Teses e Dissertações
A regularização fundiária como instrumento de garantia do direito a cidade: o jardim Campos Verdes em Cambé/PR
Caroline Berger de Paula, Léia Aparecida Veiga
Data da defesa: 19/01/2023
A presente pesquisaabrange as relações entre a cidade formal e a cidade informal, tendo como objeto de estudo a ocupação irregular do Jardim Campos Verdes, na zona leste da cidade de Cambé, no estado do Paraná, e o processo de regularização fundiária iniciado no ano de 2011, o qual permaneceu em tramite até dezembro de 2022. As ocupações irregulares são um fenômeno crescente nas cidades brasileiras, visto que se tornaram uma saída para os sujeitos que não têm poder aquisitivo para fazerem parte do mercado imobiliário formal. Desta forma, ocupar as áreas irregulares é uma maneira de garantir moradia, apesar de não garantir, na maior parte dos casos, uma moradia de qualidade, um local de vivência com infraestrutura e equipamentos urbanos básicos para o dia a dia da vida na cidade. Nesta perspectiva, buscamos compreender como se deu o processo de ocupação do presente objeto de estudo e os entraves do processo de regularização fundiária até dezembro de 2022. Com abordagem qualitativa, foram realizados trabalhos de campo com aplicação de questionários e entrevistas junto aos moradores, visando gerar informações sobre a realidade socioeconômica dos moradores do Jardim Campos Verde. Essas informações foram analisadas à luz do arcabouço teórico de autores como Villaça (2001), Correa (1989), Lefebvre (1991), Maricato (2001), Harvey (2005), Rolnik (1999), além de documentos oficiais das leis de regularização fundiária e planejamento urbano, em âmbito Federal, estadual e municipal. O processo de regularização fundiária visa atender às dimensões jurídicas, urbanísticas e ambientais, o que envolve ações integradas de diferentes instituições públicas para sua realização e, se não acontecer de forma cooperativa, os entraves do processo começam a ser recorrentes, atrasando-o e não acontecendo de forma justa e clara com os sujeitos que dele necessitam. Concluímos que a gestão municipal precisa dialogar com aqueles que vivem esses espaços da cidade os quais necessitam de regularização e que a gestão do uso do solo urbano deveria dar mais atenção à pessoa humana e não à produção do espaço urbano voltado à lógica capitalista de produção. É preciso que esses sujeitos que vivem cotidianamente nessa área em processo de regularização fundiária tenham a garantia de uma cidade justa e igualitária, que não os prive do direto de viver a cidade com mobilidade urbana, saúde, lazer, educação e trabalho de forma acessível.
Geo[grafias] poéticas: entre educação e modos sensíveis de habitar
Danieli Barbosa de Araujo, Jeani Delgado Paschoal Moura
Data da defesa: 14/12/2022
Imersos em uma experiência primitiva e telúrica da terra, experimentamos sua intimidade material, um enraizamento, uma espécie de fundação da realidade geográfica, reafirmando que o espaço geográfico não é somente superfície, implica profundidade (DARDEL, 2011) dada não somente pela percepção cognitiva, mas encontrada em experiências sensíveis corporificadas. A presente tese busca inquietar o legado colonial da objetividade, que fomenta a visão dicotômica sujeito-objeto, oferecendo a possibilidade de (re)pensar um habitar poético da terra, por meio de um fazer geográfico perpassado pela geopoética. O fio condutor desta tese está no entendimento de que a geopoética imprime em si uma educação estética de mundo, uma educação dos sentidos e da percepção sensorial, capaz de reinventar e fazer emergir novos modos de pensar e habitar os ambientes. Enquanto ferramenta para compreender e expressar nossa relação com o mundo, a geopoética permite acessar os simbolismos e significações inerentes à paisagem e reconhecê-las enquanto base fundante do conhecimento, reafirmando que nossa relação terrestre não pode ser inteiramente compreendida por leis invariáveis e universalmente válidas. A problemática da pesquisa busca elucidar: quais as possíveis contribuições da geopoética na constituição de um fazer geográfico atravessado por um senso estético, poético e pedagógico de mundo? Neste exercício, comungando do desejo de encontrar formas genuínas de se conectar a terra, vislumbro pela geopoética, na linha formalizada por Kenneth White e relida em uma aproximação com a Geografia, em especial com a geograficidade dardeliana, caminhos para promover um fazer geográfico que resgate nossa inteligência nativa com a Terra, um habitar com intencionalidade original. Esta pesquisa qualitativa de natureza exploratória, em uma perspectiva da Geografia Humanista, envolveu pesquisas bibliográficas e de campo de forma amalgamada. Como resultados, essa tese apresenta um esforço narrativo de fundar mundos para além de interpretações sentimentais, com atravessamentos entre relações particulares com os lugares e experiências coletivas que revelam o “espírito do lugar”, no campo de uma ética que reconhece um solo comum (Terra) e modos inteligentes de habitá-lo. Com a geopoética convidamos a uma imersão ao nomadismo intelectual, um encontro físico com os lugares e um novo modo de caminhar no/pelo mundo.
