. Inoculação e coinoculação de isolados bacterianos e fungo micorrízico arbuscular em tomateiros
Antonio José Radi, Maurício Ursi Ventura
A evolução crescente na produção de commodities agropecuárias, vem impulsionando a também ascendente demanda brasileira por fertilizantes químicos sintéticos. Este fato mostra-se relevante e, ao mesmo tempo, preocupante por ao menos dois aspectos fundamentais: os impactos ambientais ocasionados principalmente pela contaminação de cursos d’água superficiais e subterrâneos e os impactos econômicos pela elevação dos custos de produção e crônica dependência nacional de matérias primas importadas. Os trabalhos tiveram como objetivo avaliar o desempenho agronômico e os aspectos físicos e químicos de plantas e frutos de tomateiros submetidos à inoculação e à co-inoculação de isolados bacterianos potencialmente promotores do crescimento de plantas e um fungo micorrízico arbuscular. O primeiro estudo foi dividido em duas etapas: na primeira quatro genótipos de tomateiros foram inoculados com cinco isolados bacterianos provenientes do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia da Universidade Estadual de Londrina. Foram avaliadas a massa seca da parte aérea (MSPA) e a massa seca da raiz (MSR) das mudas de tomateiro em casa de vegetação. Os resultados demonstraram que não ocorreu interação entre os genótipos e os isolados. Os isolados Stenotrophomonas sp. (1S) e Enterobacter sp.(19S) incrementaram a MSPA das mudas em 24,32% e 18,91% e a MSR em 27,27% e 18,18% respectivamente. Na segunda etapa, conduzida em estufa, as sementes de tomateiro – cv. BRS-Nagai – foram inoculadas e coinoculadas com os isolados Stenotrophomonas sp. e Enterobacter sp. e o fungo micorrízico arbuscular (FMA) Rhizophagus clarus, proveniente do Departamento de Ecologia Microbiana da Universidade Estadual de Londrina. Ao longo do período de formação das mudas, foram avaliados a taxa de emergência (TE), o tempo médio de emergência (TME), o índice de velocidade de emergência (IVE), a MSPA, MSR e variáveis relacionadas ao diâmetro, comprimento, número e área superficial de raízes. Não ocorreu interação entre os isolados bacterianos e o FMA e não houve influência dos tratamentos na TE, TME e IVE. As mudas semeadas em substratos micorrizados apresentaram incremento de 29,13% em MSPA, 18,56% em MSR, maior diâmetro médio e maior número total de raízes. Parte das mudas obtidas foram transplantadas em vasos, em estufa, para uma segunda etapa de avaliação contemplando variáveis de produtividade, ocasião em que foram avaliadas a altura de plantas (AP), distância entre cachos, teores de proteína e das enzimas catalase, peroxidase e fenilalanina amônia-liase (FAL), SPAD, massa seca de raiz (MSR), percentual de colonização micorrízica (%CM), massa fresca de frutos por planta (MFFPP), massa fresca média de frutos (MFMF), comprimento e largura de frutos, teores de sólidos solúveis (SS) e acidez titulável (AT) de frutos. Não houve interação ou efeito dos tratamentos para as variáveis AP, MSR, %CM, MFFPP, MFMF, AT e FAL e SPAD. Nos tratamentos que não receberam isolados bacterianos, a micorrização provocou redução de 17,46% e 15,15% na distância entre o 1º e 2º cachos e entre o 2º e 3º cachos respectivamente. Nos tratamentos que não receberam micorrização, o isolado Enterobacter sp. reduziu em 22,53% a distância entre o 1º e o 2º cacho. Não ocorreu interação entre os tratamentos para os teores de proteína e enzimas. Tratamentos micorrizados apresentaram teor de proteína 19,95% menor e teores de catalase e peroxidase 49,28% e 57,48% maiores, respectivamente. Teores de sólidos solúveis foram ligeiramente maiores em tratamentos que não receberam a micorrização. No terceiro trabalho as mudas originárias do primeiro experimento foram transplantadas e conduzidas à campo. Foram avaliadas altura de plantas (AP), distância entre cachos, massa fresca de frutos por planta (MFFPP), massa fresca média de frutos (MFMF), comprimento e largura de frutos, teores de sólidos solúveis (SS), acidez titulável (AT), colorimetria e perda de massa de frutos pós-colheita, atividade antioxidante (DPPH e FRAP) e compostos fenólicos totais. Não ocorreu interação ou efeito dos tratamentos para AP, distância entre cachos, largura de frutos e teores de SS. Tratamento micorrizado e coinoculado com Stenotrophomonas sp. e Enterobacter sp. resultou em incremento de 14,51% na produção de frutos. Ocorreu interação entre os tratamentos para as variáveis comprimento de frutos e AT. Os tratamentos inoculados com Stenotrophomonas sp. apresentaram comprimento de frutos 8,3% maior na ausência de micorrização. Em relação à variável AT, para os tratamentos que receberam micorrização, as coinoculações de Enterobacter sp. e Enterobacter sp. e Stenotrophomonas sp. originaram frutos de menor acidez. Na ausência de micorrização, menor acidez em frutos foi constatada para a testemunha e para o tratamento que recebeu Stenotrophomonas sp. Na ausência dos isolados bacterianos, tratamentos micorrizados resultaram em frutos com maior acidez que tratamentos sem micorriza. Frutos oriundos de plantas micorrizadas apresentaram menor atividade antioxidante (DPPH, FRAP e FENOL). No que se refere às variáveis pós-colheita, a coinoculação de Stenotrophomonas sp. e Enterobacter sp. apresentou menor perda de massa de frutos no período estudado tanto em plantas micorrizadas como em plantas não micorrizadas. Frutos oriundos de plantas inoculadas com R. clarus apresentaram maior uniformidade na variação de coloração ao longo do processo de amadurecimento