Teses e Dissertações
Atenção à saúde dos adolescentes: ações desenvolvidas pelos médicos e enfermeiros das equipes da Saúde da Família, Londrina, Paraná
Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari, Zuleika Thomson
Data da defesa: 18/08/2004
Este estudo teve como objetivo analisar a atenção à saúde do adolescente prestada pelos médicos e enfermeiros das equipes da Saúde da Família, no
Município de Londrina, Paraná. A coleta de dados foi realizada no período de agosto a setembro de 2003. O método utilizado foi uma investigação descritiva qualitativa e quantitativa. Para a análise dos dados quantitativos utilizou-se o programa Epi-Info e para o dado qualitativo a Análise de Conteúdo. O município contava com 188 profissionais (94 médicos e 94 enfermeiros). Desse total, 89 enfermeiros (94,7%) e 82 médicos (87,2%) participaram da pesquisa. Mais da metade dos médicos era do sexo masculino, com média de idade de 42,2 anos. Entre os enfermeiros predominou o sexo feminino, com média de idade de 33,9 anos. Grande parte dos médicos atuava há mais de nove anos na área da Saúde Coletiva, enquanto que a atuação de mais da metade dos enfermeiros, nessa área, era de menos de nove anos. Quase a totalidade dos enfermeiros e pouco mais de 50% dos médicos tinham mais de dois anos de trabalho na ESF. Quanto à pós-graduação, os enfermeiros foram predominantes na especialização em Saúde Coletiva; já o índice da especialização, nessa área, por parte dos médicos atingiu 45%. Quase a totalidade dos profissionais referiu que não havia um programa específico de atenção à saúde do adolescente no serviço, mas todos afirmaram prestar assistência para esse grupo etário, todos os dias e quase todos os dias. Pouco mais de 20% dos médicos atendiam adolescentes no pré-natal e na prevenção do câncer, cerca de 32% atendia-os no planejamento familiar e aproximadamente 60% na prevenção de DST/Aids, orientando-os sobre o uso do preservativo, e pouco mais da metade orientava-os sobre a prevenção da gravidez. Cerca de 70% dos enfermeiros prestavam assistência aos adolescentes no planejamento familiar e orientavam-nos sobre a prevenção das DST/Aids e da gravidez, mais de 70% sobre o pré-natal e a prevenção de câncer e mais de 80% sobre o uso do preservativo. Do total dos participantes da pesquisa, 47 profissionais responderam à questão aberta. A partir desse registro, foram analisados e categorizados cinco temas: os serviços de saúde e o adolescente: pouca oferta ou baixa procura?, necessidade de formação/capacitação em adolescência, multidisciplinariedade e intersetorialidade, ações de atenção à saúde do adolescente e necessidade de implantação de um programa específico para adolescentes. Evidenciou-se que mais de 80% dos profissionais consideraram prioritário desenvolver ações de atenção à saúde do adolescente no serviço. Diante dessas conclusões,
considera-se necessária a implantação de um programa de atendimento específico para adolescentes no serviço de saúde do município, após treinamento e capacitação da Equipe da Saúde da Família.
Pré-natal odontológico e saúde bucal: percepções e representações de gestantes
Lucimar Aparecida Britto Codato, Luiza Nakama
Data da defesa: 03/10/2005
A gravidez é um período fisiológico complexo. Nele, além das mudanças físicas e
emocionais, são sugeridos crenças e mitos envolvendo a saúde do binômio mãe-filho.
