ONTOLOGIA SENSÍVEL DO POLÍTICO CONTRIBUIÇÕES PARA SE PENSAR AS CATEGORIAS DA ANTI-ONTOLOGIA DE JACQUES RANCIÈRE
Thiago Pelogia, Marcos Alexandre Gomes Nalli
Data da defesa: 27/02/2025
O presente estudo investiga as principais categorias do pensamento de Jacques Rancière, com ênfase nas relações entre política, polícia e estética. Fundamentado principalmente nas obras Nas Margens do Político e O Desentendimento, bem como em comentadores especializados, este trabalho busca explorar os limites interpretativos de suas elaborações, estabelecendo um diálogo com autores como Platão, Aristóteles, Foucault e Badiou. A pesquisa destaca a distinção ranciereana entre política e polícia, compreendendo-as como formas de partilha do sensível que estruturam a experiência comunitária, destacando que seu projeto não se reduz à estetização da política ou à política da arte, mas estabelece a política como um fenômeno fundamentalmente estético. Nesse contexto, o estuda busca problematizar noções como partilha do sensível, subjetivação política, cena e igualdade. Além disso, a investigação posiciona a filosofia ranciereana em relação crítica à tradição filosófica ocidental, enfatizando seu rompimento com o dualismo aparência-essência e sua orientação metodológica baseada na igualdade. Por fim, propõe-se a definição da filosofia de Rancière como uma "ontologia sensível do político", compreendendo sua abordagem como uma cartografia viva das relações entre ser, dizer e fazer. Tal perspectiva não apenas amplia a compreensão teórica da política e da subjetividade, mas também oferece subsídios para intervenções na comunidade sensível, promovendo novas formas de dissenso e emancipação.
DEFESA DA LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA DA REVISÃO JUDICIAL SOB A PERSPECTIVA DO INDIVÍDUO: UM DIÁLOGO COM JEREMY WALDRON
Marcos Antônio da Silva, Andrea Faggion
Data da defesa: 04/04/2025
A defesa filosófico-política do controle judicial de constitucionalidade das leis que ora se pretende oferecer não despreza a tensão entre constituição e democracia, bem como a necessidade de que se encontrem justificativas para equilibrar essas duas forças políticas da contemporaneidade. Nesse sentido, há os que, mesmo com o compromisso amplamente aceito, em grande parte das democracias, com a revisão judicial das leis, se insurgem contra ela, reivindicam a soberania do parlamento, desconfiam da efetividade do entrincheiramento de certos direitos na constituição e defendem a prática da política legislativa como ação apropriada para resolver as discordâncias morais existentes na sociedade. Jeremy Waldron figura entre eles e sustenta que a revisão judicial implica um imenso problema político, uma vez que a definição da natureza, dos contornos, do conteúdo e do alcance desses direitos, por si só, já é objeto de amplo e profundo desacordo. Em sua opinião, o legislativo, e não o judiciário, é o fórum apropriado para solucionar questões desse tipo. É o poder legislativo o ethos adequadamente ajustado à solução dos desacordos, pois a sua competência em lidar com todos eles e a legitimidade dos eleitos pelo voto popular o credenciam democraticamente, de modo que atribuir aos tribunais tais prerrogativas viola frontalmente as premissas democráticas. Na verdade, os argumentos de Jeremy Waldron fazem pesar ainda mais fortemente o ônus de fundamentar a legitimidade democrática da prática do controle judicial de constitucionalidade das leis. O propósito da pesquisa, no entanto, toma partido a favor da jurisdição constitucional, ao mesmo tempo em que direciona o olhar para o indivíduo, oferecendo à pessoa humana a abertura de, ao menos, questionar institucionalmente a decisão da maioria e colaborar, o mínimo que seja, com a construção do direito pela via judicial. O propósito não é exercer um juízo rigidamente contrário às posições político-filosóficas, muito bem assentadas, de Jeremy Waldron. Trata-se também de mais uma oportunidade de celebrar e de reverenciar o pensamento de quem tem muito a nos dizer. Mesmo assim, novos horizontes e outras possibilidades podem ser abertos e explorados em defesa do judicial review. O ponto fundamental da pesquisa logicamente não negligenciará a questão filosófica da legitimidade, mas observará alguns aspectos das instituições democráticas, à luz dos que são governados diante dos termos do resultado da tomada de decisão coletiva sobre questões políticas