Teses e Dissertações
Alteração de peso e circunferência abdominal em população de 40 anos e mais, após 4 anos de seguimento
Agnes Carolina Ribeiro Pinto, Ana Maria Rigo SIlva
Data da defesa: 21/09/2016
Introdução: As mudanças demográficas e epidemiológicas ocorridas nos últimos
anos propiciaram o aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)
mundialmente, com o sobrepeso e a obesidade sendo considerados importantes
fatores de risco. Objetivos: Analisar mudanças de peso, das categorias do IMC e
circunferência abdominal, em adultos de 40 anos e mais, entre 2011 e 2015.
Métodos: Estudo longitudinal prospectivo, que faz parte do projeto: “Estudo de
coorte Vigicardio 2011-2015”, realizado em Cambé (PR), com indivíduos de 40 anos
e mais, residentes em todos os setores censitários urbanos. O índice de massa
corporal (IMC) foi classificado conforme as recomendações da Organização Mundial
da Saúde (OMS) e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), com
pontos de corte distintos para cada faixa etária. A circunferência abdominal (CA) foi
classificada em baixo risco (<80 cm em mulheres e <94 cm em homens), risco
moderado (≥80 cm em mulheres e ≥94 cm em homens) e alto risco (≥88 cm em
mulheres e ≥102 cm em homens). A alteração percentual de peso foi definida em
perda ≥10%, perda >5 a <10%, manutenção ≤5 a ≥5%, ganho >5 e <10% e ganho
≥10%. As análises estatísticas foram realizadas ao nível de confiança de 95% (pvalor significativo <0,05), para as características sexo, faixa etária e tercis de
classificação econômica. Utilizou-se cálculo de frequências absolutas e percentuais,
intervalos de confiança de 95% com correção de Bonferroni e o testes de ShapiroWilk para verificar normalidade dos dados. Para avaliar as diferenças nas medidas
de peso e CA foi feito o teste de Wilcoxon para dados pareados. Para verificar
diferenças entre sexo, faixa etária e tercis da classificação econômica em cada uma
das categorias de IMC e classificações da CA foi feito o teste Qui-quadrado ou o
teste Exato de Fisher, seguido do teste z para comparação das porcentagens entre
as colunas. A pesquisa foi autorizada pelo CEP-UEL (CAEE nº
39595614.4.0000.5231) e realizada após assinatura do termo de consentimento pelo
participante. Resultados: Participaram do estudo 863 indivíduos, com média de
idade de 54,18 anos (±9,68) e que apresentaram características sociodemográficas
semelhantes à amostra original. Não houve diferença estatisticamente significativa
nas classificações de IMC e CA entre 2011 e 2015. Após 4 anos, a maioria dos
indivíduos manteve o peso inicial, em ambos os sexos, faixas etárias e tercis
econômicos. Os percentuais de manutenção do peso foram maiores em homens
(63,2%), idosos (60,2 a 64,2%), e semelhantes em todos os tercis econômicos
(aproximadamente 58%), entretanto não foram estatisticamente significativas. A
alteração das classificações do IMC e da CA também foram marcadas pela
manutenção das classificações de 2011, com importantes diferenças entre os sexos,
faixas etárias e tercis econômicos. Conclusão: Os indivíduos avaliados
apresentaram elevados percentuais de manutenção das classificações de IMC e CA
para todas as características analisadas (sexo, faixa etária e tercis econômicos). A
alteração percentual de peso também foi caracterizada pela manutenção de peso
entre os sexos, faixas etárias e tercis econômicos.
