Teses e Dissertações
CONSTRUINDO INTERDISCIPLINARIDADE OU A DIFÍCIL ARTE DE DERRUBAR MUROS E CONSTRUIR PONTES: UMA EXPERIÊNCIA PSICODRAMÁTICA COM RESIDENTES DO NÚCLEO AMPLIADO DA SAÚDE DA FAMÍLIA.
PAULO CESAR DE OLIVEIRA, Alberto Durán González
Data da defesa: 25/03/2024
Este trabalho estuda a possibilidade de, através do método
psicodramático,desenvolver práticas interdisciplinares e interprofissionais com dois
grupos de residentes que atuam em Unidades Básicas de Saúde da cidade de
Londrina e que fazem parte da Residência Multiprofissional de Saúde da Família
ofertada pelo Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Estadual de
Londrina. Apresenta a evolução brasileira do sistema do cuidado em saúde desde o
início do século XX até chegar ao surgimento das equipes do Núcleo Ampliado da
Saúde da Família (NASF). Justifica-se esse trabalho pelo entendimento das
diretrizes que criam o NASF de que suas equipes devem ter na interdisciplinaridade
a principal força transformadora. Descrevem como se dá a formação de grupos, as
principais forças que agem facilitando essa formação. Retrata o Psicodrama e seus
ramos como a ciência que estuda e trata esses fenômenos relacionais. Aponta
caminhos que ajudam a encontrar formas de se estabelecer grupos com mais
disponibilidade para percepção de alteridades, inclusive nos papéis profissionais. O
grande desafio do trabalho é dar resposta à necessidade de amparar-se os grupos
mesmo depois de construídos como tal.
POLÍTICA DE FINANCIAMENTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E SUAS IMPLICAÇÕES NOS PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Ana Paula Bazzo Romagnolli, Fernanda de Freitas Mendonça
Data da defesa: 17/05/2024
O Sistema Único de Saúde (SUS) representa o sistema público de saúde brasileiro com a missão de proporcionar acesso universal, integral e com equidade à saúde para todos os cidadãos, estabelecida através de seus princípios doutrinários. No entanto, o financiamento da Atenção Primária à Saúde (APS) tem enfrentado obstáculos. A introdução do Programa Previne Brasil (PPB) em 2019, juntamente a alterações políticas como a Emenda Constitucional 95 e a revisão do Programa Nacional da Atenção Básica (PNAB) em 2017, levanta questões sobre o impacto dessas medidas nos princípios do SUS. Diante disso, questiona-se o quanto a nova política de financiamento da APS tenciona para fortalecer ou não os princípios do SUS. A pesquisa teve como objetivo analisar a evolução normativa do PPB na gestão da Atenção Primária e suas implicações nos princípios doutrinários do SUS. Trata-se de um estudo qualitativo que utilizou a análise das portarias publicadas entre 2019 e 2022 como fonte de dados. Os documentos foram obtidos por meio do Sistema Saúde Legis com o assunto Previne Brasil. Outra estratégia de busca foi conduzida através da análise das próprias portarias, identificando aquelas que faziam referência ao PPB em seu conteúdo, mesmo que não tivessem sido inicialmente capturadas pelo Saúde Legis. Os resultados apontaram que o PPB passou por ajustes desde sua implementação, evidenciados por 30 portarias entre 2019 e 2022. O eixo da capitação ponderada concentrou o maior número de portarias, assim como o ano de 2020. No que se refere ao conteúdo das portarias, estas abordam desde a definição de alguns regramentos, instituição de incentivos e definições de metas, porém ganham destaque o volume de atos que estabelecem a prorrogação das normas sobre o cadastramento e o atingimento dos indicadores de desempenho. Posto isso, verificou-se que as alterações produzidas por essa nova política de financiamento apresentam aspectos que podem tanto fortalecer quanto fragilizar os princípios do SUS. Por mais que algumas das medidas do PPB tenham coerência com os princípios do SUS, não se pode negar que a densidade dos elementos que prejudicam a implementação dos princípios do SUS são muito maiores e, portanto, no conjunto da obra seria arriscado afirmar que esse programa iria ofertar benefícios para APS.
CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL – CAPS: UMA CARTOGRAFIA
LAUANE RAFAELA DE BRITO CAMPOS, Regina Melchior
Data da defesa: 05/04/2024
O panorama que temos hoje no que se refere à política pública e ao entendimento -
mais ou menos coletivo - do campo da Saúde Mental é fruto de um processo cujas
raízes históricas e políticas podem ser encontradas em uma série de
acontecimentos que, articulados e entrelaçados com a efervescência do período de
redemocratização e principalmente com a Reforma Sanitária, fundaram a Reforma
Psiquiátrica no Brasil. De toda uma série de acontecimentos históricos para o
cenário da Luta Antimanicomial, a criação do primeiro CAPS do país, chamado de
Professor Luís da Rocha Cerqueira, inaugurado em 1987 na cidade de São Paulo,
foi o grande marco da concretização da nova proposta de atendimento à saúde
mental. A partir de então, o CAPS passou a figurar como elemento central na
organização do novo modelo de atenção à saúde mental, até os dias atuais. Esta
pesquisa qualitativa, de abordagem cartográfica, teve por objetivo mapear a relação
entre a oferta de serviços do CAPS e a necessidade dos usuários, trazendo para a
análise a afetação do sujeito-pesquisador quando do encontro com seu objeto-
pesquisado. Os resultados, a começar pela análise da dificuldade de acesso ao
campo para realizar da pesquisa, passando pela observação das relações entre os
atores desta cena e chegando, finalmente, à observação e escuta dos usuários,
apontaram uma multiplicidade de fatores que, na constituição do serviço, podem
constituir barreiras em vez de instituir cuidado em saúde: a insuficiência numérica do
serviço diante da demanda; o arranjo escolhido pela gestão para a organização do
serviço; o esvaziamento da proposta terapêutica do CAPS. Apesar, destas
barreiras, no entanto, foi possível perceber que o encontro é o verdadeiro locus de
produção de cuidado, pois neste espaço, a despeito dos entraves da macropolítica,
é possível estabelecer vínculo, reconhecer e recolher os afetos que se organizam
sob a forma de discurso e de demanda e organizar uma oferta, qualquer que seja
ela, pensada e dirigida para aquela necessidade de saúde que se apresenta.
REPERCUSSÕES DAS POLÍTICAS FEDERAIS NO TRABALHO DA GESTÃO DA APS EM MUNICÍPIOS DA MACRORREGIÃO NORTE DO PARANÁ
VIVIANE GRANADO BARREIRA DA SILVA, Brígida Gimenez Carvalho
Data da defesa: 19/04/2024
A Constituição Federal e as normativas do Ministério da Saúde instituíram mecanismos para
descentralizar as políticas públicas de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), atribuindo
responsabilidades para cada esfera de governo. Nos últimos anos ocorreram mudanças
importantes Atenção Primária à Saúde (APS), porta de entrada preferencial para a atenção à
saúde do SUS, com a publicação da Política Nacional da Atenção Básica (PNAB) 2017 e do
Programa Previne Brasil (PPB). Este estudo teve como objetivo analisar as alterações no
trabalho das equipes gestoras da saúde decorrentes da implantação das políticas públicas para
a APS, a partir de 2017, em nove municípios da macrorregião norte do Paraná. Trata-se de um
estudo de natureza qualitativa, e integra uma pesquisa maior denominada “Mudanças nas regras
de transferência de recursos federais do Sistema Único de Saúde: implicações e desafios para o
financiamento e a organização da Atenção Primária à Saúde no Brasil”. A seleção de nove
municípios se deu pela análise de indicadores de financiamento da saúde, visando contemplar
na seleção a diversidade de municípios da macrorregião norte do Paraná. As entrevistas,
ocorridas entre junho a setembro de 2022, foram realizadas presencialmente, nas secretarias de
saúde dos municípios, a partir de um roteiro semiestruturado, tendo como participantes os nove
gestores municipais de saúde e nove coordenadores da APS. A análise das entrevistas seguiu a
metodologia de análise de discurso. Os resultados foram organizados nas seguintes categorias:
características das equipes gestoras; apropriação e posicionamento dos gestores sobre as
