Teses e Dissertações
Palavra-chave: Autonomia
O PAPEL DO APOIO INSTITUCIONAL NA PRODUÇÃO DE AUTONOMIA PARA GESTORES DO SUS EM MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE
JULIANA FERREIRA CANASSA CAMPITELLI, Fernanda de Freitas Mendonça
Data da defesa: 10/03/2026
Esta dissertação analisa o papel do apoio institucional no contexto da gestão do Sistema Único de Saúde em municípios de pequeno porte, à luz da Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire. Nesse contexto, o apoio institucional é compreendido como um dispositivo pedagógico e político que atua na mediação entre a burocracia e a prática cotidiana, convertendo orientações técnicas em possibilidades concretas de gestão e aprendizado. Parte-se do seguinte problema de pesquisa: como o apoio institucional contribui para a produção de autonomia de gestores do Sistema Único de Saúde em municípios de pequeno porte? A pesquisa foi orientada por uma matriz teórica inspirada nos princípios freirianos da Pedagogia da Autonomia, estruturada em elementos como a valorização dos saberes prévios, o diálogo constante, a construção coletiva, a produção de reflexão crítica sobre a realidade, o respeito ao contexto local e à apreensão da realidade, o saber escutar, o estímulo ao protagonismo dos atores e a disponibilidade para a mudança. Essa matriz orientou a análise das narrativas e experiências de gestores e apoiadores, permitindo compreender como o apoio institucional se configura como espaço de escuta, troca e construção compartilhada de saberes. Os resultados demonstram que o apoio institucional não apenas oferece suporte técnico, mas também desencadeia processos formativos que favorecem a conscientização e o fortalecimento da autonomia dos gestores. Ao provocar a reflexão crítica e o diálogo sobre o cotidiano da gestão, o apoiador institucional estimula a transformação das práticas e a ampliação do protagonismo local. Outro resultado encontrado foi o caráter gradual e processual da produção da autonomia, tensionado por limitações estruturais, como interferências políticas, questões relacionadas ao processo de trabalho e às interações com diferentes atores que compõem o campo da gestão. Conclui-se que o apoio institucional representa, simultaneamente, uma ferramenta técnica, um espaço pedagógico e uma prática política. Inspirado pela Pedagogia da Autonomia, ele concretiza a educação como prática de liberdade e reafirma a autonomia como um movimento contínuo, inacabado e coletivo, sustentado pelo diálogo, pela escuta e pela reflexão crítica sobre a realidade.
Incapacidade funcional entre adultos de 40 anos ou manis idade: Estudo de base populacional
Cristhiane Yumi Yonamine, Tiemi Matsuo, Regina Kazue Tanno de Souza
Data da defesa: 30/05/2012
O envelhecimento populacional é um fenômeno que concorre para um aumento da
prevalência das doenças crônicas e da incapacidade funcional. Envelhecer mantendo
todas as funções não significa problema para o indivíduo ou para a comunidade,
entretanto, quando a autonomia funcional começa a deteriorar, os problemas começam a
surgir. A incapacidade funcional é um importante indicador de saúde, uma vez que
reflete a piora da qualidade de vida e os graves impactos sociais, tais como a
institucionalização e o aumento do uso de serviços de saúde. O presente estudo teve por
objetivo analisar a prevalência e os fatores associados à incapacidade funcional entre
adultos residentes na região urbana do município de Cambé, Paraná. Trata-se de um
estudo transversal, de base populacional, realizado com adultos de 40 anos ou mais de
idade, no período de fevereiro a junho de 2011. As variáveis dependentes pesquisadas
foram os fatores associados à dificuldade de subir e descer escadas e os fatores
associados à autonomia funcional em dois grupos etários. A população foi composta de
1336 sujeitos elegíveis, dos quais 1180 foram entrevistados. A prevalência da
incapacidade funcional encontrada nas atividades básicas de vida diária apresentou-se
baixa e aumentou progressivamente com a idade. As dificuldades mais frequentes
referem-se às atividades de urinar (5%), subir e descer escada (24%), ler ou enxergar
(78,3%), memorizar (28,9%) e lavar roupa (23,4%). Os fatores associados à dificuldade
de subir e descer escada foram: ser do sexo feminino, não ter trabalho remunerado,
pertencer à classe econômica C, D ou E, não praticar atividade física no lazer, ter
histórico de doenças crônicas, ter histórico de quedas nos últimos 12 meses e ser obeso.
Observou-se que 46,5% das pessoas estudadas apresentavam a autonomia funcional
preservada e alguns fatores associados à autonomia funcional foram distintos entre
idosos e não idosos. Ter trabalho remunerado, praticar atividade física no lazer e não ter
histórico de artrite/artrose foram comuns a ambos os grupos, mas a escolaridade e a
ausência de histórico de diabetes associaram-se apenas na faixa etária de 40 a 59 anos,
enquanto que histórico de problemas na coluna relacionou-se apenas às pessoas de 60
ou mais anos de idade. Os resultados apontam a necessidade de ampliar as ações e as
estratégias assistenciais, principalmente na atenção básica, visto a magnitude de
algumas dificuldades que interferem na autonomia funcional e os fatores associados à
incapacidade e à autonomia funcional.