e morais. Ressaltaremos, entre outras coisas, que o papel dos juízes ao abrigo da iniciativa do indivíduo é um pilar da democracia e ela se fortalecerá se for reconhecido que é o cidadão comum sujeito apto a colaborar com o processo de formação do direito que, em última análise, vai ser aquilo que irá regular a sua vida (e, por via reflexa, a dos outros), irá regular as relações com os demais indivíduos e as relações com o poder político do Estado. Por isso, entendemos que a figura do controle judicial de constitucionalidade das leis, por assim dizer, é prerrogativa que assiste ao cidadão na defesa de seus interesses jurídicos, apesar, obviamente, de o juiz exercer um protagonismo exponencialmente determinante nessa trama. Em suma, a tese é que o controle judicial de constitucionalidade é o reconhecimento que minimamente autoriza nossa atuação, como indivíduos, na construção do sistema jurídico, sob os auspícios da argumentação constitucional, à luz da gramática dos direitos fundamentais. Melhor dizendo, defende-se a ideia-base de uma contribuição cidadã pela via judicial propiciada pela atividade que a pessoa humana realiza na discussão político-jurídica das leis em face da constituição, o que implicaria, por vias oblíquas, na intervenção do indivíduo na vida cívica do Estado.
PERSUASÃO EM WITTGENSTEIN
Marcelo Ferreira Ribas, Mirian Donat
Data da defesa: 17/10/2025
A persuasão em Wittgenstein é ainda pouco abordada pela literatura filosófica, seja pela escassez de referências diretas nos textos do autor, seja pelas interpretações restritivas de seu sentido. Este trabalho tem por objetivo evidenciar o tema e sustentar a tese de que se trata de uma prática filosófico-terapêutica de reorientação do olhar do interlocutor para considerar como legítimas perspectivas diferentes da sua. O sentido terapêutico dessa prática emerge do contexto de sua filosofia tardia e mantém estreita relação com sua concepção de linguagem e de filosofia. Em contraste com o modo dogmático de persuadir, o filósofo busca persuadir em sentido oposto, conduzindo o interlocutor à superação do dogmatismo. A persuasão é compreendida como uma terapia de imagens, na medida em que, ao mobilizar a vontade do sujeito para o reconhecimento da legitimidade de perspectivas distintas, liberta-o das estruturas de pensamento que o aprisionam. Reconhece-se, assim, a possibilidade de aplicar essa concepção de persuasão à dissolução de conflitos entre diferentes imagens de mundo e visões de mundo. Além disso, identificam-se certas estratégias ou habilidades que Wittgenstein emprega para persuadir e que aqui denominamos “artes de persuasão”. Com todo o exposto, conclui-se que, na acepção wittgensteiniana, persuasão constitui uma prática filosófico-terapêutica que, primeiramente aplicada aos problemas filosóficos, pode contribuir para o tratamento de questões não-filosóficas, à medida que promove o diálogo como via de superação dos desafios atuais que permeiam o debate público contemporâneo.
A PRESENTIFICAÇÃO DA IRREALIDADE NA CONSCIÊNCIA INTERNA DO TEMPO EM EDMUND HUSSERL E EUGEN FINK
Vinícius Eliud Gonçalves, José Fernandes Weber
Data da defesa: 27/01/2025
Esta dissertação investiga a problemática da irrealidade na consciência interna do tempo, conforme concebida por Edmund Husserl e Eugen Fink. Parte-se da hipótese de que todo fenômeno presentificado é percebido como irrealidade devido à sua constituição pela consciência. Para isso, a pesquisa distingue a presentificação da consciência de imagem, com base na análise da consciência temporal. O primeiro capítulo examina a redução fenomenológica, método que suspende a atitude natural em relação ao mundo para revelar as essências das experiências conscientes. Analisa-se como Husserl e Fink empregam essa abordagem para desvelar a estrutura das vivências. O segundo capítulo aprofunda a compreensão da consciência interna do tempo, abordando conceitos como retenção, rememoração e a constituição da temporalidade. Explora-se o papel do fluxo temporal na percepção e memória, destacando como ele sustenta as noções de presença e presentificação. Por fim, o terceiro capítulo investiga a relação entre realidade e irrealidade, atribuindo à despresentificação o esquecimento progressivo da realidade na horizontalidade do tempo. Em contrapartida, a presentificação é apresentada como um modo de irrealidade que recupera o ausente no horizonte temporal.