A produção do cuidado na rede maternoinfantil: um olhar para a atenção básica
Clariana Fernandes Muniz Rocha, Regina Melchior
Data da defesa: 30/08/2016
As Redes de Atenção à Saúde são estratégias para organizar as ações e os
serviços, e procuram garantir um cuidado integral às condições de saúde da
população. Considerando que o cuidar é central nos serviços de saúde, e que a
produção do cuidado implica no modo de construção dos encontros entre
profissionais e usuários, este trabalho teve como objetivo compreender o processo
de produção de cuidado a partir dos olhares de usuários e de trabalhadores da
saúde na Rede de Atenção Maternoinfantil. Para tanto se desenvolveu uma
pesquisa exploratória qualitativa. Em relação à escolha dos sujeitos da pesquisa, foi
adotado um dispositivo metodológico denominado caso traçador. Neste estudo foi
investigada a produção do cuidado a partir da trajetória de uma usuária gestante,
durante o pré-natal ao parto. Foi realizado um total de oito entrevistas
semiestruturadas, no período de agosto a setembro de 2015, com sete participantes,
entre eles: a usuária, dois familiares, médico, enfermeira, auxiliar de enfermagem e
agente comunitário de saúde. O trabalho de campo foi realizado no município de
Londrina, em território de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Para a análise do
material, produtos das transcrições das entrevistas, complementados com
percepções descritas no diário de campo e nos documentos do caso traçador, foi
utilizada a análise de conteúdo, resultando em três categorias. Na primeira
categoria, O Cuidado na Percepção dos Usuários e Profissionais da Saúde, foram
observadas as diferentes percepções do cuidado, tanto para quem cuida como
quem é cuidado, e que para ambos o cuidado passa por conceitos como
acolhimento e vínculo, mas também por acesso às tecnologias e insumos
disponíveis para a assistência à saúde. A segunda categoria, A Compreensão dos
Profissionais da Saúde e dos Usuários sobre a Rede Mãe Paranaense, em que a
compreensão por parte dos profissionais da rede estudada mostrou que há
diferentes apreensões, dependendo das inserções dos profissionais na equipe e do
tempo de contratação, e por parte dos usuários nota-se o desconhecimento do tema.
A última categoria, Experiência de Aurora na Rede Maternoinfantil, foi encontrado
que se seguiu todo o protocolo estabelecido para essa Rede, de consultas e
exames. Porém, isso não foi suficiente para aliviar a angústia e o medo relacionados
ao parto que a usuária sentia, recolocando os aspectos subjetivos das necessidades
individuais e do cuidado. Também foi encontrado, que embora haja uma rede formal
estabelecida, também existe uma rede viva, desenhada pelo usuário, na busca da
resolução das suas necessidades. Por fim, olhar a necessidade do usuário, no
interior dos protocolos e fluxos estabelecidos para as redes de atenção, permite a
singularização da atenção e uma ampliação das possibilidades de cuidado.
Barreiras para o consumo de frutas e de verduras ou legumes em indivíduos de 44 anos ou mais do município de Cambé, Paraná
Graziela M. Campiolo dos Santos, Ana Maria Rigo Silva, Mathias Roberto Loch
Data da defesa: 29/07/2016
Introdução: O consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras encontram-se
entre os dez principais fatores de risco para a carga global de doenças em todo o
mundo. Objetivo: Analisar barreiras percebidas para o consumo de frutas e de
verduras ou legumes em uma amostra com 44 anos ou mais do município de
Cambé, Paraná. Método: Estudo transversal que faz parte de um projeto mais
abrangente denominado “Doenças Cardiovasculares no Estado do Paraná:
Mortalidade, Perfil de Risco, Terapia Medicamentosa e Complicações”
(VIGICARDIO). Em 2011 foi realizado um estudo de base populacional no município
de Cambé (PR), em que foram entrevistados 1180 sujeitos de 40 anos ou mais de
idade. Em 2015, os mesmos sujeitos foram novamente procurados e 884 aceitaram
participar novamente do estudo. O presente estudo considerou apenas os dados
coletados em 2015. Após algumas exclusões por falta de informações a respeito das
principais variáveis deste estudo, a amostra foi composta por 877 adultos de 44
anos ou mais de idade. Os dados foram coletados entre março e outubro de 2015