Neste contexto, a atenção odontológica muitas vezes é tida como prejudicial e contraindicada. Por outro lado, nessa fase a mulher normalmente está mais receptiva a novos
conhecimentos, que podem levar à adoção de novas e melhores práticas de saúde,
cujos benefícios se estenderão aos demais membros da família, em decorrência do
importante papel da mãe no cuidado da família. A presente pesquisa teve como
proposta identificar a percepção de gestantes usuárias do SUS e gestantes assistidas
no serviço privado sobre saúde bucal no período gestacional, por meio de uma
abordagem qualitativa, com análise de conteúdo e, nela, análise temática. Foram
realizadas entrevistas semi-estruturadas até obter-se saturação em relação à
compreensão dos objetivos dessa pesquisa. Para isso, foram necessárias 9 entrevistas
entre as usuárias do SUS e 8 entre as gestantes do serviço privado. Como o número de
entrevistas entre os dois grupos ficou muito próximo, optou-se por entrevistar 10
gestantes em cada grupo, totalizando, portanto, 20 entrevistas. Neste estudo, foram
identificadas seis categorias de análise: auto-cuidado durante o período gestacional,
atenção odontológica durante a gestação, visão dos sujeitos de pesquisa sobre
gravidez e suas conseqüências na saúde bucal, como as gestantes resolvem seus
problemas de saúde bucal, a mãe na promoção de saúde bucal, os profissionais de
saúde. Nelas, foram identificadas vinte e seis representações. A análise e interpretação
dos dados mostraram a existência de mitos, medos e restrições relacionados à atenção
odontológica no pré-natal, que a busca pela atenção odontológica entre as usuárias do
SUS parece ser mais rotineira e sistemática, quando comparadas às gestantes
assistidas por convênio, possivelmente relacionada à oportunidade de resolver
problemas odontológicos pré-existentes, enquanto identificou-se entre as gestantes
assistidas por convênio a existência de atenção odontológica programada, exceto
durante o pré-natal. Entre as gestantes assistidas por convênio, percebeu-se que a
atenção odontológica no pré-natal parece estar relacionada a aspectos emergenciais, e
muito atrelada ao consentimento médico, demonstrando, dessa forma, confiança
incondicional no profissional médico.
O papel do professor no processo ensino-aprendizagem: percepção de professores e alunos de odontologia
Helen Cristina Lazzarin, Luiza Nakama
Data da defesa: 12/12/2005
Há uma necessidade de rever a qualidade das estratégias de ensino-aprendizagem utilizadas
no ensino superior em decorrência das demandas da sociedade em mudança e da implantação
das diretrizes curriculares nacionais. Dentro da estrutura político-institucional, sabe-se que a
qualidade do graduando está diretamente relacionada ao corpo docente e a um adequado
modelo pedagógico da universidade. Assim, a qualificação e a atualização permanente (tanto
técnica quanto didático-pedagógica) do corpo docente são essenciais para a formação integral
do cirurgião-dentista. Este trabalho teve por objetivo analisar a percepção de alunos e
professores do curso de graduação em odontologia a respeito do papel do professor no
processo ensino-aprendizagem. Adotou-se a abordagem qualitativa, utilizando-se da análise
de conteúdo temática. A geração de dados se deu por meio de entrevista semi-estruturada com
12 professores e 10 alunos. O estudo revelou que o professor tem um papel fundamental no
processo de ensino-aprendizagem, sendo considerado responsável pela transmissão do
conhecimento, tanto na teoria quanto na prática. Revelou, ainda, que o ensino de graduação
em odontologia pode ser compreendido como um sistema formador de profissionais liberais,
onde se privilegia uma formação extremamente biologista e tecnicista de profissionais para o
mercado de trabalho, atendendo somente as necessidades mais imediatas da população. Neste
sistema de ensino predomina a prática pedagógica tradicional com ênfase na transmissão oral
de conhecimentos, na maioria das vezes, ilustrada com projeção de slides e multimídia,
realização de algumas atividades práticas, sendo o professor o centro maior das informações a
serem aprendidas. Os entrevistados apontam a avaliação como elemento de pressão e
instrumento de poder do professor sobre os alunos e cobrança do que foi transmitido, por
meio de provas tradicionais e de avaliação prática. Para a maioria dos entrevistados, o aluno
foi considerado o agente principal e responsável pelo seu processo de aprendizagem tendo o
professor como facilitador e orientador do processo. Pôde-se constatar, ainda, que grande
parte dos professores só teve formação didático-pedagógica nos cursos de mestrado e/ou
doutorado e que, por serem cursos voltados à pesquisa, não capacitam adequadamente os
docentes para o exercício do magistério. A maioria dos professores não possui formação
específica em educação. A grande ênfase dada ao processo de ensino e o sistema de ensino de
graduação em odontologia voltado à formação de profissionais liberais mostra a necessidade
de mudanças na graduação do cirurgião-dentista para que se possa buscar uma formação
generalista, humanista, crítica e reflexiva do estudante.
