INOCULAÇÃO DE BACTÉRIAS PROMOTORAS DE CRESCIMENTO EM ORQUÍDEAS EPÍFITAS NA FASE DE ACLIMATIZAÇÃO
ANANDA COVRE DA SILVA, Ricardo Tadeu de Faria
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da inoculação com bactérias promotoras de crescimento no desenvolvimento de Phalaenopsis sp. em fase de aclimatização. Mudas de Phalaenopsis sp. em fase de aclimatização foram padronizadas e mantidas em casa de vegetação onde receberam os seguintes tratamentos: T1: Água (testemunha) T2: Bacillus sp., T3: Streptomyces sp. estirpe 102, T4: Adubação química + Bacillus sp., T5: Adubação química + Streptomyces sp. estirpe 102, T6: Adubação química. Foram realizadas três avaliações, aos 2, 4 e 6 meses após a instalação do experimento para análise das variáveis: número de folhas e de raízes, comprimento de raiz, comprimento e largura da maior folha, área foliar, massa seca radicular, e massa fresca de parte aérea, sistema radicular e total. Com os resultados obtidos realizou-se o cálculo do índice de aumento para cada variável através da fórmula proposta por Edignton et al., 1971. Os resultados indicam que na primeira avaliação houve incremento de 10,67% no comprimento de raiz e 146,76% na massa fresca de parte aérea em comparação a testemunha nos tratamentos com Bacillus sp. e Bacillus sp. associado a adubação química respectivamente. Após a segunda avaliação a utilização da adubação química foi superior a testemunha para a maioria das variáveis com exceção do comprimento radicular, massa fresca e seca de raiz. Contudo, sua associação com Streptomyces sp. estirpe 102 resultou em maior número de folhas. Na terceira avaliação observou-se que a combinação da adubação química aos inoculantes foi prejudicial para as variáveis massa seca de raiz e massa fresca total, quando comparada com a adubação química isolada. A adubação associada ao Streptomyces sp. promoveu 128,57% de aumento no número de folhas, enquanto que sua associação com Bacillus sp. aumentou 72,41% e 80,34% na largura e área foliar respectivamente com relação a testemunha. Concluiu-se que a utilização do microrganismo isolado não promoveu nenhum ganho significativo com relação as variáveis analisadas ao longo do experimento, e que após seis meses a adubação química promoveu os melhores resultados na promoção do crescimento das mudas de Phalaenopsis sp. durante a fase de aclimatização.
. Inoculação e coinoculação de isolados bacterianos e fungo micorrízico arbuscular em tomateiros
Antonio José Radi, Maurício Ursi Ventura
A evolução crescente na produção de commodities agropecuárias, vem impulsionando a também ascendente demanda brasileira por fertilizantes químicos sintéticos. Este fato mostra-se relevante e, ao mesmo tempo, preocupante por ao menos dois aspectos fundamentais: os impactos ambientais ocasionados principalmente pela contaminação de cursos d’água superficiais e subterrâneos e os impactos econômicos pela elevação dos custos de produção e crônica dependência nacional de matérias primas importadas. Os trabalhos tiveram como objetivo avaliar o desempenho agronômico e os aspectos físicos e químicos de plantas e frutos de tomateiros submetidos à inoculação e à co-inoculação de isolados bacterianos potencialmente promotores do crescimento de plantas e um fungo micorrízico arbuscular. O primeiro estudo foi dividido em duas etapas: na primeira quatro genótipos de tomateiros foram inoculados com cinco isolados bacterianos provenientes do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia da Universidade Estadual de Londrina. Foram avaliadas a massa seca da parte aérea (MSPA) e a massa seca da raiz (MSR) das mudas de tomateiro em casa de vegetação. Os resultados demonstraram que não ocorreu interação entre os genótipos e os isolados. Os isolados Stenotrophomonas sp. (1S) e Enterobacter sp.