Narrativas de um ensino de geografia afetivo e ativo (EGAA): Experiências em comunicação não violenta (Cnv) em sala de aula
Pedro Henrique Silveira Brum, Jeani Delgado Paschoal Moura
Data da defesa: 13/12/2022
O presente trabalho busca problematizar a construção da educação neoliberal como promotora de representações dos afetos de medo e da competição entre os estudantes da educação básica ao longo do percurso de 2016 até 2022, com ênfase no trabalho desenvolvido nas escolas Benedita Rosa Rezende em Londrina – PR, nos anos de 2018 e 2019 e o Colégio Estadual Cívico Militar Vinicius de Moraes, Maringá – PR no ano de 2022. Parto do pressuposto que a narrativa neoliberal é responsável por promover uma psicologia moral disciplinadora que estabelece relações de competição e de distanciamento da possibilidade de encontro de uns para com os outros. O modelo forma-empresa, estimulado pela economia neoliberal, em especial no Paraná com a onda privatista do atual governo, está transformando a educação em ferramentas de gerenciamento de si mesmo em que as capacidades de socialização estão sendo substituídas por critérios passíveis de monetização e aumento de performance. Em outras palavras, podemos estar entrando em uma era em que as questões relacionadas à cidadania e civilidade estão sendo substituídas pelo processo mais alienante da troca comercial. As habilidades sociais estão sendo monetizadas e encaradas como passivos a serem trocados no mercado. Nesse sentido, há um conteúdo inconsciente que se apresenta nas salas de aula que podem ser direcionados como elementos necessários para dar vazão a esses processos de socialização humana. Por vezes entendidos como violentos, os processos de constituição das individualidades não precisam, necessariamente, serem tratados como alteridades que não possam ser trabalhados em sala de aula. Diante disso, apresento a experiência de seis anos em que foram utilizadas técnicas e metodologias baseadas na comunicação não violenta e metodologias ativas, em que os conteúdos curriculares da geografia para o ensino básico foram trabalhados de forma mais proveitosa por parte dos estudantes. A problemática se insere na concepção de violência, os altos índices de indisciplina em sala de aula e a falta de interesse por parte dos estudantes. Busquei ferramentas e encontrei bom resultados voltados a um ensino de geografia ativo e afetivo. Dentre esses resultados, o respeito à alteridade e a não compartimentação de posturas vistas como de incivilidades, indisciplinas e até mesmo violentas, podem ser apenas ajustes da dinâmica inconsciente de simbolização do sujeito adolescente em que pouca ou nenhuma oportunidade pode expressar suas inquietações em sala de aula.
