TRAJETÓRIA PROFISSIONAL DE EGRESSOS DO MESTRADO EM SAÚDE COLETIVA COM FORMAÇÃO INICIAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL
MAYRA SILVA ARAÚJO, Mathias Roberto Loch
Data da defesa: 25/02/2026
A inserção dos profissionais de Educação Física tem se intensificado na Saúde Coletiva. Contudo, persistem desafios na formação voltada a este campo. Nesta perspectiva a pós-graduação Stricto-Sensu, nível de mestrado surge como alternativa de qualificação, embora o conhecimento sobre a trajetória desses egressos ainda represente uma lacuna na literatura cientifica. O objetivo deste trabalho foi verificar a trajetória profissional de mestres em Saúde Coletiva e Saúde Pública com formação inicial em Educação Física no Brasil. Para tanto, foi realizado um estudo de delineamento transversal, descritivo e quantitativo com egressos de Mestrado Acadêmico em Saúde Coletiva e Saúde Pública no âmbito Nacional. Inicialmente foram identificados 35 programas. Em um projeto anterior, onde foram catalogados dados de 8217 dissertações e a(s) respectiva(s) formação(ões) inicial(is) dos autores (em nível de graduação), observou-se que 189 sujeitos tinham formação inicial em Educação Física, sendo estes os elegíveis para o presente estudo. Foi elaborado um questionário online constando questões sobre o perfil, formação acadêmica, inserção profissional e importância do mestrado sobre a carreira profissional e enviado para os elegíveis do estudo, seja a partir dos respectivos programas ou via contato direto com endereções eletrônicos encontrados em buscas realizadas na web. Para análise dos dados foi realizada estatística descritiva das variáveis, com distribuição de frequências absolutas e relativas e para analisar a evolução temporal das variáveis, com os dados agrupados em quinquênios, considerando o ano de término do mestrado, assim: Quinquênio 1 (Q1) =2010-2014; Quinquênio 2 (Q2) = 2015-2019; Quinquênio 3 (Q3) = 2020-2024. Responderam ao formulário, 113 sujeitos (taxa de resposta = 59,8%). A maioria era do sexo feminino (53,1%), mulher ou homem cis (97,3%) e autodeclarado de cor branca (54,9%). Cerca de metade (50,4%) tinham cursado o ensino médio totalmente em escola pública, com aumento proporcional ao longo dos períodos (de 39,4% no Q1 para 67,9% no Q3). Em relação a área à qual a dissertação está vinculada a Epidemiologia foi predominante (54,0%), mas apresentou um declínio percentual (de 72,7% no Q1 para 39,3% no Q3), enquanto observou-se crescimento das Ciências Humanas e Sociais (de 12,1% no Q1 para 35,7% no Q3). Quanto às experiências antes do mestrado, 51,3% referiram que a graduação não abordou conteúdos do Sistema Único de Saúde, mesmo percentual dos que referiu que não ter tido experiências na formação inicial com outras profissões. 26,0% realizaram residência multiprofissional, cuja participação aumentou na comparação dos quinquênios (de 6,0% no Q1 para 32,1% no Q3). 57,5% tinham atuado anteriormente ou estavam atuando como docentes universitários no momento da coleta, tendo se observado diminuição ao longo dos quinquênios (54,5% no Q1 para 17,9% no Q3) e 26,4% atuaram na área de gestão. A percepção sobre o mestrado em relação ao trabalho atual, foi positiva, com 80,5% considerando “muito importante” ou “importante” e a maioria (61,9%) estava satisfeita com as condições de trabalho atuais. Mesmo diante das lacunas evidenciadas na formação inicial, a trajetória dos egressos de Educação Física em Saúde Coletiva, revela expressiva atuação nas áreas de docência e gestão e menor presença em cargos assistenciais, bem como uma percepção positiva do mestrado em relação a carreira profissional.
