Teses e Dissertações
Palavra-chave: Wittgenstein
PERSUASÃO EM WITTGENSTEIN
Marcelo Ferreira Ribas, Mirian Donat
Data da defesa: 17/10/2025
A persuasão em Wittgenstein é ainda pouco abordada pela literatura filosófica, seja pela
escassez de referências diretas nos textos do autor, seja pelas interpretações restritivas de seu
sentido. Este trabalho tem por objetivo evidenciar o tema e sustentar a tese de que se trata de
uma prática filosófico-terapêutica de reorientação do olhar do interlocutor para considerar como
legítimas perspectivas diferentes da sua. O sentido terapêutico dessa prática emerge do contexto
de sua filosofia tardia e mantém estreita relação com sua concepção de linguagem e de filosofia.
Em contraste com o modo dogmático de persuadir, o filósofo busca persuadir em sentido
oposto, conduzindo o interlocutor à superação do dogmatismo. A persuasão é compreendida
como uma terapia de imagens, na medida em que, ao mobilizar a vontade do sujeito para o
reconhecimento da legitimidade de perspectivas distintas, liberta-o das estruturas de
pensamento que o aprisionam. Reconhece-se, assim, a possibilidade de aplicar essa concepção
de persuasão à dissolução de conflitos entre diferentes imagens de mundo e visões de mundo.
Além disso, identificam-se certas estratégias ou habilidades que Wittgenstein emprega para
persuadir e que aqui denominamos “artes de persuasão”. Com todo o exposto, conclui-se que,
na acepção wittgensteiniana, persuasão constitui uma prática filosófico-terapêutica que,
primeiramente aplicada aos problemas filosóficos, pode contribuir para o tratamento de
questões não-filosóficas, à medida que promove o diálogo como via de superação dos desafios
atuais que permeiam o debate público contemporâneo.
O MÉTODO DE WITTGENSTEIN E A ALTERNATIVA AO NATIVISMO: A Gramática como Objeto de Investigação Gramatical
THAUAN SANTOS SOARES, Mirian Donat
Data da defesa: 24/01/2024
O propósito desta dissertação é conduzir uma investigação sobre a aquisição da
linguagem e da gramática, explorando o embate entre a Teoria da Linguagem como
Instinto, aqui personificada por Steven Pinker e fundamentada em Noam Chomsky, e a
tradição da Teoria da Aquisição da Linguagem Baseada no Uso, encabeçada por Michael
Tomasello e enraizada na filosofia de Ludwig Wittgenstein. Nossa meta é sustentar, a
partir de uma perspectiva Wittgensteiniana, que as explicações propostas pelas teorias
nativistas não contribuem efetivamente para o entendimento dos fenômenos que buscam
esclarecer. Em vez disso, ao fundamentar suas explicações no idealismo e no mentalismo,
essas teorias tendem a obscurecer ainda mais a compreensão dos processos linguísticos.
Assim, ao contrapor o nativismo à abordagem baseada no uso, nosso objetivo principal é
demonstrar a viabilidade de desenvolver abordagens alternativas para a compreensão da
gramática, especialmente no que concerne às diversas práticas que conferem sentido a
ela. Para alcançar nossos objetivos delineados, examinaremos os principais componentes
do método de investigação gramatical concebido por Wittgenstein, a fim de destacar as
ferramentas metodológicas que possam se revelar benéficas tanto para desafiar o
nativismo como para construir uma teoria da aquisição da linguagem ancorada no uso.
Posteriormente, nossa abordagem incluirá uma análise do contraste entre Pinker e
Tomasello sob duas óticas distintas. A primeira perspectiva engloba uma avaliação
comparativa das origens da linguagem e dos fatores biológicos, sociais e ontogenéticos
que facilitam a aquisição e o desenvolvimento linguístico. A segunda perspectiva se
concentra nos próprios processos de aquisição da linguagem.
Wittgenstein e Danto: divergências e confluências sobre o tema da arte
Marco Aurélio Gobatto da Silva, Mirian Donat
Data da defesa: 10/03/2023
A presente tese aborda as filosofias de Ludwig Wittgenstein e Arthur Danto com foco no tema da arte. Discorre sobre a influência de Wittgenstein no âmbito da filosofia analítica da arte, principalmente em sua vertente antiessencialista. Nesse sentido, a tese apresenta as reflexões dos autores Paul Ziff, Morris Weitz e William Kennick destacando o posicionamento comum entre eles sobre a impossibilidade de se definir o conceito arte mediante propriedades necessárias e suficientes. A filosofia da arte de Danto é discutida aqui inicialmente em seu aspecto de oposição ao antiessencialismo de orientação wittgensteiniana. O escopo é apresentar o essencialismo dantiano e como ele buscou responder tanto os problemas que a própria produção artística contemporânea teria lançado no terreno teórico/filosófico quanto a influência de Wittgenstein na filosofia analítica da arte. Para Danto, o pensamento de Wittgenstein não era capaz de justificar uma resposta convincente sobre as razões pelas quais dois objetos aparentemente idênticos seriam ontologicamente distintos. Por outro lado, a tese pretende mostrar que se numa ontologia da arte a filosofia dantiana é demasiadamente contrária à de Wittgenstein, no caso de se considerar uma epistemologia da arte as duas perspectivas se aproximam de forma significativa. Ver algo transfigurado em arte - tal como defende Danto - apresenta paralelos com a noção wittgensteiniana de ver-como. Logo, defende-se aqui a existência de um diálogo entre as filosofias de Wittgenstein e Danto que transborda a discussão acerca da definição do conceito arte.