Condições de saúde bucal, estado nutricional e fatores associados em idosos de Londrina, Paraná
Arthur Eumann Mesas, Selma Maffei de Andrade , Marcos Aparecido Sarria Cabrera
Data da defesa: 16/12/2005
O aumento da proporção de idosos na população tem estimulado a realização de
estudos que integrem as diferentes áreas da saúde e possam fundamentar o
planejamento de ações de promoção de saúde. Este estudo teve por objetivo
verificar condições de saúde bucal, estado nutricional e associações entre más
condições de saúde bucal e desnutrição em indivíduos idosos. A população de
estudo foi constituída por 267 idosos com idade entre 60 e 74 anos e residentes no
conjunto habitacional Ruy Viermond Carnascialli, no município de Londrina, Paraná,
excluindo-se os de alta dependência funcional. Os dados foram coletados em visitas
domiciliares com entrevista e exame clínico, mediante consentimento livre e
esclarecido. A média de idade encontrada foi de 66,5 anos, sendo que 59,9% eram
mulheres, 60,2% tinham menos de 4 anos de escolaridade e 83,9% pertenciam às
classes econômicas C ou D. Quanto às condições de saúde bucal, 43,1% eram
edêntulos, 83,5% tinham menos de 20 dentes naturais presentes, 76,4% usavam e
49,4% necessitavam de algum tipo de prótese removível. A ausência de contatos
oclusais posteriores entre dentes naturais ou de próteses foi observada em 27% da
amostra. A maioria (60,7%) dos idosos, no entanto, considerou "boa" sua saúde
bucal. O risco nutricional e desnutrição foram identificados pela Mini Avaliação
Nutricional em 21,7% dos idosos. Na análise multivariada, gênero (feminino),
escolaridade (< 4 anos) e idade (67 a 74) associaram-se de forma significativa ao
edentulismo e à presença de menos de 20 dentes, ao qual se associou, também, o
tabagismo. A autopercepção ruim da saúde bucal não foi associada a nenhuma das
condições de má saúde bucal analisadas, porém, apresentou como fatores
independentemente associados, o gênero (feminino) e a depressão. O risco
nutricional demonstrou associação estatisticamente significativa com a ausência de
oclusão posterior e com a autopercepção ruim, mesmo após o controle das variáveis
gênero, idade, escolaridade, classe econômica, depressão e déficit cognitivo.
Conclui-se que as elevadas freqüências das más condições clínicas de saúde bucal
indicam a necessidade de uma maior atenção odontológica à população idosa. A
associação independente observada entre a ausência de oclusão posterior e o risco
nutricional aponta para a importância da manutenção ou reabilitação da condição
mastigatória para o adequado estado nutricional do idoso. Os idosos com percepção
ruim da sua saúde bucal, independentemente da presença de depressão, tiveram
maior chance de apresentarem risco nutricional ou desnutrição, sugerindo que, além
de observações clínicas, dados subjetivos como a autopercepção devam ser
considerados na avaliação das condições de saúde bucal de idosos e na sua
relação com o estado nutricional.
Intoxicações medicamentosas agudas notificadas em Maringá, Paraná
Fabiana Margonato, Zuleika Thomson, Mônica Maria Bastos Paoliello
Data da defesa: 20/12/2005
As intoxicações medicamentosas no Brasil resultam de fatores como a fragilidade da
política nacional de medicamentos, marketing abusivo e utilização de embalagens
inadequadas de acondicionamento. Tendo em vista a relevância do tema, o objetivo
do presente estudo foi caracterizar as intoxicações medicamentosas agudas
notificadas por um centro de controle de intoxicações. Trata-se de um estudo
transversal, realizado em duas etapas, sendo utilizados dados secundários e
primários. Os dados secundários, referentes a todos os casos de intoxicações
medicamentosas agudas registradas em 2003 e 2004, foram coletados no Centro de
Controle de Intoxicações do Hospital Universitário Regional de Maringá-PR. Dados
primários foram obtidos durante visitas domiciliares, realizadas a pacientes com
registro de intoxicação medicamentosa não intencional em 2004. Foram estudadas
variáveis relacionadas ao intoxicado, à intoxicação, ao medicamento e
armazenamento doméstico de medicamentos. Os dados foram processados no
programa Epi Info para Windows e para análise dos resultados foram elaboradas
figuras e tabelas. Foram realizadas análises estatísticas com aplicação do teste de
qui-quadrado, considerando-se associações significativas quando p<0,05. Foram
estudados 546 casos de intoxicações medicamentosas agudas. O coeficiente de
incidência foi de 89 e 83 casos por 100.000 habitantes em 2003 e 2004. O sexo
