Mudança na Formação Superior de Profissionais de Saúde: experiências de ativadores do Paraná
Alberto Durán Gonzalez, Marcio José de Almeida
Data da defesa: 14/03/2008
O curso de especialização em ativação de processos de mudança na formação superior dos profissionais de saúde surge como estratégia de ampliação e intensificação do movimento pró-mudança já existente no cenário do ensinoaprendizagem da área saúde no Brasil. Buscava-se a ampliação, por meio da inserção de novos atores comprometidos com as novas propostas, e a intensificação, por meio do próprio modelo metodológico apresentado pelo curso. Modelo que priorizava a participação ativa, crítica e reflexiva, além da construção coletiva do conhecimento. Analisou-se a percepção de participantes do curso de ativadores quanto à participação no curso, implantação dos processos de mudança e as perspectivas do movimento pró-mudança. Tratou-se de um estudo qualitativo com período de coleta de dados entre março e abril de 2007. Foram sujeitos de pesquisa egressos residentes no Paraná. Trabalhou-se inicialmente com dados de fontes secundárias, os trabalhos de conclusão de curso (TCC) e, posteriormente, com dados de fontes primárias, entrevistas semi-estruturadas realizadas com os autores de TCC que se caracterizassem como planos de ação. Dos 57 egressos do Paraná, 25 enviaram seus TCC para a primeira análise e 21 foram entrevistados. Todos os participantes da pesquisa eram do sexo feminino. A análise dos manifestos possibilitou evidenciar que o curso ajudou a identificar o desconforto vivenciado na realidade das participantes, forneceu ferramentas para a mudança e propiciou sua experiência de utilização. As entrevistadas confirmaram a importância da integração entre as competências abordadas no curso, porém apontaram ser difícil a interação na realidade. Algumas ativadoras encontraram facilidades humanas, administrativas e/ou financeiras no início da implantação do plano de ação, entretanto não se caracterizaram como suficientes para a mudança nos cenários locais. Barreiras estruturais, metodológicas, administrativas, financeiras e principalmente humanas também se mostraram presentes. A pouca disponibilidade de diversos atores e o acréscimo de atividades no trabalho cotidiano limitaram diversas experiências. Estratégias de convencimento, motivação e de informação se mostraram eficientes na superação de algumas dificuldades. As ativadoras passaram por um momento de desarticulação interpessoal que bloqueou processos mais profundos de transformação. Isoladas em suas aldeias, acreditam que o movimento pró-mudança foi impulsionado, mas não na velocidade esperada ou desejada. Políticas públicas de estímulo a mudança na formação devem articular e apoiar este novo ator, fortalecendo os inúmeros processos iniciados pelos ativadores qualificados pelo curso.
A Formação Superior e as Conferências Nacionais de Recursos Humanos em Saúde
Daniel Carlos da Silva e Almeida, Márcio José de Almeida , Mara Lúcia Garanhani
Data da defesa: 13/06/2008
Esta pesquisa buscou resgatar e aprofundar a discussão sobre a formação profissional em saúde a fim de contribuir para a compreensão da realidade e das políticas instituídas. O objetivo foi analisar as propostas e os problemas relacionados à formação superior em saúde, no âmbito da graduação, nas Conferências Nacionais de Recursos Humanos em Saúde (CNRHS). Para isso, foram utilizados como objetos de análise os relatórios finais dessas Conferências. A abordagem utilizada foi qualitativa e para a análise dos dados optou-se pelo método da análise de conteúdo preconizado por Bardin, no qual as informações analisadas foram codificadas em categorias por meio da análise temática. Essas categorias versaram sobre o perfil profissional, as práticas de ensino-aprendizagem e a articulação ensino-serviço-comunidade. As CNRHS foram fóruns de manifestação do controle social sobre as políticas relacionadas ao tema que contaram com a participação de diversos atores. Suas propostas acompanharam o processo de reorientação da atenção e da formação em saúde ditado por esses atores ao longo de vinte anos. Apesar dos problemas apontados na análise documental, pode-se inferir que a questão da formação dos profissionais de saúde se encontra em evolução, tanto no campo político e teórico como no prático, e hoje se constitui uma política legitimada. Assim, esse trabalho contribui demonstrando a evolução da formação dos profissionais de saúde, mesmo aquém das necessidades de mudança, e evidencia a complexidade da gestão do trabalho no SUS, a sua relação com as instituições de ensino, que não são homogêneas entre si; com os serviços, representados por gestores e profissionais; e com as políticas intergovernamentais articuladas entre Ministério da Saúde e Ministério da Educação.