(19S) incrementaram a MSPA das mudas em 24,32% e 18,91% e a MSR em 27,27% e 18,18% respectivamente. Na segunda etapa, conduzida em estufa, as sementes de tomateiro – cv. BRS-Nagai – foram inoculadas e coinoculadas com os isolados Stenotrophomonas sp. e Enterobacter sp. e o fungo micorrízico arbuscular (FMA) Rhizophagus clarus, proveniente do Departamento de Ecologia Microbiana da Universidade Estadual de Londrina. Ao longo do período de formação das mudas, foram avaliados a taxa de emergência (TE), o tempo médio de emergência (TME), o índice de velocidade de emergência (IVE), a MSPA, MSR e variáveis relacionadas ao diâmetro, comprimento, número e área superficial de raízes. Não ocorreu interação entre os isolados bacterianos e o FMA e não houve influência dos tratamentos na TE, TME e IVE. As mudas semeadas em substratos micorrizados apresentaram incremento de 29,13% em MSPA, 18,56% em MSR, maior diâmetro médio e maior número total de raízes. Parte das mudas obtidas foram transplantadas em vasos, em estufa, para uma segunda etapa de avaliação contemplando variáveis de produtividade, ocasião em que foram avaliadas a altura de plantas (AP), distância entre cachos, teores de proteína e das enzimas catalase, peroxidase e fenilalanina amônia-liase (FAL), SPAD, massa seca de raiz (MSR), percentual de colonização micorrízica (%CM), massa fresca de frutos por planta (MFFPP), massa fresca média de frutos (MFMF), comprimento e largura de frutos, teores de sólidos solúveis (SS) e acidez titulável (AT) de frutos. Não houve interação ou efeito dos tratamentos para as variáveis AP, MSR, %CM, MFFPP, MFMF, AT e FAL e SPAD. Nos tratamentos que não receberam isolados bacterianos, a micorrização provocou redução de 17,46% e 15,15% na distância entre o 1º e 2º cachos e entre o 2º e 3º cachos respectivamente. Nos tratamentos que não receberam micorrização, o isolado Enterobacter sp. reduziu em 22,53% a distância entre o 1º e o 2º cacho. Não ocorreu interação entre os tratamentos para os teores de proteína e enzimas. Tratamentos micorrizados apresentaram teor de proteína 19,95% menor e teores de catalase e peroxidase 49,28% e 57,48% maiores, respectivamente. Teores de sólidos solúveis foram ligeiramente maiores em tratamentos que não receberam a micorrização. No terceiro trabalho as mudas originárias do primeiro experimento foram transplantadas e conduzidas à campo. Foram avaliadas altura de plantas (AP), distância entre cachos, massa fresca de frutos por planta (MFFPP), massa fresca média de frutos (MFMF), comprimento e largura de frutos, teores de sólidos solúveis (SS), acidez titulável (AT), colorimetria e perda de massa de frutos pós-colheita, atividade antioxidante (DPPH e FRAP) e compostos fenólicos totais. Não ocorreu interação ou efeito dos tratamentos para AP, distância entre cachos, largura de frutos e teores de SS. Tratamento micorrizado e coinoculado com Stenotrophomonas sp. e Enterobacter sp. resultou em incremento de 14,51% na produção de frutos. Ocorreu interação entre os tratamentos para as variáveis comprimento de frutos e AT. Os tratamentos inoculados com Stenotrophomonas sp. apresentaram comprimento de frutos 8,3% maior na ausência de micorrização. Em relação à variável AT, para os tratamentos que receberam micorrização, as coinoculações de Enterobacter sp. e Enterobacter sp. e Stenotrophomonas sp. originaram frutos de menor acidez. Na ausência de micorrização, menor acidez em frutos foi constatada para a testemunha e para o tratamento que recebeu Stenotrophomonas sp. Na ausência dos isolados bacterianos, tratamentos micorrizados resultaram em frutos com maior acidez que tratamentos sem micorriza. Frutos oriundos de plantas micorrizadas apresentaram menor atividade antioxidante (DPPH, FRAP e FENOL). No que se refere às variáveis pós-colheita, a coinoculação de Stenotrophomonas sp. e Enterobacter sp. apresentou menor perda de massa de frutos no período estudado tanto em plantas micorrizadas como em plantas não micorrizadas. Frutos oriundos de plantas inoculadas com R. clarus apresentaram maior uniformidade na variação de coloração ao longo do processo de amadurecimento
Determinação do potencial de transmissão de Xanthomonas vasicola pv. vasculorum por sementes e resíduos de milho.