ENSAIO E CONFÉRENCE: DUAS MANIFESTAÇÕES DO JUGEMENT NA FILOSOFIA DE MONTAIGNE
Vinicius Aparecido Duarte Martins, Aguinaldo Pavão
Data da defesa: 25/07/2025
Esta dissertação aborda a problemática da conférence em Montaigne a partir de sua ligação com a sabedoria de vida, ou seja, a formação moral e individual. Para tanto, discute-se um conjunto de conceitos interligados à noção de conférence em Montaigne. Conectamos a noção de conférence com a de ensaio com o objetivo de distingui-la da ligação com o pedantismo e a science. A conexão entre a conférence e o ensaio é um tema já amplamente discutido. Villey, em suas notas introdutórias para Da arte da Conversação (E III, 08), destaca essa ligação ao observar que o método da conférence (conferência ou conversação formal) espelha a condução do pensamento. Montaigne, em sua obra, frequentemente associa o ensaio — e até mesmo os Ensaios como um todo — ao fluxo de seus próprios pensamentos. Ele afirma repetidamente que o ensaio se baseia no uso de faculdades naturais, e não em conhecimentos adquiridos. Com isso, nosso objetivo geral é salientar a diferença entre o que consideramos as faculdades naturais: o juízo (jugement), expresso por meio da prática da conférence ou do ensaio; e os conhecimentos adquiridos: a memória, expressa por meio do pedantismo. Nosso estudo pretende aprofundar a ideia de La Charité (1968) de que a memória produz a science, enquanto o juízo produz o ensaio. Adicionalmente, propomos que a conférence é outro produto do juízo. Nossa interpretação é que o ensaio e a conferência compartilham estruturas semelhantes, pois ambos visam ao mesmo propósito — formar a sabedoria de vida —, originam-se do mesmo processo mental e, portanto, empregam um método comum, apesar de serem atividades espirituais distintas. A metodologia tanto do ensaio quanto da conférence é evidente em "Da arte da Conversação", onde Montaigne enfatiza que seu objetivo está na maneira (forma) e não na matéria (conteúdo). Argumentamos que tanto o ensaio quanto a conférence priorizam a forma em detrimento do conteúdo. Uma filosofia que se concentra nas matérias visa à produção de science e, consequentemente, ao desenvolvimento da memória, ao passo que o objetivo da filosofia ensaística reside no aprimoramento do juízo.
O FENÔMENO TOTALITÁRIO À LUZ DA TEORIA DE HANNAH ARENDT E SUA RELAÇÃO COM A CONTEMPORANEIDADE
Rafael Marini Santos, Maria Cristina Muller
Data da defesa: 28/03/2025
A presente dissertação apresenta como tema central a relação entre o fenômeno totalitário próprio da primeira metade do século XX e a contemporaneidade, possuindo como fio condutor a obra desenvolvida pela filósofa Hannah Arendt. A problematização ocorre na medida em que se questiona se há elementos totalitários na política contemporânea e como eles se manifestam, objetivando, nesse sentido, traçar um paralelo não apenas entre épocas distintas, mas entre as diferentes formas assumidas pela ideologia totalitária para se adaptar a contextos diversos e as maneiras pelas quais ela se relaciona com as massas. E, em que pese as diferenças determinadas pelo lapso temporal entre as sociedades sob análise, busca-se pontos de intersecção entre os sintomas apresentados por ambas, tal qual a tendência de negação da política, o solapamento da esfera pública, a banalização da tragédia, o isolamento, a alienação e a atomização dos indivíduos. Tendo em vista o falecimento de Arendt em 1975, faz-se necessário, evidentemente, o apoio bibliográfico de autores que se debruçaram perante a sociedade contemporânea. Denota-se, com o presente estudo, que as condições para efervescência do totalitarismo permanecem presentes, ainda que em estado latente, graças à adaptabilidade de sua ideologia, ajustada às demandas da pós-modernidade e à era da hiperglobalização e da instantaneidade. A pesquisa é bibliográfica e alicerçada na leitura de algumas obras centrais, responsáveis por balizar os argumentos da pesquisa, como Origens do totalitarismo e Eichmann em Jerusalém, ambas de Hannah Arendt; Sociedade do cansaço e Não-coisas: reviravoltas do mundo da vida, de Buyng-Chul Han; Sobre o político e Por um populismo de esquerda, de Chantal Mouffe; Os engenheiros do caos, de Giuliano da Empoli; O ovo da serpente, de Consuelo Dieguez. Por fim, a conclusão obtida aponta à necessidade de retomada da esfera pública como espaço político, onde as demandas dos sujeitos são postas e debatidas, gerando representatividade e pertencimento, visto que o totalitarismo se alimenta precisamente da ausência de tais sensações, conquistando o indivíduo através da ideologia e do terror. Assim, o principal resultado alcançado reside no discernimento de que o fenômeno totalitário, muito longe de se tratar de um fato histórico pertencente ao passado, remanesce como potencialidade de futuro, sobretudo em uma era marcada pela desinformação e antagonismos morais na política, que, por sua vez, é hodiernamente atacada, razão pela qual a luta por sua valorização há de ser constante, permanecendo vigilantes contra as propensões de normalização e incorporação de discursos violentos, segregacionistas, autoritários e populistas na vida política.
