Editais
EDITAL 015/2026 – Publica o resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição para o processo de seleção do Programa de PósGraduação Stricto sensu (em nível de doutorado) em Saúde Coletiva na condição de Estudante Regular a partir do ano de 2027
1 mês atrás
EDITAL No 14/2026 Resultado da Seleção Interna de candidatos ao Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior
1 mês atrás
EDITAL 013/2026 – RETIFICAÇÃO DO EDITAL Nº 12/2026 – Oferta aluno regular 2027/1
2 meses atrás
EDITAL Nº 12/2026 – Oferta aluno regular 2027/1
2 meses atrás
Notícias
- Chamada de artigos para especial sobre o SUS na Revista Saúde em Debate
- II Seminário do Grupo de Pesquisa em Trabalho e Cuidado em Saúde
- Mesa Redonda com egressos – Início turmas mestrado e doutorado 2026
- Cerimônia de lançamento do livro Entrevistas Safety: construindo memórias no olho do furacão
- Chamada aberta! Saúde em Debate vai publicar número especial sobre: Avaliação, Análise e Auditoria de Políticas de Saúde no SUS
Teses e dissertações
Introdução. A saúde mental tem se configurado como um dos principais desafios enfrentados pelos professores brasileiros, especialmente diante das transformações no mundo do trabalho. A elevada prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) e da Síndrome de Burnout, associada à sobrecarga, desvalorização profissional e precarização das condições laborais, evidencia um cenário preocupante no contexto educacional. Objetivo Geral. Analisar a associação entre fatores sociolaborais e burnout e transtornos mentais comuns em professores de rede pública de ensino. Métodos. Trata-se de um trabalho desenvolvido no modelo escandinavo, que integra o projeto “Bem Cuidar: análise de saúde mental e hábitos de vida de servidores da Rede Estadual de Ensino do Paraná” e resultou em dois artigos científicos. O delineamento do estudo foi epidemiológico, transversal e quantitativo, realizado em 2022 com professores dos 32 Núcleos Regionais de Educação do Paraná. Os dados foram coletados por questionário online, abordando aspectos sociodemográficos, condições de trabalho e hábitos de vida, além dos instrumentos SRQ-20 e Copenhagen Burnout Inventory (CBI) para rastrear Transtornos Mentais Comuns e Síndrome de Burnout. As análises estatísticas foram conduzidas no software SPSS 19.0, com regressão logística e testes de associação. Resultados. Artigo 1). Entre 1.790 professores, 28,5% apresentaram Burnout elevado. Estiveram associados a esse desfecho: sexo feminino (OR 1,66), formação stricto sensu (OR 3,10), renda > 6 mil reais (OR 1,36). Outras variáveis incluem mais de 10 anos de trabalho (OR 3,84), carga horária > 40h (OR 2,44), histórico de afastamento por depressão/ansiedade (OR 5,94) e autopercepção de impedimento para o trabalho (OR 12,54). Uso de álcool (OR 1,30) e falta de atividade física semanal (OR 1,42) também foram significativamente associados ao Burnout. Artigo 2). A prevalência de TMC foi de 38,7%, sendo mais frequente entre mulheres, professores mais jovens, com maior tempo de serviço, vínculo efetivo e carga horária elevada. A prática de atividade física apresentou efeito protetor. Professores que relataram impacto da saúde mental no trabalho apresentaram maior chance de TMC (OR 13), assim como aqueles com histórico de afastamento por problemas psicológicos. Considerações finais. Os professores da rede estadual do Paraná apresentam alta prevalência de Síndrome de Burnout e Transtornos Mentais Comuns, fortemente relacionados a fatores laborais e hábitos de vida. O perfil mais vulnerável inclui mulheres, profissionais com longas jornadas, maior tempo de serviço e histórico de afastamento por questões psicológicas. Os achados evidenciam a necessidade de políticas institucionais voltadas à prevenção do adoecimento psíquico e à valorização das condições de trabalho docente.
A incorporação de tecnologias digitais tem se consolidado como importante vetor de transformação dos sistemas de saúde. Entretanto, sua efetividade depende não apenas da disponibilidade tecnológica, mas também da capacidade organizacional dos sistemas de saúde, da governança das políticas públicas e da integração entre os diferentes pontos da rede de atenção. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), apesar de iniciativas recentes voltadas à estruturação da Saúde Digital, persistem desafios relacionados à heterogeneidade da implementação entre municípios, à fragmentação do cuidado e à baixa interoperabilidade entre sistemas de informação em saúde. Diante desse cenário, esta dissertação teve como objetivo analisar a incorporação e o uso de tecnologias digitais na Atenção Primária à Saúde em municípios do estado do Paraná. A análise partiu dos resultados do questionário de 2024 do Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital (INMSD), examinando a presença e o uso de tecnologias digitais na APS em municípios paranaenses segundo porte populacional e vulnerabilidade social. Trata-se de um estudo ecológico, com abordagem quantitativa, que utilizou dados secundários de 399 municípios, extraídos de sistemas oficiais como o INMSD, o IVS e o IED. A análise estatística foi realizada com testes de normalidade, ANOVA, Kruskal-Wallis e correlação de Spearman. Os resultados evidenciaram desigualdades nos níveis de maturidade digital, com menores níveis entre municípios de menor porte e maior vulnerabilidade social. A literatura aponta que essas tecnologias podem fortalecer atributos da APS, ampliar o acesso e apoiar a tomada de decisão clínica, embora persistam barreiras relacionadas à governança, interoperabilidade e integração entre níveis de atenção. Conclui-se que a Saúde Digital representa oportunidade estratégica para fortalecer a APS no SUS, desde que acompanhada por investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e integração da rede de atenção.