políticas da APS; mudanças ocorridas no processo de trabalho e desafios encontrados frente à
essas mudanças. A maior parte dos municípios da pesquisa são de pequeno porte e as equipes
gestoras compostas pelos secretários de saúde e coordenadores da atenção básica, tendo o
predomínio de mulheres, na faixa etária de 36 a 51 anos. Verificou-se que sete gestores tinham
ensino superior completo, cinco deles com formação na área da saúde e seis possuíam até três
anos de atuação na área de gestão como secretário de saúde, apenas um gestor referiu não ter
experiência anterior na saúde. A coordenação da APS é composta por profissionais com ensino
superior em saúde, a maioria enfermeiras, sendo oito pós-graduadas, a maioria em saúde
coletiva, sete possuíam mais de quatro anos de atuação na coordenação da APS. Foram
identificados diferentes níveis de apropriação dos entrevistados a respeito das políticas da APS
a partir de 2017, evidenciando distintos entendimentos e a maioria demonstrou posicionamento
favorável às novas políticas. Foram relatadas mudanças nos processos de trabalho em saúde,
para o cadastramento da população no sistema e-SUS e para o monitoramento dos indicadores
do Previne Brasil. A implantação do prontuário eletrônico foi à mudança mais impactante, e
menos da metade dos municípios pesquisados optaram por adotar o sistema público (e-SUS),
principalmente devido à falta de suporte técnico do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual
de Saúde. Também se constituem em desafios: funcionários mais antigos com dificuldades em
lidar com sistemas eletrônicos e municípios com áreas rurais muito extensas e sem acesso à
internet. O referencial teórico utilizado possibilitou a análise das repercussões da implantação
de políticas públicas, como a PNAB e o PPB, no trabalho das equipes gestoras, considerando
como as responsabilidades estão sendo compartilhadas, como a cooperação entre os entes está
sendo promovida ou desafiada, bem como a falta de suporte técnico pode criar obstáculos
institucionais.
A ESTRATÉGIA APOIADOR COSEMS E A REDE COLABORATIVA NO SUS
MARINA SIDINEIA RICARDO MARTINS, João Felipe Marques Silva, Brigida Gimenez Carvalho
Data da defesa: 03/04/2024
O Projeto Apoiadores/Rede Colaborativa, é uma iniciativa que contribui para o
fortalecimento da gestão municipal e regionalização no SUS. Apesar de possuir
diretrizes de uma rede nacional, a organização e funcionamento do Projeto
Apoiadores/Rede Colaborativa é diferente em cada um dos estados da federação.
Nesse sentido, apoiado às contribuições dos referenciais do federalismo brasileiro e
do apoio institucional, essa pesquisa tem como objetivo analisar o processo de
implementação do Projeto Apoiadores – Rede Colaborativa para Fortalecimento da
Gestão Municipal do SUS, no Brasil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa,
desenvolvida nos vinte e seis estados da federação. A coleta de dados deu-se em
duas etapas: a primeira baseou-se em análise documental e a segunda se deu por
meio de formulário eletrônico (google forms®) com questões fechadas e abertas
aplicados aos coordenadores de apoio dos Conselhos de Secretarias Municipais de
Saúde (Cosems), sujeitos da pesquisa. Utilizou-se da técnica de análise do conteúdo
para a etapa de investigação documental e, o software Office Excel®, para o
tratamento dos dados obtidos pelo questionário eletrônico. Os resultados apresentam
o percurso histórico da implantação do projeto apoiadores no Brasil – Estratégia
Apoiador Cosems (EAC), nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de
Janeiro; e análise das principais peculiaridades do apoio institucional no Brasil. Entre
elas destacam-se: a implementação da EAC nos estados como um fator relevante
para o fortalecimento dos Cosems; a precarização nas relações de vínculo trabalhista
dos apoiadores; a importância da EPS para a atuação prática do apoio e sua
formação; e, a necessidade do monitoramento e avaliação da EAC nos estados.
