AVALIAÇÃO DE CONTAMINAÇÃO BACTERIANA EM SONDAS ENDOTRAQUEAIS UTILIZADAS NA ANESTESIA VETERINÁRIA
JULIA VIANA DE OLIVEIRA , Prof. Dr. Gerson Nakazato
Data da defesa: 27/02/2025
A presença de bactérias patogênicas em sondas endotraqueais de clínicas de pequenos animais (pet) pode ser uma importante fonte para infecções nesses animais, principalmente se estes microrganismos apresentarem multirresistência aos antimicrobianos convencionais. Dessa forma, a identificação de potenciais patógenos e seu perfil de sensibilidade aos antimicrobianos é fundamental para averiguar se os processos de desinfecção destas sondas estão sendo realizados com eficácia. O presente estudo teve como objetivo avaliar a contaminação bacteriana de sondas endotraqueais (lavadas e não lavadas) utilizadas na anestesia de procedimentos, assim como identificar as bactérias contaminantes e resistentes aos antimicrobianos. Um total de 18 colônias bacterianas foram isoladas em meios de cultura (Ágar Nutriente, Ágar Manitol Salgado e Ágar MacConkey) e identificadas pelos testes bioquímicos como Enterococcus sp., Klebsiella sp., Staphylococcus sp., Escherichia sp., Proteus sp. Neste estudo, todas as colônias foram isoladas de sondas endotraqueais não lavadas, enquanto em sondas lavadas não foram obtidas colônias bacterianas após o processamento do material coletado. Os resultados dos ensaios de antibiograma mostraram que os isolados bacterianos apresentaram resistência a alguns antimicrobianos testados, sendo que onze foram considerados multirresistentes (“superbactérias”). A partir dos resultados obtidos durante os diferentes períodos de coletas das sondas, foi elaborado e proposto um protocolo de análise bacteriológica para sondas endotraqueais em animais de clínicas veterinárias. Este estudo demonstrou que é de grande importância a realização da análise bacteriológicas de sondas endotraqueais, para averiguar o potencial risco de infecção oriundas destas sondas, dado os perfis de resistência encontrados nos isolados bacterianos, assim como a eficácia do processo de desinfecção destes dispositivos médicos veterinários.
ESTUDO MICROBIOLÓGICO DAS CERATITES ULCERATIVAS EM CÃES
ANA CAROLINA PEREIRA , Profa. Dra. Mirian Siliane Batista de Souza
Data da defesa: 23/08/2018
Foram apresentados dois produtos finais, separados em capítulos, ao Programa de Pós-graduação Mestrado Profissional em Clínicas Veterinárias. O primeiro capítulo é uma revisão da literatura nas normas da revista “Clínica Veterinária”, intitulado “Aspectos clínicos e microbiológicos da ceratite ulcerativa em cães – revisão da literatura”. O capítulo 2 é um projeto de pesquisa formatado nas normas da revista “Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia” (ABMVZ), intitulado “Estudo microbiológico das ceratites ulcerativas em cães”. Entre as doenças oculares em cães, a ceratite ulcerativa ocorre com maior frequência e pode estar associada à agentes bacterianos ou fúngicos. É uma afecção que requer atenção e tratamento imediato, pois a progressão é rápida e pode se tornar uma ameaça à visão do animal. O conhecimento prévio dos agentes envolvidos e da sua sensibilidade aos antimicrobianos são fundamentais para a instituição da terapia adequada de forma rápida, com o intuito de evitar progressão da lesão e o desenvolvimento de complicações. O objetivo desse estudo foi identificar os microrganismos presentes com maior frequência na córnea de cães com ceratite ulcerativa, e sua respectiva sensibilidade aos antimicrobianos mais utilizados na rotina de oftalmologia veterinária, no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina, em Londrina, Paraná. Observou-se crescimento bacteriano em 72,3% (20/36) das amostras. Das culturas fúngicas realizadas, em apenas uma houve crescimento de leveduras (1/36). Os resultados evidenciaram que 52,5% dos isolados foram bactérias gram-positivas, e 47,5% bactérias gram-negativas. A espécie predominante foi Staphylococcus intermedius group (20%), seguida de Pseudomonas aeruginosa (17,5%). No antibiograma, a neomicina foi o antimicrobiano mais eficaz contra o gênero Staphylococcus, apresentando eficácia de 87,5%, seguido da gentamicina, com 80% de sensibilidade. As bactérias gram-negativas foram sensíveis principalmente à moxifloxacina, ciprofloxacina, neomicina e gentamicina, variando a sensibilidade de 83,3% a 85,7%. Observou-se alta porcentagem de resistência bacteriana à tetraciclina, tanto no grupo de gram-positivas, como no grupo de gram-negativas, chegando à 60%. Dos 40 isolados bacterianos, seis foram bactérias com perfis de resistência incomum na medicina veterinária, entre elas, quatro Staphylococcus spp. MRSP (Staphylococcus pseudintermedius resistente à meticilina), uma Pseudomonas aeruginosa CR (resistente aos carbapenêmicos) e uma Klebsiella pneumoniae ESBL (produtora de betalactamase de espectro estendido). Esse resultado indica a necessidade do conhecimento do perfil de sensibilidade frente aos fármacos antimicrobianos, além do seu uso de forma mais racional.