100%), tempo de exposição >10 anos (90%), embalagem de agrotóxicos na unidade produtiva (97%), sintomas neuropsiquiátricos 4-11 (33%), sintomas somáticos 1 sintoma (25%), distribuição das morbidades 2-3 morbidades (30%) sendo doença do sistema osteomuscular mais relevante (59%), distribuição dos exames laboratoriais 2-3 alterados (24%), sendo o colesterol total mais relevante (36%), comprometimento neurológico ao exame físico os reflexos tiveram maior relevância (25%). A estratificação de risco conteve a prevalência no escore de alto risco (37%). O Teste do quiquadrado de Pearson não apresentou associação estatisticamente significativa entre o consumo de bebida alcoólica e a maioria das alterações laboratoriais avaliadas (p > 0,05). A única associação significativa foi identificada para Gama GT, cuja alteração foi mais frequente entre indivíduos que consomem bebida alcoólica (12,6%) em comparação aos não consomem bebida alcoólica (2,8%; p = 0,024). Os resultados encontrados nesse estudo caracterizam a população com condições de saúde prejudicadas com provável relação a exposição ocupacional por agrotóxicos. Espera-se que os resultados alcancem movimentos a nível municipal, além de impressionar outros setores públicos a nível estadual e nacional.