DOR MUSCULOESQUELÉTICA CRÔNICA EM USUÁRIOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DE SEIS MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE DO ESTADO DO PARANÁ: CARACTERIZAÇÃO, FATORES ASSOCIADOS E TRATAMENTO
LETÍCIA TAYNARA TSUZUKI, Mathias Roberto Loch, Paulo Henrique Araújo Guerra
Data da defesa: 28/02/2024
A dor musculoesquelética crônica é caracterizada como uma dor persistente que afeta diretamente o(s) osso(s), articulação(ões), músculo(s) ou tecido(s) mole(s) relacionado(s). O objetivo deste estudo foi verificar a prevalência de dor musculoesquelética crônica em usuários da Atenção Primária à Saúde (APS) em municípios de pequeno porte do estado do Paraná e seus fatores associados. Foi realizado um estudo transversal, de amostragem intencional, no qual foram realizadas 1878 entrevistas com usuários com ≥ 18 anos, da APS de seis municípios com menos de 20 mil habitantes no Paraná. Para identificar os usuários com dor musculoesquelética crônica, foi realizada a pergunta: “Você sente algum tipo de dor muscular há seis meses ou mais?”, caso a resposta fosse positiva, havia questões para caracterização da dor. Variáveis sociodemográficas e de saúde foram consideradas variáveis independentes. Para a análise descritiva, usou-se a frequência absoluta e relativa, razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas foram obtidas mediante regressão de Poisson com variância robusta. A prevalência de dor musculoesquelética crônica foi de 55,8%. Considerando as análises ajustadas, observou-se maior prevalência entre as mulheres (RP=1,30; IC=1,17-1,43), entre os sujeitos com 25 a 39 anos (RP=1,25; IC=1,01-1,55), com 40 a 59 anos (RP=1,80; IC=1,46-2,21) e com mais de 60 anos (RP=2,12; IC=1,69-2,66) em comparação aos de 18 e 24 anos, em usuários com ensino superior e especialização (RP=0,72; IC=0,61-0,84) a razão de prevalência foi menor, em comparação aos usuários com até o nível fundamental incompleto. Ademais, observou-se associação com autopercepção negativa de saúde (RP=1,51; IC=1,38-1,64), diagnóstico de hipertensão (RP=1,16; IC=1,06-1,26), diabetes (RP=1,19; IC=1,08-1,30), hipercolesterolemia (RP=1,10; IC=1,01-1,21), doenças reumáticas (RP=1,41; IC=1,31-1,53) e depressão (RP=1,28; IC=1,18-1,39). Apresentam alta prevalência de dor moderada ou intensa (84,9%) e a dor interferia de maneira moderada ou extrema nas atividades diárias de 72,7%. A região lombar foi a apontada como sendo o local mais frequente de dor com maior prevalência (22,5%). Os resultados indicam alta prevalência de dor crônica nos usuários da APS dos municípios de pequeno porte investigados, portanto, é necessário a promoção de ações e políticas públicas voltadas as especificidades desses municípios
DESIGUALDADES NO CONSUMO DE FRUTAS E HORTALIÇAS SEGUNDO CARACTERÍSTICAS SOCIOECONÔMICAS E ESPACIAIS: ESTUDOS COM AMOSTRAS REPRESENTATIVAS DA POPULAÇÃO ADULTA BRASILEIRA
NATHALIA ASSIS AUGUSTO, Mathias Roberto Loch
Data da defesa: 23/02/2024
Objetivo: Verificar fatores socioeconômicos e espaciais relacionados ao consumo de
frutas e hortaliças (CFH) na população adulta brasileira, mediante dois objetivos
específicos: 1. Analisar a relação entre o espaço geográfico urbano (capital, região
metropolitana (RM) e interior) e o consumo regular de frutas e hortaliças no Brasil. 2.
Analisar as desigualdades no CFH em adultos brasileiros a partir da intersecção de
diferentes exposições a marcadores sociais relativos à gênero, raça/cor, renda e
escolaridade. Métodos: Foram produzidos dois artigos científicos observacionais e
em delineamento transversal, com dados de adultos (≥18 anos) da Pesquisa Nacional
de Saúde de 2013 (n=60.202) e de 2019 (n=88.531), para o primeiro e segundo artigo,
respectivamente. 1. No primeiro artigo o desfecho foi o consumo regular de fruas
(CRF) e o consumo regular de hortaliças (CRH), considerando como variável
independente o espaço geográfico urbano dividido em três categorias: capital, RM e
interior. Para verificar a associação entre as variáveis foi realizada regressão logística
com cálculo do Odds Ratio (OR) e Intervalo de Confiança 95% (IC95%) bruto e
ajustado. 2. No segundo artigo o desfecho foi o CFH irregular, considerando como
variável independente a intersecção dos marcadores sociais da diferença: sexo,
raça/cor, renda e escolaridade. Para verificar a associação entre as variáveis foi
realizada regressão logística com cálculo do OR e IC95% bruto e ajustado.