por meio de entrevistas domiciliares. As barreiras para o consumo de frutas e de
verduras ou legumes foram levantadas em perguntas sobre cinco possíveis
barreiras: não gostar do sabor; família não tem o hábito/costume; custo pesa no
orçamento da família; necessidade do preparo e falta de tempo para ir ao
mercado/feira com frequência para comprar estes alimentos frescos. Foram também
levantadas informações sobre características sociodemográficas e frequência
semanal de consumo de frutas, verduras ou legumes. Para a análise de associação
entre as barreiras percebidas e as variáveis sociais e demográficas foi utilizada a
regressão logística binária, com análises brutas e ajustadas. Resultados: Dos
entrevistados, a maioria era do sexo feminino (55,9%), pertenciam à faixa etária de
50 a 59 anos (38,1%), 60,2% se declararam brancos, 44,7% tinham até quatro anos
completos de estudo, 64,4% foram classificados no nível econômico C ou inferior e
65,4% referiram ser casados (as). Quanto ao consumo irregular de frutas (menor
que cinco dias por semana) a prevalência observada foi de 42,5% sendo superior
nos homens, entre os com idade entre 44 e 49 anos, entre os que referiram cor da
pele parda/preta/indígena, com 5 a 8 anos de estudo e entre os com menor nível
econômico. Em relação ao consumo irregular de verduras ou legumes (menor que
cinco dias por semana), a prevalência foi de 30,2% e foi superior entre os homens,
entre os que referiram cor da pele parda/preta/indígena, com menor escolaridade e
entre os indivíduos com menor nível econômico. Em relação às barreiras para o
consumo de frutas, a mais mencionada foi o “custo pesa no orçamento da família",
com prevalência de 57,7%. A chance de apresentar esta barreira foi
significativamente maior entre as mulheres (OR=1,93; IC95%=1,45-2,57) e nos que
tinham escolaridade entre 0 e 4 anos (OR=1,57; IC95%=1,07-2,31). A barreira a
"família não tem hábito/costume de consumir frutas" foi citada por 16,4% da amostra
e a chance de apresentar esta barreira foi maior entre os indivíduos com idade entre
50 a 59 anos (OR=2,01; IC95%=1,30-3,10). A barreira "falta de tempo para ir ao
mercado/feira com frequência para comprar frutas frescas" foi citada por 8,0% da
amostra e a chance de apresentar esta barreira foi maior entre as mulheres
(OR=1,79; IC95%=1,03-3,12) e entre os que não tinham companheiro (OR=1,92;
IC95%=1,14-3,24). A barreira "necessidade de preparo" foi citada por 7,6% da
amostra e a chance de apresentar esta barreira foi maior entre os indivíduos da faixa
etária de 44 a 49 anos (OR=2,37; IC95%=1,10-5,12) e 50 a 59 anos (OR=2,35;
IC95%=1,22-4,51). A barreira “não gostar do sabor das frutas” foi citada por 6,2% da
amostra e não foi associada a nenhuma variável sociodemográfica. Quanto às
barreiras para o consumo de verduras ou legumes a mais mencionada foi o “custo
pesa no orçamento da família", com prevalência de 49,9%. A chance de apresentar
esta barreira foi maior entre as mulheres (OR=1,63; IC95%=1,23-2,16), indivíduos
com até 4 anos de estudo (OR=1,79; IC95%=1,22-2,63) e com nível econômico B e
C (OR=2,01; IC95%=1,01-3,99). A barreira a "família não tem hábito/costume de
consumir verduras ou legumes" foi citada por 10,9% da amostra e não foi observada
associação com as variáveis sociodemográficas. A barreira "necessidade de
preparo" foi citada por 9,7% da amostra e a chance de apresentar esta barreira foi
maior entre as mulheres (OR=1,69; IC95%=1,03-2,76). A barreira "falta de tempo
para ir ao mercado/feira com frequência para comprar verduras ou legumes frescos"
foi citada por 7,6% da amostra e não foi observada associação com as variáveis
sociodemográficas. A barreira “não gostar do sabor das verduras ou legumes” foi
citada por 6,6% da amostra e a chance de apresentar esta barreira foi maior entre os
indivíduos com cor da pele parda/preta/indígena (OR=2,43; IC95%=1,38-4,26).
Conclusão: Mais de 40% dos indivíduos apresentava consumo irregular de frutas e
30% o de verduras ou legumes. A principal barreira percebida para o consumo de
frutas e de verduras ou legumes foi relacionada ao custo destes alimentos, seguida
pela falta de hábito da família. Estes achados podem ajudar na orientação de
políticas públicas que objetivem o aumento do consumo de frutas, legumes e
verduras.