feminino foi o mais acometido (69,4%), sendo esta diferença mais expressiva entre
casos intencionais. A faixa etária de 0 a 4 anos foi predominante entre as
intoxicações não intencionais (51,9%) e as circunstâncias mais comuns foram as
tentativas de suicídio (60,1%) e acidentes individuais (25,3%). Não foram
observadas diferenças relacionadas à sazonalidade. Nos casos intencionais o dia da
semana mais comum foi o domingo (19,2%) e nos não intencionais a quinta-feira
(19,7%). Os medicamentos mais freqüentemente envolvidos foram os atuantes no
sistema nervoso central (57,2%), com predomínio de fármacos que requerem
retenção de receita na dispensação (52,2%). Na segunda etapa foram entrevistados
72 intoxicados, sendo a maioria menor de 10 anos (73,6%), do sexo masculino
(54,2%), que sofreram acidentes individuais (69,4%), pertencentes aos estratos
econômicos C e D (63,9%). A maioria dos entrevistados relatou cura (93,1%). A
maioria dos medicamentos envolvidos foi adquirida em farmácias (72,2%), com
diminuição deste percentual nos estratos econômicos C e D (63,0%). Grande parte
dos entrevistados referiu não ter recebido informações sobre o medicamento
(76,5%). Cerca de metade dos entrevistados guardavam medicamentos na cozinha
(51,4%) e apenas 5,6% armazenam em local considerado seguro, sendo que houve
associação significativa entre pessoas dos estratos econômicos C e D e
armazenamento inadequado de medicamentos (p<0,05). Em metade dos domicílios
havia quantidade exagerada de medicamentos (50,0%) e em 51,4% havia
medicamento sem identificação. Entrevistados pertencentes aos estratos
econômicos A e B apresentaram medicamentos vencidos com maior freqüência
(p<0,05) e em 82,0% dos domicílios visitados não houve mudança do local de
armazenamento de medicamentos após a intoxicação. Os resultados levantaram
características importantes das intoxicações medicamentosas agudas, úteis para a
elaboração de estratégias preventivas desses agravos na população.
A Fisioterapia no Programa Saúde da Família: percepções em relação à atuação profissional e formação universitária
Douglas Gallo, Márcio José de Almeida
Data da defesa: 20/12/2005
Para consolidação do Programa Saúde da Família (PSF) faz-se necessária uma
adequação dos profissionais de saúde à nova estratégia, considerando-se a
integralidade como eixo estrutural e a saúde vista em sua positividade. A
Fisioterapia historicamente admitiu como objeto de trabalho o indivíduo doente,
porém com sua inclusão gradual no PSF também torna-se co-responsável pela
mudança na abordagem. Este estudo teve por objetivo analisar a inserção e a
prática do fisioterapeuta no PSF do município de Londrina e as adequações da
formação universitária a essa atuação. Tendo em vista a natureza do objeto de
pesquisa adotou-se uma metodologia de pesquisa qualitativa, configurando-se como
um estudo aplicado às ciências sociais. Como instrumento de coleta de dados foi
utilizada a entrevista semi-estruturada e os informantes-chave foram oito
fisioterapeutas que trabalhavam no PSF em Londrina e seis professores de três
instituições de ensino superior com formação em Fisioterapia (três coordenadores
de curso e três professores responsáveis pela disciplina de Saúde Pública)
existentes no mesmo município. O corpus de pesquisa foi submetido à análise de
conteúdo, sendo desenvolvidas três categorias: a) A fisioterapia no Programa Saúde
da Família em Londrina; b) A fisioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS); c) A
formação do fisioterapeuta. Na primeira categoria analisou-se a estruturação do
serviço de fisioterapia no PSF em Londrina, como se dá a atuação do fisioterapeuta
e qual o seu perfil para atuar no PSF. Na segunda categoria, as percepções dos
fisioterapeutas e professores em relação à atuação da fisioterapia no SUS e suas
visões do SUS. Na terceira e última categoria analisou-se como é o ensino em
fisioterapia e sua adequação ao perfil profissional requerido para o fisioterapeuta no
PSF. Concluiu-se que a inserção do fisioterapeuta se deu de maneira pouco
organizada e objetivando uma demanda específica, a do acamado, porém os
profissionais foram se adequando, passando a novas linhas de atuação. O perfil
profissional requerido para atuação no PSF incluiu: formação generalista,
flexibilidade e criatividade, empatia, autonomia e iniciativa, capacidade de trabalho
em equipe e conhecimento sobre o SUS. A formação ainda não estaria adequada a
estas exigências, embora algumas iniciativas tenham surgido decorrentes dessas
necessidades, como é o caso de uma instituição que possui estágio em PSF aos
seus alunos.