Resultados: 1. O CRF foi menor na RM e no interior quando comparados à capital,
tanto entre as mulheres (RM: OR= 0,83; IC95%: 0,73-0,94; interior: OR= 0,68; IC95%:
0,61-0,76), quanto entre os homens (RM: OR= 0,84; IC95%: 0,75-0,93; Interior: OR=
0,78; IC95%: 0,71-0,85), o mesmo ocorreu na maioria dos subgrupos de
características socioeconômicas. Não houve associação do CRH com o espaço
geográfico urbano de maneira geral, e nos subgrupos os resultados foram
divergentes. 2. A prevalência do CFH irregular foi 38,1% no grupo de menor risco
(mulheres brancas com maior renda e maior escolaridade), seguido por 47,5% no
grupo com uma categoria de risco, 57,9% com duas categorias de risco, 67,6% com
três categorias de risco e 74,4% no grupo de maior risco (homens negros com menor
renda e menor escolaridade). O grupo de maior risco apresentou 4,36 (3,86-4,92)
vezes maior chance de CFH irregular. Conclusão: Os resultados mostram que, no
geral, foram encontradas associações significativas entre o espaço geográfico urbano
e o CRF, porém não para o CRH; e associações significativas entre a intersecção de
marcadores sociais da diferença e o CFH irregular. É possível perceber o caminho
complexo a ser enfrentado para a promoção do CRFH na população brasileira, com a
necessidade de políticas intersetoriais voltadas para redução de iniquidades.
PREVALÊNCIA DO USO DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES POR USUÁRIOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DE SEIS MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE DO ESTADO DO PARANÁ
GRASIELE SASTRE GRÉGIO PREVALÊNCIA, Mathias Roberto Loch, Milena Zanoni da Silva
Data da defesa: 28/02/2024
Introdução: As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) contemplam uma
variedade de recursos terapêuticos e racionalidades médicas não convencionais. Essas práticas
integram os serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e têm na atenção primária
à saúde o local preferencial para sua inserção. Objetivo: Investigar a prevalência e identificar
os fatores associados ao uso das PICS entre usuários da atenção primária à saúde de municípios
de pequeno porte do estado do Paraná. Métodos: Estudo transversal descritivo e quantitativo,
com dados coletados por entrevistadores previamente treinados. Foram convidados a responder
o questionário pessoas que aguardavam por atendimento em unidades de atenção primária à
saúde dos municípios selecionados. Consideraram-se três variáveis dependentes: uso geral das
PICS, uso de plantas medicinais/fitoterapia e uso de PICS exceto plantas medicinais/fitoterapia.
Fatores sociodemográficos, comportamentais e de saúde foram as variáveis independentes.
Realizou-se a análise descritiva dos dados, e verificaram-se as associações por meio do teste
Qui-quadrado de Pearson, com significância estatística 5% (p-valor < 0,05) e regressão de
Poisson com variância robusta, IC 95% e p-valor < 0,05. Resultados: A amostra foi composta
por 1.878 pessoas. A prevalência de uso geral das PICS foi de 51,2%; de plantas
medicinais/fitoterapia, 45,7%; e de PICS exceto plantas medicinais/fitoterapia, 14,7%. Destas,
as mais prevalentes foram meditação (6,2%) e auriculoterapia (2,9%). A análise ajustada para
o uso geral das PICS demonstrou maior prevalência entre pessoas do sexo feminino (RPa= 1,20,
IC95%: 1,07-1,34), com 40 anos ou mais (40 a 59 anos, RPa= 1,35, IC95%: 1,11-1,65; ≥ 60
anos, RPa= 1,50, IC95%: 1,20-1,88), brancas ou amarelas (RPa= 1,20, IC95%: 1,08-1,33), com
ensino superior completo (Rpa= 1,17, IC95%: 1,02-1,35), que praticavam atividade física no
tempo livre (Rpa= 1,27, IC95%: 1,17-1,38), que realizaram consulta com profissional de saúde
(não médico) (Rpa= 1,26, IC95%: 1,12-1,41), que receberam visita domiciliar (Rpa= 1,18,
IC95%: 1,07-1,29), com diagnóstico de neoplasia (Rpa= 1,21, IC95%: 1,02-1,44) e presença
de dor crônica musculoesquelética (Rpa= 1,25, IC95%: 1,13-1,38). Em relação ao uso de
plantas medicinais/fitoterapia, observaram-se as mesmas associações, exceto para escolaridade.