Satisfação no trabalho e absenteísmo entre professores da rede estadual de ensino básico de Londrina
Adrieli de Fátima Massaro Levorato, Selma Maffei de Andrade, Edmarlon Girotto
Data da defesa: 29/06/2016
Devido às reformas educacionais e intensificação do trabalho, professores têm
enfrentado inúmeros obstáculos na profissão docente. Assim, muitos experimentam
insatisfação no trabalho, com prejuízo à sua saúde física e mental, o que pode
contribuir para o absenteísmo. Nesse sentido, este estudo objetivou analisar a
relação entre satisfação no trabalho e absenteísmo em professores da educação
básica. Trata-se de estudo epidemiológico do tipo transversal, com população de
estudo composta por professores das 20 escolas da Rede Estadual de Ensino de
Londrina-PR com maior número de docentes. A coleta de dados ocorreu entre
agosto de 2012 a junho de 2013, por entrevista e preenchimento de um questionário
pelos professores. A satisfação no trabalho foi avaliada por meio da escala
Occupational Stress Indicator, utilizando o percentil 25 como ponto de corte para
definição de menor satisfação. O absenteísmo foi considerado presente quando o
professor referiu ter faltado ao trabalho por problema de saúde nos 12 meses
anteriores à entrevista. Foram realizadas análises descritivas e por regressão de
Poisson, com cálculo de razão de prevalência (RP) e intervalo de confiança (IC) de
95%. Participaram deste estudo 899 professores, com idade média de 42 anos e a
maior parte composta por mulheres (68,3%). Os componentes com menores níveis
de satisfação foram salário (46,9%), volume de trabalho (29,6%) e oportunidades
para atingir aspirações e ambições (21,5%). Os componentes da escala de
satisfação no trabalho mais bem avaliados foram: conteúdo do trabalho (58,4%) e
relacionamentos (58,1%). Metade dos professores (50,4%) referiu absenteísmo por
problema de saúde, com duração principalmente entre 1 e 3 dias (37,5%). Os
principais motivos de falta ao trabalho foram doenças respiratórias (22,3%),
problemas osteomusculares (14,1%) e transtornos mentais (11,0%). Após análise
ajustada, o absenteísmo associou-se com a menor satisfação no trabalho (RP=1,21;
IC=1,05-1,39), independentemente das variáveis sexo, idade, tempo de profissão,
carga horária de trabalho, percepção quanto ao equilíbrio entre a vida profissional e
pessoal, dor crônica, doença crônica, capacidade física e mental para o trabalho e
qualidade do sono. Também se apresentaram associadas ao absenteísmo a idade
superior a 40 anos (RP=1,19; IC=1,01-1,39) e presença de doença crônica
(RP=1,65; IC=1,27-2,15). Os resultados mostram associação entre absenteísmo e
menor satisfação no trabalho no exercício da profissão docente, independentemente
de outras variáveis. Desta forma, tornam-se necessárias medidas para melhorar a
satisfação no trabalho docente, como a melhoria das condições e redução da carga
de trabalho.