EDUCAÇÃO FÍSICA E SAÚDE COLETIVA: APROXIMAÇÕES ACADÊMICAS E PROFISSIONAIS
JOAMARA GOMES DOMINGUES DE OLIVEIRA , Mathias Roberto Loch
Data da defesa: 26/02/2025
Introdução: A institucionalização da Saúde Coletiva no Brasil foi e é mediada por muitos acontecimentos desde a década de 1970 advindos da Saúde Pública, quando se inicia formalmente sua estruturação por meio de avanços das ciências sociais na saúde e na formação de recursos humanos, sendo nesta década criados os primeiros programas de mestrado e doutorado em Saúde Pública e Medicina Social do país, que mais tarde foram integrados ao campo hoje formado pela Saúde Coletiva. Na primeira década dos anos 2000, em decorrência da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) e seus princípios, especialmente o da integralidade, inicia-se uma ampliação do campo de atuação da Educação Física por meio de resoluções e políticas públicas decorrentes da visão ampliada de saúde, conectando a Educação Física à Saúde Pública. Objetivo: analisar aproximações acadêmicas e profissionais da Educação Física com a Saúde Coletiva. Objetivos específicos: 1) verificar a intenção de atuar no SUS de estudantes de bacharelado em Educação Física de três instituições públicas do Paraná; 2) verificar a inserção de profissionais de Educação Física nos mestrados acadêmicos em Saúde Coletiva e Saúde Pública no Brasil de 2010 a 2019. Métodos: esta tese foi estruturada no modelo de compilação de artigos, e cada objetivo específico foi trabalhado em um artigo científico, cada um com métodos, resultados, discussão e considerações finais próprios. O primeiro objetivo foi desenvolvido a partir de um estudo transversal e descritivo em que 349 estudantes responderam questionário sobre informações sociodemográficas, percepções sobre o SUS, conhecimento sobre Programas Públicos para Práticas Corporais e Atividades Físicas (PCAF) e intenção de atuação profissional no SUS, especificamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais que atendem SUS e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Para contemplar o objetivo dois, foi realizado um estudo descritivo em que se buscou identificar os programas com nome Saúde Coletiva e Saúde Pública com dissertações defendidas no período de interesse (2010-2019), sendo elegíveis 35 programas de mestrado acadêmico para esta investigação. Nos sites desses programas realizou-se busca das dissertações e posteriormente, identificou-se a formação inicial de cada egresso (a) no currículo Lattes, sendo identificados 149 egressos com formação inicial em Educação Física. Resultados: artigo 1) Cerca de quatro em cada 10 estudantes referiram ter intenção de atuar em ao menos uma das possibilidades analisadas: 30,4% em UBS, 27,5% em hospitais e 24,6% nos CAPS. As prevalências foram maiores entre as mulheres, entre os que referiram avaliação mais positiva sobre o SUS, entre os que conheciam programas públicos que ofereciam PCAF e entre aqueles que já tinham ouvido falar do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF-AB) e do Programa Academia da Saúde antes de entrar na universidade. Artigo 2) Foram analisadas informações de 5.629 egressos e destes, 149 (2,6%) tinham formação inicial em Educação Física. Dos 35 programas investigados, 27 (77,1%) tinham ao menos um egresso com formação inicial em Educação Física. Os programas com maior percentual de egressos com formação inicial em Educação Física foram UFRGS (11,3%), FURG (10%), UNIFESP (6,4%), UFSC (6,1%), UECE (5,8%), UNISINOS (5,1%) e UEFS (4,8%). Considerando a análise ano a ano (2010 a 2019), observou-se que a porcentagem de egressos com formação inicial em Educação Física variou de 1,9% a 4,3% e quando realizada a análise por quinquênio (2010-2014 e 2015-2019), apesar de não ter sido observada diferença significativa, verificou-se crescimento de 36,4%, sendo maior na região Sul (76,1%), mas sendo observada diminuição de 20% na região Sudeste. Conclusão: no primeiro artigo, considerando que a Educação Física é uma profissão que possibilita ampla atuação, pode-se considerar relativamente alta a proporção de estudantes que referiu interesse em atuar no SUS, especialmente na APS. No segundo artigo, no geral, houve crescimento da participação de egressos da Educação Física em mestrados acadêmicos em Saúde Coletiva e Saúde Pública no Brasil no período de 2010 a 2019. Entretanto essa participação ainda é incipiente e mostra grande variação entre as regiões e entre as instituições do país. Como conclusão geral da tese reforça-se a importância de potencializar experiências sobre a Saúde Coletiva e a Saúde Pública em cursos de graduação em Educação Física, tanto na licenciatura como no bacharelado, por docentes com expertise no assunto para instrumentalizar adequadamente os futuros PPEF (Professores e Profissionais de Educação Física) sobre as especificidades e possibilidades desse campo de atuação profissional, bem como sobre as possibilidades de inserção em cursos de pós-graduação Stricto Sensu na área de Saúde Coletiva e Saúde Pública.