Quanto ao uso de PICS exceto plantas medicinais, houve maior prevalência nas pessoas com
25 anos ou mais (25 a 39 anos RPa= 1,78, IC95%: 1,13-2,81; 40 a 59 anos, RPa= 1,84, IC95%:
1,15-2,96; ≥ 60 anos, RPa= 1,83, IC95%: 1,03-3,25), maiores níveis de escolaridade (médio
completo, RPa= 2,03, IC95% 1,45-2,85; superior completo, RPa= 3,70, IC95%: 2,59-5,27), que
praticavam atividade física no tempo livre (RPa= 1,44, IC95%: 1,16-1,80) e que realizaram
consulta com profissional de saúde (não médico) (RPa= 1,40, IC95%: 1,02-1,91). Conclusão:
Os resultados demonstraram que cerca de metade dos usuários investigados referiram uso de
pelo menos uma PICS, sendo plantas medicinais/fitoterapia a prática com prevalência bastante
superior às demais. O uso das PICS foi maior entre pessoas do sexo feminino, com 40 anos ou
mais, com ensino superior completo, que praticavam atividade física no tempo livre, que
realizaram consulta com profissional da saúde, que receberam visita domiciliar, que referiram
diagnóstico de neoplasia e com dor crônica musculoesquelética.
CUIDADOS PALIATIVOS NA ATENÇÃO BÁSICA: PRODUÇÃO DE UM CORPO CARTOGRÁFICO
EMILLY PENNAS MARCIANO MARQUES, Regina Melchior
Data da defesa: 21/02/2024
Os cuidados paliativos podem ser definidos como um cuidado integral aos indivíduos frente a uma doença grave com ameaça da continuidade da vida, objetivando o alívio do sofrimento biopsicossocial e espiritual para melhora da qualidade de vida do indivíduo e seus familiares. Não estamos falando sobre a possibilidade de cura ou não, mas do cuidado na finitude, considerando a morte como parte da vida. Trata-se da conexão entre a ciência e a humanidade, da integralidade do cuidado sob todas as suas dimensões, centrado no usuário e respeitando sua autonomia. O trabalho em saúde é em fundamento coletivo e os cuidados paliativos colocam em evidência essa característica e apresenta inúmeros desafios. É uma situação delicada, de nossa finitude, que é um tema sensível tanto para os trabalhadores como para os usuários, para que se alcance e promova o apoio e conforto necessário, decompondo o ordinário e compondo-se do singular. Por se tratar de um processo eminentemente longitudinal, os CP guardam estreita relação com a Atenção Básica (AB), que tem como uma de suas características acompanhar seus usuários na horizontalidade de seus cuidados, No entanto, o CP muitas vezes é compreendido como uma especialidade ou uma assistência restrita ao âmbito hospitalar, o que o coloca de certa forma distante da AB ou apenas alvo de ações pontuais. Assim, os usuários em cuidado paliativo frequentemente enfrentam um vazio assistencial, com dificuldades de acesso e de um cuidado realizado em rede. Desta maneira, o objetivo desta pesquisa foi cartografar a produção dos cuidados paliativos na AB e dar visibilidade às possibilidades e barreiras para sua produção. Para isso, recorremos a cartografia como intercessor metodológico, que possibilitou o tracejo de mapas da produção viva do trabalho e do cuidado em seu espaço micropolítico, por meio da estratégia do usuário-guia, que é como um fio condutor nos guiando pela rede de cuidado. A pesquisa aconteceu de dezembro de 2022 à maio de 2023, em uma unidade básica de saúde do município de Londrina. Durante essa cartografia, foi possível observar que o cuidado paliativo está presente, mesmo que não intencionalmente no território e de alguma forma alguns usuários entraram na linha de produção do cuidado da AB. Outros tiveram suporte familiar, especialmente no luto e apesar de algumas ofertas de suporte da Unidade Básica de Saúde, alguns usuários não foram alcançados pelo cuidado da equipe. Nos encontros com os usuários, foi possível observar o quão reconfortante é, a segurança que traz para a família e para o usuário, ter sua rede de cuidados organizada, saber quando e para onde vai se algo acontecer. Sobre o Processo de Trabalho, os trabalhadores enfrentam diversos atravessamentos que endurecem a produção do cuidado enquanto trabalho vivo. Conversas com os trabalhadores nos deram pistas dessa captura e algumas repercussões das forças biopolíticas e mercadológicas que operam em uma lógica de linha de produção no processo de trabalho dos serviços de saúde, que frequentemente resultam em sobrecarga aos trabalhadores que desejam ofertar uma boa assistência, mas não conseguem pois são interceptados pelo modelo hegemônico compartimentalizado do cuidado. Diante disso, nossas conclusões tornam-se provisórias, uma vez que o trabalho em saúde é um processo intensamente relacional e orgânico, mas marcado por apostas e disputas de projetos mais ou menos produtores de vida. Os trabalhadores podem ser dispositivos potentes para disputar outras agendas e modos de cuidado, que problematizam e dão visibilidade às múltiplas possibilidades de arranjos, no entanto, enfrentam diariamente um grande desafio com a falta de recursos, perda de integrantes da equipe por diversos motivos, dificuldade do cuidado compartilhado com outros serviços e pontos da rede e a grande demanda gerencial e territorial, gerando sobrecarga e adoecimento da equipe. É de extremamente importante e urgente que haja espaços que possibilitem a reflexão da prática e das apostas feitas no espaço micropolítico que ocupamos, que sejam investidas forças e recursos financeiros, institucionais, políticos, processuais ou não, sejam eles governamentais ou instituído pelas próprias equipes na disputa de uma AB mais forte.
