Teses e Dissertações
Palavra-chave: Mortalidade
EFETIVIDADE DOS RADARES FIXOS DE VELOCIDADE PARA REDUÇÃO DO NÚMERO E GRAVIDADE DE SINISTROS DE TRÂNSITO: UM ESTUDO TRANSVERSAL ANTES E DEPOIS
THAYS KUCHENBECKER, Edmarlon Girotto
Data da defesa: 17/04/2026
Introdução: Os sinistros de trânsito são grave problema de saúde pública global, com alto número de lesões e mortes. No Brasil, frota veicular crescente e urbanização desordenada agravam o cenário, sobrecarregando vias e os sistemas de saúde. O fator humano destaca-se como o principal determinante de fatalidades, especialmente o excesso de velocidade, que eleva risco de óbitos e incapacidades. Evidências de países alta mostram que radares de velocidade reduzem sinistros e gravidade de lesões. Porém, há lacuna científica sobre sua efetividade em nações de baixa/média renda, com diferenças em infraestrutura, fiscalização e comportamento de condutores. Assim, é essencial investigar o impacto no Brasil para embasar políticas públicas adaptadas às realidades locais. Objetivo: Avaliar o impacto da fiscalização eletrônica por radares de velocidade na redução da quantidade e gravidade das lesões em sinistros de trânsito no município de Londrina (PR). Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal do tipo antes e depois, baseado em dados secundários de sinistros atendidos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná e pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina. O período analisado compreendeu um ano anterior e um ano posterior à instalação dos radares, entre 2020 e 2023. Utilizou-se o software QGIS para georreferenciamento e cálculo da distância entre o ponto do sinistro e o radar mais próximo. Resultados: Foram analisadas 1.456 ocorrências viárias, distribuídas entre os períodos pré e pós-intervenção. Após a instalação dos radares, observou-se redução global de 17,5% no número absoluto de sinistros e de 15,6% no total de vítimas. Demograficamente, vítimas masculinas caíram 18,6%, enquanto femininas diminuíram 10,3%. Faixas etárias jovens (20-29 anos: -28,1%; 30-39 anos: -35,3%; 10-19 anos: -26,6%) apresentaram maiores reduções, contrastando com aumentos em grupos mais velhos (40-49 anos: +34,0%). Ferimentos leves (-15,0%) e graves sem risco à vida (-16,1%), com risco à vida (-14,7%) predominaram, com óbitos caindo 25,0%. Motociclistas (condutores: -20,1%; passageiros: -19,2%) foram os mais afetados, enquanto pedestres aumentaram 5,3%. Por gravidade, fatais reduziram 56,3%, com maior eficácia em vias de 60 km/h (-91,7% de 12 para uma vítima) e colisões (-17,8%). Espacialmente, declínios foram acentuados próximas aos radares (0-50 m: -45,3%; 0-100 m: -34,8%), atenuando-se em distâncias maiores (até 500 m: -22,2%). Apesar de a regressão logística não indicar significância estatística para a diminuição global dos sinistros graves/fatais (OR = 0,851; IC 95%; p = 0,517), os padrões observados sugerem efeito positivo da intervenção sobre a severidade dos impactos. Conclusões: Observou-se redução na proporção de sinistros e vítimas, com predomínio de sinistros de menor gravidade após a instalação dos radares, além da diminuição de motociclistas e homens envolvidos. Os resultados apontam alterações nas características dos sinistros e no quantitativo de vítimas nas vias equipadas com fiscalização de velocidade, podendo subsidiar o planejamento de novas ações e estratégias para intensificar a fiscalização no trânsito, especialmente em vias de alta velocidade.
Mortes por doenças cerebrovasculares como eventos sentinelas de doenças cardiovasculares na Atenção Básica
Cristhiane Yumi Yonamine, Ana Maria Rigo Silva , Regina Kazue Tanno de Souza
Data da defesa: 26/02/2018
O uso da técnica de evento sentinela, no cotidiano dos serviços de saúde, vem
contribuindo para maior conhecimento sobre a qualidade da atenção à saúde
prestada às populações, permitindo instaurar mecanismos de vigilância e
intervenção precoces. Relativamente às doenças crônicas não transmissíveis,
que são as principais causas de morbimortalidade e afetam negativamente a
qualidade de vida da população, destacam-se as doenças cerebrovasculares. O
presente estudo visa a analisar a assistência prestada pela Atenção Básica às
pessoas, de 74 anos ou menos, que faleceram por doenças cerebrovasculares,
na perspectiva do evento sentinela. Trata-se de um estudo observacional, com
série de casos, utilizando a técnica de investigação de evento sentinela. A
população do estudo correspondeu às pessoas residentes em Cambé, no ano
de 2013, cujas causas descritas nas declarações de óbito foram codificadas
como doenças cerebrovasculares (Capítulo IX da CID10 – Doenças do Aparelho
Circulatório que englobam os diagnósticos I60 a I69). Foram utilizados dados do
Laboratório de Vigilância das Doenças Crônicas Não Transmissíveis da
Secretaria de Saúde do município de Cambé, PR. O Laboratório dispõe de dados
registrados em formulário próprio, advindos das declarações de óbito, dos
prontuários dos serviços de saúde utilizados nos dois anos que antecederam o
óbito e das entrevistas domiciliárias e semiestruturadas com familiares. Cada
caso foi analisado, tendo por referência um modelo lógico elaborado
especificamente para este fim, contendo os componentes utilização da Unidade
Básica de Saúde, reconhecimento, acompanhamento, atendimento e controle da
Hipertensão Arterial. Conforme os componentes do modelo lógico, observou-se
que todos os portadores de Hipertensão Arterial foram reconhecidos como tal
pelas unidades básicas de saúde. Verificaram-se a falta ou a incoerência de
informação em alguns registros, a não utilização de instrumentos oficiais de
acompanhamento, a não cobertura integral pela Estratégia Saúde da Família e
a concentração de ações dos profissionais, elevada em alguns casos e abaixo
da preconizada em outros. Além disso, observou-se que poucos casos
apresentaram dificuldade do controle dos níveis pressóricos devido à não
adesão à terapia medicamentosa. Dessa maneira, pode-se inferir que as mortes
por doenças cerebrovasculares podem servir como eventos sentinela para
avaliar a Atenção Básica, mas destaca-se a ausência de registro, ou subregistro, como a principal falha a ser corrigida na promoção da longitudinalidade
do cuidado, primordial no contexto das doenças crônicas. Além disso, o uso da
tecnologia de eventos sentinela possibilitou analisar aspectos não contemplados
na avaliação quantitativa, contribuindo, dessa maneira, para o planejamento, o
fornecimento de informações e a elaboração de intervenções mais efetivas nos
serviços de saúde.