Bruna Ricini Martins, Marcelo Giovanetti Canteri
A estria bacteriana causada pela bactéria Xanthomonas vasicola pv. vasculorum (Xvv) é uma doença foliar do milho relatada no Brasil pela primeira vez em lavouras das regiões Oeste, Centro-Oeste e Norte do estado do Paraná em 2018. A disseminação de Xvv à longas distâncias pode estar relacionada à transmissão da bactéria por sementes. Por outro lado, resíduos vegetais infestados representam uma fonte potencial de inóculo primário, e se constituem em um veículo de sobrevivência da bactéria entre ciclos da cultura. Assim, os objetivos deste estudo foram determinar o potencial de transmissão de Xvv a partir de sementes infestadas com a bactéria e de resíduos vegetais para plantas de milho. Foram realizados dois procedimentos para a detecção da bactéria: a técnica de PCR utilizando os iniciadores específicos para Xvv, Xvv3F / Xvv3R, e o reisolamento em meio de cultura. Para isto, foram obtidos mutantes de Xvv resistentes à rifampicina. A presença de Xvv foi estudada em amostras de sementes de milho do híbrido IPR 164 embebidas em suspensão bacteriana na concentração de 108 UFC mL-1 , após um, cinco, 10, 15, 30 e 60 dias da infestação artificial. A transmissão de Xvv a partir de resíduos vegetais provenientes de plantas de milho com estria bacteriana foi estudada em três condições: resíduos depositados na superfície do solo após a semeadura (RS), resíduos incorporados ao solo antes da semeadura (RSI) e resíduos associados às sementes (RAS): A transmissão de Xvv para as plantas de milho foram monitoradas e avaliadas com base na manifestação de sintomas de estria bacteriana durante quatro semanas. Plantas que apresentaram sintomas suspeitos foram examinadas em laboratório para a presença de Xvv pela técnica de PCR. A presença de Xvv nas sementes de milho foi detectada até 60 dias após a infestação artificial com a bactéria. A transmissão de Xvv via sementes para as plantas de milho ocorreu até 30 dias após a infestação artificial das sementes com a bactéria. Ocorreu transmissão de Xvv para plântulas de milho a partir dos resíduos vegetais provenientes de plantas com estria bacteriana, independente dos resíduos estarem na superfície ou incorporados ao solo, ou associados às sementes. Na transmissão de Xvv via sementes e resíduos vegetais foram observados sintomas de estria bacteriana somente em folhas dos estádios vegetativos V1, V2 e V3 das plântulas de milho.
. Resposta da soja a fontes e doses de fósforo em solos com diferentes teores de argila.
Nilson Darlan Vieira , Adonis Moreira
A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma cultura com alto potencial produtivo e grande importância no mundo devido a sua composição química, valor nutritivo, relevância social e econômica para os países produtores. Entretanto, o potencial produtivo e a qualidade dos grãos são impactados pelos fatores de produção e técnicas de manejo. O manejo adequado de fertilizantes e corretivos, permite a absorção de nutrientes necessários para o desenvolvimento e alta produtividade. Especificamente, a deficiência de fósforo (P) reduz o desenvolvimento vegetativo, a produtividade, a qualidade e causa senescência precoce, por outro lado, o uso excessivo do P pode afetar a sustentabilidade agrícola e ambiental. Neste contexto, foi desenvolvido este estudo em condições de casa de vegetação com o objetivo de avaliar a eficiência agronômica de fontes e doses de fósforo (P) na soja cultivada em dois solos, Neossolo Quartzarênico distrófico (RQd) com textura arenosa e Latossolo Vermelho Amarelo eutrófico (LPVAe) com textura argilosa e baixa concentração de P. O delineamento experimental foi inteiramente causualizado com três repetições por tratamento. Foram empregadas quatro doses de P (0, 50, 100 e 200 mg kg-1 ) e quatro fontes superfosfato triplo (SFT), fosfato natural reativo da Argélia (FNRAr), fosfato natural de Alvorada (FNAl) e fosfato decantado (Supraphos). Os resultados evidenciaram os maiores Índices de Eficiência Agronômica (IEA) e Equivalente Superfosfato Triplo EqSFT com aplicação de FNRAr e o Supraphos. Os extratores Mehlich1 e Resina apresentam uma alta correlação entre si e foram eficientes na avaliação do P disponível. As doses de P aplicadas aumentaram a produção de massa seca de parte aérea (MSPA), número de vagens por vaso (NV) e o peso de grãos (PG) em ambos os solos. O SFT e o FNRAr proporcionaram a maior produção de MSPA, NV e PG, entra as fontes. A fonte Supraphos elevou significativamente o teor cálcio (Ca) em todas as doses no solo argiloso, enquanto em solo arenoso não houve diferença entre as fontes e doses. As variações de pH causadas pelas fontes estudas ficaram em 4,5 e 6,5 e não resultaram em prejuízo na absorção de nutrientes. As doses e fontes de P não afetaram a absorção de Zn. Em solo com maior teor de argila são necessárias maiores doses de P, do que em solos arenosos, mesmo utilizando fosfatos mais solúveis, devido a maior fixação de P pelo solo argiloso
Caracterização de isolados de Corynespora cassiicola e sintomatologia de mancha alvo em diferentes cultivares de soja.