A abordagem teórico-metodológica da cidade e do planejamento urbano na geografia escolar
Francisco Manoel de Carvalho Neto, Ideni Terezinha Antonello
Data da defesa: 09/12/2022
Dentro da realidade social vivenciada, com grande presença do individualismo e da segregação social, é fundamental a discussão e a proposta de instrumentos que possibilitem a justiça social. Dito isto, com vistas à garantia de uma cidade mais justa, destaca-se a importância da abordagem do tema, em sala de aula, por meio de práticas pedagógicas inovadoras, como ferramenta possibilitadora da aprendizagem significativa e fomentar estratégias de repensar o espaço urbano. Assim sendo, a presente pesquisa teve por objetivo, analisar as relações entre a cidade, o planejamento urbano e educação escolar, no âmbito do ensino da Geografia, a partir de experiências concretas vivenciadas no cotidiano de professores e alunos. Para tanto, foi realizada revisão bibliográfica sobre a temática investigada, bem como, trabalho de campo com aplicação de questionário a alunos e professores de Geografia do Ensino Médio das escolas estaduais do município de Siqueira Campos, Paraná, 2020. Inicialmente foi apresentada a discussão sobre conceitos fundamentais para a abordagem da temática da pesquisa. Na sequência, apresenta-se a discussão sobre o ensino da Geografia e suas potencialidades para o desenvolvimento da consciência participativa nos estudantes. Por fim, é apresenta uma proposta de plano de aula, pautado nas práticas pedagógicas inovadoras; a análise dos documentos orientadores do currículo da rede estadual paranaense, análise de obras didáticas, bem como a percepção de alunos e professores sobre a abordagem do tema espaço urbano em sala de aula. Concluindo-se que, o ensino da Geografia pautado nas práticas de ensino inovadoras, nesta pesquisa com enfoque nas metodologias ativas de ensino e aprendizagem, é visto como instrumento incentivador e possibilitador da criticidade dos discentes, na qual eles serão motivados a analisar, refletir e expor seus pensamentos sobre uma determinada realidade. Destaca-se ainda, a abordagem da cidade e do planejamento urbano no ensino formal, como elementos que visam a formação de um cidadão consciente das demandas do espaço que vive, podendo deliberar sobre esse espaço de forma ativa e democrática.
A abordagem teórico-metodológica da cidade e do planejamento urbano na geografia escolar
Francisco Manoel de Carvalho, Ideni Terezinha Antonello
Data da defesa: 09/12/2022
Dentro da realidade social vivenciada, com grande presença do individualismo e da segregação social, é fundamental a discussão e a proposta de instrumentos que possibilitem a justiça social. Dito isto, com vistas à garantia de uma cidade mais justa, destaca-se a importância da abordagem do tema, em sala de aula, por meio de práticas pedagógicas inovadoras, como ferramenta possibilitadora da aprendizagem significativa e fomentar estratégias de repensar o espaço urbano. Assim sendo, a presente pesquisa teve por objetivo, analisar as relações entre a cidade, o planejamento urbano e educação escolar, no âmbito do ensino da Geografia, a partir de experiências concretas vivenciadas no cotidiano de professores e alunos. Para tanto, foi realizada revisão bibliográfica sobre a temática investigada, bem como, trabalho de campo com aplicação de questionário a alunos e professores de Geografia do Ensino Médio das escolas estaduais do município de Siqueira Campos, Paraná, 2020. Inicialmente foi apresentada a discussão sobre conceitos fundamentais para a abordagem da temática da pesquisa. Na sequência, apresenta-se a discussão sobre o ensino da Geografia e suas potencialidades para o desenvolvimento da consciência participativa nos estudantes. Por fim, é apresenta uma proposta de plano de aula, pautado nas práticas pedagógicas inovadoras; a análise dos documentos orientadores do currículo da rede estadual paranaense, análise de obras didáticas, bem como a percepção de alunos e professores sobre a abordagem do tema espaço urbano em sala de aula. Concluindo-se que, o ensino da Geografia pautado nas práticas de ensino inovadoras, nesta pesquisa com enfoque nas metodologias ativas de ensino e aprendizagem, é visto como instrumento incentivador e possibilitador da criticidade dos discentes, na qual eles serão motivados a analisar, refletir e expor seus pensamentos sobre uma determinada realidade. Destaca-se ainda, a abordagem da cidade e do planejamento urbano no ensino formal, como elementos que visam a formação de um cidadão consciente das demandas do espaço que vive, podendo deliberar sobre esse espaço de forma ativa e democrática.
A organização do trabalho e os serviços por aplicativo em Londrina/PR entre 2020-2021
Lucas Costa, Léia Aparecida Veiga
Data da defesa: 13/07/2022
As inovações tecnológicas ressignificaram a vida, positivamente em alguns aspectos, negativamente em outros. Dentre as inovações, destacamos, os aplicativos, que possibilitaram novas formas de interagir e executar tarefas cotidianas, como alimentação e deslocamento. Os serviços por aplicativos, pautados principalmente no individualismo empregam precariamente trabalhadores, chamados de “parceiros”, configurando um novo padrão de trabalho, a chamada uberização. A presente pesquisa tem como contexto problemático este padrão de trabalho criado nos últimos anos, com objetivo central de investigar e analisar o avanço das formas de precarização do trabalho devido ao processo de uberização imposto aos trabalhadores por aplicativos na cidade de Londrina/PR nos anos de 2020-2021. De abordagem qualitativa e com inspiração no método do materialismo histórico dialético, utilizamos como procedimentos metodológicos levantamentos bibliográficos e documental, bem como levantamentos primários com utilização da técnica “bola de neve” para delinear a amostra do tipo não probabilística. Foram aplicados questionários elaborados no google forms junto aos motoristas de aplicativo e aos usuários que utilizam desses aplicativos. Verificou-se que os/as trabalhadores/as se sentem inseguros e desprotegidos em aspectos legislativos, econômicos e sociais. Conclui-se que a uberização do trabalho é uma nova forma de precarização, mas, sobretudo um aprofundamento da precarização, no qual este modelo de serviço se encontra cada vez em mais evidência, tendo em vista o alto número de desempregados/as no Brasil.