Esta pesquisa acompanhou como se produzem os cuidados paliativos no contexto neonatal em um Hospital Universitário no município do Sul do Brasil, investigando os processos que emergem em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) nas situações de fim de vida. O objetivo central foi analisar, a partir de uma perspectiva cartográfica, os modos de existência que se constituíram nas relações entre paisguias, bebês e profissionais de saúde, tomando o cuidado como produção situada, relacional e atravessada por forças micropolíticas. O referencial teórico-metodológico ancorou-se na cartografia inspirada em Deleuze e Guattari, em interlocução com autores da Saúde Coletiva, da Psicologia Hospitalar e dos Cuidados Paliativos, incluindo contribuições de Merhy, Rolnik, Puchalski, Saunders, Despret, entre outros. Ao operar a cartografia como percurso e como perspectiva analítica, o estudo deslocou a compreensão do cuidado para além de sua dimensão técnicoassistencial, afirmando-o como prática ética, afetiva, comunicacional e espiritual. A micropolítica do cuidado constituiu o eixo analítico central, evidenciando como decisões clínicas, práticas comunicacionais, gestos cotidianos e dimensões espirituais produziram efeitos éticos e subjetivos nos pais-guias, configurando territórios de sofrimento, resistência e criação. O acompanhamento cartográfico das cenas de cuidado revelou que os encontros entre pais, bebês e equipe de saúde sustentaram afetos potentes, capazes de orientar decisões compartilhadas e práticas mais sensíveis às singularidades de cada família. Quatro campos de forças atravessaram a análise do percurso: a conversação, compreendida como tecnologia leve produtora de vínculo e de sentidos; as ressonâncias afetivas, como força micropolítica que reorganizou práticas e relações; a ética, entendida como negociação viva no cotidiano do cuidado; e a espiritualidade, tomada como dimensão constitutiva do cuidar e do morrer, que emergiu nos rituais, nos gestos mínimos e nos modos singulares de cada família significar a vida breve do bebê. Esses campos de força não operaram de forma isolada, mas se interpenetraram e se coproduziram nos encontros. Apsicologia hospitalar foi evidenciada como campo de força transversal na produção do cuidado paliativo neonatal, atuando na mediação de sentidos, na sustentação da escuta qualificada, no manejo dos afetos da equipe e na construção compartilhada de decisões em contextos de alta complexidade. Os achados indicaram que, embora os protocolos tenham orientado as práticas, mostraram-se insuficientes frente à singularidade das situações, exigindo atualização contínua no plano das relações, da escuta e da negociação com as famílias. Compreendida como intervenção implicada, a pesquisa afirmou o cuidado paliativo neonatal como campo que integrou ciência, sensibilidade e responsabilidade compartilhada, no qual conversação, ressonâncias afetivas, espiritualidade e ação ética são dimensões inseparáveis do cuidado em saúde.
A cooperação interfederativa na política pública de saúde constitui elemento central para o enfrentamento das assimetrias institucionais e territoriais que caracterizam o federalismo brasileiro e tensionam a efetivação do Sistema Único de Saúde. Em um cenário marcado pela heterogeneidade socioeconômica e pela limitada capacidade técnica e financeira de grande parte dos municípios, especialmente os de pequeno porte, os Consórcios Públicos Intermunicipais de Saúde se colocam como arranjos institucionais potentes para viabilizar a descentralização, a regionalização, a hierarquização e a integralidade da atenção à saúde. Nesse contexto, este estudo buscou analisar a atuação desses consórcios no estado do Paraná, a partir de seus arranjos institucionais, de suas funções e papéis na organização do cuidado e na gestão regional do SUS, bem como das potencialidades e dos desafios relacionados à efetivação dos princípios organizativos do sistema. O estudo fundamentou-se no referencial teórico do federalismo brasileiro, adotando uma abordagem qualitativa de caráter descritivo-exploratório. A coleta de dados ocorreu no ano de 2024, em três momentos sequenciais e de forma articulada: oficina temática com gestores e atores estratégicos da política de saúde; entrevistas semiestruturadas com representantes governamentais e de entidades de controle externo; e aplicação do websurvey com dirigentes dos CPIS em funcionamento no Paraná. Os dados quantitativos foram analisados descritivamente e organizados em quatro eixos temáticos, enquanto os dados qualitativos foram examinados por meio de análise do discurso, possibilitando a triangulação das informações e a apreensão das dinâmicas institucionais e políticas que permeiam a ação consorciada. Os resultados indicam que os consórcios de saúde paranaenses apresentam elevada capilaridade territorial e desempenham papel estratégico na oferta de serviços de saúde. Evidencia-se que sua atuação fortalece a atenção especializada, o apoio técnico e administrativo aos municípios do território e racionaliza o uso de recursos públicos, ampliando o acesso à saúde, reduzindo desigualdades regionais e potencializando a regionalização do SUS. Observa-se que diversidade de arranjos institucionais, escopos de atuação e modelos de governança reflete as trajetórias históricas, condicionantes regionais e distintos graus de institucionalização do estado. Persistem desafios relacionados ao financiamento, à integração efetiva com as instâncias de pactuação interfederativa, à participação social, à coordenação e à sustentabilidade institucional de longo prazo. Conclui-se que os consórcios de saúde se configuram como instrumentos relevantes de cooperação federativa no SUS, com potencial para apoiar a efetivação de seus princípios organizativos, sendo necessário fortalecer seu reconhecimento institucional, sua articulação com os processos formais de governança regional e sua integração sistêmica à rede de cuidados.
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