O ISOLAMENTO SOCIAL COMO UM MAL-ESTAR: UMA ANÁLISE POR MEIO DA FENOMENOLOGIA DA ENFERMIDADE
Pedro Henrique Percinio Gianvecchio, Eder Soares Santos
Data da defesa: 01/04/2025
A presente dissertação tem como escopo principal explorar a experiência de viver uma enfermidade em isolamento, destacando a vulnerabilidade humana e a interconexão entre consciência e corpo no contexto da pandemia do coronavírus, ocorrida entre janeiro de 2020 e maio de 2023. A privação da convivência social entre pessoas, associada à disseminação de uma doença até então desconhecida e incurável, caracterizou-se como um mal-estar pandêmico, quando analisada sob a perspectiva fenomenológica da enfermidade. A filosofia aborda o problema da enfermidade de modo diferente da medicina, revelando que médicos e pacientes experimentam a enfermidade de formas distintas. O estudo fenomenológico da enfermidade destina-se ao conhecimento da existência humana em situações diversas, como saúde, doença e enfermidade, valendo-se da fenomenologia. A investigação do mal-estar vivenciado no isolamento social pandêmico parte da noção fenomenológica, abordando conceitos como intencionalidade, facticidade e transcendência para compreender o fenômeno da enfermidade. A fenomenologia da enfermidade revela a experiência subjetiva durante o isolamento social, contribuindo para a compreensão de como os seres humanos sentem e vivenciam o mundo quando estão solitários e enfermos. A pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 impôs o isolamento social a todos, e esse acontecimento foi um inegável mal-estar, observado em um contexto no qual os seres humanos, que naturalmente buscam o próprio bem-estar, subitamente se veem confinados e, além disso, gravemente enfermos. O mundo familiar conhecido vai desmoronando, cedendo lugar a uma nova condição de estranhamento. A enfermidade, o isolamento, o sofrimento e as perdas podem ser vistos como reflexos da pandemia causada por uma doença devastadora. A situação de isolamento vivenciada na experiência de enfermidade, do ponto de vista ontológico, afeta o modo de ser em sua constituição e cria uma condição contrária ao ser-no-mundo corporificado. Há uma experiência do sofrimento na enfermidade que considera, em cada caso, a maneira pela qual os sintomas adquirem significado para aquele que sofre. Isso ocorre porque cada pessoa é um composto intrincado de experiências passadas, esperanças futuras, papéis sociais, deveres e relacionamentos socioculturais e políticos. Por essa razão, sofrer envolve uma perda do senso de si associada a um afeto negativo. A pandemia interrompeu nossas possibilidades existenciais nas relações cotidianas face a face. Em certa medida, a interação intencional com outros molda sentimentos, pensamentos e atividades de diversas maneiras. A enfermidade grave – assim como todas as experiências ou circunstâncias vivenciadas pelos seres humanos – é altamente instável e está em constante fluxo dinâmico. A pandemia da COVID-19 passou por um ciclo com começo, meio e fim; isso revelou a impermanência de todas as situações da vida. A impermanência é uma característica inerente a cada circunstância ou situação que os seres humanos podem enfrentar ao longo da existência.
