Editais
EDITAL 6/2026 – PROJETO DE PESQUISA FORÇA DE TRABALHO APS – SELEÇÃO BOLSISTA
Encontram-se abertas as inscrições para seleção de estudantes bolsistas para atuar no projeto “FORÇA DE TRABALHO E PROCESSO DE TRABALHO NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE: REPERCUSSÕES NA RESOLUTIVIDADE DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE”.
2 semanas atrás
EDITAL Nº 05/2026–PPGSC ESTABELECE NORMAS E PROCEDIMENTOS DE SELEÇÃO PARA CURSAR DISCIPLINA, COMO ESTUDANTE ESPECIAL, NO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA NO SEGUNDO SEMESTRE LETIVO DO ANO DE 2026
1 mês atrás
EDITAL Nº 04/2026- CONCESSÃO DE BOLSAS PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA – RESULTADO FINAL
4 meses atrás
EDITAL Nº 03/2026- CONCESSÃO DE BOLSAS PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA – RESULTADO PRELIMINAR.
5 meses atrás
Defesas e qualificações
Não existem defesas ou qualificações agendadas.Ver todas
Notícias
- Chamada de artigos para especial sobre o SUS na Revista Saúde em Debate
- II Seminário do Grupo de Pesquisa em Trabalho e Cuidado em Saúde
- Mesa Redonda com egressos – Início turmas mestrado e doutorado 2026
- Cerimônia de lançamento do livro Entrevistas Safety: construindo memórias no olho do furacão
- Chamada aberta! Saúde em Debate vai publicar número especial sobre: Avaliação, Análise e Auditoria de Políticas de Saúde no SUS
Teses e dissertações
A territorialização constitui um dos pilares estruturantes da Atenção Primária à Saúde (APS), por possibilitar a delimitação de populações adscritas e a compreensão ampliada das condições de vida, vulnerabilidades e necessidades em saúde nos territórios. Esta dissertação teve como objetivo compreender as práticas de territorialização desenvolvidas na APS nos municípios do estado do Paraná, com ênfase na organização do processo de trabalho das equipes da Estratégia Saúde da Família. Trata-se de estudo de método misto, com abordagem descritivo-analítica e qualitativa, desenvolvido em duas etapas sequenciais. Na primeira etapa, foram analisados dados secundários provenientes de questionários eletrônicos aplicados pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aos 399 municípios paranaenses em 2023, especificamente no bloco “Territorialização e Vínculos”. As respostas foram categorizadas em conformidades e não conformidades, evidenciando fragilidades sobretudo nas práticas que demandam maior capacidade de análise, planejamento e utilização do território como elemento estruturante do processo de trabalho. A análise estatística transversal, realizada por meio do coeficiente de correlação de Spearman, identificou associações significativas entre os padrões regionais de não conformidades e o escore total estadual, demonstrando distribuição relativamente homogênea das fragilidades entre as macrorregiões do estado. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com coordenadores municipais da APS, submetidas à análise de conteúdo, proposta por Laurence Bardin. Emergiram quatro categorias analíticas: territorialização impulsionada por exigências externas; distanciamento entre instrumentos formais e prática cotidiana; centralidade do Agente Comunitário de Saúde na leitura territorial; e dificuldades estruturais relacionadas à sobrecarga assistencial e à rotatividade profissional. Conclui-se que a territorialização, embora institucionalmente prevista como diretriz organizadora da APS, permanece tensionada por limitações organizacionais, fragilidades operacionais e induções avaliativas externas, sendo concretizada predominantemente a partir do trabalho vivo das equipes. Os achados revelam a persistente distância entre o modelo normativo da territorialização e sua implementação concreta nos municípios paranaenses.