Apego psicológico ao trabalho, sono e outros fatores associados em professores da educação básica
Juliana Moura de Melo, Arthur Eumann Mesas
Data da defesa: 28/06/2016
A melhoria da educação pública tem sido tema constante nas agendas do governo e nas
exigências da população. Entretanto, apesar de sua relevância social, a profissão docente
continua cercada por condições de trabalho desgastantes, que implicam no adoecimento
desses profissionais. O apego psicológico ao trabalho (APT), mediante o comprometimento
de processos de recuperação do estresse, como o sono, pode ser um elemento importante na
relação entre estresse ocupacional e a saúde. Considerando a complexidade desse contexto, o
objetivo do presente estudo foi identificar a frequência do apego psicológico ao trabalho e
fatores a ele associados, com enfoque para o sono. A população de estudo compreendeu 151
professores atuantes na Educação Básica em Londrina-PR, participantes do estudo PróMestre. Os dados sobre o apego psicológico ao trabalho e avaliação subjetiva do sono foram
obtidos por meio do preenchimento de um diário ao longo de 7 dias, realizado pelos
professores, e por entrevista, para o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI-BR). A
análise objetiva do sono baseou-se no uso de actígrafo, de forma contínua, durante o mesmo
período de preenchimento do diário. O APT apresentou elevada frequência na população
estudada, sendo que 30,5% dos professores apresentaram APT hoje (questões vivenciadas no
dia corrente, antes de dormir), 47% APT amanhã (questões a serem vivenciadas no dia
seguinte) e 28,5 % apresentaram APT hoje e amanhã (ambas as situações). As seguintes
variáveis se mostraram associadas ao APT hoje: sexo feminino (p=0,013), sintomas
depressivos (p=0,000), maior pressão de tempo (p=0,003), maior latência do sono registrada
no diário (p=0,013) e pior qualidade do sono (PSQI-BR) (p=0,007). O APT amanhã, por sua
vez, associou-se ao sexo feminino (p=0,003), a sintomas depressivos (p=0,000), à ansiedade
diagnosticada (p=0,001) e respectivo tratamento (p=0,000), a trabalhar em até dois períodos
do dia (p=0,005), à maior pressão de tempo (p=0,002) e pior qualidade do sono (PSQI-BR)
(p=0,002). Por fim, foi encontrada associação significativa entre o APT hoje e amanhã e as
variáveis: sexo feminino (p=0,004), depressão (p=0,000), ansiedade diagnosticada (p=0,028),
trabalhar em até dois períodos do dia (p=0,026), maior pressão de tempo (p=0,002) e pior
qualidade do sono (PSQI-BR) (p=0,020). Além de identificar características individuais de
professores que apresentam apego psicológico ao trabalho com maior frequência, este estudo
permite concluir que pensar em situações do trabalho momentos antes de dormir tem
potencial para comprometer a qualidade do sono, o que deve ser considerado na prevenção e
no tratamento de distúrbios do sono nessa população.
Retinopatia diabética em indivíduos com diabetes e pré-diabetes no município de Cambé-PR
Ivan Luís Idalgo de Oliveira, Marcos Aparecido Sarria Cabrera
Data da defesa: 20/06/2016
Introdução: A retinopatia é uma das complicações mais comuns do diabetes. Esta
patologia pode levar à cegueira irreversível, porém, se diagnosticada e tratada
precocemente, os danos à visão podem ser reduzidos. Objetivos: Analisar a
frequência da retinopatia em participantes do projeto VIGICARDIO - 2015, que
apresentam distúrbios hiperglicêmicos há pelo menos 4 anos. Métodos: Estudo
transversal, realizado no munícipio de Cambé – PR, entre março e dezembro de 2015.
A amostra foi constituída por participantes da primeira fase do programa VIGICARDIO,
em 2011, que foram classificados com distúrbios hiperglicêmicos. Os indivíduos foram
avaliados em 3 etapas: entrevista, exames laboratoriais e exame de fundo de olho.
Os participantes foram estratificados em três grupos: pré-diabetes, diabetes há menos
de 4 anos e diabetes há pelo menos 4 anos. Verificou-se associação entre a
retinopatia e sua gravidade com os estratos descritos e fatores de risco
cardiovascular. Resultados: Participaram do estudo 272 pessoas. O diabetes estava
presente em 49,3% da amostra, sendo que 19,9% tornaram-se diabéticos há menos
de 4 anos. A retinopatia foi identificada em 61 (22,4%) pessoas, dentre eles 4 (1,5%)
de retinopatia diabética não proliferativa severa e 2 (0,7%) de retinopatia diabética
proliferativa. A presença de retinopatia nos diferentes estratos foi: 8,0%, 11,1% e
55,0% em pré-diabetes, diabetes há menos de 4 anos e diabetes há pelo menos 4
anos, respectivamente. O descontrole glicêmico, caracterizado pela alteração da
hemoglobina glicada, e a hipertensão arterial apresentaram associação com a
alteração da retina. Conclusão: A retinopatia está associada ao maior tempo de
diabetes, porém, as alterações na retina estão presentes, também, nas fases iniciais
e até antes dos indivíduos serem classificados como diabéticos. Portanto, o sistema
de saúde deve estar preparado para detectar os indivíduos com possíveis alterações
da glicemia, de forma precoce, e buscar o controle dessa glicemia, evitando
complicações vasculares como a retinopatia, que devem ser investigadas e tratadas
a fim de evitar casos de cegueira.
