{"id":3950,"date":"2026-01-13T20:22:57","date_gmt":"2026-01-13T23:22:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pos.uel.br\/ppgsoc\/?p=3950"},"modified":"2026-01-13T20:24:07","modified_gmt":"2026-01-13T23:24:07","slug":"apos-o-feminicidio-quem-cuida-de-quem-fica-a-restituicao-de-direitos-como-desafio-central-das-politicas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pos.uel.br\/ppgsoc\/sem-categoria\/2026\/01\/13\/apos-o-feminicidio-quem-cuida-de-quem-fica-a-restituicao-de-direitos-como-desafio-central-das-politicas-publicas\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s o feminic\u00eddio, quem cuida de quem fica? A restitui\u00e7\u00e3o de direitos como desafio central das pol\u00edticas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"\n<p>Artigo recente da professora <strong>Silvana Mariano<\/strong>, publicado na se\u00e7\u00e3o Tend\u00eancias\/Debates da <strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, chama aten\u00e7\u00e3o para um aspecto ainda pouco estruturado das pol\u00edticas de enfrentamento ao feminic\u00eddio no Brasil: <strong>a restitui\u00e7\u00e3o de direitos de \u00f3rf\u00e3os, mulheres sobreviventes e suas redes de cuidado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a autora, o pa\u00eds avan\u00e7ou nos debates sobre <strong>preven\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio<\/strong>, mas segue negligenciando o terceiro pilar previsto pela <strong>Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong> \u2014 a restitui\u00e7\u00e3o. Esse eixo \u00e9 decisivo para o futuro das crian\u00e7as, adolescentes e mulheres diretamente afetadas pela viol\u00eancia feminicida, mas permanece marginal no desenho das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do <strong>Monitor de Feminic\u00eddios no Brasil<\/strong>, produzido pelo <strong>Lesfem (Laborat\u00f3rio de Estudos de Feminic\u00eddios)<\/strong>, sediado na <strong>Universidade Estadual de Londrina<\/strong>, dimensionam a urg\u00eancia do problema. Apenas no primeiro semestre de 2025 foram identificadas <strong>2.978 ocorr\u00eancias de feminic\u00eddio tentado e consumado<\/strong>, sendo <strong>950 casos consumados<\/strong>. Ao menos <strong>390 mulheres assassinadas tinham filhos dependentes<\/strong>, o que resultou em cerca de <strong>680 crian\u00e7as e adolescentes \u00f3rf\u00e3os ou desprotegidos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo destaca ainda a situa\u00e7\u00e3o dos <strong>sobreviventes de tentativas de feminic\u00eddio<\/strong>, grupo ainda mais invisibilizado nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Sobreviver \u00e0 viol\u00eancia n\u00e3o significa retomar a vida anterior: muitas mulheres passam a conviver com <strong>defici\u00eancias adquiridas, sofrimento ps\u00edquico intenso, perda de autonomia e empobrecimento<\/strong>, impactos que tamb\u00e9m recaem sobre seus filhos, ampliando ciclos de vulnerabilidade social.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a cria\u00e7\u00e3o da <strong>pens\u00e3o especial para filhos e dependentes de v\u00edtimas de feminic\u00eddio<\/strong>, em 2023, represente um avan\u00e7o importante, sua regulamenta\u00e7\u00e3o tardia e seus crit\u00e9rios restritivos limitam o alcance da medida. Al\u00e9m disso, a pol\u00edtica n\u00e3o contempla sobreviventes de tentativas de feminic\u00eddio, justamente os casos em que a viol\u00eancia pode produzir incapacidade permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Silvana Mariano, enfrentar a viol\u00eancia feminicida exige <strong>prote\u00e7\u00e3o especializada, coordena\u00e7\u00e3o intersetorial, metas claras e responsabiliza\u00e7\u00e3o do Estado<\/strong>. Sem pol\u00edticas efetivas de restitui\u00e7\u00e3o de direitos, o cuidado recai quase exclusivamente sobre redes informais, majoritariamente femininas, aprofundando a sobrecarga, o adoecimento e a desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo <strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2026\/01\/e-os-direitos-de-quem-fica-apos-o-feminicidio.shtml\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2026\/01\/e-os-direitos-de-quem-fica-apos-o-feminicidio.shtml\">\u201cE os direitos de quem fica ap\u00f3s o feminic\u00eddio?\u201d<\/a><\/strong> foi publicado em janeiro de 2026 e contribui para o debate p\u00fablico sobre viol\u00eancia de g\u00eanero, pol\u00edticas de cuidado e responsabilidade estatal.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo recente da professora Silvana Mariano, publicado na se\u00e7\u00e3o Tend\u00eancias\/Debates da Folha de S\u00e3o Paulo, chama aten\u00e7\u00e3o para um aspecto ainda pouco estruturado das pol\u00edticas de enfrentamento ao feminic\u00eddio no Brasil: a restitui\u00e7\u00e3o de direitos de \u00f3rf\u00e3os, mulheres sobreviventes e suas redes de cuidado. 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