Dinâmica do uso da terra na bacia hidrográfica do ribeirão Lindóia em Londrina-PR (2006-2017)
Rafael Dantas da Silva, Maurício Moreira dos Santos
Data da defesa: 20/06/2022
Esta pesquisa analisa a evolução das matas ciliares em ambientes urbanos, especificamente, as localizadas na bacia hidrográfica do ribeirão Lindoia, no município de Londrina-PR. Partiu-se de uma avaliação da problemática socioambiental urbana, na qual sociedade e natureza configuram uma relação dialeticamente conflituosa. A legislação ambiental aplicada à proteção ambiental urbana serviu como elemento estruturante da pesquisa. Utilizou-se técnicas de geoprocessamento para analisar imagens de satélites que o processamento de imagens de satélite, que permitiram a produção de mapas buscando avaliar a evolução da ocupação e uso da terra na bacia hidrográfica do ribeirão Lindoia, em especial, a evolução espacial e temporal da Área de Preservação Permanente (APP) no período de 2006-2017. Também se realizou um comparativo para este mesmo período, com a vigência do Plano Diretor Municipal Participativo de Londrina 2008-2018. Concluiu-se que houve aumento da mata ciliar no interior da APP durante o período observado que coincide com a vigência do Plano Diretor do município.
A presença do circuito superior da economia urbana nas cidades pequenas: uma análise das cidades de Centenário do Sul, Jaguapitã e Porecatu-PR
Thiago Henrique de Abreu Santana, Sérgio Aparecido Nabarro
Data da defesa: 29/07/2022
As pesquisas relacionadas às cidades pequenas contribuíram muito para a compreensão dos circuitos da economia urbana contemporânea. No entanto, é preciso ainda aprofundar os meandros dos circuitos da economia urbana inseridos na dinâmica da malha urbana brasileira, composta majoritariamente por cidades pequenas. Visando esta investigação, a presente pesquisa se propõe a discutir os dois circuitos da economia urbana, com ênfase no circuito superior, nas cidades pequenas de Centenário do Sul, Jaguapitã e Porecatu, no Estado do Paraná. Com o intuito de compreender a atual realidade da qual as se encontram, é necessária a utilização de registros históricos que remontam as origens destas, além de outras passagens importantes como ciclos econômicos e marcos temporais que foram explorados ao longo do trabalho, na qual, por meio do uso de dados econômicos e a descrição do seu aparato urbano, pode se ter a noção do impacto desses circuitos nas localidades supracitadas, não deixando de lado as considerações acerca das diferenças de conceituação entre cidade local e cidade pequena, que por meio da teoria dos circuitos podem ser melhor compreendidas as suas singularidades.