Comportamentos posturais de professores do ensino básico do município de Londrina, Paraná
Marcelly Barreto Correa, Arthur Eumann Mesas
Data da defesa: 23/05/2016
Introdução: Ao desempenhar seu papel fundamental no processo educacional da sociedade,
os professores adotam comportamentos posturais que podem gerar consequências para sua
saúde. Objetivo: Caracterizar a percepção de comportamentos posturais e fatores associados
em professores do ensino básico da rede estadual de Londrina, Paraná. Métodos: Trata-se de
um estudo transversal que incluiu professores que atuavam como docente em sala de aula,
lecionavam para nível fundamental (anos finais), médio e/ou educação profissional integrada,
e que participaram da primeira etapa do estudo PRÓ-MESTRE. A coleta de dados foi
realizada em entrevista pré-agendada, com duração de aproximadamente uma hora,
constituída por formulário e questionário, contendo questões sobre características
sociodemográficas, de estilo de vida, saúde, ocupacionais, ergonômicas, além de perguntas
sobre a percepção de comportamentos posturais nas atividades de escrever no quadro,
trabalhar sentado e permanecer em postura ortostática (postura em pé). O presente estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina. Foram
entrevistados 335 professores no período entre agosto e dezembro de 2014. Os dados foram
analisados utilizando-se o programa computacional IBM SPSS, por meio de análise descritiva
mediante a distribuição de frequência de variáveis categóricas e análise de associação por
meio do Teste de Qui-quadrado. Foram adotados os níveis de significância estatística de
p<0,20 (indicativo de possível associação) e p<0,05 (associação estatisticamente
significativa). Resultados: A percepção de comportamento postural não recomendado
frequente foi identificada em 3,5% dos professores para a posição da coluna ao escrever no
quadro, 7,0% para a posição da coluna ao trabalhar sentado, 10% para a posição das pernas ao
escrever no quadro e 20% para a posição das pernas ao trabalhar sentado. Em relação à
percepção da postura ortostática, 67,5% dos professores referiram adotar com alta frequência
postura diferente da considerada como de referência. De maneira geral, os resultados quanto
às características sociodemográficas, de estilo de vida e de saúde mostraram que ter idade
menor de 43 anos, não praticar atividade física regularmente, avaliar a própria saúde como
ruim ou muito ruim, presença de dor crônica musculoesquelética geral ou específica para
determinada região do corpo e sentir dor devido à postura tiveram associação significativa
(p<0,05) com a adoção de comportamento postural não recomendado frequente em ao menos
uma das posições analisadas. Quanto às condições ocupacionais, lecionar em apenas um
colégio, apresentar carga horária superior a 20 horas semanais, atuar somente no ensino
fundamental, possuir contrato do tipo estatutário, referir absenteísmo por motivo de saúde nos
últimos 12 meses e baixa capacidade atual para o trabalho associaram-se com a adoção
frequente de pior comportamento postural em ao menos uma das posições analisadas. Já em
relação às condições ergonômicas, considerar o desempenho pessoal no trabalho dificultado
pela postura, considerar a infraestrutura ruim para o descanso e ser afetado pela posição do
corpo em relação ao mobiliário tiveram associação com a adoção do pior comportamento
postural. Conclusões: Entre 7% e 67,5% dos professores analisados referiram adotar, com
alta frequência, comportamento postural não recomendado em ao menos uma situação
habitual no exercício da atividade docente. Os resultados sugerem que certas características
individuais, comportamentais e relacionadas com o trabalho podem contribuir para a
caracterização dos professores que adotam posturas não recomendadas com maior frequência.