SINTOMAS DEPRESSIVOS EM UNIVERSITÁRIOS: ANÁLISE DIMENSIONAL DO PATIENT HEALTH QUESTIONNAIRE-9 (PHQ-9) E ESTUDO DE MEDIADORES NA ASSOCIAÇÃO COM O TEMPO DE USO DE MÍDIAS SOCIAIS
JESSICA VERTUAN RUFINO, Camilo Molino Guidoni , Renne Rodrigues
Data da defesa: 27/02/2024
A depressão é considerada um importante problema de saúde pública e está frequentemente associada ao uso de mídias sociais. Devido às particularidades do ambiente acadêmico e ao crescente uso das mídias sociais, principalmente nessa população, os universitários constituem um grupo de risco para esse transtorno. Dessa forma, é importante aprofundar o conhecimento acerca de ferramentas para o rastreamento de sintomas depressivos, tais como o Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9), assim como, estudar possíveis mediadores dessa associação. Nesse sentido, o presente estudo objetivou identificar a estrutura dimensional mais adequada do PHQ-9 para identificação dos sintomas depressivos e estudar possíveis mediadores na associação entre o tempo de uso de mídias sociais e sintomas depressivos em universitários. Trata-se de um estudo epidemiológico de abordagem quantitativa. A população foi composta por estudantes de graduação regularmente matriculados no primeiro semestre de 2019 da Universidade Estadual de Londrina e a coleta de dados ocorreu no período de abril a junho de 2019, por meio de um questionário online. Para identificar a estrutura dimensional mais adequada do PHQ-9 foram realizadas análise fatorial exploratória (AFE) e análise fatorial confirmatória (AFC). A qualidade do ajuste dos modelos foi avaliada por meio do erro quadrático médio de aproximação (Root Mean Square Error of Approximation – RMSEA), do índice de ajuste comparativo (Comparative Fit Index – CFI) e do índice de Tucker-Lewis (Tucker-Lewis Index – TLI). Para o estudo de mediação, foram avaliados como possíveis mediadores, a dependência de mídias sociais (DMS) e a qualidade do sono (Pittsburgh Sleep Quality Index), na associação entre o tempo de uso de mídias sociais (TUMS) e os sintomas depressivos (Patient Health Questionnaire-9). A análise de mediação, ajustada por fatores de confusão, foi realizada por meio do software PROCESS, para SPSS, para obtenção do efeito total (c), direto (c’) e indiretos (EI1, EI2 e EI3). Os resultados da AFE evidenciaram dois modelos (unidimensional e bidimensional) com melhores índices para o modelo bidimensional. Na AFC, tanto o modelo unidimensional quanto o bidimensional apresentaram índices de ajuste satisfatórios, maiores para o modelo unidimensional. Na análise de mediação, os resultados identificaram associação entre o TUMS e os sintomas depressivos, mediada pela DMS (EI1 = 20,0%) e pela qualidade do sono (EI1 = 40,0%). O presente estudo evidenciou que o PHQ-9 apresenta boas propriedades psicométricas, sugerindo-se o uso de sua estrutura unidimensional para avaliação dos sintomas depressivos em universitários. Ainda, observou-se nessa população uma associação entre o TUMS e os sintomas depressivos, mediada pela DMS e pela qualidade do sono.