ANTITERRA, TERRA E VONTADE DE PODER: A CONSTITUIÇÃO DO MUNDO NA FILOSOFIA DE F. NIETZSCHE
Marcelo Martins Kretsch, José Fernandes Weber
Data da defesa: 27/01/2025
A presente dissertação abordará a noção de terra e vontade de poder na filosofia de Friedrich W. Nietzsche (1844-1900), objetivando destacar a construção de uma perspectiva contrametafísica de mundo. Nessa direção, primeiramente, propõem-se apresentar a perspectiva metafísica, enfatizando sua relação negativa e fechada para com o mundo que forma uma antiterra, uma imprecação contra a terra e a vida, a fim de destacar a perda do mundo para o niilismo. Em um segundo momento, pretende-se expor a constatação, bem como a crítica, de Nietzsche, sintetizada na noção de Morte de Deus, à história da idealidade, buscando solapar e, sobretudo, ultrapassar, os pontos que constituíram o limiar da metafísica, a saber, suas delimitações e circunscrições. Por fim, busca-se dar destaque à construção de um projeto de contrametafísica de mundo que, ao contrapor aspectos negativos e fechados da metafísica, compromete-se com o horizonte de possibilidades terrestres, a fim de destacar a vontade de poder, tanto no seu caráter antropológico, quanto no seu caráter cosmológico, como perspectiva aberta, bem como afirmativa, de terra e vida.
AS CRÍTICAS DE MICHEL FOUCAULT À PSICANÁLISE: O SUJEITO DO DESEJO N’AS CONFISSÕES DA CARNE
Lucas Koltun Sanvesso, Marcos Alexandre Gomes Nalli
Data da defesa: 23/01/2025
Na obra de Foucault é possível identificar quatro momentos de sua crítica em relação à psicanálise. A recente publicação da História da Sexualidade IV: As Confissões da carne, abre a possibilidade de se encontrar uma mudança, um novo momento de sua análise ou um possível avanço em sua crítica. É recorrente a perspectiva de que o projeto da História da sexualidade compreenderia uma genealogia da psicanálise, e em seu último volume, encontra-se a genealogia do sujeito do desejo. Reconstruindo as leituras que Foucault faz da psicanálise em sua obra e apontando suas especificidades e momentos de transição, este trabalho propõe um quinto momento da crítica foucaultiana à psicanálise, que tem como alvo a noção de sujeito do desejo presente em sua vertente lacaniana. A partir das obras que marcam os posicionamentos de Foucault em relação à psicanálise, apresenta-se como a construção e análise histórica do surgimento do sujeito do desejo está vinculada à leitura crítica dos fundamentos da psicanálise lacaniana, que orientam sua prática. Conclui-se que n’As Confissões da carne Foucault inclui o pensamento de Lacan em um processo histórico mais abrangente, em que estabelece um lastro comum entre santo Agostinho e Lacan em torno do sujeito do desejo.
TRANSCENDÊNCIA E IMANÊNCIA NA FILOSOFIA DA MORTE DE SCHOPENHAUER
Ana Paula Manoel Felipe, Aguinaldo Pavão
Data da defesa: 05/12/2025
A presente dissertação visa analisar criticamente a filosofia imanentista de Schopenhauer. Para tanto, pretende-se investigar o possível comprometimento com teses transcendentes presentes em suas reflexões sobre a morte. Para tal fim, o tema do ascetismo e da palingenesia se sobressaem nessa investigação, não obstante, a sua metafísica da morte permeia toda a discussão, visto que a sua coerência está atrelada diretamente à utilização desses conceitos. Uma vez que, em tese, a vontade como coisa em si exclui qualquer fundamento transcendente, cabe investigar a possibilidade do afastamento de Schopenhauer do campo imanente. Essa investigação é necessária tendo em vista o seu distanciamento do domínio empírico em sua explicação sobre a palingenesia e a permanência do caráter inteligível no mundo. Dessa forma, investigarei como a filosofia de Schopenhauer trata e relaciona os conceitos de palingenesia, morte, vontade, metafisica, imanência e transcendência. Nesse contexto, defenderei a hipótese de que Schopenhauer não logrou êxito em depurar de sua filosofia imanentista elementos transcendentes e, por fim, ponderarei as consequências disso em sua metafísica da morte.