Não-HDL-Colesterol e LDL-Colesterol em escolares de 7 a 17 anos na cidade de Maracai, SP
Matiko Okabe Seki, Tiemi Matsuo
Data da defesa: 14/02/2006
Fundamentos. A prevenção das doenças cardiovasculares deve começar na
infância e adolescência com determinação de colesterol contido nas lipoproteínas de
baixa densidade (LDL-c) e de outros fatores de risco. Recentemente, alguns autores
vêm propondo a substituição do LDL-c pelas lipoproteínas de não-alta-densidade
(não-HDL-c), pois estas incluem todas as lipoproteínas consideradas aterogênicas.
Objetivo. Avaliar a correlação entre o não-HDL-c e LDL-c, e estas com as variáveis:
Colesterol Total (CT), Triglicérides (TG), lipoproteínas de alta densidade (HDL-c),
VLDL-c, Índice de Massa Corporal (IMC) e cintura abdominal; e adicionalmente,
calcular valores de não-HDL-c correspondente ao LDL-c que podem requerer
intervenção individual.
Casuística e Métodos. No período de março a outubro de 2002 foram avaliados
2029 escolares de ambos sexos de sete a 17 anos das escolas de Maracaí, SP. As
dosagens bioquímicas foram realizadas com kits de química seca, aparelhos Vitros
750. O LDL-c foi calculado pela fórmula de Friedewald (LDL-c = Colesterol Total –
HDL-colesterol – Triglicerídeo/5) e o não-HDL-c pelo cálculo da diferença entre o
Colesterol Total e o HDL-c. Resultados. A correlação entre o não-HDL-c e LDL-c foi
de 0,971 (p<0,001). O não-HDL-c apresentou melhor correlação em comparação ao
LDL-c com todas as variáveis estudadas Conclusões. O não-HDL-c apresentou
uma boa correlação com o LDL-c e mostrou-se superior a estas lipoproteínas nas
variáveis consideradas como fatores de risco para doenças cardiovasculares. São
apresentadas concentrações de não-HDL-c correspondentes aos LDL-c que
estimam valores que podem requerer intervenção individual para dislipidemias em
crianças e adolescentes.
O Acolhimento no Cotidiano dos Profissionais das Unidades de Saúde da Família em Londrina-Paraná
Sônia Nery, Regina Melchior, Elisabete de Fátima Polo de Almeida Nunes
Data da defesa: 23/02/2006
Analisa-se o acolhimento no cotidiano do trabalho de profissionais que atuam em
três unidades de saúde da família no município de Londrina, Paraná. Adotou-se a
pesquisa qualitativa e os dados foram coletados utilizando-se a técnica de grupo
focal. Os sujeitos que compõem o universo desta pesquisa foram 12 agentes
comunitários de saúde, nove auxiliares de enfermagem, cinco enfermeiras e seis
médicos, num total de 32 profissionais. A análise de conteúdo possibilitou a
definição de duas categorias temáticas: o acolhimento e o modelo predominante de
atenção em saúde e a organização e os métodos de trabalho. Na primeira categoria,
analisou-se a escuta, a construção da autonomia do usuário, a responsabilização e
a resolutividade pelo trabalhador dos problemas/necessidades de saúde do usuário
e comunidade. Na segunda categoria, destacam-se as facilidades e dificuldades
relacionadas à organização da demanda, à atenção domiciliar e ao trabalho em
equipe. A escuta foi considerada um elemento importante na acolhida, mas não
ocorre de forma plena. A promoção da autonomia do usuário encontra-se
relacionada à transmissão de informações, não se concretizando a perspectiva de
ampliar a compreensão das pessoas sobre o processo de adoecer e seu autocuidado. A resolutividade depende do acolhimento e responsabilização clínica e
sanitária dos profissionais no desenvolvimento de ações envolvendo o coletivo da
equipe de saúde da família e demais serviços de saúde. A estratégia saúde da
família levou ao aumento da demanda espontânea nas unidades e não se conseguiu
ainda compatibilizar esta demanda com as atividades programáticas. Quanto à
atenção domiciliar, a visita propiciou maior conhecimento dos problemas de saúde
do território/famílias, mas esta atividade não foi incorporada por todos os
profissionais. O trabalho em equipe foi considerado como um processo que está em
construção, demandando novas práticas em saúde, visando superar a fragmentação
no cotidiano do trabalho. A educação permanente apresenta-se como possibilidade
para que os diferentes atores sociais envolvidos no processo de atenção em saúde
questionem sua própria maneira de agir na atenção individual e ou coletiva. Assim, o
acolhimento constitui um importante elemento no atendimento às necessidades de
saúde das pessoas, mas na realidade analisada ainda não ocorre de forma plena,
tendo como referência o modelo de atenção voltado à integralidade das ações em
saúde.