Consórcios Intermunicipais de Saúde e a Implantação do COMUS no Estado do Paraná
Gisele Antoniaconi, Alberto Durán González
Data da defesa: 01/04/2016
Introdução: Os Consórcios Intermunicipais de Saúde (CIS) são os principais
responsáveis pela prestação de serviços de Média Complexidade no estado do
Paraná. O Programa de Apoio aos Consórcios Intermunicipais de Saúde (COMSUS)
foi proposto pela Secretaria de Estado de Saúde com o objetivo de adequação dos
CIS ao modelo das Redes de Atenção à Saúde (RAS), por meio de contratualização
de metas e repasse de recursos. Objetivo: Compreender a relação entre os
Consórcios Intermunicipais de Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde na
implantação do Programa Estadual de Apoio aos Consórcios Intermunicipais de
Saúde no estado do Paraná. Método: Pesquisa qualitativa utilizando como técnica
de análise a análise temática proposta por Bardin. A pesquisa desenvolveu-se entre
os anos de 2013 e 2015. Foram entrevistados cinco agentes formuladores de
políticas de saúde e um representante do CIS, dois CIS participaram de grupos
focais. A partir da análise dos dados foram definidas três categorias: Consórcios
Intermunicipais de Saúde: características e Relações Anteriores à Implantação do
COMSUS; Implantação do COMSUS: caminhos percorridos pelos Consórcios
Intermunicipais de Saúde e pela Secretaria de Estado de Saúde; Uma nova relação:
mudanças na relação entre os Consórcios Intermunicipais de Saúde e os municípios.
Resultado e discussão: O processo de implantação do COMSUS desencadeou
nova forma de relacionamento entre os Consórcios e a SESA. Com as adequações
às RAS os CIS passaram de prestadores de serviços para parceiros na execução da
política de saúde do estado. Porém os Consórcios responderam às propostas de
maneiras diferentes. Os CIS melhores estuturados traçaram estratégia de
negociação das propostas, objetivando equilibrio entre as ações desenvolvidas pelos
CIS e as propostas da SESA. Os Consócios menos estruturados basearam a
relação na aceitação das modificações, uma vez que essa era a possibilidade de
melhoria do trabalho do CIS. Além das modificações na relação com a SESA o
COMSUS influenciou o vínculo dos Consórcios com os municípios, prestadores de
serviços e usuários. Considerações Finais:O COMSUS deixa suas primeiras
marcas na saúde pública paranaense, traçando caminhos de mudanças que ainda
não podem ser avaliadas, mas que já começam a se estruturar.
Estratégias utilizadas por gestores de Municípios de Pequeno Porte para garantia de acesso aos usuários do SUS a serviços de Média Complexidade
Camila Ribeiro Silva, Brígida Gimenez Carvalho
Data da defesa: 17/03/2016
A organização do sistema de saúde de saúde no Brasil sofreu modificações ao longo dos
anos, abrangendo todos os cidadãos a partir da Constituição Federal de 1988. A
descentralização do Sistema a nível municipal foi baseada nos princípios de
universalidade, equidade e integralidade da atenção à saúde. As ações e procedimentos
se dispuseram nos blocos de Atenção Básica (AB) e o de Média e Alta Complexidade
(MAC). A municipalização do Sistema, tendo a Atenção Básica como modelo de
atenção não foi acompanhada de investimentos proporcionais na organização dos
demais níveis de atenção e nem na articulação entre eles. O contexto do financiamento
em saúde demonstra grande peso sobre os municípios, que acabam financiando ações e
serviços em saúde além da AB, sobretudo nos municípios de pequeno porte (MPP), que
em sua maioria não conseguem arrecadar o suficiente para arcar com os procedimentos
da AB, nem com os de MAC, para os quais acabam por ter que garantir acesso aos
usuários. Os municípios pequenos ficam na dependência de serviços localizados em
municípios maiores e faz com que seus gestores tenham que articular diversas
estratégias para a garantia de acesso aos serviços de MAC. O Sistema de saúde
brasileiro encontra-se fragmentado e essa fragmentação fica mais evidente em
municípios de pequeno porte. O estudo objetivou analisar as estratégias dos municípios
de pequeno porte para a garantia de acesso a serviços de média complexidade, por meio
da metodologia de estudo de caso único, com várias unidades de análise. O caso
estudado foi o da 18ª Regional de Saúde do Estado do Paraná, tendo seus 18 municípios
de pequeno porte como unidade de análise. A população de estudo foi composta pelos
gestores e os responsáveis pela regulação de consultas especializadas de cada município
e também a Diretora Administrativa do CISNOP (Consórcio Intermunicipal de Saúde
do Estado do Paraná). As especialidades com maior dificuldade de acesso são: Vascular,
Proctologia, Geriatria, Endocrinologia, Ortopedia, Neuro-pediatria, Urologia,
Reumatologia, Oftalmologia e Otorrinolaringologia Os municípios foram categorizados
em alta, média e baixa dependência do Consórcio, conforme o sucesso de suas
estratégias para a garantia de acesso a consultas especializadas. As estratégias
levantadas foram organizadas em três categorias: sem custo adicional do município;
com custo adicional para o município e com custo para o usuário e vão desde compra de
serviços diretamente de prestador particular, a terceirização de serviços e também
compra de consultas especializadas de outras regionais. A situação da fragmentação do
sistema, no que diz respeito à garantia de acesso a serviços especializados não tem
perspectiva de solução a médio prazo, assim, ficando o sucesso para a garantia de
acesso aos serviços de média complexidade aos usuários, dependendo da capacidade de
gestão e governança dos secretários municipais de saúde.