As violências contra meninas e mulheres configuram-se como graves problemas sociais e de saúde pública, atravessado por desigualdades estruturais de gênero, raça e classe, e enraizado em relações históricas de poder. Este estudo teve como objetivo analisar as características das notificações de violência contra meninas e mulheres no município de Londrina/PR, no período de 2011 a 2024, com base nos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Trata-se de pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, baseada em dados secundários, que buscou caracterizar o perfil de meninas e mulheres em situação de violência, bem como dos(as) agressores(as), descrever os vínculos entre vítimas e agressores(as), classificar os tipos de violência e os locais de ocorrência, além de identificar padrões recorrentes do fenômeno. Os resultados evidenciam que a violência ocorre predominantemente no ambiente doméstico e é majoritariamente perpetrada por parceiro íntimo, com maior concentração entre mulheres adultas e crescimento significativo dos casos na adolescência nos últimos anos. Destaca-se, ainda, a expressiva incompletude da variável raça/cor, sobretudo pelo elevado preenchimento do campo “ignorado”, o que compromete a análise da realidade e dificulta a formulação de políticas públicas que considerem as desigualdades raciais. Conclui-se que, embora os dados oficiais sejam fundamentais para o planejamento, a implementação e a avaliação de políticas públicas, persistem fragilidades nos processos de notificação, relacionadas à subnotificação, ao não acesso e à culpabilização das vítimas, evidenciando a necessidade de fortalecer as redes de apoio, qualificar os serviços e investir na formação dos profissionais responsáveis pelos registros.
Introdução: A saúde bucal dos povos originários é marcada por relevantes lacunas de conhecimento e desigualdades históricas, especialmente quando o assunto se refere ao acesso ao fluoreto e à ocorrência de fluorose dentária. A maior concentração desses estudos acontece em contextos urbanos e em populações não indígenas, o que contribui para a invisibilização desse grupo e para a manutenção de desigualdades em saúde, justificando a necessidade de investigações que considerem suas especificidades socioculturais e históricas, além das condições de acesso aos serviços e insumos de saúde bucal. Objetivo: Estimar a prevalência de fluorose dentária e cárie dentária, bem como analisar os teores de fluoreto na água de abastecimento e nos dentifrícios distribuídos em uma comunidade indígena do norte do Paraná. Métodos: Trata-se de uma pesquisa epidemiológica, transversal, descritiva com abordagem quantitativa, com adolescentes indígenas Kaingang da Aldeia Apucaraninha, no norte do Paraná, incluindo a avaliação da presença de fluoreto na água de abastecimento da comunidade e nos dentifrícios distribuídos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). Foram coletados dados primários por meio de exames bucais utilizando o Índice de Dean para a fluorose e o CPO-D para a experiência de cárie, além de contar com informações autorreferidas sobre as condições socioeconômicas, autocuidado e acesso aos serviços de saúde. Em paralelo, foram realizadas análises laboratoriais para a determinação do teor de fluoreto na água de abastecimento da comunidade e nos dentifrícios distribuídos pelo DSEI. Resultados: A análise laboratorial identificou concentração de fluoreto de 0,2 ppm na água de abastecimento da comunidade. Os dentifrícios avaliados apresentaram baixa fração de fluoreto solúvel, variando de 396 ppm (20,1%) a 664 ppm (47,1%), e elevada proporção de fluoreto insolúvel, entre 744 ppm (52,9%) e 1568 ppm (79,9%). Quanto à fluorose dentária, 81,3% dos participantes foram classificados como normais, 12,5% como questionáveis, 3,1% como muito leve e 3,1% como leve, sem registro de casos moderados ou severos. A experiência de cárie foi alta, com CPO-D médio de 6,84, composto majoritariamente por dentes cariados, com média de 5,91 (83,3%), seguido por dentes obturados, 0,88 (12,8%), e perdidos, 0,06 (0,9%). Não houve associação estatisticamente significativa entre fluorose dentária e CPO-D. Conclusão: A exposição ao fluoreto na população estudada acontece de forma limitada e pouco efetiva, não sendo suficiente para garantir uma consistente proteção contra a cárie. Os achados demonstram que apenas a presença de fontes fluoretadas não sustenta acesso adequado ao fluoreto, principalmente quando há ausência de fluoretação e tratamento da água e baixa qualidade dos produtos distribuídos. Sendo assim, o estudo reforça a necessidade de fortalecimento e execução das políticas públicas que garantam acesso qualificado ao fluoreto, bem como o monitoramento contínuo da água e da infraestrutura de saneamento, a vigilância dos produtos de higiene oral distribuídos e a ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal de forma contínua, territorializada e culturalmente sensível.