A Rede UNIDA e o Movimento de Mudança na Formação dos Profissionais de Saúde
Fernanda Barbieri, Marcio José de Almeida
Data da defesa: 03/04/2006
Este estudo teve como objetivo principal fazer um resgate histórico da REDE
UNIDA, identificando suas principais estratégias para a mudança na formação
dos profissionais de saúde no Brasil, no período de 1985 a 2004. Esta é uma
pesquisa qualitativa, utilizando dados primários e secundários de informação
para análise. Foi feito um levantamento dos documentos oficiais da Rede
UNIDA: boletins informativos, revistas e outras publicações da mesma e
entrevistas com participantes deste movimento. Aborda a trajetória do
movimento desde a sua constituição em 1985 em uma reunião de
coordenadores de projetos de integração docente-assistencial, na cidade de
Belo Horizonte. Registra as inovações trazidas pelos projetos UNI no início da
década de 90 e suas principais diferenças com os projetos de integração
docente-assistencial. A percepção dos entrevistados num momento marcante
na história da Rede - a união entre a Rede IDA e os Projetos UNI. Após uma
análise das conjunturas político-sanitárias e educacionais na formação de
profissionais de saúde, é realizado uma abordagem crítica estabelecendo
relação das contribuições da Rede UNIDA neste cenário de construção e
princípios do SUS, destacando um dos maiores exemplos de mudança: a
proposta de diretrizes curriculares para as profissões da saúde. Assim,
pretendeu-se conhecer os principais marcos na história da Rede UNIDA, que
teve início num período de grandes discussões e mudanças na saúde
brasileira, e hoje reúne pessoas e instituições de vários lugares do país em
torno do movimento de mudança na formação dos profissionais de saúde,
numa trajetória que completa 20 anos.
A gestão plena do sistema municipal: uma avaliação em Apucarana-PR
Leonardo Di Colli, Luiz Cordoni Júnior
Data da defesa: 03/05/2006
A Norma Operacional Básica do SUS 01/96 proporcionou aos municípios a habilitação na
modalidade de gestão plena do sistema municipal ou da gestão da atenção básica. Foi
considerada como a mais descentralizadora de todas as anteriores e possibilitou aos
municípios gerir seus próprios recursos e implantar estratégias que contemplassem a saúde da
população. O objetivo deste estudo foi analisar e comparar indicadores hospitalares e
ambulatoriais nos períodos antes e após a implantação da gestão plena no Município de
Apucarana. Baseou-se na análise de dados obtidos do sistema de informações hospitalares
(S.I.H) e ambulatoriais (S.I.A.) do SUS, disponíveis em CD-ROM, tabulados pelo programa
TABWIN do Ministério da Saúde. A construção dos indicadores foi baseada na seleção
daqueles que poderiam demonstrar alterações em decorrência da intervenção. Foram
examinados os indicadores que seguem. Desempenho: taxa de internação hospitalar,
proporção de evasão e invasão das internações, proporção de internação por clínica, tempo de
permanência e número de procedimentos ambulatoriais. Econômicos: gasto per capita, custo
médio das autorizações de internação hospitalar, gastos com internações hospitalares da
população residente no próprio município e de residentes em outras localidades, gastos com
atendimento ambulatorial, relação entre gastos ambulatorial e hospitalar e proporção de gastos
com atenção básica em relação aos gastos totais com saúde. A análise da evolução,
considerando o período de 10 anos, realizou-se através da análise de variância para avaliar o
modelo de regressão linear estimado em função do tempo, através do programa The SAS
System. A comparação entre os períodos foi realizada utilizando-se a distribuição de Poisson.
Os valores em reais foram atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC
– do IBGE. Ficaram demonstradas as alterações ocorridas nos indicadores nos períodos de
1996-1997 e 2000- 2001, antes e após a implantação da gestão plena, e na série histórica, de
1995 a 2004. O aumento da resolutividade dos serviços, o melhor acesso da população aos
serviços de saúde de nível primário e secundário, a garantia às pactuações intermunicipais, o
melhor desempenho do sistema municipal de controle, avaliação e auditoria, a melhor
confiabilidade da alimentação dos bancos de dados e a melhora da tecnologia médica foram
os aspectos que demonstraram relação com a implantação da Gestão Plena do Sistema no
Município de Apucarana.