ANÁLISE ECONÔMICA DO USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ATENÇÃO À SAÚDE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Dissertação de mestrado

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Resumo

Introdução: A incorporação de tecnologias digitais no setor saúde, especialmente a inteligência artificial, tem avançado rapidamente diante dos desafios crescentes de sustentabilidade, escassez de recursos e necessidade de melhorar a resolutividade na atenção primária e secundária. Desta forma, torna-se urgente a compreensão do desempenho clínico dessas ferramentas e sua viabilidade econômica, dado que sua adoção pode impactar significativamente o financiamento e a organização dos sistemas de saúde. Objetivo: Reunir evidências sobre as análises econômicas envolvendo o uso de inteligência artificial relacionadas à atenção primária em saúde e atenção secundária em saúde. Método: Conduziu-se uma revisão sistemática segundo o protocolo do Joanna Briggs Institute, registrada no PROSPERO (CRD42024593841), sem restrição de idioma, data ou país. Resultados: Foram consultadas oito bases de dados, gerando um total de 1.432 artigos, após triagem e leitura completa, 18 estudos foram incluídos. A síntese mostrou que a maior parte dos trabalhos são provenientes de países de alta renda, e a maioria avaliou tecnologias de inteligência artificial voltadas ao diagnóstico por imagens, destacando-se aquelas aplicadas à análise de retina e detecção de lesões precursoras. A maioria utilizou análise de custo-efetividade como método econômico e relatou dominância da tecnologia, ou seja, menor custo associado a um aumento de anos de vida ajustados por qualidade ou maior acurácia diagnóstica. Discussão: No entanto, diversos estudos apresentaram fragilidades metodológicas, como ausência de estimativas de significância estatística, uso de dados assumidos pelos autores, falta de padronização de conceitos e omissão de variáveis estruturais relevantes, como custos de infraestrutura, segurança da informação e sustentabilidade ambiental. Os achados indicam que ferramentas de inteligência artificial possuem potencial para otimizar gastos e melhorar resultados clínicos, especialmente em aplicações diagnósticas, porém carecem de evidências robustas, padronizadas e com melhor controle de incertezas para subsidiar decisões de incorporação tecnológica de forma segura e sustentável. Conclusão: Apesar do aparente custo-benefício, recomenda-se cautela na extrapolação dos resultados, além da necessidade de estudos mais consistentes, contextualizados para diferentes realidades e que incorporem perspectivas ampliadas de análise econômica.