EXISTIR TRANSFRONTEIRIÇO: VIDA E DIREITOS NA ATENÇÃO À SAÚDE DA FRONTEIRA INTERNACIONAL ENTRE ARGENTINA, BRASIL E PARAGUAI
Carlos Guilherme Meister Arenhart, Alberto Durán González
Data da defesa: 12/01/2024
Introdução: A saúde coletiva na região transfronteiriça entre Brasil, Paraguai e Argentina esteve condicionada historicamente pelo distanciamento da oferta de atenção à saúde que considere as dinâmicas próprias do lugar. A experiência do cidadão transfronteiriço nos sistemas públicos de saúde do lugar representa pistas fundamentais para costuras próprias de organização dos Estados para que se materialize uma oferta digna e resolutiva. Objetivo: Analisar como o cidadão transfronteiriço entre de Foz do Iguaçu – Brasil, Ciudad Del Este – Paraguai e Puerto Iguazú – Argentina experencia a Atenção à Saúde. Métodos: Desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa na qual foram realizadas 16 entrevistas semiestruturadas com cidadãos nos sistemas de saúde pública dos três lados da fronteira. As entrevistas ocorreram no período de setembro a outubro de 2023 e o tempo de cada entrevista variou de 25 a 40 minutos. Os critérios de seleção foram aleatórios e concretizados com a disponibilidade e interesse em participação no estudo. Para a organização dos achados utilizou-se a Análise de Discurso e as análises destes partiram da sustentação epistemológica advinda da filosofia da existência. Resultados e Discussão: A cidadania transfronteiriça firmou pelos discursos que a saúde coletiva no lugar possui importantes desafios a serem superados. Os mundos da permanência no lugar, do acesso à saúde, do direito à saúde e do colapso existencial dos sistemas de saúde foram explorados analiticamente. O cidadão transfronteiriço permanece no lugar motivado pela tríade labor, amizade e família. No acesso à saúde existem barreiras e facilitadores na ponte que materializa a atenção à saúde. As barreiras interditam o caminhar do cidadão transfronteiriço e produzem sofrimento. No âmbito do direito à saúde constaram-se movimentos tensionadores entre os cidadãos em seus olhares sobre o direito à saúde ao cidadão transfronteiriço e há um espaço-entre de conflito. Há um colapso existencial da saúde coletiva pública e este é representado pelas experiências cidadãs na atenção à saúde. Considerações Provisórias: Os mundos saúde coletivistas para o cidadão transfronteiriço, ao experienciar a atenção à saúde nos sistemas públicos de saúde demonstrou a necessidade de costuras urgentes, nacionais e internacionais, de políticas de saúde sensíveis às demandas de quem projeta suas vidas nesse lugar. O cidadão transfronteiriço ao lançar o si-mesmo nestes mundos compõe condições próprias que trazem pistas importantes para o futuro dos sistemas públicos de saúde da fronteira trinacional.
Arte e Cuidado em Saúde: experienciação do cuidado nos encontros vividos no Projeto Sensibilizarte
Flávia Maria Araújo, Maira Sayuri Sakay Bortoletto
Data da defesa: 29/03/2021
Aguardando publicação em periódico científico.
Bem-estar emocional e doenças crônicas: associação da autopercepção da felicidade, amor e bom humor à condição de saúde de adulto e idosos de Matinhos, Paraná
Milene Zanoni da Silva Vosgerau, Marcos Aparecido Sarria Cabrera
Data da defesa: 16/05/2012
Este estudo, de base populacional e delineamento transversal, teve como objetivo analisar a associação de desfechos relacionados ao bem-estar emocional como autopercepção de felicidade, amor e bom humor à presença de hipertensão arterial, diabetes mellitus, depressão e dor crônica. A população de estudo consistiu em adultos com 40 anos ou mais residentes permanentemente no município de Matinhos/PR. A coleta de dados, que utilizou dados dos setores censitários do IBGE, foi realizada por meio de entrevista semiestruturada com questões referentes às variáveis socioeconômicas e demográficas, estilo de vida, fatores relacionados a emoções e situações positivas, religião, espiritualidade e crenças pessoais, saúde autorreferida, consumo contínuo de medicamentos e uso dos serviços de saúde. Para análise estatística utilizou-se a regressão logística, cujos desfechos foram os indicadores de bem estar emocional. Entrevistou-se 638 indivíduos entre abril e julho de 2011. A perda foi de 4,5%. Como resultado, mais da metade dos entrevistados tinham entre 40 e 59 anos (58,9%), não chegaram a concluir o primeiro grau (57,5%), não tem vínculo empregatício (60,6%) e foram classificados no estrato C da ABEP (57,1%), sendo que 29,8% das famílias tem renda inferior a R$ 600,00. Do total de entrevistados, apenas 32,6% apresentaram escores ≥ 30, que segundo a classificação escala de satisfação com vida (SWLS) são considerados como extremamente satisfeitos. A média do escore na SWLS foi de 25,38 [dp=6,04], sendo que o maior preditor para a autopercepção positiva da felicidade foi menor intensidade da dor crônica. Com relação ao amor, 82,1% referiram se sentirem amados sempre por seus familiares e amigos. A frequência de bom humor, ou seja, sorrir sempre ou na maior parte das vezes foi de 75,5%. No desfecho conjugado de bem-estar emocional – felicidade, amor e bom humor – a prevalência encontrada foi 24,9%. Os fatores ‘dor crônica’ e ‘depressão’ se mantiveram associados inversamente ao bem-estar emocional, o que aponta que estas patologias atuam como marcadores relevantes de baixa qualidade de vida, ao passo que, valores, crenças religiosas e renda – questões vinculadas às dimensões espirituais, existenciais e materiais – se mostraram como significativos indicadores positivos de bem-estar emocional. A partir dos achados da investigação, foi possível identificar contribuições e desafios para concepção do objeto saúde, prática clínica e políticas públicas da perspectiva positiva para o campo da saúde coletiva. Sugere-se que seja inserida a reflexão acerca dos fatores de promoção da saúde e indicadores positivos na formação permanente dos profissionais de saúde, com intuito de consolidar movimentos importantes para o Sistema Único de Saúde, tais como Estratégia Saúde da Família, Cidades Saudáveis e Redes de Cuidados em Saúde.