Jaqueline Dalbelo Puia , Marcelo Giovanetti Canteri
A mancha alvo da soja causada pelo fungo Corynespora cassiicola ocorre em todas as regiões sojícolas do Brasil, causando reduções de produtividade até 45% e perdas significativas na cultura. O objetivo do estudo foi caracterizar os parâmetros monocíclicos, resultantes da interação entre oito isolados de C. cassiicola e oito cultivares comerciais de soja, bem como determinar os sintomas exibidos pelas plantas inoculadas neste patossistema. Dois experimentos foram instalados, um in vitro e outro sob condições de câmara climatizada. O delineamento experimental do ensaio in vitro foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 2 x 8 (meios de cultura x isolados), com cinco repetições. Os isolados foram repicados em placas de Petri contendo os meios de cultura BDA e Suco V8 Ágar. Foram avaliadas a coloração, aspecto e taxa do crescimento micelial, produção, dimensões e número de septos dos conídios. O delineamento experimental do ensaio em câmara climatizada foi de blocos casualizados em arranjo fatorial 8 x 8 (isolados de C. cassiicola x cultivares de soja), com cinco repetições. Plantas em estádio fenológico V4, foram inoculadas com suspensão de cada isolado (2 x 104 conídios mL-1 ). Para cada combinação isolado e cultivar de soja, foram quantificados o número de lesões, período de incubação, a incidência e tipo de manchas necróticas em órgãos vegetativos. No ensaio in vitro, verificou-se que o meio de cultura em que C. cassiicola é submetido influencia a cor e taxa de crescimento, mas não influencia o aspecto de micélio da colônia. Os aspectos de micélio aparentam estar relacionados ao hospedeiro de origem. Isolados oriundos de plantas de algodão apresentaram aspecto de micélio plano, enquanto isolados provenientes de plantas de soja tendem a apresentar micélio aéreo cotonoso. O meio Suco V8 Ágar proporcionou a maior taxa de crescimento para os isolados de C. cassiicola quando comparado ao meio BDA. A produção de conídios em isolados oriundos de plantas de soja é equivalente ou maior quando cultivados em meio Suco V8 Ágar. As características morfológicas dos conídios de C. cassiicola apresentaram grande variabilidade em relação ao próprio isolado e ao meio de cultivo. Quanto ao segundo ensaio, a severidade e período de incubação de mancha alvo são influenciados pelos isolados de C. cassiicola, cultivares de soja e a posição do trifólio nas plantas. O isolado ISO 4S ocasiona maior severidade de mancha alvo, em relação aos isolados ISO 2A, ISO 2S e ISO 11S. Menor severidade da doença ocorre para os cultivares de soja BMX Potência RR, BMX Força RR e NA 5909 RG, em relação ao cultivar BMX Elite IPRO. Independente do cultivar avaliado, o período de incubação tende a ser maior para o isolado ISO 4S. A quantidade de lesões e o período de incubação de C. cassiicola é maior no trifólio inferior e menor no trifólio superior das plantas. Cinco padrões de lesões foram identificados. Os isolados ISO 1S, ISO 4S e ISO 11S ocasionam sintomas mais severos. Maior porcentagem de folhas com lesões ocorreu nos cultivares BMX Elite IPRO, BRS 284, BMX Garra IPRO e NA 5909 RG. Lesões com menor severidade ocorreram nos trifólios da posição média das plantas de soja. Sintomas nos cotilédones, folhas unifolioladas, pecíolos e haste das plantas foram observados. O isolado ISO 4S inoculado nos cultivares BMX Potência RR e BMX Força RR ocasionou maior incidência de lesões. A incidência de lesões nos pecíolos, aumentou conforme a posição em que o pecíolo é inserido na haste principal.