Autopercepção da equipe gestora sobre o preparo para o desempenho da função de gestão em saúde em municípios de pequeno porte
Maria Carolina Bot Bonfim, Elisabete de Fátima Polo de Almeida Nunes, Fernanda de Freitas Mendonça
Data da defesa: 17/03/2016
A necessidade de avanços na formação de gestores nos serviços públicos de saúde
é assunto de debates há anos. A produção dos serviços de saúde depende, dentre
outras questões, da existência de profissionais capacitados e motivados em
transformar as práticas em saúde. O objetivo deste estudo foi analisar a
autopercepção de preparo da equipe gestora para o exercício da gestão nos
municípios de pequeno porte da Macrorregião Norte do Paraná. Trata-se de um
estudo exploratório, descritivo e transversal. A população de estudo foi composta por
744 profissionais que integravam a equipe de gestão dos 82 municípios de pequeno
porte da 16ª, 17ª, 18ª, 19ª e 22ª Regionais de Saúde do Estado do Paraná. Este
estudo é um recorte do projeto denominado A gestão do trabalho do SUS em
municípios de pequeno porte do Paraná a partir do olhar da equipe gestora. Os
dados foram obtidos por meio de entrevistas presenciais, orientadas por um roteiro
estruturado, no período de setembro de 2013 a outubro de 2014. A análise dos
dados foi realizada pelo programa EPIINFO, versão 3.5.4, por meio de análise de
freqüência e fatores associados à autopercepção de preparo pelo teste quiquadrado. Os resultados revelaram que 40,9% dos gestores possuíam pósgraduação, e a especialização lato sensu específica na área de gestão em saúde foi
de 4,4%. A atividade de gestão mais referida foi a relacionada aos sistemas de
informações (66,9%). A maioria dos gestores não possuía experiência prévia em
gestão (74,9%), no entanto, 97,6% deles referiram sentir-se integralmente ou
parcialmente preparados para o exercício da função. Em relação ao preparo obtido,
do total de entrevistados, 37,2% atribuem aos cursos ofertados pelas regionais de
saúde a principal forma de obtenção de preparo para o cargo e 24,7% a experiência
do dia-a-dia. Ter nível superior, experiência anterior em gestão, idade abaixo da
média (37,8 anos) e ter realizado algum curso como forma de preparo para atuação
na gestão foram fatores associados à autopercepção de preparo. Conclui-se que
grande parte dos gestores se sente preparado para a atuação na função e isso pode
estar relacionado ao fato de a maioria ter formação na área da saúde. A falta de
experiência na função de gestão e a pouca formação específica nessa área propicia
que a autopercepção de preparo venha das experiências particulares de cada
pessoa. Outra possibilidade está no desconhecimento do quanto é complexa a
gestão do SUS, de modo que atuam apenas no sentido de reproduzir o modelo
hegemônico vigente. Diante disso, investimentos em qualificação e em estratégias
de valorização e reconhecimento das funções de gestão são de fundamental
importância, pois um dos desafios do SUS é possuir pessoas que tenham
qualificação, seja técnica, seja política, para os diversos cargos de gestão.