ANÁLISE DA LITERACIA E ADESÃO DO AUTOCUIDADO DE PACIENTES COM DIABETES MELLITUS TIPO 2 MAIORES DE 60 ANOS: UM ESTUDO TRANSVERSAL
MARIA HELENA DA COSTA, Marcos Aparecido Sarria Cabrera
Data da defesa: 11/02/2026
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) representa um desafio crescente de saúde pública, especialmente entre idosos, exigindo um manejo contínuo onde o autocuidado (AU) é fundamental. Contudo, a eficácia do AU depende da literacia em saúde (LS) do paciente, que frequentemente é uma barreira nesta população. Diante disso, o objetivo geral deste estudo foi analisar o autocuidado e a literacia em saúde de indivíduos idosos que convivem com o DM2 assistidos pela Atenção Primária em Saúde. Trata-se de um estudo transversal realizado com 60 idosos com DM2, residentes no munícipio de Sabáudia-PR. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e clínico, o Spoken Knowledge in Low Literacy Patients with Diabetes (SKILLD) para avaliar a LS e o Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (QAD) para o AU. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, teste qui-quadrado e Regressão de Poisson com variância robusta. A amostra apresentou idade média de 69,07(6,89), baixa escolaridade, literacia insuficiente sobre a doença. A análise bivariada revelou associações estatisticamente significativas entre a LS inadequada e a baixa escolaridade (p=0,027), a não participação em grupos de educação em saúde (p=0,020) e baixa adesão ao AU (p=0,040). A adesão ao AU (até 3 dias) foi significantemente maior em quem depende de terceiros para comprar/retirar medicação (p=0,02). A análise de regressão confirmou que a LS adequada quase dobrou a prevalência de adesão ao AU (RP ajustada: 1,94) e que a não participação em grupos de educação em saúde reduziu a prevalência de LS adequada em 85% (RP ajustada: 0,15). Conclui-se que a literacia em saúde inadequada é uma barreira determinante para o autocuidado em idosos com DM2, impactando diretamente práticas que exigem mudança comportamental. A dependência de terceiros e a ausência em grupos educativos emergem como indicadores de risco, reforçando a necessidade de estratégias na APS focadas no empoderamento e autonomia do paciente.