Escola como ponta de lança : experiências geográficas e modos-de-ser dasein-aprendiz
Larissa Alves de Oliveira, Jeani Delgado Paschoal Moura
Data da defesa: 31/05/2022
Esta tese se apropria da analítica existencial de orientação fenomenológica de Martin Heidegger a respeito do homem e de sua relação com o mundo, para a compreensão da experiência geográfica escolar como desvelar dos modo-de-ser dasein-aprendiz. O filósofo apresenta uma concepção do ser humano como ser-no-mundo, buscando superar os tradicionais dualismos entre corpo-mente, sujeito-objeto e teoria-prática. Como tese, entende-se que, se a experiência geográfica fenomenológica conduzir nossa compreensão acerca da escola como ponta de lança, para usar uma expressão hedeggeriana, várias limitações relacionadas ao sentido desta poderão ser superadas. A problemática da pesquisa busca responder: qual o sentido de ser da escola? Que modos de manifestação dos fenômenos humanos aparecem no contexto escolar? Como os modos-de-ser professor e estudante são desvelados nas experiências escolares? Pelos escritos de Heidegger sobre a concepção de ser-no-mundo, busca-se refletir a escola enquanto ente e coexistente do ser que se desvela por meio da experiência geográfica, dando sentido ao que se encontra nos diferentes contextos e nas diferentes práticas em que se desvelam seus existenciais. Para além da forma cartesiana de fazer ciência, Heidegger entendia que era preciso deixar falar os próprios fenômenos ou a experiência que aparece como fenômeno. Desse modo, o objetivo central deste estudo foi compreender as experiências que preconizam o sentido de ser da escola. Como metodologia de pesquisa foi criado um grupo focal por meio de roda de conversa virtual com professores, bem como observações de aulas e conversas com estudantes da rede estadual de ensino, Londrina–PR, de forma remota. Como resultados, abriram-se caminhos para o entendimento da escola com base nas experiências escolares daqueles que habitam este lugar, demonstrando sua geograficidade por meio da relação visceral de professores e estudantes com a instituição. É possível destacar que com os modos-de-ser professor e estudante colaborou-se com a reflexão de um Dasein-aprendiz, que converge da própria experiência escolar. Por fim, acredita-se que esta pesquisa poderá contribuir nos caminhos de aproximação entre a Filosofia de Heidegger e a Educação Geográfica.
Balanço hídrico climatológico das bacias hidrográficas do Ribeirão Jacutinga e rio Taquara (PR)
Rei Kuboyama, Maurício Moreira dos Santos
Data da defesa: 28/03/2022
O presente trabalho teve como objetivo principal conhecer as variáveis hidrológicas e determinar o balanço hídrico climatológico das bacias hidrográficas do ribeirão Jacutinga (BHRJ) e do rio Taquara (BHRT). O extrato do balanço hídrico foi feito para a média da série histórica de 1980 a 2020 e em anos de anomalias positivas (2015 e 2016) e negativas (2020) de precipitação. O cálculo foi feito pelo método de Thornthwaite e Mather, automatizado por Rolim e Sentelhas. Também foram realizadas análises de variáveis fluviométricas e meteorológicas para compressão do contexto hidrológico e climático dominante nas bacias. Essas bacias são localizadas na região norte paranaense, estão cerca de 20 km de proximidade e são afluentes do rio Tibagi. A primeira é relevante para o abastecimento de água do município de Ibiporã (PR), com muitos afluentes que percorrem a área urbanizada da cidade de Londrina (PR). A segunda tem grande importância para a produção agropecuária, visto que o uso e ocupação na área é quase inteiramente rural. Foram utilizados dados de precipitação e temperatura diários e mensais de 1980 a 2020 de estações do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET e Instituto Água e Terra – IAT. O climograma da área de estudo revela que o período chuvoso vai de dezembro a fevereiro e o período seco vai de junho a agosto. O balanço hídrico médio na BHRJ demonstra ter excedente hídrico em quase todos os meses, com valores menores em março, abril e julho e maiores em dezembro a fevereiro. Em agosto ocorre retirada hídrica de 1,35 mm do solo. Na BHRT o excedente hídrico é presente em todos os meses, com valores maiores em janeiro, fevereiro e maio e valores menores em março, abril e agosto. Meses chuvosos não necessariamente são os que registram maior excedente hídrico por causa da evapotranspiração do solo e aqueles que registram baixo excedente ou retirada hídrica devem receber irrigação adequada para que não haja perdas na agricultura. Em julho de 2015 e janeiro de 2016, influenciado pela forte ocorrência do fenômeno El Niño, houve eventos extremos de precipitação que atingiu a região norte paranaense. O período chuvoso em 2015 nas duas bacias esteve abaixo da média e inesperadamente julho foi um dos meses com maior volume de excedente hídrico. Em janeiro de 2016 o evento extremo foi mais intenso que no ano anterior, com excedente hídrico concentrado em janeiro e fevereiro e pouco expressivo no segundo semestre. O ano de 2020 foi atipicamente seco, nas duas bacias as chuvas estiveram abaixo da média anual e o mês de agosto, acabou sendo o mês que teve maior volume de excedente, contrariando as expectativas da média. Com os resultados do balanço hídrico médio, retratando a dinâmica da entrada e saída de água, épocas de deficiência e excedente hídrico, é possível subsidiar as tomadas de decisões no planejamento agrícola regional, como no manejo de irrigação.