Introdução: A autopercepção da saúde bucal é um indicador que reflete o entendimento dos indivíduos sobre sua própria saúde. Ela pode influenciar significativamente os comportamentos de saúde, a busca por cuidados odontológicos e a adesão a práticas preventivas. Entre os povos indígenas, compreender como eles percebem sua saúde bucal pode fornecer informações valiosas para a elaboração de políticas públicas e programas de saúde específicos que atendam às suas necessidades reais. Objetivo: Avaliar a autopercepção da saúde bucal de indígenas Kaingang do Paraná e analisar os fatores individuais, clínicos e sociodemográficos potencialmente relacionados. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, envolvendo indígenas da aldeia Apucaraninha, localizada no município de Tamarana PR, das seguintes faixas etárias: 12 anos, 15 a 19 anos, 35 a 44 anos e 65 a 74 anos. Os dados foram coletados, utilizando-se smartphones, por meio de entrevista e exame bucal, a partir de um formulário eletrônico elaborado no aplicativo JOTFORM, com questões sobre aspectos socioeconômicos, práticas de autocuidado, necessidade de tratamento autopercebido, sintomas subjetivos de saúde bucal e autoperceção da saúde bucal. No exame clínico foi verificada a experiência de cárie dentária, por meio do índice CPO-D. O desfecho primário do presente estudo foi a autopercepção da saúde bucal. As variáveis independentes investigadas foram divididas em três categorias: individuais, contextuais e de saúde bucal. Foram conduzidas análises descritivas e de associação, utilizando-se o software IBM® SPSS. Resultados: O número de indígenas avaliados foi 205. A amostra, com predominância feminina (64,2%) e média de idade de 29 anos, apresentou distribuição educacional desigual – 35,2% com ensino fundamental incompleto e 26,9% com ensino médio completo – e grande vulnerabilidade socioeconômica – 56,6% com renda mensal familiar de meio salário-mínimo. A autopercepção da saúde bucal indicou que 47,8% dos participantes a consideraram “boa”, 34,6% como “regular” e 17,6% como “ruim”. Identificou-se um padrão geral positivo de autocuidado bucal, demonstrado pela alta prevalência de escovação dentária autorreferida (96,1%), uso do creme dental quase universal (96,6%), porém com adesão reduzida ao uso do fio dental, onde 48,5% afirmaram não utilizá-lo. A necessidade de tratamento odontológico autorreferida foi alta, atingindo, em média, 75,1% dos participantes, assim como a experiência de cárie dentária (96,6%). A presença de sintomas bucais também foi frequente, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. Nos últimos seis meses, 41,8% das pessoas relataram dor dentária, 32,2% relataram problemas para morder ou mastigar, e 18,0% relataram dificuldades para falar. Ademais, 20,5% relataram dificuldades em realizar atividades cotidianas, e 30,2% sentiram vergonha ao sorrir. A autopercepção negativa da saúde bucal apresentou associação significativa com maiores valores do índice CPO-D (RPaj = 1,48; IC95%: 1,03–2,15). Além disso, mostrou-se associada à necessidade de tratamento odontológico (RPaj = 2,69; IC95%: 1,54–4,69), presença de dor nos últimos seis meses (RPaj = 1,48; IC95%: 1,13–1,95), dificuldade para morder ou mastigar (RPaj = 1,58; IC95%: 1,22–2,05), dificuldade para falar (RPaj = 1,46; IC95%: 1,11–1,91), vergonha de sorrir (RPaj = 1,81; IC95%: 1,41–2,31) e limitação para realizar atividades cotidianas em decorrência dos dentes (RPaj = 1,78; IC95%: 1,41 2,25). Conclusões: Estratégias clínicas e de promoção da saúde que integrem tratamento adequado, prevenção focada em riscos e educação em saúde que considere as dimensões culturais, subjetivas e psicossociais da saúde, são fundamentais para melhorar a saúde bucal da população indígena Kaingang.


